Como eu já disse há um tempo, é Setembro Amarelo e eu não poderia deixar de falar de algo tão comentado, mas ainda tão presente: o bullying. Não vim falar sobre o que ele pode causar na mente de outra pessoa, mas sim sobre o que causou na minha, quando fui vítima.
Nunca fui nenhuma santa. Já fui tímida, violenta, chata, legal, popular, desconhecida, feliz, triste… e agora sou boa, realmente boa. Porque, apesar de tudo de ruim que já fiz ou passei, pedi desculpas, pedi desculpas a mim mesma e me aceitei. Vou mudar de escola em breve e, finalmente, estarei completamente bem.
O bullying comigo começou quando eu estava no 7º ano. Eu não tinha amizades, não havia ninguém, e sempre fui vista como diferente, ou “esquisita”, pelas más línguas ― antes mesmo de me conhecerem.
Tudo começou com a exclusão. Eu não fazia parte de nada, e ninguém fazia questão de mim. Eu me sentia mal, e nada parecia poder mudar isso, até que, em abril, minha primeira melhor amiga chegou na escola. Ela decidiu vir até mim, conversamos e, em uma semana, já éramos boas amigas. Vamos chamá-la de Gabriela.
Gabriela era incrível como amiga, mas eu ainda me sentia mal, tanto por me comparar a ela quanto pelo bullying. E algo que eu sempre me perguntava era: será que um dia ela me defenderia? Mas ela nunca se preocupou em me defender minimamente, enquanto eu a defendia com unhas e dentes. Mesmo assim, segui firme, me mantendo de pé, mesmo com problemas financeiros, familiares, sociais e até espirituais.
Com o tempo, comecei a perceber o comportamento de Gabriela e percebi o quanto ela me fazia mal. Era tóxica e manipuladora. Quando decidi terminar a amizade, fiz isso de forma pacífica, sem brigas ou discussões. Nem me dei ao trabalho de dizer o quão abusiva aquela amizade havia sido. Só que, depois disso, TUDO piorou. Minhas notas caíram por causa dos pensamentos que me atormentavam. O bullying continuou, eu seguia mal, mas ainda assim insistia em me manter firme.
Acho que tudo desabou quando fui a uma psicóloga pela primeira vez e tudo veio à tona: o bullying, o sofrimento e tudo de ruim que eu estava passando. Eu tinha problemas sérios. Era estranho como eu parecia ser controlada pelos meus próprios pensamentos. Eu me sentia mal e, por isso, acabava sendo má com as pessoas. Me arrependo disso, mas, como disse, eu me perdoei e reconheço que o que fiz foi errado.
Então fui até a coordenação. Era o que eu podia fazer, minha última esperança. Eles foram reclamar na minha sala, e todos sabiam que tinha sido eu. No final da aula, me puxaram pela mochila, colocaram o pé para eu tropeçar, me empurraram de uma rampa e eu acabei torcendo o pé. Eles não foram punidos, até porque eu tinha medo demais de denunciá-los de novo. Fiquei com o pé enfaixado por uma semana.
Mais tarde, fui falar com uma garota. Ela disse que não queria ficar perto de mim, e eu não entendia o motivo. Foi então que descobri que Gabriela falava mal de mim enquanto ainda éramos amigas ― e principalmente depois do fim da amizade. Ela até mudou para o turno da tarde só para acabar comigo de lá também.
No fim, mudei de escola. Consegui me aceitar, me perdoar e buscar ajuda psicológica. Principalmente quando encontrei novas amizades: amizades saudáveis, pelas quais sou imensamente grata.
Hoje, faço acompanhamento com uma psicóloga e estou me curando dos problemas aos poucos. O Tumblr também tem me ajudado como passatempo, já que eu adoro escrever.