REGULUS ARCTURUS BLACK é um SONSERINO convicto. Com seus 18 anos, é a estrela de ASTRONOMIA, além de ser um rosto conhecido na extracurricular RUNAS ANTIGAS e CLUBE DE ASTRONOMIA. Seu sangue é PURO e não carrega um dom consigo. Também é sabido que ele é muito PERSPICAZ, e também RANCOROSO. Cuidado! Não o confunda com o trouxa LUCAS JADE ZUMANN antes de ter certeza.
Filho caçula de Orion e Walburga Black, carrega certo peso de excelência em seus ombros desde que seu irmão Sirius rompeu laços com a família. Por esse motivo e outros, possui grande e constante desejo de se provar.
É membro do time de Quadribol da Sonserina e joga na posição de apanhador.
É um bruxo habilidoso e especialmente curioso com determinados assuntos, como Artes das Trevas.
ANTES DE HOGWARTS: A criança mais jovem dos Black carregava em seu olhar uma curiosidade desde tenra idade. Os olhos azuis tão claros que pareciam cubos de gelo adoravam olhar para o céu, procurar a constelação de leão em busca da estrela mais brilhante. A sua. Sua segunda favorita com certeza era a de Sirius. Mas parecia automático procurar primeiro a constelação alpha Canis Majoris e em seguida a sua própria. O céu então sempre foi uma paixão presente em seus interesses; o fato de sua família usar os nomes desses astros para nomear cada membro era algo que lhe intrigava. Tão egocêntrico, claro que Orion colocaria nos filhos os nomes das estrelas mais brilhantes de suas posições.
Regulus não demorou, porém, a notar que, ao deixar de olhar para o céu, sua vida não era tão brilhante assim. O primeiro sinal disso era a forma como seus pais podiam ser rígidos. A criança não compreendia que as ordens e regras em abundância eram algo fora do comum, então agia dentro do esperado para que não sofresse nenhuma consequência. O círculo de convivência não lhe daria uma pista sequer de quão errado tudo estava. Bem, isto é, até Sirius ir para seu primeiro ano em Hogwarts.
(tw: maus tratos) Sozinho em casa com os pais e Monstro, Regulus virava alvo constante dos gritos, castigos e ordens enlouquecidas que Walburga decretava. Se antes já não tinha muita liberdade, sem a presença constante do irmão mais velho, tudo parecia se despedaçar de vez. O que mais lhe assustava era a mudança da mãe quando descobriu a ida do garoto para a Grifinória. Viu em primeira mão o que a notícia fez com a mulher e, escondido no quarto, esperou que os gritos e barulhos de objetos sendo quebrados parassem para que finalmente pudesse ver o que acontecia; não que tivesse conseguido passar da escada, o elfo doméstico no início desta tinha lhe lançado um olhar que deixava claro: não deveria se aproximar. A partir disso virou quase um fantasma dentro da mansão, seus passos mais leves para não incomodar os pais, seguindo o mais corretamente possível todos os horários marcados, as etiquetas e costumes sendo respeitados como nunca em uma tentativa de não chamar atenção para si. E funcionou. Não parecia difícil ganhar o título de filho favorito ou filho perfeito diante da realidade onde Sirius fazia tudo ao contrário do que aprenderam. Regulus viu diante de si seu irmão escapar por entre seus dedos.
EM HOGWARTS: Nem mesmo ir para a escola de magia e bruxaria serviu para aproximar-lhe mais uma vez do irmão. Regulus, ao contrário de Sirius, não tinha coragem o suficiente para construir um círculo de amizade como o garoto estava fazendo. Mestiços, nascidos trouxas? Não, por Salazar! Nunca conseguiria ir contra os ensinamentos dos pais daquela forma. Na escola, contudo, tinha contato com situações bem diferentes do que vivia em casa. Em seu segundo ano, Regulus entendeu que a vida em casa não era normal. Não era o que as outras crianças viviam. A maioria de seus colegas, mesmo sendo da Sonserina, não tinham medo de seus pais, não odiavam voltar para casa, não voltavam das férias com algumas marcas por causa de um passo errado que tinham dado.
(tw: menção à: tortura psicológica; síndrome de abandono, transtornos psicológicos) Mas, se questionado, talvez um dos marcos que lhe fez definitivamente enxergar a essência dos Black foi quando sua mãe atacou o primogênito de uma maneira que Reggie nunca pensou que veria. A partir dali, o medo virava algo constante. Primeiro, havia a culpa por não ter conseguido ajudar o irmão, trancando-se no quarto, escondido embaixo da cama para tentar não ouvir os gritos de dor que vinham do andar de baixo; segundo, a solidão pareceu tomar conta de si. Depois daquela noite e da ida do outro, estava sozinho. Sozinho para aguentar os surtos que seus pais tinham, sozinho para crescer, sozinho para viver. Ao contrário do que fez com seu primeiro filho, Walburga não encostava mais um dedo em Regulus. As agressões físicas pararam e, no lugar disso, vieram as psicológicas. A bruxa conseguiu mudar a imagem que ele tinha do mais velho, a narrativa que habitava em sua mente depois de anos de abuso era: você foi abandonado. E como não acreditar nisso, considerando que nem mesmo nos corredores, sua presença era reconhecida por aquele que era, sem dúvidas, a pessoa que mais amava?
Para suprir todas as suas inseguranças e a ansiedade que eram coisas cada vez mais crescentes, Regulus mergulhou de cabeça nos estudos e também no quadribol. Tornou-se apanhador do time da Sonserina e um dos alunos mais bem avançados em astronomia. Mas o que os professores não sabem, é que sua real aptidão é para as artes das trevas. Por ser um de seus assuntos favoritos, por ter acesso a exemplos e materiais para praticar, acaba se interessando por tudo o que envolve o tema. Não há como negar que amaldiçoar artefatos mágicos é um de seus passatempos favoritos desde que seu pai lhe ensinou como fazer.
Bellatrix não conteve o rolar dos olhos diante a visão do primo mais novo. Quando finalmente achou que tinha se livrado de Sirius, lembrou-se que ainda tinha Regulus, mas família era família e ela precisava dar um jeito de engolir aquele parentesco. ━━ Pois é, também não sei que tipo de maldição é essa que sempre me faz cruzar com vocês. ━━ Deu de ombros. ━━ Não precisa ficar tão na defensiva, priminho. Não me levantaria daqui pra te ajudar nem se fosse caso de vida ou morte. ━━ Como sinal de desinteresse, começou a olhar as próprias unhas. ━━ Eu cheguei enquanto ela ainda estava aqui, além de que tenho permissão especial do Ministério para ficar até a hora que eu bem entender na biblioteca. Você tem? ━━ Alteou uma das sobrancelhas para ele. ━━ Acho bom ter. Não quero acabar com problemas por causa da sua burrice, Reggie.
“Bom, porque como eu disse, não preciso.” retrucou. Não era a primeira vez ali naquela sessão e certamente não seria a última, o único contratempo era a presença de Bellatrix, mas isso era bem fácil de ignorar. Caminhando para a sessão com os livros sobre artefatos, passou a destra sobre as lombadas, os olhos mais estreitos para enxergar melhor os títulos. Como a iluminação não era a das melhores, pegou sua varinha para acender a ponta com um lumos silencioso, o único feitiço que conseguia atualmente fazer sem usar a voz. “Tenho permissão pra pisar aqui, já é o suficiente pra vir qualquer hora e arrumar alguma justificativa.” respondeu, olhando brevemente por cima do ombro para a encarar.
“O que eu não tendo algum tipo de permissão tem a ver com você entrando em problemas? Se algo desse errado, acha que eu iria alegar estar com você? É mais fácil eu acabar enrascado se disser isso.” revirou os olhos, voltando a encarar a estante e finalmente selecionando duas leituras e já partindo para a prateleira das maldições ali perto.
Os pensamentos distantes de Andromeda foram interrompidos quando o lugar ao seu lado foi preenchido com um movimento pouco sutil de Regulus. A bruxa, que antes estava com a cabeça cabisbaixa enquanto tentava neutralizar todo o alvoroço do salão, erguer o olhar levemente observando o primo pela visão lateral. Um finco discreto se formou entre as sobrancelhas escuras, enquanto tentava se lembrar da última vez que vira o mais novo. Uma parte de si estava curiosa e pronta para quebrar o silêncio entre os dois, mas Andy sabia que o outro provavelmente já havia ouvido as histórias mais absurdas sobre seu nome e que deveria vê-la naquele momento como uma verdadeira vilã dos livros bruxos infantis. A ideia fez com que um sorriso fosse esboçado no canto dos lábios de Andromeda, lembrando-se das conversas com Sirius sobre como eles se tornariam os maiores pesadelos das próximas gerações dos Black. As sobrancelhas se arquearam com o pedido inesperado e Andromeda não pôde deixar de esboçar novamente um sorrisinho ao esticar o braço para pegar não um, mas dois dos bolinhos que Regulus havia indicado. “Aqui” murmurou colocando um próximo ao primo e outro no próprio prato. “Se você não tivesse pedido, eles provavelmente passariam despercebidos por mim hoje” comentou ao pegar um pedaço, saboreando a sobremesa que antes fazia parte de quase todas as suas refeições, o semblante, no então não parecia tão satisfeito. Buscou pela mesa um pequeno pote de geleia de maçã, erguendo levemente a varinha para que ele viesse em sua direção. “Acredite, fica melhor ainda” completou com convicção, antes de colocar uma colher cheia ao lado do bolo.
Estaria mentindo se disse que esperava apenas o bolinho e nada mais, silêncio em troca de seu próprio também. Mesmo de longe, Andromedra não parecia alguém que se intimidava por uma reputação arruinada com os Black, até mesmo Regulus tinha que admitir que esse feito era... desejoso aos seus olhos, mesmo que nunca tivesse coragem de repetir os atos de traição para com a família. O garoto aceitou silenciosamente o bolinho antes de, tardiamente, murmurar um obrigado. O agradecimento saiu meio torto pois não queria deixar muito claro para as outras pessoas que estava de fato falando com a moça. Contudo, a curiosidade, como sempre, gritava mais alto em si. Seu cenho foi franzido enquanto a observava misturar o delicioso bolinho com... geleia? Quem, em nome de Salazar, faria um absurdo desses? “Isso não pode ser bom. Maçã é muito forte, quebra o gosto." comentou com uma certa descrença. No entanto, o moreno, após hesitar um pouco, não resistiu em pegar uma faca para raspar o doce e passar em cima do seu amado bolinho. A mordida foi ainda mais hesitante, mas a surpresa foi grande ao perceber que ficava gostoso sim. “Uau, é realmente bom. Isso não faz sentido, deveria ficar com gosto forte demais.”
O ar álgido da noite o cumprimenta quando abre as portas de vidro, o canto melódico das corujas e farfalhar das árvores abafando a música e o barulho das conversas no salão principal. Aproveitara a primeira oportunidade de se esgueirar para o jardim, não suportando outro segundo na presença dos familiares e suas conversas sobre sangue e status. Senta no desconfortável balanço de ferro e desfaz o colarinho, jogando a gravata num canto qualquer. Merlin, como sentia falta de sua jaqueta de couro e coturnos. Quando era pequeno, desfilava com orgulho os trajes a rigor em pretos e verde-escuro, de peito cheio quando seu pai o deixava usar o anel da família — mas, naquela noite, sentia-se um estranho. Deu impulso no balanço com o pé, deitando a cabeça para trás no encosto. Ali, afastado da comoção da cidade, o céu era muito mais límpido e as estrelas se exibiam. Ponderou onde @rablck estaria. O perdera de vista pouco depois de terem chego, tendo sido puxado para um canto por seu tio, Alphard, para compartilhar os eventos dos últimos tempos. Nunca deixava que o irmão se juntasse por medo do que a m… Walburga, pudesse fazer. Encarou as costas da destra, os resquícios apagados das palavras que haviam a adornado pelas últimas duas semanas desde que chegara em casa ainda ali; traidor de sangue. Não se importava de ser punido por suas ações, mas jamais admitiria que Regulus sofresse por sua culpa. Ou que ela pusesse a mão nele, isso é. Não depois de descobrir os limites que ela quebraria. A lembrança o causou um intenso resfriar na boca do estômago, arrepios percorrendo lhe pela espinha; precisou fechar os olhos por alguns instantes, se recusando a retornar para aquele momento. Ainda não sabia se seria capaz de recontar a briga para seus amigos, não sabia nem por onde começar — sequer contara para Alphard, não tinha coragem. Passara os dias seguintes àquela noite tentando encontrar uma justificativa, uma desculpa mas falhara. Os dedos trêmulos procuram pelos cigarros (surrupiados do quarto da mãe) dentro do bolso, rapidamente acendendo um e absorvendo a nicotina. Um péssimo hábito, especialmente aos quinze anos, mas o tabaco tornara-se sua saída mais rápida de suas aflições.
O tédio parecia consumir os Black mais jovens ali presentes na reunião familiar. Regulus tinha na face a expressão rotineira, fechada e sem expressar o que sentia, livre de qualquer coisa que pudesse render uma reclamação para seu lado. Mas por dentro? O garoto estava apenas lutando contra o sono que começava a lhe atormentar no meio daquela chatice. Seus pais como sempre tentavam exibir a criança para os parentes, contando seus feitos e sua crescente habilidade para maldições; algo que o menino nem sabia se queria realmente praticar no futuro, ainda mais depois de ver o dano que isso causava em alguém após ouvir sua mãe usar em Sirius. Sirius. Seu irmão tinha desaparecido e agora caía para si aguentar os pais sozinho. Não aguentava mais ficar ali então alegou que iria no banheiro, estava precisando de uma pausa de toda aquela encenação. Ao invés de procurar o banheiro, saiu em busca do irmão. Pela janela avistou a figura do mesmo no jardim, meio escondido na penumbra da noite. Reggie rapidamente pegou seu sobretudo e vestiu, não ousando sair no frio apenas com o terno elegante. Ao se aproximar do local onde Six se escondia, o menino parou para o observar. A culpa lhe corria, os gritos alheios pareciam se repetir em sua mente o tempo todo, tinha ficado no andar de cima escondido, com medo, não o ajudou quando claramente ele precisava de si. Agora pisava em ovos, andando hesitante até parar de frente ao balanço. “Posso... posso ficar aqui também?" perguntou baixo mas sabendo que isso já era o suficiente para fazer sua voz ser ouvida.
– Ocupado, hmmm – Amycus repetiu, balançando a cabeça, pensativo. Regulus normalmente não era tão misterioso assim, era fácil ler o mais novo, e quando não era, ele sempre dava com a língua nos dentes depois de algum tempo. Além disso, Amycus respeitava demais o espaço dele e dos amigos que tinha para forçar alguém a responder alguma coisa. Talvez ele estivesse saindo com algum ou alguma colega de turma, ou quem sabe desenvolvendo algum projeto… Paralelo. De todo modo, Carrow tinha a certeza de que Regulus sabia que se precisasse de alguma coisa, Amycus estava mais do que a postos para ajudar – Ok, se precisar de algo, sabe onde me encontrar – Mesmo assim, fez questão de assegurar, antes de dar mais uma mordida na tortinha – Eu não te negaria nada, por acaso tem alguma coisa que você pede e eu não faço, Reggie? – Amycus perguntou, rindo baixo. Tinha um soft spot por Regulus que não tinha por mais ninguém – E está muito bom mesmo. Bem fresquinhas. Provavelmente eram pro café da manhã, o que significa que vamos poder comê-las duas vezes – Disse, contente – Cansado, entendi. Bom, eu tenho certeza que essa visita à cozinha vai ajudar a dormir uma noite de sono melhor. Ah, eu? Só… Pensando na vida – Deu de ombros, alcançando outra torta – Sabe, Reg, aproveite bastante seu tempo em Hogwarts, com seus amigos e tudo mais. Sem querer começar esse papo de velho, mas já começando… As coisas ficam tão estranhas depois que a gente sai daqui.
Apenas assentiu para não se entregar mais do que certamente já estava fazendo. Era difícil mentir para a pessoa que estava sempre ao seu lado nos momentos em que mais tinha precisado. Regulus nem olhava para Amycus para conseguir manter sua desculpa esfarrapada intacta, concentrando-se em comer sua tortinha. “Eu sei sim.” concordou, mordendo logo o lanche para evitar deixar a boca vazia, com certeza era um perigo. Tendo algo para se distrair, relaxava um pouco mais. O garoto acabou erguendo o olhar para finalmente encará-lo, o riso divertido brotando em seus lábios. O Carrow era ainda um dos poucos que conseguia fazê-lo se aquietar o suficiente para ser... bem, um pouco mais de si mesmo. Não totalmente, mas bem mais do que com qualquer outra pessoa. “Se eu dissesse que queria matar alguém, você me ajudaria, então? Ou se eu quisesse... não sei, roubar a varinha de Dumbledore? Aquele velho provavelmente não iria notar, convenhamos.” bufou, revirando os olhos. O problema era que ele sabia que de fato, bastava pedir algo que o outro daria um jeito de desenrolar para si; não foi atoa que se tornou a figura de irmão mais velho para si, afinal. “O que é ótimo, melhor do que levar agora pro dormitório pra garantir que ia comer de novo. Alguém poderia tentar pegar, com certeza. Aqueles idiotas não têm bom senso.” terminando uma das tortinha, pegou uma segunda pois estava realmente muito gostoso para comer apenas uma. “Hm, não sei. As pessoas aqui são idiotas, não tenho amigos como você provavelmente tinha pra estar se lamentando assim. Pra mim não faz muita diferença, a parte ruim de quando acabar... vai ser voltar pra casa." explicou. “As coisas não melhoram depois de sair desse lugar? Agora isso é uma mentira que eu gostava tanto de acreditar!"
Esconder-se na Torre de Astronomia era seu passatempo favorito. Abominava ficar sozinho, porém, quando precisava aquele era o melhor local para botar os pensamentos em ordem, o oferecer a tranquilidade pela qual, por vezes, tanto necessitava. Quando ouviu a voz tão conhecida, parou onde estava, engolindo seco. Considerou, por um segundo, retornar pelo caminho de onde viera e deixá-lo em paz; claramente não era um bom momento. Mas eram poucas as vezes que encontrava-o sozinho e odiava a noção que não podiam ficar no mesmo lugar. E sempre gostara de fazer o contrário do quê deveria. “Modos?” Arqueou uma sobrancelha, retomando os passos. “A Senhorita Brown ficaria de coração partido te ouvindo.” A mulher em questão costumava ser a governanta que os dera muitas lições, incluindo etiqueta. Observou de relance a postura de Regulus, muito parecida com o modo como ele mesmo ficava por ali — o era ambos reconfortante e angustiante os hábitos que compartilhavam. “Respondendo sua pergunta, sim. Mas aqui é o único lugar silencioso à essa hora.” Levantou o livro em mãos — um exemplar o dado por Hagrid sobre criaturas mágicas —, indicando suas intenções ali. “O salão comunal está um caos e, por Merlin, vão me pegar morto antes de lendo, sozinho, na biblioteca.” Era verdade, em partes. Podia ter se aconchegado sob a árvore próxima ao lago onde sempre se reunia com os amigos, mas a Torre de Astronomia o trazia mais tranquilidade; em grande parte por causa daquele que ali estava. Puxou uma das cadeiras dum canto, sentando-se um tanto afastado do outro, botando as pernas sobre a barra de proteção. Encarou por cima do livro o cigarro nas mãos dele, torcendo o nariz. O próprio maço estava escondido no bolso interno da jaqueta de aviador, mas nunca gostara de se afundar nos hábitos ruins na presença de Regulus. “E desde quando você fuma?” O tom saíra demasiado parecido com um vou contar para sua mãe para o próprio gosto. Não tinha mais a mesma facilidade com as palavras, as intimidades para as brincadeiras ou a liberdade para criticá-lo: o deixando, mais vezes que não, sem palavras na presença de Regulus. Limpou a garganta, se ajeitando na cadeira. “Ah… deixe-me adivinhar, não é da minha conta?” Adicionou com escárnio.
Revirou os olhos ao ser cobrado pelos modos que, bem, Regulus tendia a deixar porta a fora da torre. Aquele era seu espaço seguro, onde podia apenas fingir que o mundo externo não existia, que estava sozinho, sim, mas pelo menos não tinha alguém ali para lhe perturbar. Isso não se aplicava ao momento, considerando que o irmão mais velho estava interrompendo seu momento de paz. Se já não estivesse fumando ali há algum tempo, se as folhas de artemísia já não estivessem agindo em seu sistema nervoso e lhe deixando um tantinho entorpecido, certamente estaria mais irritado com a interrupção. Agora, porém, Reggie apenas fechava brevemente os olhos e encolhia os ombros. “Ela não está aqui, o que os ouvidos não ouvem, o coração não sente.” declarou de modo distraído, abrindo de novo os olhos para lhe lançar um olhar de desgosto. Pelo visto Sirius não sabia mesmo quando não era bem-vindo em um local. Não o queria ali, não precisava da presença alheia para lhe lembrar do passado ainda mais estando meio chapado. “Ir para o dormitório com seus amigos idiotas não é uma opção?” indagou, erguendo as sobrancelhas. Não se importava onde diabos o outro acabasse lendo, desde que não fosse ali. Ao contrário das pessoas que certamente se surpreenderam ao ver o Black lendo, essa não era uma situação incomum para si. Então não se surpreendia com o ato, apenas com a escolha do destino para ler o livro. “Definitivamente não é da sua conta.” teve que concordar. Nada mais sobre si era da conta de Sirius, afinal. Mas após dar mais uma longa tragada, segurar um pouco a fumaça e depois soltar devagarinho, o mais novo continuou: “Mas eu também não sei, faz muito tempo.” antes mesmo do garoto sair de casa, Reggie já roubava alguns cigarros para fumar escondido ou então conseguia algo ali em Hogwarts. Com a saída dele, no entanto, esse vício se tornou mais forte.
ㅤㅤㅤㅤ𝙒 𝙃 𝙀 𝙍 𝙀. sessão restrita da biblioteca, quarto andar.
ㅤㅤㅤㅤ𝙒 𝙃 𝙀 𝙉. começo de noite.
ㅤㅤㅤㅤ𝙒 𝙄 𝙏 𝙃. quem quiser responder.
Mais uma noite em que Bella usava de seu tempo livre para estudar na sessão restrita, longe dos olhos de curiosos inconvenientes. Sua posição de auror no Ministério lhe conferia alguns privilégios específicos e considerando que havia recebido ordens para se aprofundar mais no tema de Artes das Trevas, não existia momento ou local melhor para tais pesquisas do que aquele. No entanto, quando escutou a porta principal se abrindo, xingou baixo por pura mania e ergueu os olhos para ver quem era a pessoa que vinha lhe atormentar. ━━ A bibliotecária já foi embora, não tem ninguém para te atender aqui. Vá embora.
Com a permissão para procurar livros sobre astronomia para aprofundar ainda mais seus conhecimentos, Regulus escolhia o horário mais calmo para isso, de noite quando ninguém mais queria estar por ali. O bruxo não se importava que estava um tanto quanto fora do horário, se algum professor questionasse era só fazer uma expressão inocente e mostrar sua notinha, fingindo não saber que existia um horário adequado para suas pesquisas. O que não esperava era encontrar a prima. “Eu sei que ela já foi, a intenção de vir nessa hora é justamente essa.” retrucou. “Não preciso de alguém pra me guiar por aqui, Bellatrix. Eu sei muito bem lidar com livros.” ainda mais que não tinha intenção alguma de ir buscar algo sobre astronomia, estava ali para pegar algum sobre maldições em artefatos, queria prolongar mais ainda o efeito de seus feitiços. “Você também deveria ir embora, se fosse o caso.”
Primeiro de tudo algumas infos: Regulus está no sexto ano, tem 18 anos de puro trauma, tem um gato maldito que nasceu pra infernizar e lhe dar ataques cardíacos ele chamado Albert, gay as fuck, nunca está atrasado para NADA, sempre tem uma opinião sobre algo mesmo que muitas vezes escolha não dizer nada. Mas saiba que ele sempre tem uma opinião sim. Rei da insônia? Sim. Comilão? Infelizmente. Resting bitch face? Yas, queen. Gosto musical de migalhas. Sua bio está aqui. E eu não me importo se já temos alguma cnn, SEMPRE podemos mesclar com outras que estão nessa lista ou até mesmo CRIAR MAIS, então VAMOS GALERA, PLOTS. Conexões nunca são demais, afinal.
ABERTAS
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Primeiras experiências (F): Se envolver com MUSE foi uma surpresa para Regulus, eles tiveram apenas uma única experiência que virou chacota entre eles porque, o que eu posso dizer? Regulus acabou tendo sua confirmação de que era gay quando MUSE e ele tentaram ir pra algo mais do que alguns beijos. Encontro de centavos mas piada de milhões agora.
Crush (M) : Se alguém insinuar isso, Regulus vai bater o pé negando. Onde já se viu? Regulus Black tendo sentimentos bestas assim? Mas a verdade é que MUSE veio pra mostrar a Reggie que ele, pasme, é um ser humano. Infelizmente é real. Ele tem uma quedinha sim por MUSE mas se ignorar isso passa né?
EXTRAS (ABERTAS)
Estou um pouco obcecada que saiu Heartstopper e eu gostaria muito de: um grupinho de amigos (NO SIGILO se tiver alguém que não seja da sonserina) estilo a amizade de Charlie, Tao, Isaac e Elle, não precisa da mesma quantidade de pessoas, apenas a energia caótica das personalidades misturadas e o apoio incondicional. Podemos também utilizar a base de Charlie, Tao e Aled, já que acho que Reggie tem um pouco a energia soft do Aled POR DENTRO. Mas sério qualquer uma das versões pra mim tá bom, gosto do povo animado.
Como eu já disse, Reggie tem uma alma fofoqueira. Então eu queria MUITO alguém que também tivesse pra quando acontecesse algo eles ficassem por dentro bem "Ah não fulano PRECISA saber disso", aí colhe a informação e vai correndo contar pro outro sabe? Do nível terem um código pra quando um deles tem uma fofoca nova porque como sabem, Regulus Black é um homem sério que não é visto por aí com expressões que não sejam cara de c*.
Olha eu não quero saber, alguém precisa me dar uma pessoa pro Regulus implicar e pra essa pessoa implicar de volta com ele. Do tipo, trocarem ingredientes das poções um do outro, mandar um berrador anônimo no meio do jantar, espalhar boatos absurdos tipo "você saia que Regulus Black tem uma verruga na bunda?". Eu quero caos.
FECHADAS
Quase um irmão: Apesar da diferença de idade entre Regulus e AMYCUS, qualquer um pode ver que a amizade entre ambos é forte. O bruxo mais velho assumiu o papel de irmão após Reggie ficar sozinho na casa com os pais, uma criança perdida para AMYCUS ficar de olho.
Família? É, tudo bem: Apesar de não gostar de ninguém da família Black, Reggie tem que admitir que, talvez, NARCISSA seja alguém que ele realmente aprecia. A única pessoa que ele tem contato desde pequeno e até hoje continua fazendo questão de ter por perto. Prima favorita? Sim, tudo bem, ele admite que sim.
Devo gostar ou não? Reggie ainda não sabe como lidar com ANDRÔMEDA. Ela é alguém que ele nunca teve contato e seus pais adoram xingar e amaldiçoar até à décima primeira geração. Deserdada, expulsa, morta com uma maldição e queimada são, nessa ordem, o que Regulus aprendeu que ela merece. O problema? Ele sabe que isso certamente faz a prima alguém interessante para conhecer.... e talvez legal.
Vamos xingar sim! Uma alma fofoqueira, sim, o mais jovem Black tem uma alma fofoqueira que assim que encontrou MARLENE xingando Sirius, tratou de concordar com a menina para que pudesse saber o motivo dos xingamentos... Pra que o pudesse xingar também, obviamente! Não importa o assunto, Regulus está ali pra ajudar a bruxa a xingar seu irmão, está aqui pra isso.
Ranço com motivos? Temos. Primeiro de tudo, Regulus já não gosta de PETER por ele ser um dos amigos de Sirius. O grupo maldito que roubou seu irmão. Então a coisa já não começa bem. Quando vai ajudar PETER a entender mais sobre objetos amaldiçoados, Reggie não podia perder a chance de dar um desses artefatos para o garoto! Até a enfermaria, otário!
Fracasso sim, desistência nunca: O futuro à Voldemort pertence, mentira, gente que isso. Mas de qualquer forma, Reggie não sabe o que espera por ele nos próximos anos, só sabe que precisa ter algum plano reserva vai que dá alguma merda? E é onde entra BELLATRIX pra lhe ensinar a técnica de alguns feitiços não-verbais. Ele é um fracasso? Claro que é. Mas ele é um sonserino, ele não desiste nunca! Na forma do ódio, Reggie ainda continua tentando SIM. Houve boatos que ele estava na pior já pensando em desistir mas esqueceram que essa palavra não existe no vocabulário dos Black!
Primeiras experiências (M): E vamos de sigilo de novo. Mas agora um ainda mais grave hein. SEVERUS foi a primeira pessoa do mesmo sexo que Regulus teve algum tipo de envolvimento. Tanto de beijos como de algo mais. Claro que depois Reggie surtou e ameaçou cortar o tico do fulano fora se essa história vazasse. então estamos em uma situação tensa aqui porque SEVERUS e Reggie acabam repetindo a dose em alguns momentos e eles ainda se divertem bastante quando Reggie deixa de lado os medos e as paranoias. INFELIZMENTE, diria Regulus.
Amigos em segredo: Ninguém, absolutamente NINGUÉM pode saber que SEVERUS e Regulus são amigos. Mas não é que eles sejam conhecidos ou falem quando acabam emparelhados juntos em alguma atividade. Não. Eles realmente são amigos. SEVERUS sabe alguns segredos que Reggie nunca contou para outra pessoa, eles sabem detalhes curiosos um sobre o outro, são amigos. Mas ninguém pode saber disso. Então nos corredores eles fingem que não se conhecem e nenhuma alma viva ousaria pensar que eles são próximos. Alma viva porque... bem, Nick quase sem cabeça viu os dois conversando e está por um fio de espalhar essa fofoca pelo castelo.
Vou roubar seu pet: Literalmente o que diz na lata. Regulus tem um gato que vive escapando de seu dormitório e sempre que quer saber onde o gato maldito tá, é só ir atrás de FRANK pois parece que seu gato é FRANK desenvolveram uma espécie de amizade. Então sim, meus amigos, temos uma guarda compartilhada forçada goela abaixo de Reggie aqui.
Um sábio disse uma vez que as lágrimas são as súplicas da alma. Nossas lágrimas podem esconder inúmeras histórias, não importa se sejam elas felizes ou tristes. Um coração machucado traz consigo um imenso conto; reconstruí-lo é algo impossível. A vida pode ensinar para um ser humano que ela é dura da pior maneira possível. Para Regulus, isso estava claro. No final das contas, todos nós somos um emaranhado de fios, buscando um sentido para a conexão de todos eles enquanto vamos desfiando pouco a pouco. Os fios mais frágeis vão se desgastando, se partindo com o tempo, até que reste apenas o mais firme. Porém, mesmo o fio mais firme se parte, lembrando que nós somos duráveis, não eternos. É a lei da natureza, os materiais, mesmo os orgânicos, gastam, acabam no prazo de validade, afinal, tudo tem o seu tempo.
No entanto, há um fator extrínseco ao “prazo de validade” dos fios, chama-se acaso. O acaso pode interferir de várias formas, pode acelerar o desgaste dos fios, ou pode rompê-los todos de uma vez, mas, a parte mais triste é ser obrigado a assistir eles se romperem lentamente, porém, em uma velocidade maior do que deveria. Queria que existisse um modo de desacelerar o desgaste, queria que o acaso não alcançasse ninguém e assim, ainda haveria esperança no meio tempo que os fios suportam, queria que ninguém tivesse de presenciar o momento do acaso onde os fios começam a se partir sem previsão, queria Merlin, que a história de Regulus não tivesse se complicado tanto.
Uma porta no corredor vazio foi avistada através de suas lágrimas e o garoto apenas entrou ali, encostando suas costas na superfície de madeira assim que a fechou quando viu-se na parte de dentro. Os soluços finalmente interromperam seus lábios e escaparam mais livremente. A dor que sentia no peito parecia tornar tudo difícil de respirar. Não sabia quanto tempo ficou ali chorando apenas deixando toda dor vazar através de seus olhos, apenas sentado no chão com o rosto escondido nos joelhos já que abraçava as pernas contra o peito. Sua cabeça doía, os olhos pareciam latejar e o nariz entupido dificultava a respiração. Mas Regulus finalmente notou algo estranho na sala. Havia um espelho no canto da parede. Finalmente dava uma olhada curiosa ao redor do ambiente apenas para ver móveis antigos empoeirados, alguns cobertos com lençóis brancos e outros apenas… quebrados, o que se identificava bastante com esses. Mas seu foco era no espelho que estava mais adiante, para sair dali, afinal, precisava ver se seu rosto estava muito ruim, se a expressão em sua face denunciava o quanto tinha chorado.
Tomando uma respiração profunda, aproximou-se do espelho na intenção de arrumar seus cabelos e limpar um pouco a face, tornar-se mais apresentável antes de ir para o dormitório. Mas ora, dizer que Regulus se assustou com a imagem que viu ali seria o eufemismo do século. Em questão de segundos, não era apenas a sua imagem desgrenhada que encarava, mas sim a figura esguia de Sirius atrás de si. Assustado e com medo de ter sido pego pelo irmão, olhou para trás. A sala estava vazia. No espelho, porém, ao retornar seu olhar, Sirius sorria. Aquele sorriso que ele costumava dar para os amigos após alguma brincadeira aleatória que Regulus observava silenciosamente de sua mesa. O sorriso que o irmão costumava lhe dar quando era menor. Sentiu seus olhos mais uma vez se encherem de lágrimas, mas teve sua surpresa renovada quando olhou para si mesmo e… viu-se mais jovem. O espelho não parecia estar mais refletindo o garoto quebrado, com o rosto manchado pelas lágrimas, vermelho de tanto chorar. Não. Havia sua versão mais jovem, a de quando olhar para o céu e procurar a constelação da estrela do irmão e em seguida a da sua… era sua única preocupação. A versão que tinha tudo, que tinha felicidade, um melhor amigo, um pai e uma mãe que não eram tão ruins. Ah, a saudade.
Regulus sentou-se à frente do espelho para admirar as imagens dos jovens garotos Black sorrindo um para o outro como se tivessem acabado de descobrir algo novo na casa gigantesca e tão vazia que viviam. Via em seu olhar a admiração, o amor, o deslumbre pela figura mais velha que… olhava para si da mesma forma. A figura dos pais mais atrás observando os dois garotinhos em nada se pareciam com as pessoas que conhecia agora. Walburga e Orion não tinham de fato mudado, eles provavelmente eram pessoas tão cruéis e ruins naquela época como eram agora… mas aquele Regulus? Ora, ele não enxergava isso como fazia atualmente. Haviam momentos ruins, apenas isso. Agora, tudo se resumia a isso, não foi ao acaso que seus pais passaram a ser vistos como verdadeiramente eram. Não foi ao acaso que perdeu o irmão. As lágrimas voltaram a cair pois o que havia em seu coração era o desejo não apenas de ter aquilo novamente, sabia que isso não era possível, estava muito danificado para exibir uma despreocupação daquela em sua face; mas o desejo de ser aquela criança novamente.
Deixou novamente que as lágrimas caíssem pelos seus olhos azuis, molhando sua pele pálida. Um grito rouco, doloroso foi solto, quebrando o silêncio da sala em uma tentativa falha de colocar para fora sua frustração e toda a dor.
Mas o que Regulus poderia fazer? No final das contas, todos nós somos um emaranhado de fios tentando desembaralhar as coisas que formam nossa mente. Acaso… é uma palavra engraçada; Amor, por sua vez, é uma que pode trazer dor. Mas ambos andam juntos, um ao lado do outro. Queria correr e gritar, queria consertar tudo o que acontecera, queria só uma estrela cadente para fazer tudo ficar bem, para consertar aquele emaranhado de fios que, aos poucos, foi sendo desfiado e levou para longe de si o que seu coração deseja. Sua família.
Essa foi a primeira e única vez que Regulus encontrou tanto a sala em questão, quanto o espelho. Não precisava mais saber o que havia em seu coração pois assustou-se com a verdade na primeira vez que encarou o reflexo do que havia dentro de si.
Merda. O único lugar vazio na mesa do Salão Principal era ao lado de Andrômeda. Aquele nome só era ouvido por si em casa quando os pais resolviam falar sobre os familiares que envergonhavam a família e que mereciam ser deserdados, amaldiçoados, mortos e queimados. Sim, nessa ordem. O único problema era que Regulus sabia que, bem, se seus pais não gostavam de alguém, essa pessoa deveria ser, no mínimo legal. Não que fosse admitir que pensava daquela forma, não estava ali para sujar-se com opiniões impopulares no meio de sua família, não mesmo. Mas não deixava de sentir uma tremenda curiosidade, ainda mais pois tinha um fascínio secreto e culpado sobre as pouquíssimas pessoas que escaparam do inferno que era a Casa Black. Com uma tremenda hesitação e já exausto de ouvir o tagarelar incessante de alguns colegas que tinha se juntado só para que pudesse pensar onde iria sentar, tomou uma certa coragem de assumir o espaço livre ao lado da mais velha. Regulus não a olhou de imediato, mas começou a sentir-se extremamente incomodado em questão de segundos pois seu bolinho favorito de banana, estava mais próximo à moça do que a seu próprio alcance. Não teve opção a não ser suspirar consigo mesmo e dar-se por vencido, dirigindo o olhar um tanto quanto sem graça para ela, limpando a garganta com um pigarro para chamar sua atenção. “Pode me passar aquele bolinho ali com a cobertura branca?” indagou, tardiamente acrescentando um por favor meio forçado. Não era nada bom em iniciar conversas ou falar com pessoas estranhas.
dorcas agradeceu mentalmente pela prontidão e esperteza alheia, calçando os abafadores sobre as orelhas o mais ágil possível, porém não o suficiente para que pudesse agradecer o rapaz, vez que… bem, a gentileza alheia custara-lhe, literalmente, a consciência. “black!” dorcas exclamou, vendo como em câmera lenta o corpo alheio atingir o chão, o que retorceu seu rosto em uma careta, enquanto sua prioridade mudava para tentar não deixar que a cabeça do garoto se chocasse com o chão. infelizmente, a gravidade era mais rápida do que os passos de dorcas. “droga!” exclamara consigo mesma, levando alguns segundos para decidir se acudia regulus ou socava a maldita mandrágora abaixo de terra. bom, não adiantava nada tentar acordá-lo sem antes calar a boca da raiz, mas a garota teve o cuidado de ao menos ajeitar os abafadores sobre os pobres ouvidos de regulus antes de catar um vaso livre, colocar a planta berrante e começar a juntar punhados de terra sobre ela. amaldiçoando cada segundo que demorava a mais para cobrir a planta, dorcas finalmente conseguiu calá-la, podendo finalmente cuidar do garoto apagado. com cuidado, ergueu a cabeça dele para acomodá-la sobre as coxas das próprias pernas dobradas, procurando na própria bolsa uma das poções que sempre carregava consigo. criação própria e ainda em desenvolvimento, a poção experimental contida em um pequeno frasquinho veio a calhar, tendo régulus como seu primeiro cobaia, ao que a garota abria a boca alheia e pingava três gotas com o conta-gotas, torcendo para que o efeito do grito da raiz pudesse ser mais rapidamente revertido. “vamos, regulus, acorde!” o incentivava, como nada mais do que um conforto para a própria ansiedade.
Uma coisa que não esperava àquela noite era acabar desmaiado no chão da estufa. Sempre tão cuidadoso, Regulus nunca pisava ali sem seus protetores de orelha para evitar, bem, desastres como este. Só que dessa vez claramente não teve tanta sorte pois, além de desmaiar, ainda despertava com um gosto horrendo na boca e a cabeça um pouco dolorida. Um xingamento baixo em francês escapou de seus lábios, desorientado, seu cérebro parecia recorrer à língua ao qual seus pais praticamente forçaram-lhe goela abaixo desde tenra idade. Era um reflexo, algo dava errado, o francês assumia o lugar do inglês. As pálpebras abriram com uma certa lentidão e as íris azuis encararam o teto de vidro por alguns instantes, precisava dar-se conta do que acontecia para poder tentar falar novamente, dessa vez recorrendo à língua materna. “Cadê a maldita planta?” reclamou com a voz pesada, um pouco grogue do choque de ter acordado tão rápido, certamente, mas não que o Black tivesse alguma ideia disso, apenas tentava se orientar com os fatos. A destra subiu para as orelhas onde sentiu o protetor e assentiu consigo mesmo, satisfeito de ter... colocado aquilo? Não, não colocou, tanto que chegou a desmaiar. Foi só então que notou a garota ali acima de si, fazendo-o franzir o cenho. “Ah, você não desmaiou também?”
estava voltando de seus afazeres, esperançosa de que pudesse encontrar aquele pequeno salão comunal vazio para organizar a bagunça de livros que trazia consigo depois das suas aventuras pelos corredores da biblioteca. a caçula murmurou a senha, deparando-se com o lugar quase vazio, mas, pelo menos, não percebera ninguém íntimo o suficiente para tirá-la de seu foco. depositou os livros em cima da mesa, a maioria deles referente às suas pesquisas em estudos antigos, e só então se dedicou a organizá-los em ordem alfabética por autor; somente ao empilhar o sexto livro, ergueu o olhar para observar o ambiente. percebeu, então, a presença do seu primo — e o seu favorito, alguém que ela confiava que não causaria problemas para sua família. ❝ — regulus ❞ proferiu em cumprimento, acenando discretamente com sua cabeça. ❝ — espero que não esteja perdendo nenhuma aula, ou o jantar, não sei exatamente as horas agora ❞ seu tom era sereno, apesar de suas palavras a fazerem soar como uma mãe; se importava com a sua família, no fim das contas, mesmo que fosse difícil dar conta de todos eles com o passar do tempo. ❝ — como você está? precisa de alguma coisa? ❞ questionou, de forma descontraída, desviando sua atenção outra vez para os seus livros por um momento.
Não havia motivos para não se aproximar de Narcissa. Gostava da prima o suficiente para não se irritar com sua voz ou sua presença nos jantares de família ou nas reuniões que insistiam em fazer. Ela era a única com quem tinha contato desde criança e que, até hoje, não hesitava em se aproximar. Ou, nesse caso, pedir uma certa ajuda. “Não estou, tenho um horário vago. Algum idiota achou sensato misturar ingredientes que não estavam no pergaminho e explodiu tudo.” revirou os olhos com a incompetência do estudante em questão, um lufano, claro. Regulus não esperou um convite para que sentasse ali à mesa junto com a garota, apenas ocupou o espaço vago e suspirou pesadamente. “Estou tendo Estudo dos Trouxas.” o desgosto em sua voz era evidente, o bruxo, infelizmente, não conseguiu escapar daquela atrocidade de disciplina naquele ano. Um tormento, em sua singela opinião. “E tenho uma tarefa onde preciso preparar algo sem a ajuda da magia, mas eu sinceramente não sei como os trouxas cozinham sem magia. Será que seria possível você me ajudar com essa desgraça?”
Amycus deu um sorriso que era o mais próximo de amável ao reconhecer Regulus na luz escura da cozinha. O mais novo era uma das pessoas favoritas de Amycus no mundo e definitivamente no castelo. Apesar da pouca idade, o jovem era bastante inteligente e perspicaz, e era como o irmão mais novo que ele sempre quis e nunca teve – E pulou o jantar por que? – Perguntou, cruzando os braços e apoiando as costas no balcão da cozinha – Já falei pra você não ficar sem comer – Amycus empurrou Regulus levemente com o ombro, antes de descruzar os braços e bagunçar o cabelo do rapaz – Só porque hoje eu estou muito benevolente. Vamos ver o que temos por aqui… – Desencostou-se do balcão enquanto voltava a sua busca. Depois de um certo tempo de procura, achou uma bandeja cheia de pequenas tortas que provavelmente eram para o dia seguinte – Ah! Excelente – Disse animado, colocando a bandeja em cima da mesa na frente de Regulus, e sentando-se ao lado do garoto – E como estamos hoje? Você parece desanimado.
“Eu estava ocupado.” disse de maneira enigmática, recusando-se à contar o que fazia logo assim de primeira. A verdade é que precisava inventar alguma mentira pois não havia maneira alguma de admitir que estava na torre de astronomia tendo uma crise por ter visto seu irmão naquele dia. Falar sobre isso com certeza iria levá-lo de volta ao estado catastrófico que ficava quando tocava no assunto, queria um pouco de paz dessa vez; ainda mais por saber o quão idiota era, seria estúpido demais lamentar pela milésima vez com Amycus sobre esse problema. “Não estava com fome na hora do jantar, acabei pulando, apenas isso. Mas aí agora não consigo dormir, minha barriga está vazia.” explicou, encolhendo os ombros. O bruxo riu ao ser empurrado, fazendo uma careta ao ter as madeixas escuras sendo bagunçadas. “Você me negaria comida, Amycus?” indagou de modo dramaticamente ofendido. Foi uma sorte o outro ter encontrado as tortinhas, Regulus não hesitou em pegar uma delas para comer. “Hm, isso está bom.” murmurou de boca cheia, algo que era veementemente repudiado na casa dos Black, mas ali em Hogwarts, o garoto permitia-se fazer, pelo menos na presença de pessoas que estava confortável. “Eu estou bem. Só... cansado. Não conseguir dormir é muito chato, ainda mais quando você quer dormir.” comentou, encolhendo os ombros. “Mas o que é que você está fazendo por aqui? Só fez me bombardear de perguntas até agora.”
A torre de astronomia não era boa apenas para observar as estrelas. Podia se esgueirar praticamente em qualquer horário do dia e o local estaria livre para que pudesse fumar um pouco e ficar longe de toda agitação de Hogwarts. Regulus andava irritado nos últimos dias pois aquelas pessoas invadindo o espaço da escola apenas deixava o ambiente ainda mais insuportável. Não vinha sendo um bom ano para si e talvez por isso qualquer passo na direção errada, lhe desagradava. Para relaxar, nada melhor do que deitar-se no chão frio da torre e levar aos lábios um cigarro enrolado com folhas de artemísia. Era um bem mais fraco que o normal já que em algumas horas teria aula de astronomia e nelas gostava de estar com seus pensamentos no lugar certo. O que o Black não esperava era que passos interrompessem seu precioso silêncio. E se já não estivesse irritado quando pisou ali, agora iria ficar. “Que porra você quer? Hogwarts é enorme, não tem outro lugar pra ir?”