“Eu sou quebrada, em mais ou menos quatro pedaços. Creio e sinto dizer que só tenho um pedaço bom, e que ele é bem minúsculo. Os outros três são parecidos, mal vividos, meros cacos do resto da minha dor. Digo agora o que tem de principal em cada pedaço do que me sobrou. O pedaço um é infeliz, solitário, profundo em tudo e muito, muito egoísta. O pedaço dois é triste, vazio, cheio de dor e sufocado por si prório. O pedaço três, não tem cor, sabor ou vontade, eu poderia até dizer que não existe, mas seria maldoso da minha parte (que contraditório). E não menos importante o pedaço quatro, esse pequenino pedaço tem uma esperança que eu não não saberia por em palavras, ele é como se fosse alma desse meu corpo imundo, ele é entupido de gratidão, enxerga beleza onde raramente alguém consegue ver e tem um medo de se mostrar que podemos dizer que é antissocial, ele consegue ser feliz em poucos momentos, mas nunca se deixa bater, ele sempre quer ter e ser mais. Para manter o equilíbrio desse meu quarteto, eu pego um pouquinho de cada pedaço para tentar me fazer inteira. Sou uma bomba, que em qualquer momento pode explodir e destruir tudo ao meu redor. O que mais tenho medo é de quando eu explodir, os pedaços se multiplicarem. Mas o pedaço bom vai ficar ali, me fazendo forte.”
— Ana Lua.




























