esscminaelouca:
A verdade é que jamais fora uma mulher amuada, possuindo certo bom humor, por mais que este fosse ácido, até mesmo perverso, e que, ela sabia, já atingira Roseberg mais de uma vez, fosse propositalmente ou não. Se fosse um pouco mais sensível, veria que a pobre Johanna jamais mereceu aquilo, por mais que sua imagem estivesse, para Willa, atrelada aos revoltosos que invadiram Aspen e deixaram-na entre a vida e a morte. E não é como se a austríaca tivesse sido diretamente cruel com Johanna ––– se tratava mais de frases extremamente polidas, educadas, mas ao mesmo tempo, corrosivas. E Habsburg sabia que Roseberg era inteligente para captá-las. Resultado? Desprezo mútuo. Mas ora, o que poderia ter de tão ruim em um diálogo na sala de espera? Willa certamente tentaria se comportar. Esperava, contudo, que precisasse chamar Johanna para sentar ao seu lado, mas ela mesma fez as honras, fazendo com que a austríaca erguesse uma sobrancelha em surpresa, mas repuxasse os lábios discretamente para o lado. “ ––– Ah, nada de tão interessante. E economia grega continua em ascenção, o Ministro francês anunciou novos investimentos em educação, e… Ah, o Duque da Normandia acaba de ter… O primeiro filho. Um fato um tanto curioso para estar no jornal, não acha, schatz?” Era como se fosse uma conversa normal, entre duas conhecidas ––– e não era exatamente aquilo que elas eram?
Um sorriso delicado surgiu ao ouvir as tais notícias do jornal. Não, não era sobre a economia na Grécia ou sobre a educação na França, foi a escolha em mencionar o primeiro filho do duque da Normandia que fez a vermelha estremecer. Era como descobrir um fato novo, de repente, ligações das mais diversas apareciam em lugares inusitados. Lembrava-se de quando começara a aprender a ler, com apenas quatro anos, em como de repente, letras surgiam em lugares que ela tinha certeza que nunca estivera ali antes. Em placas, em livros, na embalagem de seu shampoo de cabelo... Todos os lugares os pequenos desenhos agora se transformavam em letras. Agora, anos mais tarde, o mesmo fenômeno acontecia com a duquesa, só que com bebês. Por mais que tentasse se lembrar, não conseguia se recordar de ouvir falar tanto sobre crianças como atualmente. Será que alguma outra nobre estivera grávida antes e Johanna havia falhado em notar? Se publicava boletins informativos sobre nascimentos dos jovens nobres? Normalmente associavam pequenos enjoos a gravidez? Era como se o tópico estivesse sempre ali, as espreita a lembrando de coisas que ela não queria se lembrar. --- --- Nepotismo é uma benção. --- --- O tom era neutro, e apesar de estar sendo irônica, sabia que talvez a opinião da austríaca fosse aquela. --- --- Engraçado como ultimamente se tem falado tanto sobre bebês... Eu não me lembrava de ser um assunto tão comum antes. Você que esteve aqui durante todo esse tempo sabe me dizer o que anda acontecendo nessa ilha?














