brilhabriana.
O maior problema de Briana com Lorenzo deveria ser o fato de que o regente realmente acreditava que sua primogênita era um gênio acima de tudo. E o fiasco era que ela já acreditado naquilo! Lidar com a princesa durante sua infância e adolescência havia sido um verdadeiro martírio para qualquer um que tivesse convivência com sua inteligência exacerbada, graças as palavras de seu pai. Apenas muitos conselhos de Miguel e tantas outras sessões de terapia tinham feito com que o seu ego fosse atenuado. Agora, tinha os pés no chão, mesmo que o governante tivesse tido pouca influência nisso. ❛ —— Aquela em que o senhor disse que estava vendo as obras do Picasso e lembrou da minha genialidade? Sim, eu me lembro bem. ❜ Briana não conseguiu conter a nuance bem-humorada de suas palavras, sendo preciso de muita força de vontade da sua parte para que ela não risse. Pois, bem, analisando um contexto geral, Lorenzo estava visitando um dos maiores templos de tributos a artistas da Antiga Era e tinha lembrado da “genialidade” de Briana! Figuras históricas sendo comparadas em nível de igualdade com uma princesa que sequer tinha feito algo verdadeiramente extraordinário… Definitivamente, não era à toa que tinha necessitado de terapia aos dez anos! ❛ —— Mas a fotografia estava incrível. Você estava ótimo com aquele chapéu, pai! E a cara de felicidade do guia do museu também estava impagável. Pode me mandar mais algumas daquelas quando estiver longe. ❜ Complementou com um sorriso sincero. Apesar do exagero governante, aquela era uma foto que sempre guardaria consigo somente pela felicidade estampada no rosto do italiano. […]
O coração de Briana parecia mais agitado que o normal conforme esperava uma resposta de seu pai, suas mãos transpirando discretamente à medida que a italiana tratava de respirar com maior intensidade. Não conseguia se lembrar de alguma vez que tivesse levado uma bronca séria de Lorenzo, mas acreditava que aquela pudesse ser a primeira vez. ❛ —— Grazie per avermelo detto proprio ora. ❜ ¹ A princesa sussurrou tão baixo que não seria loucura se o regente não tivesse ouvido. Ademais, os conselhos de seu pai foram ouvidos com atenção pela mais nova e as informações foram guardadas na mesa caixinha de memória onde costumava colocar as Equações Euler-Lagrange e Teorema de Noether;; onde ela não esqueceria jamais. ❛ —— Prometo não cometer mais equívocos como aquele. Nós até estamos tentando uma nova estratégia para que não precisemos chegar a tanto novamente. ❜ Se justificou com uma timidez quase patética, soltando um longo suspiro logo em seguida. Esperava que seu casamento não entrasse em uma crise como aquela tão cedo, mas tinha aprendido na marra que divórcio não era uma chave para resolver qualquer problema com o marido. Conversar com Xenófanes era a resposta. ❛ —— È un po ‘complicato, papà. Forse dovresti parlare con lui. ❜ ² Emendou ao lançar um olhar para uma Cassie reclamona – os gritinhos evidenciavam que queria ir para o colo de Briana – então, sem muitas delongas, a mãe se aproximou de Lorenzo para que pudesse tomar o corpo diminuto nos braços. ❛ —— Viu só? Mas você já fez coisas parecidas! Não precisamos prolongar esse assunto, certo? ❜ Sugeriu com um relance de sorriso astuto que quase não fazia parte do seus trejeitos. ❛ —— Mas, ainda assim, desculpas por todos os inconvenientes. ❜A princesa emendou enquanto retraía os seus ombros, comprimindo logo em seguida. Tinham coisas melhores a falar, afinal!
Lorenzo sempre acreditara que evidenciar as boas características dos filhos fosse uma forma de animá-los e, também, mostrar-se atento ao que faziam, assim como demonstrar que era um bom pai. Verena era sociável e “boa” com pessoas; Leonardo era um gênio da cozinha e Myrela era, bem, boa em bater nos outros --- mas apenas nas aulas --- que, por sua vez, o príncipe permitira que a mais nova fizesse, muito embora sua mãe fosse terminantemente contra. Mas, bem, Lorenzo não levava muito em consideração os dizeres de sua esposa quando o assunto eram os filhos. Ele sabia como pertencer à nobreza era exaustivo e estressante, portanto, desejava que a vida das próprias crianças fosse mais interessante quanto possível. E isso era uma razão para constantes discussões em seu casamento. Obviamente, Frederica não concordava. Ela possuía uma ideia sobre a criação dos filhos que destoava completamente da noção pré-estabelecida pelo italiano quando descobrira que seria pai pela primeira vez. Mas, mesmo que a esposa fosse contra, nunca ouvia. Talvez tenha estragado un pochino os filhos ao fazer tudo que queriam? Talvez. Mas só um pouquinho. “Questo!¹ Pensei em você assim que entrei no museu. Me fez lembrar da sua primeira ‘pesquisa’.” As aspas eram perceptíveis na voz do homem ao que que se recordava das primeiras inclinações científicas de Briana. Ora, não era que o nobre exaltasse apenas a mais velha, contudo, era geralmente ela quem fazia algo grandioso para os padrões. Os demais filhos estavam apenas esperando, ele acreditava. Seu gene era forte para que pudesse ter mais de um filho com o nome na história. “Eu sou bem fotogênico, Briana. Todos os meus lados são bons e com o acessório certo --- que sua irmã faz questão de arrumar, como se eu não soubesse me vestir --- eu fico ainda melhor!” E, com um gesto com a mão livre, indicara a veracidade do fato ao apontar para o próprio rosto.
“E ia adiantar eu falar antes?” Questionara retoricamente, tendo ouvido os dizeres --- baixos, é verdade --- de sua filha. “Sentir na pele é a melhor opção. Agora mesmo estou sentindo na pele todas as vezes que Frederica me disse para não comer massa todos os dias. Essas escadas são enormes!” Lorenzo ainda estava inconformado com a incapacidade dos estudantes de lutar por um simples elevador. Eram meros sanguessugas de seus pais, aparentemente. “Se eu tivesse te falado, provavelmente diria que com você é diferente... Jovens acham que são diferentes de tudo e todos e acabam no mesmo buraco. Então deixa cair no buraco, depois ajudamos a tirar.” Dera de ombros como se fosse habitual para si assistir os outros quebrando a cara. Bene, era até divertido, se parasse para pensar bem. “É o tipo de coisa que você aprende depois de algumas vezes...” Mas, claro, Lorenzo esperava que Briana não fosse tão precipitada em outros momentos. Embora não desejasse tratar de tantas responsabilidades, sabia que a Brunelleschi logo seria detentora do lugar que ele ocupava, até então; Briana não poderia dar lugar às suas emoções momentâneas sem reflexões e conversas. Não fora lidando com sua emoção que o italiano conseguira os aliados políticos que possuía hoje --- e, tampouco, fora com base nos seus valores que se aliara à Rússia, por exemplo. O fato de sua filha não contar-lhe absolutamente nada, dando preferência para uma conversa com Xenofánes, fizera com que o italiano ficasse preocupado, embora não tanto quanto ficaria caso sua filha não tivesse chegado até a si. “Oh, per l'amor di Dio, siete tutti molto misteriosi.²” A referência era aos filhos, claramente. “E tu, traditore.³ Só porque sua mãe tem leite.” Apontara para Cassie com bom-humor, inclinando a neta para o colo de sua mãe. “Só te perdoo porque é minha neta.” O indicador mexera na bochecha gordinha de Cassie enquanto levantava o olhar para Briana. “Lógico que não fiz nada parecido, per favore! Não ande com essas crianças que usam coisas ilícitas, Briana. Tenho uma reputação enquanto príncipe regente.”











