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@recapacitando
“Pegue a minha mão e me leve pra longe daqui. Vamos fugir para aquele lugar onde podemos ser nós mesmos, onde podemos nos beijar sem medo do amanhã. Confesse, confesse que essa distância foi má ideia e que apesar de tudo, nesse momento podemos escolher um ao outro. Eu não sei onde será nosso abrigo, mas eu sei que se você segurar a minha mão, eu jamais soltarei a sua.”
— abismoadois
““Se não for hoje, um dia será. Algumas coisas, por mais que impossíveis e malucas que pareçam, a gente sabe, bem lá no fundo, que foram feitas pra um dia dar certo.””
— Caio Fernando Abreu.
há um tempo eu cheguei ao meu limite. foi uma época turva, tem uma música do selvagens a procura de lei que a letra diz "eu queria te ver/ mas não posso/ porque os meus olhos estão encharcados". é mais ou menos assim que me sinto sobre aquela época, eu não conseguia enxergar nada através das lágrimas. e não conseguia sentir nada além de uma imensa dor. e eu não conversava sobre isso com ninguém, acredita? acho que é meio inacreditável até pra mim, ter sobrevivido a minha mente doentia e depressiva daqueles tempos difíceis estando completamente sozinha. tenho medo do possível retrocesso, porque, como já disse, eu cheguei ao meu limite e eu sei o quão alto é o ponto da queda. não quero cair. mas os gatilhos são naturais. tem um cheiro específico que me leva ao passado, tem uma voz, um jeito de falar, um lugar, tem músicas também. agora mesmo, do nada, dentro da minha cabeça uma voz cantarolou baby, it's 3:00 am /had you on my mind. e por alguns segundos retornei pra uma noite triste. houve muitas delas. queria nunca ter ouvido música alguma nessas noites, é muito fácil o retrocesso através da música. a minha depressão estragou músicas, filmes, séries. porque tentando fugir do que eu sentia, eu tentava esses meios, a arte é capaz disso. eu também tentava fugir escrevendo e de uns tempos pra cá questiono se a escrita não está me destruindo também, e em vez de jogar fora, por meio das palavras eu não estou alimentando o que eu deveria matar. não quero parar de escrever, até porque consegui melhorar. acredita? é, até eu tenho dificuldade em acreditar. não quero retroceder, não consigo parar de escrever sobre isso, mesmo com a dúvida se isso é alimento ou veneno. só quero ir mais longe, longe desse longo caminho que percorri, ele estava repleto dos meus cacos quebrados, descalço, lidei com muitos cortes. ainda quero ouvir aquela música, do finding hope, mas não quero voltar pro passado. quero estar aqui, forte, como se eu nunca tivesse desejado desesperadamente não estar. quero apagar partes do meu passado, pra enfrentar o futuro com menos medos, mas igual aquela poesia da amanda lovelace: quem eu teria sido sem a inspiração por trás dos meus demônios?, acho que precisei deles pra ser quem eu sou. mas queria não ter precisado. queria ser forte e resistente sem ter precisado chegar aonde cheguei. acho que vou ouvir aquela música do finding hope. uma música não pode me destruir, se nem a dor foi capaz. eu sou maior do que tudo isso.
“As pessoas falam tanto em tempo, como se ele curasse tudo. Ele também destrói, corrói, separa e muda as pessoas. O tempo que traz é o mesmo que leva. Leva momentos, lembranças, amigos e amores. O tempo tem pressa. Por isso é importante aproveitar e saber valorizar. Há tempo para tudo, exceto para ser desperdiçado. Viva o que você tem para viver, aproveite o momento, não deixe nada para depois, pois o depois pode nunca acontecer.”
— Padre Fábio de Melo.
@imadinosaurrawraw 💟