8 anos desse lugar que me fez (e ainda faz, mesmo que em menor frequência) tão bem! <3

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8 anos desse lugar que me fez (e ainda faz, mesmo que em menor frequência) tão bem! <3
sextas-feiras
sextas-feiras me entristecem.
chego em casa e, ao fim do dia, só consigo pensar quanto tempo tenho.
quanto tempo tenho pra descansar, pra conversar com amigos e família, pra quem sabe sair e comprar algumas coisas que preciso...
só penso no tempo que vou gastar com tudo isso e quanto tempo vai me sobrar.
não tenho vivido... eu to só existindo e a cada dia que passa, isso fica mais claro. eu acho que não sei mais como reverter essa situação.
ou talvez eu já nem queira mais só vou tocando o barco.
— A. Ferreira
incolor
Em meio a tanto caos que carrego em mim, uma luz la no fundo — ainda que fraca — sobrevive. O sopro de vida que nos resta e que não morre, até que digamos que o fim chegou.
— A. Ferreira
/ caminhos
A cada passo a frente que dou, sinto que estou voltando dois. Paro e penso em tantas coisas que já vivi e outras tantas que deixei passar em branco. Sinto que minha vida corre assim, baseada numa sucessão de erros ou escolhas mal feitas. De passos dados em vão. Por fim, sei que o que passou não volta mais e o que me resta é poder mudar o que ainda há de vir. A vida segue e passos devem ser dados.
HER
Surgiu sem qualquer aviso prévio. Chegou como quem não quer nada, meio que imperceptível. Quando percebi, já tinha tomado conta de mim.
Com ela veio a dor, a sensação de incapacidade e o medo. Não dá pra descobrir uma solução imediata. A incapacidade nos deixa em desespero e sem reação. Paralisados.
Porém, isso não impede que encontremos uma solução.
O processo que nos leva ao encontro da cura pode ser longo, doloroso e até mesmo frustrantes. Mas o que importa é tentar e, caso não consiga... Adaptar-se.
O sabor agridoce do adeus.
Quem disser que o adeus é uma coisa fácil de lidar está completamente enganado - ou está tratando o seu adeus de maneira errada.
Nós sofremos com aquele momento, afinal, é uma despedida, onde muitas vezes não temos a certeza se haverá uma volta. Pode ser um adeus coberto com a esperança de um "até logo", mas também pode ser um adeus ciente que estamos dizendo "sei que não te verei nunca mais".
Por muito tempo eu enxerguei exatamente esse lado do adeus, o ruim, vamos dizer assim, mas de um tempo para cá comecei a mudar minha concepção sobre o adeus.
Uma palavra tão forte e que muitas vezes acaba nos machucando por conta da sua finalidade de uso, pode ser também algo de fato engrandecedor em nossas vidas. Pensa comigo, estamos ali vivendo aquele momento que está nos deixando para baixo, fazendo com que a gente sofra e ache que aquela dor nunca vai passar, o sentimento de perda, de impotência diante da despedida.... Isso é estarrecedor, porém, esta é a maior prova de crescimento que qualquer ser humano possa vir a ter em sua vida.
Enfrentar uma dor de tamanha proporção que a de um adeus é a forma mais difícil e dolorosa de crescer. Não digo que é a melhor forma - longe de mim pensar isso, afinal, quem em sã consciência iria querer crescer com base em seu sofrimento? - mas é a mais eficiente talvez. Vivemos o tempo todo em nossas zonas de conforto, sem querer mudar, crescer pessoal ou emocionalmente. Vivemos um filme, temos um script onde seguimos ao pé da letra sem a vontade de querer alterar se quer uma palavra. Essa é nossa zona de conforto, estamos bem ali, por que mudar isso?
Foi nesse momento que percebi o quão grandioso pode ser um adeus em nossas vidas. Nos move, faz com que sejamos forçados a sair da zona de conforto, a nos movimentar contra a maré. Mudamos o enredo do filme, deixamos de seguir o script e começamos a criar uma nova história, baseado no que deixamos ir. Mas e a dor? A resposta é simples, porém a prática não é da mesma forma. Encarar a situação e saber que o que vivemos de melhor passou e agora estamos aptos a criar um novo roteiro é a nova realidade, a história começa a trilhar novos caminhos, caminhos construídos pela força, e é como dizem: "depois da tempestade, sempre vem a bonança".
— A. Ferreira
Asas de Cecília
Normal como qualquer outra garota, Cecília não vivia apenas de sorrisos. Seu olhos escondiam a tristeza que guardara em seu coração e também um grande sonho, que faria tudo aquilo sumir.
Era um um dia frio, comum no mês de Agosto, e lá estava ela, debruçada na sacada de seu prédio, sentindo o vento frio batendo em seu corpo coberto apenas por uma fina camisola. Ela observava as pessoas andando a passos largos lá embaixo. Todos sempre com muita pressa, parecia que tudo tinha que ser de imediato para eles.
Naquele momento, enquanto olhava da sacada de seu prédio, Cecília via que aquelas pessoas lá em baixo e sentia que não faziam parte daquele mundo. Pelo menos não da maneira que ela gostaria.
Um passo foi o suficiente. Agora, tudo era um eterno sonho, onde ela era alguém diferente, alguém que sempre quis ser e, finalmente conseguiria realizar seu sonho. Ela agora podia voar! Podia se livrar das dores que carregava consigo em sua alma da melhor maneira possível. Pairando sobre as nuvens.
Cecília não se via naquele mundo de antes e a única alternativa que encontrou foi entrar em um novo mundo, onde tudo era possível, onde ela se encontraria e se sentiria bem. Seu sonho deixou de ser apenas mais um, de entre tantos outros que teve durante várias noites deitada em sua cama. O sonho agora é uma eterna realidade. Ela tem asas e voa sem medo de acordar. Seus vôos agora são eterno.
— A. Ferreira
Inside
Ali estava eu, deitado, acompanhado apenas pelo silêncio do meu quarto. Chovia lá fora. Há tempos que isso não acontecia.
Diante daquele momento, apenas eu, meu travesseiro, minhas cobertas e o silêncio do quarto, eu pude perceber uma coisa que, por algum motivo, me causou medo. Eu estava ouvindo os batimentos do meu coração. Naquele momento me veio a mente como somos tão vivos por dentro e não paramos para perceber isso. Além do fato de também sermos tão frágeis.
Meu coração batia ritmicamente e, eu, ouvindo aquele batimento comecei a ficar angustiado, apreensivo. Eu estava ali, parado e ouvindo meu coração bater, - imagina que coisa louca? - é algo que não faço o tempo todo, para ser sincero, não faço isso quase nunca. Pode até parecer loucura ficar deitado por conta de ouvir os batimentos do coração, quem faria isso? Pensei comigo mesmo - a não ser que você tenha uma taquicardia, claro -. Isso me fez parar e pensar em outra coisa... A qualquer momento meu coração poderia parar e eu conseguiria perceber aquilo. Eu conseguiria sentir o momento exato da minha morte.
Por 5 minutos eu me vi deitado penas observando os batimentos do meu coração, rodeado pela sensação de que ele poderia parar a qualquer momento. Qualquer batimento que não estivesse em ritmo era motivo para preocupação, e esse medo ficou em mim por todo o tempo que estive acordado.
São coisas que acontecem por acaso que fazem a gente refletir sobre tudo. Isso me fez perceber o quão frágil nós somos e não percebemos, também não vemos a vida que temos dentro de nós, não vemos que um simples batimentos fora do ritmo pode acarretar e algo mais estrondoso e fatal. Somos atentos a tudo, fazemos muitas coisas ao mesmo tempo, mas, ainda sim, somos desatentos com nós mesmo.
— A. Ferreira
Pela janela do carro
Chovia aqui fora e, olhando logo a minha frente, eu conseguia ver suas lágrimas seguirem o mesmo curso da água da chuva que escorria pelo vidro. Em certo momento elas se juntavam, formando uma única gota. Ao acompanhar aquela gota que caía, me perguntava qual seria o motivo de tal choro. Tristeza, talvez? Mas, após vê-la cair, subo meu olhar novamente, recapitulando todo o percurso que aquela gota havia feito pelo vidro do carro e me deparo novamente com teu rosto. Agora vejo um sorriso. Eis que, percebo que havia me enganado e logo percebo que não existia tristeza naquela lágrima caída. Era uma gota de felicidade. E era por me ver novamente.
— A. Ferreira
Caixa Postal
Eu estava com um copo de whisky na mão e levemente embriagado, enquanto a única coisa que se passava na minha cabeça era “devo pegar este celular, ligar para ele e dizer tudo, TUDO o que eu realmente penso sobre todo esse tempo que vivemos e o quanto isso me fez mal”. Você sabe muito bem como isso funciona, a bebida entra e as verdades saem. Você mais do que ninguém me entenderia, afinal, foram inúmeras as vezes que você fez isso comigo, se lembra?
Mas, eu senti que aquele não era o momento certo. Bêbado eu não seria levado à sério. Mesmo sendo mais sincero do que você poderia imaginar, eu não me lembraria de nada, a ressaca do dia seguinte me faria esquecer e isso não é o que eu quero.
Me guiei até o banheiro - segurando em alguns móveis e a parede -e tomei um banho de água fria. Aquela era a sanidade caindo sobre mim, me fazendo sensato novamente, me lembrando que eu deveria estar sóbrio para poder lembrar de cada palavra dita, para lembrar de cada minuto passado ao seu lado e o quanto eles me fizeram mal. Seria a minha libertação. Era um peso de anos que eu estaria tirando das minhas costas.
Hoje eu acordei sóbrio e resolvi gravar esta mensagem para você e, veja só, estou completamente ciente de tudo o que tinha para lhe dizer. Quando se trata de uma vida, da qual hoje eu vejo que, só me fez mal e eu me arrependo de ter vivido ao seu lado, eu sei exatamente o que dizer. E não me calo.
— A. Ferreira
Calo
Disfarçado por teu olhar, E encoberto por teu sorriso. Em silêncio tu sofrias... Não compartilhava de sua dor. Calo-te. Calo-me. Nos calamos.
O silêncio nos rodeia, Permeia pelos cômodos da casa.
Nos rendemos ao esquecimento, Entregamos a ele (em silêncio) a nossa dor.
Enfim, a compartilhamos. E por fim... Nos calamos.
— A. Ferreira
Crônicas de um passageiro
Eis que, no ônibus, uma mulher conversando com seu amigo sobre emagrecimento e exercícios físicos, diz orgulhosa: Eu faço caminhada mesmo e é ótimo! E quando chego em casa, como um estrogonofe maravilhoso. Ao ouvir aquilo, logo pensei: Tá certíssima, assim vai emagrecer mesmo, inclusive, vou até pedir a receita do estrogonofe, quem sabe não funciona para mim também, né?
E aqueles amores de 15 segundos? É a conta certa de poder olhar para a pessoa e criar uma vida com ela, do namoro ao término, enquanto ela vai se distanciando e levando junto toda aquela vida que você estava construindo mentalmente. Hoje em dia nada é duradouro.
A. Ferreira
04:00
A madrugada foi chegando como quem não quer nada. Silenciosa. A tv já não clareia intensamente como antes, os programas são mais sutis, calmos e tediosos.
O filme que acabará segue mostrando os créditos finais, acompanhado de uma música fúnebre, que me faz pensar: por qual motivo mesmo eu havia colocado nesse canal?
Naquele momento a resposta já não mais importava. Minhas pálpebras cansadas pediam arrego, só queriam descanso. Foi quando percebi que já passava das 04h00 da manhã e que ali eu me encontrava sem nada a fazer, ou a pensar. Apenas vendo sobre os meus olhos a vida e o tempo passar.
— A. Ferreira
O ser humano parece que nasceu para ficar apreensivo. Ansioso. Percebemos isso claramente quando vamos a uma entrevista de emprego. Aquele momento de espera que antecede a sua vez de ir até o entrevistador é devastador. Quando se está com fome então, tudo piora, acredite.
As mãos não param quietas. Estalamos os dedos, cutucamos as unhas, roemos elas... Aí, de repente, paramos e damos lugar a inquietude das pernas, que se movimento de maneira frenética, demonstrando da maneira mais descarada a nossa ansiedade. Até que alguém vem em nossa direção e diz a fatídica palavra: Próximo!
Tudo para e a ansiedade some. Todo aquele nervosismo some e no lugar dele surge a autoconfiança. Levantamos enchendo os pulmões de ar e vamos em direção ao entrevistador para o tão aguardado momento da entrevista. No fim de tudo, saímos com a sensação de dever cumprido. Ou não. Continuamos duros feito pedra, por causa da tensão dentro da sala, obviamente. Mas não nos deixamos abalar e saímos de cabeça erguida. Confiantes e com sorriso no rosto, enquanto ao fundo, ouvimos novamente dizerem aquele sonoro: Próximo! E então, percebemos que mais uma vez a cena se repete, com novos personagens, mas sempre a mesma história.
— A. Ferreira
Não sou fã de lábios grossos, nem tão pouco beijo longo. Apenas preso pelo que consegue ser rápido e ao mesmo tempo prazeroso. A vida é curta para vivermos prolongando as coisas. Por melhores que possam ser, quando experimentadas em longo prazo, ficam saturadas e o interesse acaba.
A. Ferreira
A inquietude me fazia andar, sem rumo e sem nada a pensar.
A. Ferreira