Eu te via chorar baixinho as vezes, quase que imperceptível, eu escutava você falar "ele vai mudar", eu via seu esforço árduo, sem pausa pra descanso, eu vi você orando buscando respostas e também te vi afogando suas mágoas com cervejas baratas e vomitando isso que você insistia em acreditar que era amor. Eu tava lá, eu vi tudo, eu lembro de tudo. Mas você não me escutava. Eu não conseguia compreender o porque você era refém daquilo e por mais que eu tentasse te desprender não tinha força que desatasse esse nó. Você era o bem mais valioso que ele podia ter, você era tudo que alguém poderia querer, mas ele não percebia. Você se acostumou com as migalhas de afeto que ele jogava de vez em quando, ele passava semanas fazendo o que você quisesse, te fazia o café, te levava pra sair, só pra compensar algum erro que ele tinha cometido. O pouco dele era muito pra você, o mínimo era o máximo. E eu observava, sem poder interferir, eu juro, não dava pra entender como aquilo era amor pra você e sinto muito, mas acho que você não sabe o que significa isso.