anyabelikov:
Escutou Roman e decidiu que o odiava, mesmo que ele estivesse com toda a razão quando dizia aquilo sobre os pais dela. Se ele tivesse se mostrado completamente contra a ideia do casamento, era bem provável que eles iriam atrás de algum outro caçador de sombras e importunariam quantos fossem necessários para arrumar um noivo para a filha. Aquilo era completamente constrangedor e a loira queria se enfiar num buraco e nunca mais sair.
Cruzou os braços em frente ao corpo e encostou as costas contra a parede enquanto matinha os olhos fixos no homem. Avaliando-o e pensando se aquela loucura valeria a pena no final. Talvez o avô dele estivesse senil demais e já nem tivesse ideia do que saia dizendo por aí. É… Essa era uma boa alternativa para sabe-se lá o que ele tenha dito para os Belikov.
- Olhe para nós. Somos todos malucos afundados até o pescoço em merda. - Murmurou mais para si do que para ele. Eles possuíam o sangue do Anjo e viviam a curta vida que tinham para combater os submunados que infringiam as leis entre eles. Isso sem falar nos próprios demônios, é claro. Ah, e ainda havia o pequeno detalhe do ex diretor do Instituto ter sido um completo babaca e ter sido morto pelo irmão.
Suspirou baixinho e deu de ombros, sem parar de olhá-lo. - Como é mesmo que os mundanos costumam dizer? - Procurou na memória pelo ditado entre eles e deu um discreto sorriso. - Se está no inferno, abrace o demônio. Ou qualquer coisa assim. - Embora, é claro, ela sendo uma caçadora, iria matar o demônio e não abraçar. Mas isso era um mero detalhe. - Ok, camarada. Vamos tentar nos conhecer. - E era tudo o que ela poderia prometer para ele naquele momento.
Roman estava meio nervoso para o que a moça diria agora, para ser sincero, aquela conversa estava o deixando bastante tenso, muito mais do que caçar e matar demônios, por exemplo. No entanto respirou fundo e passou uma mão pelos cabelos claros. - É, as coisas não são nada fáceis por aqui. - Disse em resposta a fala de Anya. Por um momento, ele cogitou sair dali, encontrar o avô e dizer que não podia fazer aquilo, afinal não era o que a loira desejava, e ele não queria a obrigar a nada, essa jamais seria a intenção do caçador, mas também sabia que falar daquilo com o homem mais velho só serviria para arrumar uma briga e sofrer ainda mais pressão em relação ao noivado arranjado, provavelmente acabando por causar até mesmo problemas para a jovem. - Eu gostaria que não estivéssemos nessa situação que tanto te aflige, mas nós estamos e precisamos achar uma maneira de lidar com ela. - O rapaz afirmou, dando levemente de ombros, apenas querendo mostrar a ela que se importava e que não queria deixá-la chateada, por mais que fosse complicado.
- Se está no inferno abrace o capeta, é o que eles falam normalmente. - Fez a observação dando de ombros, não conhecia muito sobre mundanos e seus ditados, mas havia escutado uma senhora dizer aquilo no dia anterior, quando estava executando uma missão. Com as mãos enfiadas nos bolsos, o caçador deu um baixo suspiro pensativo, tentando entender o que deveria fazer naquela situação tão estranha que havia se instaurado entre ambos. - Obrigado. - Respondeu meio envergonhado quando ela disse que daria uma chance para que se conhecessem. - Quem sabe não conseguimos fazer com que essa situação não seja assim tão má? - Sugeriu, dando um suave sorriso de lado, enquanto a olhava, seria ótimo se conseguissem encontrar um meio termo, por hora, apenas deixaria de lado a atração e admiração que sentia por ela, e se concentraria em conhecê-la realmente. - Acho que podíamos... Eu não sei, comer algo? - Sugeriu meio nervoso, nunca havia estado naquela situação antes.












