Louis Gerard Aihan Drozdov Mikhail Wöfflin I é um cavalheiro da 2, que veio da Suíça para ser tenente de guarda no palácio de Illéa. Aos seus 21 anos, Louis é extremamente parecido com Chris Wood.
Everybody has a story to tell…
A situação da Suíça não poderia ser mais pacífica, já que o país sempre foi um dos mais diplomáticos do mundo. A maior parte da população era de classe média alta e a maioria deles serviam nos bancos internacionais, usados para liberar fundos para países com alguma necessidade emergente de capital, ou até mesmo no turismo implacável, especialmente nos Alpes Suíços, tão famosos quanto caros. Após a Terceira Guerra Mundial, o país se tornou cada vez mais rico, pois foi a Suíça aquela a negociar com os países, emprestar dinheiro para que empreendessem suas tão adoráveis guerras. A família Wöfflin foi a pioneira e, com o dinheiro que arrecadaram devido aos juros que impuseram nos empréstimos, uniram consigo o restante das famílias mais influentes no pequeno país, dividindo-o em províncias que seriam dominadas, cada uma, por uma família nobre. Os Wöfflin, obviamente, tornaram-se a luz que guiava o povo nos tempos difíceis, se é que a Suíça os experimentou, desde então. A dinastia das famílias viveu em grande estilo, enriquecendo o Estado diplomático da melhor forma que os cidadãos poderiam imaginar e a maior parte não se opôs aos mandatos de Piotr, o então auto declarado rei suíço. A monarquia absolutista se instalou, o mesmo modelo utilizado na Idade Moderna, apenas com algumas alterações, infra estruturais, e o país não sofreu maiores pormenores, passando pela Quarta Guerra Mundial sem sofrer danos colaterais.
O momento de maior incerteza política foi travado entre dois irmãos, ambos príncipes suíços e com desejos distintos. Um desses era Sebastian, um homem intenso, porém desajeitado quando se tratavam de relações diplomáticas. O príncipe Sebastian noivou da princesa galesa, aos dezenove anos, mas pôs tudo a perder quando, dois anos depois, apareceu no palácio casado com a filha de um comerciante português, grávida e sem ter para onde ir. Viktor, seu irmão mais velho e, na época, futuro rei do país, interessou-se mais do que deveria pela mulher, que veio a falecer cinco anos depois, deixando seus filhos gêmeos desesperados, mas não tanto quanto deixou o pai deles desolado. A cada dia, Viktor tornava-se mais imprevisível, e Sebastian não pôde fazer nada, a não ser quando o irmão, então rei da Suíça, atacou a sua própria família e aqueles que mais lhe eram próximos. O povo suíço não aguentava mais a tirania de Viktor, e se uniu contra ele em um exército liderado por Sebastian.
A guerra civil no Estado, antes pacífico, foi instaurada, e entre tantos soldados, entre tantas campanhas belicistas, Julia e seu irmão gêmeo, Louis, cresceram. Era óbvio, o moreno sempre teve lições sobre línguas, sobre estratégias e, também, sobre as matérias básicas que qualquer príncipe deveria apreender, mas o garoto, fosse pela falta da mãe – há tanto tempo falecida –, fosse pelo convívio com pessoas tão bruscas e mal-encaradas, absorveu a maior parte daquelas experiências para si. Longe do palácio e próximo aos acampamentos rebeldes, no norte da Suíça, Louis viveu com generais tão calejados e frios, mexendo com sua personalidade mais do que ele esperaria mexer, desde então. Julia esteve consigo o tempo todo, mas Louis se afastou cada vez mais da irmã, aproximando-se dos mais velhos, buscando algum tipo de motivo para que seu pai prestasse atenção nos gêmeos, e não na guerra que estava travando contra o próprio irmão. Louis era novo demais para compreender o motivo daquela guerra civil – Sebastian desejava salvar não só seus filhos, sua família, mas seu país também –, mas o ambiente não fez bem para o jovem príncipe. Seis anos naquele estado, e a cada dia, o menino tornava-se cada vez mais robótico, mais tenso e menos hiperativo, como era antes da morte de Aalyiah. Seis anos até Sebastian finalmente conseguir destronar Viktor, até finalmente mata-lo, assegurando o povo suíço de que ele não seria um governante tão severo quanto o irmão mais velho.
Julia e Louis ascenderam a herdeiros do país mais rico do mundo, e deveriam se sentir ao menos um pouco aliviados, pelo final de tanta incerteza, enquanto o pai, Sebastian, tornou-se o novo rei. Pouco tempo depois, Sebastian se casou com Mair, a rainha galesa, aquela prometida a ele desde os dezenove anos, e Louis foi cada vez mais requisitado para as reuniões de Estado travadas pelo rei e seus assessores. Ele seria o rei em breve, e Sebastian desejava que seu filho estivesse preparado para a tarefa que estava prestes a assumir. Distanciou-se mais ainda da irmã, preferindo passar seu tempo livre com os guardas e soldados que cercavam o palácio, fosse para aprender mais sobre como deveria segurar uma arma, fosse porque realmente não queria contaminá-la com seu humor, a cada dia mais negro. Um ano após Mair se casar com Sebastian, tornando a união entre Gales e Suíça inevitável, a filha dos dois nasceu. Marveille, como a rainha a chamara, um verdadeiro milagre, já que, desde então, a mulher nunca mais conseguiu gerar um filho para o rei. Louis via na pequenina bebê um fiapo de esperança, e uma pontada de calidez voltando ao seu coração, tão indiferente pela morte de tantas pessoas queridas durante a guerra travada, até menos de três anos atrás. A doce menininha, entretanto, foi vítima de um ataque rebelde quando estava junto a rainha. O carro onde estavam capotou e, como não poderia ser diferente, o bebê não sobreviveu ao impacto. A Suíça ficou estupefata, e Louis sentiu a sede de vingança cegá-lo, portanto não poderia julgar seu pai, pelos fatos seguintes.
Louis participou, junto a irmã, de várias viagens, desde então, sempre acompanhados da rainha, cada vez mais afastada de seu marido, percorrendo toda a Europa e Ásia, em missões tanto diplomáticas quanto de veraneio, deixando o rei cada vez mais sozinho em seu luto pela morte do irmão – fratricídio mexeu com sua cabeça, e Sebastian nunca mais foi o mesmo homem, desde que golpeou fatalmente o mais velho – e de sua adorada Marveille. Louis não conseguia mais entender como as mulheres conseguiram se distanciar tão facilmente do luto pela irmã mais nova, se ele mesmo estava começando a definhar, mas, aos dezessete anos, finalmente encontrou algo pelo qual viver. Não era uma estratégia, trabalho ou coisa parecida, mas uma alemã, que o desafiou até que não diferenciasse mais a loucura e a sanidade. Gretel era uma beldade de logos cabelos loiros, mas ele não se interessou pela sua casca. Ela trouxe algum significado em sua vida voltada para governos e estratégias. Desejava se casar com a moça, mas sabia que era impossível, e Louis sempre se considerou um homem honrado. No verão que passou na Alemanha, não fez nada que pudesse acabar com a inocência da mulher, tampouco com sua dignidade, mas seu coração se fechou para novas afeições. Sabia que acabaria se machucando, cada vez mais, e além de tudo, ele precisava vingar a morte da irmã. O amor poderia esperar o tempo que fosse necessário, a aliança política que fosse cabível.
Depois do ocorrido com Gretel, Louis envolveu-se cada vez mais nas atividades que eram relacionadas ao pai, mas não demorou para que se encontrasse levemente maluco, dada a pressão e a perfeição que se cobrava, para que nada saísse fora do esperado. Secretamente, entretanto, investigava quem poderiam ser os rebeldes que provocaram aquele acidente, matando Marveille, e, sempre que encontrava um ou dois suspeitos, fazia de tudo para caçá-lo, levando-o para um lugar isolado, onde ninguém escutaria o suspeito gritar por piedade. Louis estava cego por vingança, e não se importava realmente se estava torturando o assassino de sua querida irmã ou se estava torturando um infeliz inocente. Os anos se passaram, e um pequeno hobbie se tornou basicamente um vício, e a cada vez em que Louis terminava de torturar um dos rebeldes que se rebelaram contra seu querido país, ele se sentia leve, pronto para uma, talvez duas semanas de pressão como o herdeiro do trono suíço. Entretanto, não era suficiente por tempo indeterminado, e Sebastian começava a suspeitar de suas ausências. Por dois anos, Louis conseguiu esconder seu lado sombrio do restante da família, assemelhando-se cada dia mais com o seu pai, que estava se tornando cada vez mais em um tirano, tal como Viktor um dia fora. Mair, entretanto, o descobriu e, ao contrário do que ele esperava inicialmente, ela o acolheu, como ele jamais pensou que poderia fazer. Ele era um assassino, um maldito assassino que sentia felicidade em acabar com a vida daqueles que destroçaram uma criança de pouco mais de um ano de idade. Não os poderia deixar impunes. Ele a consolou, como o pai jamais o fez desde que Marveille morreu, e os dois partilharam todo o ódio que tinham dentro de si, toda a raiva e violência reprimida. Dois minutos depois, Louis não pôde se controlar, beijando a madrasta. De resto, não é necessário evidenciar. Os dois dormiram juntos por mais algumas vezes, antes de Louis tentar acabar com o que tinham. Ele não poderia fazer aquilo com seu pai – admirava-o demais para isso.
Dois meses depois, Louis requisitou ao rei que pudesse servir em Illea como um aprendiz, tanto para apaziguar as relações entre os países quanto para que ele aprendesse mais com os soldados que habitavam o palácio de Angeles. Em seu íntimo, entretanto, ele sabia que o verdadeiro motivo não era esse, mas não poderia realmente contar aquilo para o rei. Meses após chegar a capital de Illea, entretanto, a Seleção foi anunciada, e junto a ela, aquela da qual estava fugindo veio ao palácio, fazendo com que velhas memórias voltassem a tomar conta de sua mente. Fazia tempo, também, que ele não torturava ninguém, e a cada dia, seu humor piorava. Seria uma longa estadia em Illea.
O príncipe suíço é uma pessoa séria, calejada demais pelo que já viu da guerra, desde pequeno. Louis gosta de pensar que é uma pessoa normal – um príncipe normal, seja lá o que isso realmente signifique para si –, mas o que o classificaria dessa forma morreu, dadas as experiências que teve que passar, durante a vida. Costuma pensar duas, três e até mesmo quatro vezes antes de fazer algo que possa prejudicar a ele ou a qualquer um dos entes de sua amada família. Gerard, também, tem um grande apreço pelo que o pai o ensinou, pelo que apreendeu com a irmã e até mesmo com a madrasta – mesmo que, dessa mulher, ele pretenda manter uma distância segura, para que nada de mais errado aconteça entre os dois. Aparentemente sério, ranzinza e mal-humorado, ele realmente, na maior parte do tempo, sente-se assim, de forma a afastar companhias indesejáveis, mas nunca foi capaz de se mostrar deselegante com ninguém, mulher ou homem. Seu pequeno vício continua controlável, mas ele sabe que logo terá que esfolar alguém, para que realmente se sinta próximo do nirvana, como das outras vezes. Louis é, na maior parte do tempo, compenetrado em seu trabalho, como um excelente jogador de xadrez, imaginando todas as variáveis possíveis, todas as mudanças que seus planos possam enfrentar, mas nada consegue impedi-lo de se esquecer da dor que sentiu quando sua pequena irmã morreu, uma marca que o príncipe levou para a vida e que, mesmo depois de tanto tempo, ainda arde em seu peito.