Inconscientemente Apaixonados - Capítulo 27.
~ POV Arthur:
As palavras dela não saiam da minha cabeça. O que ela queria dizer com aquilo? Entre goles e mais goles de cerveja, pouco eu escutava do que Jully e suas amigas insistiam em gritar, e não conversar, ao meu lado.
A verdade era que eu estava indo atrás de Lua, mais uma vez, quando Jully surgiu na minha frente me impedindo de fazer tanto o que eu queria. Por quê era tão difícil assim dela me escutar?
Desde então eu não conseguia tirar os meus olhos dela...
- Ei, Thur... Estou falando com você.
- Oi... Desculpa, Jully. – sorri amarelo para a cara de tacho dela.
- Deixa pra lá... Você tá estranho. – revirou os olhos e voltou a falar com suas amigas.
Nessas horas eu me pergunto o que estava fazendo aqui com ela... Haja paciência.
Quando voltei a olhar Lua, tinha a perdido de vista. Xinguei mentalmente até a décima geração de Jully, e quando pensei em pedir licença para as meninas e sair dali, vi um Chay e uma Mel sorridentes caminhando em minha direção.
- Com licença, meninas... Preciso pegar meu amigo emprestado uns minutinhos. – Chay disse me puxando e Jully assentiu.
- Obrigado cara!
- Tá me devendo uma. – rimos.
- Thur do meu coração... pode ir contando tudo! – Mel disse animada e foi impossível conter um sorriso.
- Não tem o que contar... – comentei e flashes de minutos atrás voltaram para minha mente.
- Nem vem com esse papo, dude. Sabemos que ai tem coisa. – Chay cruzou os braços na espera de uma resposta.
- Não sei... Só acho que aos poucos ela tá se abrindo pra mim, entendem?
- E eu não vejo a hora disso acontecer! – Mel sorriu e eu a acompanhei.
- Mas e ai?! Vocês se beijaram de novo? – Chay não se aguentava.
- Vocês são muito curiosos, credo! – um tapa de Mel estalou em meu braço. – Ai!
- Já ouvimos isso hoje... – comentou dando risada.
Meus olhos focalizaram o corpo de Lua caminhando ao longe e estranhei. Mais estranho ainda foi ver um cara praticamente a seguindo. Meu corpo congelou quando o reconheci pela roupa... Era o canalha que tinha chegado nela logo depois do nosso beijo.
- Galera eu já volto. – avisei Chay e Mel e nem esperei por resposta.
Da mesma forma rápida que meu corpo congelou, quando dei por mim, já estava seguindo o caminho que Luinha fizera minutos antes. A cada passo que eu dava me perguntava por qual motivo ela estava indo para aquele lugar tão escuro. Talvez ela tenha combinado de se encontrar ali com aquele cara, ou sei lá. Mas minha preocupação não deixava meus pés pararem e quando escutei gritos abafados, sai correndo quase tropeçando nas próprias pernas. Eu sabia que tinha algo errado.
Dei a volta no quiosque, seguindo os murmúrios ouvidos. Quando encarei a cena a minha frente, a raiva que tomou conta do meu corpo foi algo nunca sentido antes. Puxei o filho da puta para longe dela e esmurrei sua cara, o suficiente para ele cair no chão desacordado. Rapidamente fui até Luinha, a tempo de segurar seu corpo para não ir ao chão. O desespero tomou conta de mim, assim como a raiva.
Agachei-me, deitando Lua na areia e apoiando seu rosto no meu colo.
- Lua, pelo amor de Deus, acorda!
Minhas mãos tremiam e eu tentava tirar os fios de cabelo que estavam meio ao seu rosto. Sua pele mais branca e fria do que de costume me assustavam ainda mais. A vontade de matar aquele maldito só aumentava. Só de pensar nele tocando nela, obrigando-a fazer coisas que não queria, me deixava fora de si. Senti raiva de mim mesmo, por ter demorado tanto, por não ter a protegido.
- Luinha, por favor... Sou eu, Thur. – acariciei a maçã de sua bochecha.
Saquei meu celular do bolso e liguei para a emergência, logo passando o nosso endereço.
- Por favor, abre esses olhos que eu tanto gosto de admirar. Mostra o meu sorriso favorito. Até aquele seu irônico quando está irritada comigo. Eu deixo você até me xingar, mas por favor, só acorda. – engoli o nó que se formou na minha garganta. – Não me deixe sem seus gritos histéricos, sem o gosto do seu beijo, sem a sensação de ter você nos meus braços. Eu tenho tanta coisa pra te falar!
Flashes do passado invadiram minha mente. A época em que éramos amigos, o dia em que eu iria me declarar pra ela e pedir pra não ir viajar, pra ficar comigo. Os nossos passeios com Chay e Mel. As caretas e manias dela. A decepção estampada em seu rosto no dia que entrou no meu quarto e pensou que viu o que não viu. Uma lágrima escorreu pelo meu rosto e rapidamente a sequei.
- Luinha! – chacoalhei seu corpo.
Ouvi alguns resmungos e passei a mão pelo seu rosto, na esperança que ela se levantasse dali.
- Thur... – ao ouvir meu nome sussurrado, meu coração deu um pulo.
- Sim, sou eu... Estou aqui! Pode me ouvir?
- Sebastian...
O pequeno sorriso que começava a nascer em meu rosto logo se desmanchou. Ela provavelmente estava em um estado de delírio ou em algum sonho e eu já não sabia mais o que fazer. Só pedia aos céus pra aquela ambulância chegar logo.












