terça-feira, inverno de 2019
No canto do quarto um violão que eu não sei tocar, a camiseta que eu usei ontem e um quadro que fiz pra ti.
Na sala o cinzeiro com um cigarro por acabar e a música que toca falando sobre amar devagarinho.
Eu não costumo romantizar os términos, mas esse vazio que ficou me leva à pergunta: será que amei devagar demais?
Os livros que me destes estão empoeirados e apesar de diariamente ignorar a existência deles, tem noites que ele parecem facas afiadas, apontadas pro meu peito.
Aperto os olhos e respiro fundo, buscando ver o copo meio cheio, mas é inevitável o marejar dos olhos e o secar da boca.
Esse lugar todo pensado pra gente se ter e as tuas marcas que o tempo não leva e a tinta não esconde das paredes, tornam menos aceitável todo o enredo do que um dia fomos nós.
Nada disso me faz te querer verdadeiramente no meu dia, mas me faz desejar a segurança e o aconchego que eu tinha e nutria em nós.
O café, recém passado, sem açúcar e preto disfarça o gosto amargo de não ter em mim mesma segurança e aconchego.