─ Capa do primeiro livro de Feeling, Disturbia. ❤
Jules of Nature
trying on a metaphor
Show & Tell
🩵 avery cochrane 🩵

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Sade Olutola
Game of Thrones Daily
Lint Roller? I Barely Know Her
Cosimo Galluzzi
Xuebing Du

#extradirty
NASA

❣ Chile in a Photography ❣

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Keni
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─ Capa do primeiro livro de Feeling, Disturbia. ❤
Epílogo: Lynor Peyton
12 de outubro de 2015
Dream - Imagine Dragons
Estamos todos vivendo em um sonho Mas a vida não é o que parece ser Oh, tudo está uma bagunça E todas essas tristezas que tenho visto Elas me levam a acreditar Que isso tudo está uma bagunça Mas eu quero sonhar Eu quero sonhar Deixe-me sonhar
[ 2 semanas antes ] Eu e Lindy caminhamos até nossa mesa. Lindy estava animada com a distribuição dos convites para o aniversário dela, vínhamos programando o que faríamos nos próximos dias. Nunca concordava com a companhia de Jorge Amstrong, Tina McCorling e Branson Dollie, mas Lindy insistia em se sentar com eles durante o almoço, e como era somente naquele horário, eu engolia. Os três mal desgrudavam de seus telefones, eu tinha o meu em mãos, mas para ajudar Lindy com nosso trabalho de biologia, ela, por sua vez, tinha os olhos divididos entre o computador e sua agendinha no colo. - O que acha de fazermos as unhas às 15:15 e depois irmos pegar nossos vestidos, Lyn? - Acho ótimo! - sorri escondendo minha frustração - Podemos ir naquela lanchonete antes de voltarmos para a sua casa, meu tio me deu um ticket gordo para torrarmos lá. - Eca, Peyton! - disse Tina com nojo - Lindy, amor, preserve seu corpo. Imagine não caber no vestido maravilhoso que você arranjou. Não coma essas porcarias! - Tina está certa, Lyn, não vamos comer gordura até o fim do mês, se lembra? Lindy sempre fora esperta em suas respostas rápidas. Tina tinha passado a mão pela própria barriga depois de perceber que estávamos mais esbeltas do que ela, e não precisávamos tomar comida líquida para isso. - Claro, como eu tinha me esquecido?! Lindy bateu sua perna contra a minha de baixo da mesa. Bati de volta. - Tina! - chamou Jorge entusiasmado - Brain Hirtz está solteiro! - Puta merda! - ela agarrou o braço de Jorge olhando fixamente para a tela do celular - É a primeira vez no ano que o Hirtz está solteiro. - Aproveite e o convide para o meu aniversário, Titi, vou deixar um quarto aberto. - Você... Isso é sério, Lindy? - Vá logo antes que a Vanessa Piranha resolva consolá-lo. Tina se levantou depressa levando Jorge com ela. - Jura, Lindy? - Branson a encarou - Você tinha que oferecer o quarto pra ela transar com aquele otário?! Branson saiu irritado, tudo que fizemos foi rir dele e revirar os olhos diante do papelão. - Quando ela vai dar o primeiro passo antes que o gostosão dê? - E você se importa com eles, por acaso? Negou ela rindo. - Eu me importo com o ticket que temos que torrar. - Isso mesmo! - ri, e percebi Vincent chegando com seu amigo - Sabe o que devia fazer? Lindy balançou a cabeça. - Convidar o gato do Martin para a sua festa. - Eu vou convidá-lo. - ela deu de ombros pegando minha garrafinha de água. - Tipo, agora, Lindy. - O que?! - a garrafa parou a meio caminho de sua boca. Ele sentou-se grudado a ela, enquanto ela bebia mais água do que uma pessoa normal devia. - Lindsey. - apenas observei a cena - Eu ouvi algo sobre uma festa? Quando enfim a garrafa deixou sua boca, ela voltou-se para ele. - Meu aniversário. - respondeu ela - Está convidado. Estendi um convite a ela, que o passou para Vincent. - Seria muito bom se você fosse. - Farei o possível. - ele assentiu. - Acho melhor você ir. - soltei. Os dois se voltaram pra mim com os olhos arregalados e surpresos. - Ou vai perder a diversão! - contornou ela, se sentindo vitoriosa. - Claro. - ele assentiu confuso. Lindy e eu nos encaramos discretamente enquanto ele saía. - Tchau, meninas! Lindy acenou, eu apenas mantive meus olhos em seus movimentos. - Eu te mato, garota! - murmurou ele. Ela fechou o computador e guardou a agenda enquanto se levantava. - Vou para a minha aula agora, nos vemos depois da escola? - Sim. - respondi terminando meu biscoito. Com a saída de Lindy, voltei-me para o que estava me angustiando desde que tínhamos entrado ali. Denyel. Ele comia sozinho em uma mesa distante, mas trocava mensagens incessantes, desde que eu tinha encontrado papéis estranhos na gaveta de sua cômoda e fotografias da Lindy e sua família em sua mochila, eu havia começado a ficar de olho nele. Eu tinha medo do que ele tinha em mente. Tínhamos terminado há alguns meses, e por vezes senti pela nossa separação, mas o sentimento dentro de mim agora era medo puro. Eu tinha que proteger minha amiga. Quando ele se levantou para sair. O segui. Ele foi até a sala da diretora, me espreitei entre os armários para que ele não me visse. Rosamund fechou sua sala, e uma conversa se iniciou lá dentro. Me aproximei e pus minha orelha contra a parede para ouvi-los. - Está tudo sobre o controle, Carey. - ouvi Denyel dizer - Jackson já está preparando seu primeiro ataque, vai ser no aniversário dela. Precisamos de você. - Eu irei ajudar. - respondeu a diretora - Eu e a Fell somos próximas, ela vai confiar em mim, tenho certeza. - Consegui algo para você. - não pude ver o que era, apenas ouvi - Ele vai gostar de material fresco na mesa dele. - O que eu já te falei, menino Halder? - seu tom foi autoritário - A marcada é minha, cuide do seu. Tive que me esconder atrás de um armário com a chegada de alguém, alto e encapuzado. Com o recuo, perdi a conversa deles. A entrada do vulto preto permitiu que eu me aproximasse mais, e pudesse ver por uma greta da porta. - Não sabíamos que viria assim tão cedo. - Quis surpreendê-los. - era uma voz estranha, nunca tinha ouvido antes - O mestre me mandou aqui. - Por que a fantasia, amigo? - indagou Denyel debochado. - Primeiro, não sou seu amigo. - o outro puxou a cadeira e se sentou - Segundo, meu papo não é com você, Halder, é com ela. - Comigo? - Rosamund cruzou os braços - Ora, qual o problema, homem? - O mestre me mandou para trazer um aviso, se quiserem saber vão ter que ficar quietos e me deixar falar. Não houve um murmuro sequer enquanto ele falava. - Serei eu quem atropelará a menina, você agirá comigo, Rosamund. - continuou ele - Vou precisar que desligue a mente dela e não a permita reagir ao choque do carro. Não podemos falhar. Nosso dever não é matá-la, apenas deixá-la inconsciente, o resto é com o Wilvarn. Nada dos outros. - Pois bem, estou de retirada. - disse ele se levantando e puxando o gorro para cobrir o rosto - Mandem saudações para a minha adorada filha, logo, logo a verei novamente. Cobri minha boca e corri dali, tentando disfarçar meus passos. Pai? Aaron era o pai de Lindy. A não ser que... Meu Deus! Christopher Fell estava de volta.
Vencedores e perdedores
Can you hold me - NF ft. Britt Nicole
Coloque seus braços em volta de mim Deixe seu amor me cercar Estou perdido, estou perdido Se eu não tiver você aqui Se eu não tiver você, não tenho nada Você pode me segurar? Você pode me segurar? Você pode me segurar em seus braços?
Corremos para os bosques, onde fomos tomados pela escuridão total. Nate acendeu o decodificador e o entregou pra mim. A primeira flecha veio como uma abelha zunindo cortando o ar perto de mim. Aumentamos a corrida. Uma chuva de flechas voava à nossa volta, e naquele escuro somente um milagre nos faria não ser acertados por alguma. Como conseguiam nos ver ali? Eu mal conseguia ver Nate. Percebi um movimento na escuridão à nossa frente, e logo, várias lanternas e lampiões se acenderam. Conforme nos aproximávamos, a luz se tornava mais cegante, haviam muitas pessoas que eu não conhecia ali, ou pelo menos não associava rostos, mesmo com tanta luz, meus olhos não conseguiam focar em ninguém. Até ouvir a voz dos meus pais. - Lindy! - ouvi o grito de minha mãe e corri para abraça-la, meu pai se uniu ao abraço. Fechei os olhos agradecendo em silêncio por eles estarem bem. - Não acredito que estão aqui! - apertei seus ombros - Eu amo vocês! Nos afastamos, mas suas mãos permaneceram em meu rosto, eles me olhavam como se eu fosse uma joia preciosa. Meu sorriso sumiu quando notei Trina ao lado de Will, eu não esperava por ela ali. O que ela tinha ido fazer ali?! Ela tinha vindo me buscar? Não, eu não ia embora! Ignorei esse fato enquanto Crystal, próxima de Dominic, que tinha um dos braços em torno de seus ombros, vinha em minha direção acompanhada de Will. A abracei forte. - Obrigada! - agradeci aliviada. - Eu disse que íamos te achar. Ela tirou de dentro da blusa o meu colar e o pôs no meu pescoço. - Isso é seu. - ela tocou meus ombros - E com você deve ficar. - Obrigada por cuidar dele. Seu sorriso foi o que tive de cumprimento. Will se aproximou, um tanto rubro, e diferente de qualquer expressão que eu já tinha visto vir dele. - Bom termos você de volta, Lindy. - É ótimo te ver bem desse jeito, Will. - Ora! - ele me abraçou, me pegando de surpresa. Passei minhas mãos por seus ombros e relaxei meus ossos contraídos dentro de mim. De soslaio, percebi Vincent sendo o próximo na fila de abraços. Assim que soltei Will, corri para ele quase o derrubando. Meus braços pareciam sufocá-lo, mas eu estava nos braços dele, e mesmo que me desmanchando em choro, não queria sair dali nunca mais. Segurei seu rosto e o beijei com toda minha saudade e preocupação acumulados. - Me desculpe, me desculpe, me desculpe... - Pelo que está se desculpando, Vince? - balancei a cabeça. - Foi tudo culpa minha, se eu tivesse ficado com você... Não devia ter te deixado. Sozinha. - A culpa não foi sua. - toquei seu rosto - Eu te amo. Ele sorriu. - Eu também a amo. - era a primeira vez que eu o ouvia dizer. Quis beijá-lo novamente, mas havia muitas pessoas nos olhando, então apenas deixei que ele passasse os braços à minha volta enquanto nos aproximávamos de Finick para ouvi-lo. - Estamos de partida! - anunciou ele - Nossa missão foi um sucesso. Os carros nos esperam no fim do bosque. Todos se alvoroçaram e começaram a se virar para continuar o percurso para fora dali, mas nossa vitória foi interrompida por palmas, e aquelas palmas... eu reconheceria em qualquer lugar. - Isso foi emocionante! - cínico - Todo esse calor familiar... Que lindo! - Você perdeu, Jackson. - disse - Aceite isso. - Bem, vocês vieram à minha casa, entraram e sequer me cumprimentaram? Isso é extremamente desrespeitoso! - Não nos ensinam bons modos para tratar ratos, Archer. - se pronunciou Trina. - Ora, ora. - ele sorriu deliciado - Veja só se não temos uma debanda aqui, uma traidora. - Nunca fui uma aliada para você. - Garotinha malcriada! - ele a advertiu. Seus Najos apontaram suas armas para nós, fizemos o mesmo. Alyssa estendeu meu arco que estava em seu ombro e minhas flechas, e fiz questão de apontá-lo para Jackson também. - Tal mãe, tal filha. - disse ele irônico - Foi você quem a ensinou, Trina? Ele gargalhou, e de relance, voltou-se pra mim. - Ah! - suas sobrancelhas saltaram - Olhe o que temos aqui. O meu colar. - Ele é meu! - o corrigi com clareza. - Achei que tinha aprendido algo comigo, patinha. - Pare de me chamar assim, isso já está me irritando. - Oh! - ele fingiu pena - Está bravinha? Inibi minhas lágrimas. - Deixe minha filha em paz, Jackson! - Como pude me esquecer de você, Emely, e seu namoradinho. Você é uma vergonha! Quis xingá-lo e o encher de flechas, mas seus arqueiros ainda nos tinham na mira. Aproveitando sua distração, Alyssa murmurou atrás de mim, não movi nem um pouco meus olhos para que eles não percebessem. - Há um explosivo que não detonamos. - avisou ela. - Onde? - indaguei entredentes. - Está pendurado sobre a porta de entrada, dá para atirar se chegar mais perto. - Mas como vou sair sem que atirem? Me virei inevitavelmente, e contra as minhas costas, Alyssa segurava uma granada entre seus dedos. - Você... - Sorri. - Vim preparada para contratempos. Assenti e me voltei para frente. - Eu jogo, você corre. Cutuquei Crystal, que passou o aviso sem palavras para Nate e Will. Olhei para eles de soslaio e para Vincent, ao meu lado, com meu olhar alerta. Ouvi o click que a granada fez quando Alyssa levantou a trava e a lançou, imediatamente explodindo. A fumaça subiu, e puxando Vincent comigo, disparamos os seis, nos embrenhando no matagal para que não nos vissem. Nos abaixamos em um arbusto quando encontrei uma boa posição para a porta de entrada. - O que exatamente estamos fazendo aqui? - indagou Dominic. - Alyssa disse que tem um explosivo sobre a entrada. - apontei para a construção procurando pelo explosivo - Eu vou detonar ele. - Mas não pode errar. - alertou Nate. - Eu sei. - respondi finalmente o encontrando sobre uma carreira de tijolos, sua cor vermelha fez meus olhos brilharem - Me deem cobertura. Me levantei e caminhei para mais perto, posicionei o arco e a flecha. Eu não podia errar. Lembrei dos meus treinamentos com Nate e Crystal, de toda a tática de mira, eu podia ouvi-los falar na minha cabeça. Firme. Concentração. Inspirar, expirar, soltar. Arco perto do corpo, rosto na altura flecha. Firme. Concentração... Atrás de mim, ouvi alguém arfar e barulho de armas. Eu ouvia Crystal, Will, Dominic, Vincent e Nate lutando. Tinham nos achado, era agora ou nunca. Inspirar, expirar, soltar. Inspirar, expirar, soltar. Inspirar, expirar... A flecha voou certeira e o explosivo detonou. Era um explosivo inflamável, imediatamente a fachada da entrada ficou em chamas, não demorou para que o fogo se alastra-se. Houve tumulto e barulho depois disso. Senti Vincent segurar meu braço me trazendo de volta para a realidade, eu ainda não acreditava no que tinha feito, eu tinha acertado! - Vamos, Lindy! - recuamos e ao fazê-lo, percebi os corpos de 4 jovens Najos. Nos escondemos nas árvores enquanto os Najos restantes e o próprio Jackson retornavam praguejando. Eu tinha incendiado o império dele. Sorri diante de sua derrota derradeira. Voltamos para nosso grupo maior e novamente abracei meus pais. - Está tudo bem, está tudo bem. - os acalmei - Temos que ir! Me uni aos outros e corremos guiados por Finick e alguém que eu não conhecia. As árvores se fechavam à nossa volta, e eu me sentia cada vez menor ali. Quando alcançamos o campo aberto, demos de cara com caminhonetes enormes nos esperando. Carros fortes. As portas se abriram e começamos a pular para dentro dos carros. No carro destinado para mim, uma mulher de cabelo grisalho abriu a porta, puxou o capuz da cabeça, e ao fazê-lo, notei que ainda continha mechas escuras, de um cabelo negro no passado. Minha mãe e Trina se sobressaltaram atrás de mim assim que ela puxou o capuz. - Mãe?! - era a minha avó, ótimo, família reunida! - O que foi? - seu olhar severo as encontrou - Acharam que eu ia ficar de fora só porque estou velha e enferrujada? Minha mãe pareceu animada, Trina não. - Vamos, menina. - ela estendeu sua mão para me ajudar a subir. Aceitei sua mão forte e fui puxada para dentro da caminhonete. Me sentei em um dos bancos e esperei pelos outros, a maioria subia nas caçambas. Engoli em seco e olhei pela janela, a fortaleza de Jackson em chamas. Finalmente, eu tinha minha liberdade de volta.
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Fiquei na sala de estar com Vincent. Ele tinha trazido um copo d’água, e agora estávamos conversando sobre as coisas que Jackson tinha feito conosco. Contei à ele sobre a Srta. Rosamund, Cedric e Denyel. Rosamund estava morta, agora de verdade, e Cedric preso; mas ainda tinham Denyel, Giamon e Pete vivos e soltos, e ainda torturando mais três adolescentes perdidos por algum lugar em Portland, ou perdidos por outras nacionalidades. - Fico feliz que agora esteja conosco. - Eu também. - sorri deitando minha cabeça em sua mão - É bom sentir calor depois de passar dias congelando. Ele beijou nossos dedos unidos e se aproximou, soltou minha mão e ajeitou a manta sobre meus ombros, se mantendo perto. Repentinamente, Trina entrou no cômodo. - Precisam de alguma coisa? Não olhei para ela. - Tenho que ver o Dominic. - disse Vincent se levantando e arrumando a manta novamente - Já volto. Depois de um selinho, ele partiu. Trina se sentou na mesa em minha frente e fui obrigada a olhar para ela. - Oi. - disse ela singelamente. - O que está fazendo aqui? - indaguei - Como nos achou? - Tenho amigos próximos. - respondeu ela vendo a marca em minha mão - Deve ter sido um grande susto pra você. - Foi. - franzi o cenho para ela - Ninguém me avisou que eu tinha uma família amaldiçoada. - Lindy. - Depois do que fez... Não devia ter voltado. Só por que você está usando uma roupa legal, ajudou a me tirar daquele lugar e não apareceu antes para me levar pra Dublin, acha que eu vou te perdoar? - Não quero te perder de novo. Expulsei minhas lágrimas e ri. - Não vim te levar embora, filha. - Não! - a adverti - Não me chame de filha, eu não sou sua filha. Ela assentiu. - Tudo bem. - ela remexeu seus ombros - Você vai continuar morando com a Emely e o Aaron, sei que tem planos para o próximo ano, não quero atrapalhá-los. Mas eu quero ajudar. - Então me ajude em uma coisa. - disse me levantando - Fique longe de mim e da minha família de verdade. Saí sem hesitar.
Crystal
Meu pai estava em uma reunião à porta fechadas, quase parecia que a casa estava vazia, não fosse pelo número de pessoas no andar de cima. Depois de um banho para tirar o óleo do meu rosto e meu cabelo, e cuidar do meu ombro em especial, que tinha sido esmagado pelas mãos do Rajão, eu me sentia ótima, tirando a dor que ainda latejava na minha garganta e o ombro. Arrumei a barra do meu vestido, que estava dobrada e desci para a sala, esperando que ela estivesse tão vazia e silenciosa como o resto da casa. Mas não estava. - Dominic? - me aproximei do sofá onde ele estava e me sentei na poltrona de frente para ele - Achei que já tinha ido. - Eu não iria sem me despedir. - Claro. - sorri para ele. - Olha, eu sei que vou parecer apenas mais um cara querendo mérito depois de bancar o herói, mas eu quero pedir desculpa. Eu fui injusto com você. Fui cruel, egoísta por ignorar o que você sentia... Você é uma das garotas mais incríveis que eu já conheci. Peço perdão pelas vezes em que eu te tratei mal, por todas as coisas ruins que eu disse e fiz, por tudo. Eu sei que pedir perdão é a parte fácil quando você não é a pessoa ferida, mas acredite, eu realmente sinto muito. Quase te perdi essa noite, e isso me fez pensar em como eu jamais seria o mesmo sem você no mundo, assim como não sou o mesmo Dominic que conheceu na Majestic. Não precisa me perdoar, eu não mereço um pingo de perdão seu porque eu sou o maior fracassado de Portland com uma reputação péssima e uma ficha, que se a polícia visse me levaria preso na hora. E por mais que eu tenha toda essa imundice em mim, por favor, pelo menos diga que não sairá da minha vida, mesmo que me odeie pra sempre. Eu preciso de você, Crystal, mais do que eu jamais precisei de alguém na minha vida. Procurei em sua expressão qualquer vacilo, mas ele estava aberto bem ali na minha frente. Ele disse que precisava de mim, eu não sabia o por que daquilo, mas eu não podia simplesmente fechar os olhos para tudo que tinha acontecido entre nós dois. Eu tinha visto o lado bom nele antes, e estava vendo agora. - Eu não te odeio, nunca odiei. - sorri para ele - Desde que eu te conheci tenho esses sentimentos estranhos por você, Dominic, e tudo se amplificou depois que Greg e eu terminamos. Você sempre esteve ali, foi quem me mostrou que eu precisava de momentos de diversão no meio de tanto caos. Quem ouviu meus lamentos. - Você estava comigo em um dos piores momentos da minha vida, quando meu avô morreu. Era o mínimo que eu poderia fazer. - James tinha muito orgulho de você, Dom. - contei a ele - E devia ter mesmo, é um Perseguidor e Domador de Feras excelente. Seus olhos brilharam. - Talvez nós dois sejamos péssimos nisso. - franzi o nariz - Preciso de um tempo... Pra pensar em tudo isso, agora que as coisas estão mais calmas. Eu vou te perdoando aos poucos, já ganhou sua porcentagem hoje. - Não tem como eu ganhar um bônus nessa porcentagem. - Vamos ver. - sorri novamente - Ainda não estou convencida. - Eu gosto de você, Crystal. - ele tocou minha têmpora acariciando meu cabelo - E odeio não conseguir falar o que quero. Prometo trabalhar nisso. Sorri em resposta. - Pode ficar esta noite se quiser. - Eu quero. - ele assentiu tirando a mão de onde estava - Mas não posso. Falta pouco para o dia amanhecer, não vou preocupar minha avó. Mas nos veremos mais cedo do que imagina. Apenas assenti curiosa. Meu coração disparou quando ele se inclinou, fechei meus olhos, e senti o toque suave de seus lábios em minha bochecha. E então, se foi. Sorri sem palavras, ele tinha levado todas elas. Suspirei aliviada, eu estava feliz de verdade.
Lindy
Tinha largado a manta em algum lugar da casa, mas eu não me lembrava ao certo onde. Achei Nate em seu quarto depois de procurar ele na sala de armas e na biblioteca. Eu precisava falar com ele antes de ir. - Nate, posso entrar? - perguntei batendo na porta entreaberta. - Pode. - consentiu ele passando a mão pelo cabelo molhado. Aparentemente todos tinham tomado banho, menos eu. Ele se sentou na cama. Fiz o mesmo. - Eu sinto muito por tudo que aconteceu. - Não tem que sentir, Nate, não foi culpa sua. - Foi pelas minhas mãos, Lindy. - Porque o Denyel estava na sua cabeça. - insisti - Me diga como poderia ter fugido disso? Ele abriu a boca querendo palavras para àquilo, mas nada saía de seus lábios. Vi seus olhos tremerem e se encherem de água. - Ei, eu acredito em você. - me aproximei abraçando seus ombros - Só queria que tivesse me contado, não queria ver o Denyel esfregando isso na sua cara. Ele enxugou as lágrimas que estavam molhando sua calça. - Eu odeio ter feito aquilo, eu volto para aquela noite todos os dias, eu sinto tudo de novo. A angústia, a tentativa de rejeição, a faca afundando no peito daquela garota. - ele soltou o ar que estava o sufocando - Eu vejo minhas mãos lotadas de sangue, e eu olho para você, e lembro do seu desespero, seu horror, e foi minha culpa, eu... Eu estraguei sua festa, eu acabei com a sua vida, eu... Eu me odeio tanto por isso. - Ei, ei. - tentei acalmá-lo o puxando para um abraço - Está tudo bem, já passou, Nate. Só... Ponha tudo pra fora. E foi o que ele fez. - Ninguém amava a Lynor mais do que eu. - disse - E se tem alguém que merece pagar por isso, é o Denyel. Ele só limpou as mãos dele com as suas, era o que ele queria, ele a queria morta, eu ouvi ele dizendo que ela sabia demais. Mas o que? O que ela ouviu, ou viu, ou achou que fez com que ele quisesse mata-la? Nate respirou fundo e me olhou. - Se achássemos alguma coisa que incriminasse o Denyel... - me levantei e comecei a rodar pelo quarto. - Ele tem a faca, Lindy, com as minhas digitais! - Mas ainda podemos pegar ele. - disse - Estamos falando de Denyel Halder, ele sempre deixa algo para trás. - Não se meta nisso, Lindy. - pediu ele se levantando e segurando meus ombros, me trazendo de volta para o lugar que eu ocupava antes - Eu sei que quer provar que eu sou inocente e que o responsável pela morte da sua amiga foi o Denyel. Mas no fim das contas apenas provas reais podem incriminar, Lindy, e pessoas normais não acreditam em coisas sobrenaturais, por que elas não devem existir para eles. O som da sirene da polícia me fez gelar. Nate ficou pálido em minha frente, como papel. Denyel tinha feito, tinha o entregado. - Não! - praguejei me levantando novamente- Nate, você tem que fugir. - Eu não posso fugir da polícia, Lindy. - ele se levantou também. - Pode ir para outro lugar, sair do país... - segurei as mangas de sua blusa - Nate, não... - Não faça ser pior, por favor. - implorou ele. - Está me pedindo para desistir de você, e eu não vou fazer isso. - balancei a cabeça em desespero - Você não desistiu de mim. - Por que eu te amo! - gritou ele. Sequer tive a chance de dizer qualquer palavra. Os policiais já estavam subindo as escadas, eu podia ouvir suas botas batendo no chão. - Me desculpe, Lindy. Continuei paralisada enquanto ele saía do quarto já com as mãos na cabeça. Ouvi o som deles rendendo ele, e das algemas sendo fechadas em volta de seus pulsos. - Nataniel Zach Foxin, você está preso por assassinato, homicídio doloso, ocultação de provas e extorsão. Ouvi eles marcharem para o andar de baixo. Ouvi a voz de Crystal desesperada. Corri pelas escadas quase tropeçando em meus próprios pés, Nate estava parado ao lado da viatura, tentei correr até ele, mas fui impedida por minha mãe, que me segurou durante minha corrida. - Meu amor, precisamos ir embora. - Não! - reclamei - Mãe, o Nate... - Eu sinto muito, filha. - ela tocou meu rosto - Não podemos ficar aqui. Ela segurou meu pulso e me arrastou para o nosso carro, bem ao lado da viatura. Entrei contra a minha vontade, e já chorando, bati no vidro ao meu lado, chamando sua atenção. - Nate, Nate! Nate! Ele me olhou, assustado e com os olhos marejados. Eu apenas precisava abraça-lo mais uma vez, só mais uma vez. - Eu não vou desistir de você! - gritei para que ele ouvisse - Nate! Eu não vou desistir de você! Ele assentiu com os olhos fechados, vi lágrimas descerem, e então, a viatura partiu levando-o embora. Olhei para trás enquanto nosso carro ia embora também. Minha última visão foi Crystal chorando nos braços do irmão, e Finick, sentado na calçada com as mãos na cabeça. Minhas lágrimas me queimavam por dentro e aquela sensação de liberdade, não era nada perto da dor que eu sentia agora. E não estaria melhor no dia seguinte, muito menos no próximo. E assim se seguiria até que Nate fosse inocentado. Mas tudo o que eu tinha agora eram lágrimas. Mesmo com Auborne em chamas, ele tinha vencido. Mas, por Deus, não me venceria nunca mais.
O legado dos traidores
Big guns - Ruelle
Não pode esconder-se na cova dos leões Não pode mover-se com os pés amarrados Não há descanso quando você dorme nas sombras
Dominic
Estava no segundo andar agora. Havia uma multidão de pessoas ali e o que parecia um palco, algo seria exposto. Puxei o capuz de dentro da minha jaqueta e me camuflei entre um grupo perto da entrada. No palco, havia 3 guardas de cada lado, todos armados com arco e flechas. No centro, seis cadeiras, todas já ocupadas por pessoas de rostos cobertos. Ao fundo, se posicionava uma jovem esbelta de cabelos castanhos, um homem de meia idade e... Não podia ser! Forcei os olhos a fim de me certificar de que eu estava vendo direito. Era mesmo Denyel Creepy Halder? Se era ou não, eu teria que esperar pela volta dele, pois não tinha ficado tempo suficiente ali para eu me certificar. O som de tambores soou nas laterais fora do palco. Foi então que surgiu em uma das portas, um homem de trajes alongados, pele pálida, olhos claros e cabelo platinado. Eu não o conhecia, mas algo me dizia que era o Criador. - Boa noite, meus soldados! - não sobravam dúvidas agora - Estamos aqui, no ápice da noite, para exterminar os traidores. Há muito estamos juntos, e lutando por um mundo onde nós, seres secundários, possamos ser protagonistas do nosso mundo, tanto o sobrenatural quanto o natural, temos vidas distintas em ambos. Infelizmente, não são todos os gratos pela luta que travamos, e se são nossos inimigos, merecem a morte! Ouve uma algazarra e aplausos, louvores, agraciamento. Ele era um Deus para eles. - Vamos limpar nosso legado esta noite. - entoou ele batendo suas palmas. A garota de madeixas bonitas foi para trás de um dos traidores, ao seu lado, pôs-se o homem de meia idade, seguido de dois guardas jovens, o próprio Criador e, ao retornar confirmei meu palpite, Denyel. Os rostos foram descobertos e imediatamente fiquei chocado diante de dois rostos em especial. Meu sangue gelou. Eram Carey Rosamund, a suposta diretora suicida da Harwy, e Troye Argent, o primo tão amado de Crystal. - Em nome de todos os meus ancestrais, que nosso sangue seja vingado! - ele amava cada palavra que saía de sua boca. Primeiro, foram os guardas, sem qualquer devaneio ou expressão de dor, cortando fora a cabeça dos garotos em sua frente, ambos aparentando ter entre 17 e 19 anos. Depois, foi a vez do homem de meia idade, fazendo seu trabalho com um homem perto de sua idade. A próxima foi a garota das madeixas que sequer piscou quando a lâmina da faca passou pelo pescoço de Rosamund, sua cabeça rolou para fora do palco. Denyel acabou com uma garota um tanto parecida com Lindy, mas não era ela. O último foi o Criador, cuidando do fim de Troye, ele segurou seu pescoço e a faca passou tão lisa e fácil quanto a mesma na margarina, sua cabeça rolou como a de Rosamund. - Que isto seja um aviso. - declarou o Criador - O primeiro e único. Debandadas não serão toleradas, traições não serão toleradas, traidores pagarão com a vida. Chega... Sua fala foi cortada com a explosão do primeiro explosivo de Alyssa, o que gerou uma arruaça maior ainda. Sorri com o ar da confusão. Todos os executores se afastaram, prontos para controlar o pânico. Era minha deixa. Passei por uma fila de pessoas e subi para o terceiro andar usando as escadas.
Lindy
Depois da primeira explosão, vieram mais duas. Meu coração acelerou e me sentei rapidamente. Aquilo poderia ser o escape perfeito. Forcei o arco em volta do meu pulso esquerdo, tentando dobrar os dedos e me soltar. Nada. Tentei com o outro, mas falhei também. Tinha que ter um jeito de sair dali. Olhei em volta apreensiva. Eu podia ouvir além daquelas paredes, claro! Me concentrei até ouvir vozes. - Precisamos recuar agora! - era a voz de Alyssa, eles estavam ali! - Ainda não checamos nenhuma sala. - Nate, como eu tinha sentido a falta de sua voz - Eu fico. - Não pode ficar sozinho. - Will também estava ali - Fico com você. - Nem pensar, vocês tem que ir. Will assuma o meu lugar. Qualquer coisa faço contato, não se preocupem. Sorri ao saber que ele ficaria, mas onde eu estava? Se eu gritasse, poderiam ser descobertos. Me mantive calada esperando que alguém me achasse. Precisavam saber. Crystal estaria ali? Eu tinha que tentar. Crystal? Crystal, você está aqui? Crystal? Lindy?! Ah, graças a Deus! Vocês estão bem? Ouvi as explosões. Estamos. Onde você está, Lindy, pelo amor de Deus? Eu não sei. Alertei ela Todas as salas são iguais. Mas consegui ouvir Will, Nate e Alyssa. É uma longa história para explicar, mas eu consigo ouvir o que eu quiser daqui. Como você está aí? O que fizeram com você? Tem correntes aqui, mas não ligue para o que Jackson fez, agora ele sabe que estão aqui, tomem cuidado! Nós provocamos as explosões, Lindy, o grupo da Alyssa. Estamos distraindo ele, só fique onde está. Disse algo sobre correntes, vou contatar o Nate. Vamos te achar. Sorri esperançosa, enquanto respirava fundo. Mas senti meu mundo ruir quando a porta se abriu e Denyel entrou.
Crystal
Começamos a nos mover com mais pressa, entre as pessoas ali. Tinha se iniciado um tumulto, e fomos obrigados a parar no corredor principal. Torrance dissera para não permanecermos muito tempo no centro, evita-los, então cutuquei Trina e sinalizei para que entrássemos em uma sala à direita. Nos recolhemos na sala vazia, parecia uma despensa. - Acredito que aqui estamos seguros. - contei a eles - Lindy se comunicou comigo. Ela está de fato neste prédio, ela me confirmou. Infelizmente, ela não sabe em que andar exatamente, então vamos ter que nos separar em grupos menores. O grupo de Alyssa e Vincent já se recolheram, para nossa segurança, alguns de nós devem retornar para o bosque. Assim fizeram, abrindo a porta e saindo. Restavam 22 pessoas agora. - Muito bem, separem-se. Dois grupos de 8 pessoas a saíram prontos para checar as salas. Dos que tinham ficado, incluíam Aida e Venna. - Ótimo! - suspirei e saí acompanhada deles, estava pronta para lidera-los, mas... - Crystal! - Dominic. - O que está fazendo aqui?! - o fitei irritadiça - Devia estar no bosque com o seu grupo. - Eu não estava pronto para voltar. Vão vasculhar as salas, vou com vocês. - Faça o que quiser. - disse - Só não me atrapalhe. Eu estava furiosa, meus passos duros entregavam isso. Aida e Dominic estavam no meu grupo, nada poderia ser pior. Partimos para a primeira sala. Assim que abri a porta fui surpreendida por um Rajão que meu acertou com sua mão pesada e agarrou meu braço e tentou socar meu rosto, mas consegui desviar e enfincar uma faca em seu ombro. Ele gritou, eu recuei, pegando meu machado das costas. Todos passaram por mim, preparando seus ataques contra os cinco. Olhá-los me enraivava, pois eu me lembrava do que tinha acontecido com Will. - Chega de pesadelos! - avancei no Rajão e começamos uma luta um tanto pessoal. Ele mal teve tempo para me atacar, eu o chutava, empurrava e o acertava com o meu machado, o óleo que saía de sua boca e pele perfurada respingava em meu rosto, mas eu não ligava, só desejava mata-lo, estava tão presa àquilo que não percebi outro Rajão se aproximando. Suas mãos agarraram meus ombros, enquanto o que eu enfrentava antes estava na vantagem, suas mãos estavam prontas para me estrangular. Me debati e chutei, ele arfava de dor, mas suas mãos já estavam em volta do meu pescoço. Bati nos braços que tiravam meu ar agora, mas ele só apertava mal, eu estava ficando tonta. Senti as mãos saírem do meu ombro e o óleo espirrar contra as minhas costas. O Rajão da minha frente soltou meu pescoço no momento que uma redoma da cor dourada circulou suas mãos. Quando me virei encontrei o Rajão que me segurava decapitado e Dominic. Aida estava dando conta do Rajão da frente. Uma torcida mágica em seu pescoço e eles estava no chão. - Aida! - gritei no momento em que o Rajão, mesmo com o pescoço torcido para trás, se preparava para ataca-la. Segurei meu machado com firmeza e o acertei no rosto. Óleo explodiu na parede onde seu rosto se chocou, e assim deslizou junto com o corpo até o chão. Aida ateou fogo em todos os cinco Rajões caídos, e lá ficaram queimando sem qualquer fumaça, benefícios do fogo mágico. Ainda sem ar, me segurei no ombro de Dominic. Ele pôs a mão sobre a minha, acariciando-a. O fitei assustada, apreensiva, eu poderia ter morrido se não fosse por ele ou Aida. Ele sorriu para mim, eu já tinha o visto sorrir antes, mas não com tanta suavidade. Will estava certo, ele se importava. Retribui o sorriso.
Lindy
- Veio ficar de olho em mim? - indaguei com os braços cruzados - Apenas isso? - E ver o fracasso dos seus amigos quando o Criador os decapitar como fizemos com nossos traidores hoje. - O que... Rosamund...? - Sim, está mortíssima. Dessa vez de verdade. Por mais que ela tivesse feito as coisas terríveis que fez comigo, eu jamais desejaria uma morte tão cruel. - Eu adoraria ver sua cabeça rolar entre a multidão. - Não te darei este gosto. Ele sorriu doentiamente, mas seu sorriso sumiu e ele se voltou para a porta atrás de si. Franzi o cenho enquanto ele se levantava com seu revolver carregado e apontado para a porta. Minha garganta se fechou.
Nate
Como queria, o garoto saiu aos passos de rato. - Vamos, apareça. - ordenou ele - Não tenha medo, não precisamos conversar. Vamos, Vincent, eu sei que é você. Quer sua menina? Venha pegar. - Pessoa errada. - surgi detrás de um dos armários. Ele atirou diversas vezes, fazendo os frascos de vidro vazios sobre o armário explodirem. Mais uma vez, correspondendo às minhas expectativas, ele estava sem munição. Caminhei em sua direção. - Como você mesmo disse, não precisamos conversar. - empurrei a cabeça dele contra a parede ao seu lado, apagando-o.
Lindy
Tinha ouvido muitos tiros e barulho de vidro se quebrando, uma batida também, mas eu não sabia o resultado daquilo. Depois de tanto barulho, veio o silêncio. Passos estavam se aproximando e eu esperava que não fosse Denyel. Quando a porta foi empurrada, não me contive. - Nate! - chamei por ele e sorri. Ele correu em minha direção e sem qualquer palavra me abraçou forte, agarrei seu pescoço quase o enforcando e agradeci em meu coração por ele estar aqui, fazia tempo desde que eu tinha recebido algum carinho, e quando ele me abraçou pareceu que o mundo tinha voltado ao normal, que estava tudo bem. Lágrimas desceram pelo meu rosto e quando nos afastamos, as sequei por conta própria. - Como... - comecei. - Vou te tirar daqui. - disse ele depressa tirando um decodificador do bolso. Ele soltou as correntes dos meus pulsos primeiro, depois dos meus tornozelos. Ele se levantou e segurou meus braços me ajudando a levantar. Eu podia sentir a mão dele queimando sobre a minha, que estava extremamente gelada. Ele arrancou a própria blusa e me ajudou a tirar a minha, que estava rasgada depois de tudo pelo que passei, trocando-as. Deixamos a rasgada ali e nos apressamos para sair dali. Ele segurou minha mão, e juntos saímos dali. Vi o corpo de Denyel caído perto de uma das paredes, suja de sangue. Mas não me parei, resisti à dor dos meus pés. Eu não sabia que caminho tomar, então deixei Nate me guiar. Ele abriu uma porta que revelou algo que eu nem me lembrava mais como era, o lado de fora a liberdade, o sereno da noite. Ele me levou pela mão escada abaixo, mas fomos parados na metade do caminho. O grito de Deny nos fez parar. - Aonde vão com tanta pressa, casalzinho? - o encarei, a lateral do seu rosto estava ensanguentada - Ainda não terminamos. Nate, vamos acabar logo com isso. Me voltei para Nate, que tinha soltado minha mão e sequer me olhara, seus olhos ávidos estavam presos em Deny. Sua pele estava ficando vermelha e seus dentes estavam cerrados. - Conte a ela o que foi fazer na festa de aniversário dela. Não veio nada de Nate, só raiva. - O seu protetor, Lindy, o maior devoto de todos, o santo, o garoto perfeito... Foi o responsável pela morte da Lynor. Meu rosto se encheu de dor, senti meu corpo cambalear para trás. Aquilo tinha me atingido coo uma bola de demolição. - Cale a boca! - gritou Nate dando um passo em sua direção. - Está mentindo. - balancei a cabeça - Nate... Você não... Isso é mentira, não é? Ele ainda tremia com os olhos em Deny, ele sempre me olhava. Sempre. Por que não conseguia fazê-lo agora? - Nate? - eu insisti. - Foi sobre a influenza dele. - respondeu Nate enfim, mas ainda sem me olhar - Eu não quis, mas eu não podia recusar, ele me forçou... Eu não conhecia sua amiga, eu não queria mata-la. - O que é influenza? - quis saber. - Uma manipulação mental, uma prévia do que seria o controle dos Maquinistas, ele usou isto para entrar na minha cabeça. Fechei os olhos com força segurando as lágrimas que caíram mesmo assim. - Você me disse que contaria tudo. Ele engoliu em seco. - Como você confiaria se eu contasse isso. - Como foi a morte dela?
Outubro 25, 2015
Nate
Entrei no banheiro. Havia um casal discutindo. - Tire as mãos de mim! - gritou a garota querendo se livrar das mãos do outro. - Ei! - entrei interferindo o assédio dele - Solte ela! Ele riu. - E alguém te chamou para esta conversa, amigo? - ele veio em minha direção em me empurrou dois passos para trás - Não se meta! - Pare com isso, Denyel. - pediu ela - Deixe ele em paz. - Não quer bancar o herói? - ele riu novamente - Vamos lá. Avancei nele e agarrei sua gola, o empurrei com força para trás, e com o ato, seu corpo empurrou o da menina, que caiu batendo a cabeça duramente contra a banheira. Sangue se empoçou em volta de sua cabeça. - Não! - saiu a lufada. - Olhe só o que você fez! - sua voz era fingida - Está satisfeito agora, bonitão? Ela está morta. - Não. - a peguei nos braços e sacudi seu corpo - Vamos reaja! - Confesso que me fez um favor, Nataniel. - Como sabe o meu nome? - Só olhe para os meus olhos. Franzi o cenho, mas cometi a burrice de olhar em seus olhos.
Lindy
- Ele me entregou a faca e fiz o trabalho sujo, um único golpe bem no coração... - A faca ainda está comigo, Nataniel. - ele sorriu sentindo-se vitorioso - Entregue a garota ou eu entrego você, e irá apodrecer na cadeia. - Eu fico então. - me pronunciei. - De jeito nenhum. - Nate negou - Tem pessoas preocupadas com você lá embaixo, estão te esperando. Não vou deixar que se sacrifique por mim deste jeito. - Nate, você vai ser preso. - Mas você estará bem com a sua família. - Nate. Antes de qualquer outra palavra, ele agarrou a minha mão e terminamos de descer. Eu estava confusa, mas não queria que Nate fosse preso. Ele tinha matado Lynor, mas fora Denyel quem tinha o obrigado. A sensação de tocar o solo deveria ter sido maravilhosa, mas não fora. Nate estava condenado.
A casa do Diabo
Weight of the world - Hurts
Eu tenho problemas na minha mente Eu vejo as rachaduras no céu aberto Eu sinto os relâmpagos iluminarem a dor interna Eu não sei o que vou encontrar lá no fundo
Lindy
O dia tinha sido movimentado, eu conseguia ouvir o barulho dos passos duros dos aliados de Jackson do lado de fora, e nem precisava me forçar para isto. Denyel não aparecia desde o dia anterior, era um alívio não ter que escutá-lo ou algo do tipo. O mesmo valia para Pete e Giamon, e a Srta. Rosamund. Jackson tinha me trazido alguns pães secos e puros para me alimentar, como um cão. Meu estômago desejava a comida da minha mãe ou a dos Argent. Fechei os olhos e me concentrei para tentar ouvir alguma conversa relevante além daquelas paredes. Meus ouvidos foram parar na conversa de Jackson com alguém que eu não reconhecia pela voz. - Estamos prestes a começar, onde Gia se meteu?! - Jackson estava irritado, e não havia novidade alguma naquilo. - Não sei senhor, vossa irmã não foi vista hoje. - Ela não é minha irmã! - interveio ele - Com ou sem ela, vamos prosseguir com o plano. - E quanto aos outros? - Pouco me importa, homem! - reclamou ele com desdém - Só quero o meu colar! - Não vai ter colar pra você hoje, leopardo. - eu podia sentir a ironia de Gia, como se ela estivesse ao meu lado - Fui procurar os Anciãos e a toca dos coelhos estava vazia. Lamento. - Lamentos não trarão meu colar, Giamon. - Ficar choramingando também não... - Não me ofenda. Não houve resposta. - Parece que o colar não vai chegar tão fácil assim. - ele bufou - Mas para onde foram estes malditos? - Talvez tenham se mudado para outra toca. - Sem avisos? - ele riu - Não, Aida não seria tola. Ela não arriscaria a vida da filha. - Pauline tem se mostrado uma ótima aliada, Jackson, não seria moral perdermos aliados assim tão fiéis. - Ah, fique em paz, Gia, não vou matar seu bichinho. Mais uma vez, o silêncio veio como resposta. - Tome mais cuidado, maninha, eu sei o que anda fazendo todas as noites. Imagine como você decepcionaria seu pai, que já é um maluco.O que ele pensaria de uma filha lésbica? Que desgosto! Aquilo tinha doído em mim, saber o quão Jackson maltratava Gia, e ela continuava ali mesmo assim o ajudando. - Me faça um favor, Archer. - o tom dela foi claro e faria qualquer um, até mesmo o Jackson tremer - Continue fazendo o seu péssimo trabalho, desonrando o seu pai e a sua família de merda, mas não mexa com a minha vida e as pessoas que estão nela. Com isso, ouvi ela se retirar. - Lee, prepare nossos prisioneiros, a hora deles está chegando. - Sim senhor. Saí daquela conversa imediatamente e meu coração acelerou. Então era isso, o dia tinha chegado. Os traidores iam ser executados.
Crystal
Estávamos seguindo por aquele bosque negro e silencioso, nos aproximando a cada passo da fortaleza de Auborne. O aglomerado de pessoas e armas, entre as árvores e arbustos. Ao meu lado, agora, estava Dominic tentando puxar conversa em sussurro. Éramos os últimos da fila de pessoas que seguiam Torrance e meu pai. - Achei que ia querer mais aliados. - disse ele. - Mandei você ficar longe de nós e fez exatamente o contrário! - rebati - Não devia estar aqui, só vá embora para sua casa e faça o que garotos fazem. - Não estou aqui por você. Vim honrar meu avô, ele ia querer que eu lutasse essa luta. - Você nem mesmo sabe o nosso plano. - Você pode me contar. - Não, eu não vou. - neguei - Você vai com o grupo do Vincent. - Não vai se livrar de mim assim. - disse ele rindo, e eu quis soca-lo por debochar de mim - Eu sei que você gosta de mim. Parei repentinamente, puxando sua jaqueta de couro, assim como a minha, no ombro. - Sério?! - o encarei - Veio para me atrapalhar na minha primeira missão? Falar que eu “gosto” de você? Ele segurou o riso novamente, continuando com o deboche. - É sua primeira missão?! - A primeira oficial. - Confesso que tenho interesse em te atrapalhar e fazer você admitir que gosta de mim. - Eu te odeio! - Eu não acredito em você. - ele se aproximou tocando nossos narizes, e em seguida recuando ao toque, mas ainda com os olhos nos meus - Você não se sentiu correspondida e apenas chorou como uma menininha. Uma novidade para você, Crystal, isso aqui é a vida real, e na vida real, 90% das pessoas não são correspondidas. Pare de chorar. O empurrei para trás com força e continuei andando, seguindo os outros que estavam quase sumindo no escuro. Ele me alcançou. - Talvez não seja a hora para isto. - Com certeza não é. - foi minha ultima resposta para ele.
Trina
Emely e Aaron iam lado a lado, à minha esquerda. Eu estava preocupada com eles, em especial com Aaron, ele não era um Gladiador treinado, ele era apenas um humano comum que nasceu em uma família comum, sem habilidades para este tipo de situação. Emely sabia disso, mas o que estavam fazendo pela minha filha, não somente eles, mas todos os outros, mas principalmente, mostrava o quão forte tinha se tornado a relação entre eles. Eu queria que Lindsey pudesse me dar a chance de me aproximar também. Torrance se encontrava ao meu lado quieto, e ao lado dele, Finick. - Fique calma. - pediu Torrance, me assustei ao ouvir sua voz, eu estava perdida demais em meus pensamentos - Logo estará com a sua filha. Soltei o ar que estava prendendo. - Eu sei. - relaxei meus músculos um pouco, a tensão estava me devorando - Mas não fui uma mãe tão boa para ela. Lindsey não vai gostar de me ver, ela acha que vou levá-la para nossa casa em Dublin. - É um belo lugar para se viver! - De fato. - assenti - Mas não vou leva-la mais, considerei recentemente, mas não quero tirar tudo isso dela. A vida que ela tem aqui, os planos que criou, os amigos que fez... Não seria justo. - Eu não sei como ajuda-la com isso, senhorita. - contou ele - Nunca tive filhos. - Sua esposa... - Não sou casado. - admitiu ele - Não mais. - Se separaram? Como aconteceu? - Eu amava a Heather, mas ela não está mais viva. Faz 11 anos desde o acontecido, e por anos eu odiei alguém que foi acusado injustamente. Minha esposa era uma marcada assim como vocês, sua irmã, sua mãe e sua filha são. O Criador da época foi o responsável, ou pelo menos um projeto do próximo, ele a estrangulou com um chicote metálico, bem na minha frente e eu não consegui fazer nada. Ele estava de capuz, não o reconheci, foi tudo muito rápido. Eu abri a porta da frente no momento certo em que ele puxou o chicote, a asfixiando, e a soltou. 2 anos depois, meu pai publicou seu livro e incriminou James Asvarc, ele não se conformava com o término do casamento com a sua mãe, mesmo isso tendo ocorrido muito antes do meu nascimento, e mais ainda do que a morte de Heather. - Isso é muito triste, Torrance. - admiti - Realmente toda essa história dos Marcados e dos Criadores é muito sangrenta. - Fui buscar ajuda com o meu pai, saí fugido de casa com medo de ser a próxima vítima. Tive sorte que ela me ensinou muito sobre táticas de luta. - Onde seu pai está agora? - Num Manicômio. - respondeu ele com um engasgo - Ele sempre foi credor do mundo sobrenatural, e resolveu revelar o que sabia em sua biografia. Foi dado como louco, e então... Não teve saída. - Claro. - assenti - Minha mãe dizia que ele sempre quisera provar algo. As pessoas não estavam prontas e provavelmente nunca estarão. - Sabia que ele mentiu na própria biografia? Ele disse que Sara era minha mãe. - Ele fez isso? - ri. - Fez. - concordou ele - Minha mãe biológica morreu durante o parto, eu sequer sei o nome dela, meu pai nunca me disse nada sobre ela, achei justo ter sua mãe como figura materna e o nome dela em meus documentos, mas eu sei a verdade. - Ela foi uma excelente para a Emely, e pelo visto para você. - forcei um sorriso - Vai ver o problema sou eu. - Não há problema algum com você, Trina. Paramos sentindo a exposição do fim do bosque. - Parece que finalmente chegou a hora. Remexi meus ombros e encarei os muros de Auborne.
Dominic
Deixei Crystal para trás com o irmão, Nate e Alyssa, e fui para o lado de Vincent, ouvir o que o Aworn tinha a dizer. - Muito bem amigos, chegamos em nosso destino. Vamos fazer nossas divisões - Finick foi para o lado de Aworn, que continuava - Trouxemos oito rádios de comunicação, quatro pessoas do grupo leste e mais quatro do oeste, peguem seus aparelhos. Mas lembrem-se, vocês serão os líderes de seus grupos. Contatem qualquer problema ou se acharem a garota. Se os locais de vasculha não forem onde a Fell está, retornem para o bosque e esperem. Não deixaremos nenhum dos nossos para trás. Vamos, andem, dividam-se. Já sabem quais são seus grupos. Fiquei com o grupo do leste, tendo Torrance como líder-mestre. Nate, Vincent e a mãe de Alyssa eram os sub-líderes. Prosseguimos carregando nossas armas, empunhando outras e preparando para tiros. Quando alcançamos a base da escadaria, fizemos um círculo com nossos corpos, e Torrance se pronunciou. - Certo, guerreiros, segunda separação. - ele tirou o rádio do bolso - Nataniel, você e seu grupo vão para a cobertura. Meu grupo, seguimos para o segundo andar. Senhorita Tunne, seu grupo vai vasculhar o primeiro andar. Vincent, os seus procurem no calabouço. Se separem em grupos menores para vasculhar as celas, sejam rápidos. Assim fizemos. O lugar era escuro e fedia. Tive que torcer meu nariz para não tossir e chamar atenção, prosseguimos evitando barulhos, mas nossas armas eram barulhentas, portanto não tinha jeito. Separamos-nos uma última vez e fomos checar as celas, houve um pequeno reboliço com nossa chegada, mas os prisioneiros logo se calaram, e por sorte não havia ninguém ali. Certamente os guardas estavam muito ocupados nos andares superiores para se preocuparem com o que estava ali embaixo. - Por que não checa aquela ali, Dominic? - Vincent apontou o queixo para a cela em minha frente. Assenti e me aproximei, mas o prisioneiro não se virou. - Lindy? - bati levemente na grade - Lindy é você? Achei que o prisioneiro não diria nada, e não disse, ele apenas correu contra a grade e me fez saltar para trás xingando. O prisioneiro era um homem barbudo cego que tinha queimaduras fortes no rosto. Ainda com o coração acelerado, recuei e fui checar outra cela. A próxima era bem maior. Antes que eu chamasse pela Lindy, liguei minha lanterna para evitar outro susto, mas foi inevitável quando vi que era um Velasque. Ele era diferente do que tinha atacado Crystal, esse não era listrado nem preto, era branco com manchas. Parecia um filhote de cachorro gigante. Seus olhos enormes e negros me olhavam com profundidade e eu podia sentir uma energia estranha. Ele parecia estar sofrendo, sentindo dor, mas não rosnou ou uivou, ele ficou parado me olhando. - Oi rapaz! - me aproximei dele - O que houve com você hein? Ele se aproximou da grade apoiando a cabeça nela, como se estivesse pedindo carinho. Estendi a mão com cuidado e toquei em sua pelagem quente, ele estava febril na certa. Velasques eram extremamente sensíveis, não era o habitat natural deles, ali era gelado, fedido e pequeno, aquele animal deveria estar ali há um bom tempo. Assim que afastei minha mão, ele desencostou a cabeça de lá e tornou a me olhar. Eu nunca tinha visto um Velasque como aquele, tão... Calmo e... Manso? - Eu venho te buscar, eu prometo. - Dominic? - me virei encontrando Vincent - O que está fazendo? - Nada. - balancei a cabeça seguindo ele. Seus olhos congelaram ao ver o Velasque do outro lado da cela, eu sentia a raiva dele queimar sua pele. Se ele tivesse a chance o teria matado. Olhar para aquele animal e lembrar-se da mãe sendo estraçalhada com certeza era uma dor que eu jamais poderia mensurar. - Vamos. - o puxei pelo braço - A Lindy não está aqui, amigo. Ele cedeu. Subimos novamente para sair dali quando, demos de cara com guardas. Antes que eles pudessem gritar, sete dos nossos, incluindo eu e Vincent, seguramos seus rostos prendendo a respiração deles até que perdessem a consciência. Os soltamos depois que todos apagaram. - Essa foi por pouco! - suspirei pegando o rádio da cintura de Vincent. - Dominic! - reclamou Vincent, mas não larguei o rádio. - Torrance! - o chamei - Torrance é o Dominic, responda. Nada. - Torrance. - Estou na linha. - respondeu ele - Nada por aqui. - Nada aqui embaixo também. - respondi de volta - Estamos subindo. - Vão para os bosques. - Eles vão. - desliguei o rádio e entreguei a Vincent enquanto subíamos. Assim que chegamos do lado de fora, me voltei para Vincent. - Vão para os bosques em segurança. - pediu ele - Você é o líder deles, Vince, fique com eles. - Aonde você pensa que vai, Dominic?! - Vincent se ouriçou. - Crystal ainda está lá dentro, eu vou atrás dela. - A Crystal pode se cuidar sozinha, cara. - reclamou ele - Venha com a gente. - Eu não vou sem ela, Vincent. - bati em seu ombro - Cuide do seu grupo. O soltei e voltei para dentro.
Sem pesadelos
Whispers - Vancouver Sleep Clinic
Nós nunca lutamos para perder Nós não construímos para queimar isso Você não tem que carregar o peso do seu pecado Nós não nos levantamos para desmoronar Nunca partimos por segurança
Deixei meu pai no quarto com a ajuda de Torrance, e desci novamente tirando meu casaco e o estendendo no porta-chapéus perto da porta da sala de estar, foi então que percebi a presença de Will, debruçado no braço do sofá com aquele olhar irritante. - O papai dormiu? - indagou ele. - Está deitado pelo menos. - caminhei em sua direção e me sentei no sofá ao seu lado - Foi uma noite bem agitada para nós. - Com certeza. - concordou ele se sentando. - Eu estive querendo perguntar, mas minha cabeça estava tão cheia que nem tive tempo... Como as flores chegaram?- desviei do assunto - Digo, quem as trouxe? - Não tinha ninguém quando as encontrei na porta. - explicou ele - Achei que poderiam ser do Greg ou do Dominic. - Não. - balancei a cabeça levantando a mão - Não fale dele. - Eu vi como se enfrentaram lá no hospital. - questionou Will com seu tom preocupado, era a pergunta que eu temia - O que aconteceu com vocês? O que ele fez? - Nos beijamos. - confessei - Mas foi só uma noite... - Vocês...? - Não! - ressaltei querendo que ele me entendesse - Foram só beijos. - Agora são mais de um? - Não importa, Will. Não significou nada para ele e não sei por que esperava algo diferente. Dominic é igual ao Greg, agora entendo o que você e Nate aguentavam com o Greg. - Não acho que o Dominic e o Greg sejam iguais. - admitiu Will - Eu não devia, mas precisa saber de algo. No dia em que o Greg terminou com você, depois do jantar, Dominic veio me procurar no meu quarto, e perguntou se Greg tinha feito alguma coisa a você. Eu contei por alto que estava tudo acabado entre vocês, então pegamos meu carro e fomos até onde Dominic intuiu que Greg estava. Numa boate de estripers, Casa Plata. Dominic o encontrou e deu um soco no meio da cara daquele idiota, eu vi. Eu vi tudo. Ele resolveu sair e dar uma surra em um cara que brincou com você porque ele se importa... Com você. Casa Plata, uma boate estriper, era pra lá que Greg queria me levar há alguma noites, e fora Dominic quem me salvara. Sempre. Eu não conseguia pronunciar uma só palavra. - Não estou pedindo para perdoá-lo, até por que ele partiu seu coração, ele é quem devia fazê-lo. Mas ele sabe bem o que sente por você, só não tem coragem de admitir. Ainda não tinha palavras para àquilo. - Alyssa me contou algo sobre a festa na cachoeira também, nada de detalhes, não me meti, mas eu quero que saiba que mesmo se não se resolverem, e você quiser mandar ele sumir da sua vida, terá pessoas te ajudando a superar isso tudo. Não está sozinha. Sorri. - Sei que não estou. - finalmente tinha saído. - Não te culpo pelo que houve comigo. - Will segurou minha mão. - Mas eu sim. - engoli em seco - Por minha culpa agora existe um buraco negro entre nós. - Não tem buraco negro nenhum, eu ainda te amo e sempre amarei, você é minha irmã. O abracei enfim . - Odeio quando você age como irmão mais velho! Rimos. - Não precisa de nenhum namorado para sentir amor de verdade. - Eu sei. - eu já tinha ouvido aquilo de Dominic - Eu sei. - Estou oficialmente voltando para o meu quarto no andar de cima. - ele se levantou - Está na hora de trabalhar essas perninhas. Estou conseguindo subir escadas agora. - Eu percebi! - disse animada, tentando deixar meus pensamentos de lado - Quando ia me contar? - No seu aniversário! - ele sorriu - Mas fui um péssimo irmão, e me esqueci. - seus pés o levaram até a lareira, recolhendo um pequeno embrulho com estampa infantil detrás de uma foto de família. - O que é isso, Will? - Isso. - ele estendeu-o para mim - São desculpas. Na verdade, saí cedo em busca de um presente incrível no dia do seu aniversário, mas Alyssa é péssima, assim como eu. Então, preferi ser original. Não te vi depois que voltou da festa, não tive a oportunidade de entrega-lo devidamente. - Muito obrigada! - agradeci sinceramente. Ele beijou minha cabeça e se retirou. Abri com cuidado dando de cara com um catador de sonhos e um bilhete pendurado nele:
“Já chega de pesadelos para você.” - Era tudo.
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Pela primeira vez, em dias, eu tinha dormido. Tanto que me assustei com a hora quando fui checar, já estava tarde. - Bom dia, Bela Adormecida! - cantarolou Alyssa, que não tirava os olhos do notebook sobre suas pernas - Grande dia para nós. Me apoiei nos travesseiros e a fitei. - Bom dia! - passei as mãos pelos olhos - O que está fazendo? - Dando outra fuçada naqueles documentos que eu te mandei. Meus pais ainda não sabem. Venha ver isso. Me levantei e sentei ao seu lado, perto da janela. Haviam 18 abas abertas. Ela clicou em uma delas, dando zoom na imagem cheia de palavras. - Vê aqui embaixo? - ela apontou para duas inscrições sob o símbolo da empresa de carros de seu pai - Foram anotações feitas pelo meu pai. A19 e S13. - O que isso significa exatamente? - Neste documento, há as salas proibidas, onde funcionários não entram, mas estas duas, as câmeras detectaram invasão. Ian... Quer dizer, Archer, entrou nelas e levou caixas lotadas de óleo. - Rajões. - Exatamente! - concordou Alyssa - Foram vários roubos, todos associados a estas salas. Se parar para ligar os pontos, nossos combustíveis contribuíram, nós somos cúmplices. Agora faz sentido todo esse segredo, podemos ser presos, se a justiça descobre o que “acobertamos”... Não foram duas ou três caixas, foram 42, 42 litros furtados sob nossos narizes. O segurança com certeza foi subornado ou enfeitiçado para ele conseguir sumir com as caixas e não percebermos. Que escândalo, meu Deus! - Não tem como nada vir à tona, Alyssa, não enquanto apenas nós e seus pais soubermos, e provavelmente o meu pai também. - passei confiança a ela - Mais alguma coisa com que temos que nos preocupar? - Estas fotografias. 5 imagens se abriram. 3 eram noturnas, e mostravam a marcha, muito provavelmente de Holligan Werst para Auborne, do Criador seguido de seu extenso exército por ruas desertas, eram tantos que mal cabiam na foto. - Meus pais fotografaram isso, eles já sabiam há um tempo. As outras 2 fotos eram diurnas. Uma tinha o cenário caótico, onde um homem de cabelos brancos portando adagas curvas, parecia enfurecido com outros 4 indivíduos à sua volta. A última era apenas o mesmo homem grisalho, porém de aparência juvenil, procurando por algo. - Este é ele. - ela apontou para o home grisalho - E o exército que enfrentaremos. Engoli em seco, eram muitos. - Damos conta. - fui confiante, apesar de ter uma ponta solta em mim. Ela apenas me encarou. - Vou descer e ajudar. - disse ela fechando o notebook, depois de um curto momento de insegurança - Começaram a chegar mais pessoas. - Vou com você. - avisei me levantando e trocando o pijama. Descemos juntas. Todos os sacos de dormir tinham sido removidos. A sala agora era preenchida por pessoas conversando casualmente, como velhas conhecidas. Algumas tinham taças cheias de vinho até a borda. Franzi o cenho procurando por alguém que conhecêssemos, avistei Thomas, e Alyssa optou por ir falar com ele, mas eu fui para outro cômodo. Cozinha. Estava mais vazia, e pude encontrar Will, meu pai, Torrance e Trina. - Quando é que começaram a servir o álcool e porque não me chamaram? - peguei um copo do balcão e tomei uma golada. - Estamos sendo apenas receptivos, filha. - Claro. - ri - Quantas pessoas faltam chegar? Nossa casa está ficando pequena. - Os Daren ainda não chegaram, muito menos os Eligorn. - explicou Trina - Fora eles... Os Anciãos. Assenti tomando outra golada demorada. - Acha que eles virão, senhorita Fell? - indagou Will. - Aida nunca quebrou promessas, William, não creio que o fará agora. - Eu me darei o benefício da dúvida. - respondi terminando minha taça. - Confiando ou não neles, estamos com o mesmo propósito. - Os pais da Lindy não estão aqui? - indaguei. Trina quase se engasgou. - Emely e Aaron virão conosco? - Disseram que estariam aqui. - Como assim minha irmã está participando disto, senhor Argent?! - ela voltou-se para o meu pai. - Na verdade, fui eu quem pediu a ela que se unisse a nós. - respondi - Foi a primeira aliada que Nate e eu conseguimos. - Fizeram isso sem meu consentimento?! - Demos o primeiro passo. Notei um pequeno sorriso, que Trina escondeu de todos os outros. - Quero falar com a minha irmã assim que ela chegar. Meu pai consentiu. Ia tocar no assunto da noite anterior, para tentar saber algo sobre a reunião, mas a campainha tocou. - Vou atender. - me retirei dali e abri dando de cara com Ainda e seus companheiros. - Aida. - pronunciei com dificuldade, era difícil olhar para uma mulher que eu tanto confiei, e agora eu não era capaz de perceber sua franqueza. Traições eram o ponto fraco de Armadires. - Menina Argent. - ela cumprimentou enquanto os outros entravam, inclusive a menina que sempre abria as portas pra mim. - Trouxe a criança?! - franzi o cenho - Vão levar uma criança para uma missão perigosa dessas? - Venna tem 12 anos, já é entendida e madura para lidar com isso. - afirmou ela - Afinal, você com 10 enfrentou uma criatura das trevas. Apenas tirei os olhos de seu rosto e pedi para que ela entrasse. - Olhe, menina, eu sei que está com os pensamentos nervosos e não confia em nós, mas viemos ajudar. Ajudamos e fomos ajudados pelos Marcados há anos, e vocês Argent’s também. Estamos acertando contas, não atirando para o alto, sabemos que o Wilvarn vai cair, eles sempre caem. - Fiquem à vontade. - foi tudo que eu disse antes de deixa-la no saguão. Ainda conhecia o caminho. Eu iria polir minhas armas para a noite.
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Terminei meu rabo de cavalo, e com os olhos no espelho, observei a minha imagem, meu reflexo. Eu não era como aquelas garotas que se admiravam, e não o estava fazendo agora, era apenas uma encarada nesse rosto cansado e esse corpo pesado. Vesti minha jaqueta de couro e depois de uma remexida no meu penteado, saí do meu quarto rumo ao saguão. Meu pai faria um pronunciamento. Encontrei Alyssa já pronta, de pé no fim das escadas, ao lado de Vincent e Will. Também podia ver Nate não distante de nós, Trina, Ainda, a pequena Venna ao lado de sua Anciã-Mestra, e os pais nã-biológicos de Lindy. Nada do Dominic. Pus-me ao lado de Nate. - Você está bem? - perguntei assim que parei ao seu lado. - Estou preocupado. - disse ele - Só quero que Lindy volte para casa sã e salva. - E assim será. - disse confiante tomando seu braço. Meu pai surgiu no topo da escada ao lado de Torrance. - Meus amigos e amigas, hoje estamos aqui reunidos para atravessar barreiras de nossa existência que nunca foram violadas antes. Estamos indo contra o mau do Criador. Somos pais, mães, filhos, irmãos, jovens buscadores de aventura, Gladiadores, Perseguidor e Marcado, Anciãos, Armadir... Mas somos todos uma grande equipe de resgate. O que vamos enfrentar hoje é um exército, mas eu juro pelo meu sangue que darei minha vida por cada um de vocês, mas espero que possamos voltar para nossas famílias com lembranças de uma batalha vencida. Somos 160 guerreiros, fora os aliados que estarão nos esperando em carros fortes na fronteira. Devo agradecimentos a 8 jovens que fizeram disto uma possibilidade: meus filhos, Crystal e William Argent, nosso agregado Nate Foxin, Vincent Martin, Dominic Asvarc e Alyssa Tunne. Também devo agradecimentos a meus novos amigos, Torrance Aworn e Trina Fell, além de claro, Aaron e Emely Fell. Quero agradecer a todos! E lembrar que esta noite não será uma noite destinada a perdas, apesar de haver esta possibilidade, essa noite é um salvamento. Que nosso senhor esteja conosco em batalha. Vamos, meus amigos! Houve uma algazarra e palmas por todo o saguão, e então eles prosseguiram indo buscar suas armas. Esperei até que meu pai me alcançasse e abri a porta junto com Nate. No momento em que ela se abriu me deparei com a imagem que eu menos esperava. Dominic abotoando suas luvas, quando percebeu a abertura das portas ele me encarou com aquele olhar de tirar o fôlego, e por um momento agradeci por Nate e meu pai estarem ali comigo. - Espero que não se importem, mas eu estou um pouco atrasado.
Aprenda a perdoar
Breathe - Fleurie
Eu sinto as páginas virando Eu vejo a vela queimando Diante dos meus olhos Diante dos meus olhos selvagens Eu sinto você me segurando Apertado, eu não posso ver Quando nós finalmente vamos Respirar, respirar
Era outra noite passada em claro naquela semana. Essa fora pior. Quando Greg me chutou para fora da vida dele, eu estava certa de que ninguém mais brincaria comigo e meus sentimentos, e então, Dominic havia o feito, por mais que eu quisesse acreditar que ele nutria os mesmos sentimentos que eu, parte de mim não queria quebrar a cara. Ainda sim eu tinha arriscado e mergulhado de cabeça, só para sair magoada.
Na noite anterior, depois que Alyssa tinha me pego chorando na floresta, ela me levou para casa. Tomei um banho gelado com a sua ajuda e chorei de novo enquanto ela me vestia com o pijama, a última coisa da qual eu me lembrava, era dela saindo do quarto. Eu não tinha dormido, mas era como se tivesse tido um apagão, e agora, não me lembrasse de nada.
Levantei mais cedo do que todos na casa. Fechei a porta devagar para que eu não acordasse Alyssa e desci sem pressa, indo para a sala de estar, mas não para beber como o de costume. Liguei uma boa música e pus meus fones de ouvido, peguei um livro na mesinha em minha frente e comecei a lê-lo da página marcada, eu sempre encontrava livros espalhados pela casa.
Me assustei ao sentir um toque macio no ombro. Tirei os fones depressa e me voltei para a pessoa atrás do sofá. Era Trina.
- Ah! - suspirei aliviada - Você me assustou.
- Erro meu. - assumiu ela se sentando na poltrona ao lado do sofá – Sei que não tem tido a melhor semana do mundo.
- Tem sido bem difícil, na verdade. - foi tudo que disse, eu não me sentia à vontade para me abrir com Trina, pelo menos não ainda, ela não era uma má pessoa, mas eu sequer a conhecia.
- E aquele garoto? - indagou ela - O que te levou para sair no seu aniversário. Por que não saíram mais?
- Porque ele não se importa. - disse entredentes - Ele deixou bem claro que não está nem aí para o que eu sinto, pra mim, e eu ligo menos ainda.
- Tudo bem. - ela se rendeu – Parece que não tiveram boas relações depois daquela noite.
- Não.
- Crystal, não me interprete mal, por favor, não tenho intenção de me meter na sua vida ou de sua família, eu só queria entender... Percebi um ar meio pesado nesta casa, há algo errado aqui? Sua mãe...
Soltei sem freios:
- Internada.
- Eu... Lamento muito. - Trina abaixou a cabeça e abriu a boca por meio segundo, mas a fechou. Ela estava tentando me confortar de alguma forma, o que a impediu foi, quem sabe, sua limitação de saberes sobre a situação.
- Ela teve problemas com bebida. - contei, por fim, e eu sentia que ia entornar tudo em cima dela – Sempre que eu, Will e Nate arranjávamos encrenca, ela ia sorrateiramente até nossa despensa e tomava quantas doses de vinho conseguia. Ela começou a tomar alguns remédios sem sabermos, e causou algumas complicações, então resolveu procurar um tratamento. Pediu para que nosso pai a internasse em uma clínica de reabilitação, e assim foi. Sabe o que é mais cômico nisso tudo? Quando eu soube o que ele tinha feito, eu o odiei, queria minha mãe de volta, minha vida. Até mesmo depois que descobri que fora à vontade dela. Mas agora... Não consigo guardar qualquer ressentimento dos dois, pois ambos queriam se ajudar, meu pai estava fazendo isso para que ela encontrasse uma cura para o seu vício. Ela sacrificou a liberdade e a distância de nós para cuidar da saúde, eu a admiro. - suspirei sem ser capaz de olhar Trina nos olhos – Mas confesso que desde que ela nos deixou sozinhos nesta casa, eu fui perdendo toda proximidade que eu tinha da minha sanidade. Depois dela, foi o Will. Não começamos por Auborne, nosso primeiro alvo foi Holligan Werst, Lindy nos disse que você a estava ajudando nisso, a orientou em seus pensamentos.
- Sim, era eu. - disse ela tocada pelas coisas que eu havia lhe contado - Então ela me ouviu?
- Sim, ela nos convenceu, e estava certa. Naquela tarde, eu acabei atirando no meu irmão, Will. Por minha culpa, ele se tornou um fardo para si mesmo, e por Deus, não foi nada pior. Eu acabei me afastando, a culpa tinha me consumido, e eu ainda não me perdoei por isso. A próxima foi a Lindy, Nate olhou nos meus olhos e disse que eu era uma insensível, que não me importava com ela... E agora, o Dominic... - a fitei contendo minhas palavras – Eu... Eu me sinto sozinha. Agora que Alyssa está aqui, Will quer estar com ela o tempo todo, mesmo que sejamos companheiras de quarto, eu sou um novo peso para ela. Meu pai, parece que se entregou de vez à sua sala, eu mal o vejo. Vincent e Nate estão sempre fora... Eu nem tenho o controle das minhas emoções, eu começo a chorar e não consigo...
- Ei! - Trina segurou minhas mãos - Se acalme.
Continuei tentando me controlar, e me obriguei a fechar os olhos para não chorar.
- Fico feliz por ter se aberto comigo. - ela apertou os dedos em volta do meu pulso – Sei que foi uma amiga muito boa para a minha filha, e continua sendo, eu não tenho dúvidas disso, e quero que sejamos amigas também. Por isso, pode contar comigo sempre que precisar. Não sei mais o que é ter uma filha, é um bom jeito de voltar a agir como mãe presente. Eu consigo mensurar a sua solidão porque eu me sinto sozinha também, eu me senti sozinha todo esse tempo. Talvez o meu objetivo nesta casa não seja apenas ter minha filha de volta, mas também preencher vazios. Não sei como será meu reencontro com a Lindy, mas espero que ela possa ser capaz de me perdoar.
- Ela perdoará. - balancei a cabeça - Lindy está muito diferente do que você conheceu, ela perdoou uma vez, estará apta a perdoar de novo.
- Vou gostar de conhecer essa nova filha. - Trina sorriu tristemente – Mas entenderei se ela me quiser longe e me mandar embora, e eu irei.
- Estivemos com a sua mãe há uma semana. - disse – Ela parecia a mais dura de vocês três, não quis saber da neta, só nos ajudou por causa de um amigo, James, avô recentemente morto de Dominic. Por que... Ela não se afeta com nada?
- Minha mãe é uma mulher rancorosa, Crystal. - contou Trina – Piorou depois da morte do meu pai e quando Chris e eu começamos a namorar, nossa... Faz tanto tempo! - ela viajou no tempo por alguns minutos – Parte do rancor dela deve-se ao Chris, ela nunca o aceitou, achava-o grosso e abusivo, o que de fato ele era, mas eu não enxerguei na época. Independente de todos esses motivos, o real foi algo que eu fiz suficientemente ruim para fazê-la ter repulsa por termos o mesmo sangue, ela não me odeia por acaso. Não gostaria de falar sobre isso agora. Sei que parece egoísta por você ter me contado tudo sobre seus temores, mas isso... Eu não sei se me sinto pronta, acabamos de nos tornar amigas, não quero estragar isso.
- Não falaremos se não sentir-se bem com isso.
Trina foi quem tomou a iniciativa de me abraçar. Apenas retribuí, fazia muito tempo que um abraço não me confortava. Nosso abraço se desfez com a campainha.
- Eu abro. - disse Trina se levantando e indo atender.
Trina
Abri a porta me deparando com um homem moreno de olhos bonitos, que estranhamente eu sentia ser familiar, mas apenas ignorei a sensação.
- Pôs não? - o encarei.
- Uau! - seus olhos brilharam - Não se lembra mesmo de mim.
- Eu devia? - estreitei meus olhos para ele, então era de fato conhecido?
- Torrance. - se apresentou ele – Nossos pais já foram casados, sou filho de Corvier Aworn. Vim me aliviar aos Argent, a pedido de um Asvarc em nome do avô, mas não imaginava encontrar uma Fell.
Claro! O filho de Aworn, como não me lembrava daqueles olhos, eu estava um tanto perdida naquela imensidão de verde. Eu o conhecia muito pouco, apesar de minha mãe ter sido casada por anos com Corvier. Já o tinha visto de longe mais vezes, de perto era uma visão bem mais agradável, bem mais que o pai.
- Um prazer revê-la, Senhorita Fell.
- Eu queria poder me lembrar melhor do senhor, mas... Entre, por favor.
Ele o fez e o acompanhei até a sala de estar, onde Crystal estava.
Crystal
Quando me virei encontrando um homem estranho ao lado de Trina. Franzi o cenho.
- Trina? - a olhei repentinamente, mas logo, voltei o olhar para o homem – Estou perdendo algo?
- Bem, ele procura por você.
- Por mim?! - me levantei.
- Você deve ser Crystal Argent. - ele estendeu sua mão para mim – O rapaz... Dominic, me falou de você. Sou Torrance Aworn, vim em nome dos Asvarc oferecer-lhes meu conhecimento.
- Ah, sim, ele me disse que viria. - engoli em seco e apertei sua mão - É um prazer recebê-lo, irei chamar meu pai, ele vai querer falar com o senhor. Espere aqui.
Apressei-me pelo corredor.
>>
Havia uma boa quantidade de pessoas na sala de estar. Vincent e Nate, estavam ao lado de Will, ambos de pé perto da porta. No centro da sala, se posicionava uma mesa que fora arrastada para lá com um mapa, trazido por Torrance, que por sua vez era um dos inclinados sobre a mesa. Os outros eram Trina, meu pai e os pais de Alyssa. Bem atrás de meu pai, estávamos eu e Alyssa, de onde estávamos, tínhamos uma visão boa do mapa.
- Esse é o mapa de Auborne. - explicou ele - É o único jeito de não nos perdermos lá. É uma fortaleza. Há muitas salas, corredores, passagens. A menina pode estar em qualquer lugar.
- Explique seu mapa então, Aworn. - pediu meu pai.
- Tudo bem. - ele empunhou a caneta e começou seus rabiscos – Aqui. - ele fez uma linha sobre o que seria a frente do casarão - Esta é a entrada mais óbvia, é cheia de guardas, passar por ela é como dar suas cabeças espetadas em lanças. Não devemos recorrer a elas. Entraremos por aqui. - ele fez uma linha curva do lado esquerdo. - E por aqui. - fez o mesmo, ao lado direito - Há guardas pelas laterais também, mas é certo que driblaremos meia dúzia de Najos do que cinquenta, prontos para nos flechar. Há escadarias externas de ambos os lados que nos darão acesso aos 3 andares superiores, mas sejam espertos, não há corrimãos e dependendo da altura, a queda pode ser fatal. O caminho que iremos percorrer até o casarão será pelos bosques, aqui. Contornaremos o casarão, um grupo irá pela esquerda o outro pela direita. - ele esboçou árvores próximas das escadarias.- São bosques extensos, então devemos ficar juntos para não nos perdermos. – ele voltou-se para o interior de Auborne – Depois de passarmos pelos guardas, teremos que nos infiltrar, dividir em grupos menores no decorrer do percurso. Temos que ser rápidos, todos se conhecem lá dentro, portanto não vai demorar para descobrirem que há invasores. São 4 níveis: o subterrâneo. – ele marcou no desenho – O que estaremos assim que entrarmos e dois superiores. No subterrâneo, fica o calabouço, cheio de seres enjaulados, muita água pútrida, mal cheiro e mais guardas. No que estaremos, terão seis corredores, todos dando em algum cômodo: cozinha, sala de abate, dois só de quartos e o acervo de armas que ocupam as duas últimas salas. Terão mais seis no próximo: o quarto primordial, a sala dos prisioneiros, a sala de testes, mais dois corredores de quartos, além da sala das correntes. Para o último, ele é mais afastado, uma escadaria interna une o terceiro andar e a cobertura. A cobertura é o andar mais vasto e perigoso, há caixas fechadas de explosivos, mais enjaulados, testes que deram errado, há apenas duas salas fechadas, as outras são todas abertas. É o canto do Jackson, ele passa mais tempo lá do que nos outros andares. Tem outra sala de prisioneiros e de testes, as outras salas são apenas de documentos e depósitos. Inclusive, há uma bela cúpula de vidro com entalhes de rosas no lugar do teto, mas isso é só uma observação. Atrás da casa existe um penhasco, onde os mortos são despejados, então evitem também. Em todos os andares há muitos guardas, mas eles se concentram, no centro de tudo e no fronte, evitem essas posições. Fugiremos pelos bosques, até a fronteira, onde carros fortes estarão nos esperando. É difícil entrar, mas depois que estivermos dentro, só temos que nos manter juntos e organizados.
Os olhos de meu pai sorriram, e eu ainda estava admirada com o senhor Aworn, ele era um ótimo estrategista.
- Ok, muita informação. – disse ele por fim – Mas acredito no seu potencial, Aworn. Seguiremos o plano.
- É arriscado demais. - Trina cruzou os braços e balançou a cabeça - De qualquer jeito, Jackson saberá que estamos lá, se todos se conhecem é quase impossível ficarmos mais que 5 minutos lá dentro sem que nossos movimentos sejam detectados.
- Ela está certa. - foi Nate quem se pronunciou se aproximando da mesa – Jackson irá saber que estamos lá, alguém poderia nos ver. Estragaria tudo.
- A não ser que ele saiba que estamos lá. - disse Alyssa – Podemos criar uma movimentação estranha para tirar a atenção dele do nosso plano. Temos que enganar a mente dele.
- Isso pode funcionar. - admitiu Trina – Se ele achar que está a ponto de nos pegar nos dará vantagem e tempo sobre ele, mas como planeja essa distração?
- Ele disse que há explosivos na cobertura e armas no primeiro andar. - disse Alyssa sendo perceptiva – Um grupo menor poderia entrar primeiro e provocar explosões, depois seguimos o plano.
- Isso é... Brilhante, Alyssa! - elogiou Trina.
Alyssa sorriu sem graça e passou o olhar para Will, que estava orgulhoso.
- Então está decidido. - pronunciou-se meu pai – Preciso fazer as últimas ligações e confirmar nossos aliados, podem me ajudar com isso?
Todos assentimos.
- Temos uma lista de 160 pessoas, nós podemos dividir e ligar cada um para 16 nomes, confirmando. Partimos amanhã a noite.
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Todos os aliados tinham confirmado. Eu estava um tanto ansiosa para chegar a hora de partirmos logo, eu nunca tinha participado de nenhuma equipe, e de repente a ideia de estar em uma me deixava animada, mas assustada também. Já estava começando a anoitecer, então eu dormiria cedo para ter energia para o dia seguinte. Algumas pessoas tinham começado a chegar trazendo seus sacos de dormir, a sala estava cheia deles. Os aliados estavam em reunião com o meu pai, eu não iria me meter no meio disto. Nate, Vincent e Will que estavam juntos o dia todo, ironicamente tinham sumido juntos também, provavelmente tinha ido buscar mais aliados. Alyssa e eu tínhamos resolvido cozinhar para todas as 24 pessoas que deveriam estar famintas, inclusive nós.
- Tem certeza de que isto vai dar certo, Alyssa? - indaguei olhando a receita do ensopado que tínhamos começado a fazer.
- Se não der, eu estarei traindo 6 anos em uma aula de culinária fuleira! - retrucou ela, enquanto misturava com dificuldade a enorme panela em sua frente.
- Não tem como ser pior do que eu. - disse rindo – Já comeu meus biscoitos de aveia e leite? É pura massa bruta, sem gosto só servem para encher a barriga!
- Não foi a comida que deram para Dominic e Vincent quando prenderam eles aqui?
Prendi a respiração por um segundo e sorri com a lembrança.
- Sim. - coloquei uma mecha do cabelo para trás e olhei para ela, que já tinha os olhos em mim – Naquela noite eu queria matar Dominic por ter falado mal dos meu biscoitos queimados, acho que nunca vou me esquecer do que aconteceu no Majestic. Desde que eu vi Dominic pela primeira vez, algo me atraiu nele, eu sempre soube que ele era melhor do que parecia. - senti vontade de voltar àqueles momentos, mas não iria voltar – Mas na verdade não era.
- Você não tinha feito a promessa de cuidar dele, ao James? - Alyssa levantou a interrogação.
- Ele não precisa de mim, Alyssa. - disse a ela – Ele tem a Arabella, ela é melhor do que eu para lidar com ele.
Alyssa deu de ombros e voltou-se para a panela.
Ouvi a tranca da porta e então, os meninos chegaram acompanhados de mais três pessoas. Não conhecia nenhum deles. Vincent apontou para o andar de cima e os acompanhou. Nate e Will chegaram na cozinha tirando seus casacos.
- Ora, ora! - Nate se sentou no banco ao meu lado – O que estão preparando?
- Ensopado. - respondi sorrindo para ele e Will - Agradeçam pela iniciativa de Alyssa ou teriam que comer minhas gororobas.
Will foi buscar uma garrafa d’água e copos, para ele e Nate.
- Quem são estes que chegaram? - indaguei.
- Amigos do papai. - disse Will – Todos Gladiadores, os três vieram de Venice e passaram alguns dias no hotel da cidade, mas preferiram vir para cá de uma vez, parece que ficaram alertas com as ligações.
Nate terminou de beber o copo d’água e se levantou.
- Vou tomar uma ducha, galera. - disse ele saindo – Vejo vocês no jantar.
Will tomou o lugar de Nate, ao meu lado.
- Não quero que ache que estamos a explorando. - disse ele à Alyssa - Você chegou faz 5 dias e já está cozinhando para nós?
- Não seja bobo, Will! - ela sorriu – Fui eu quem decidi cozinhar, não estão me explorando.
Ouvi o falatório no andar de cima, e logo, um aglomerado de pessoas desceu indo para a sala de estar, provavelmente, arrumar suas coisas.
- Parece que a reunião acabou. - disse me levantando.
Assim que cheguei na base da escada, vi meu pai parado, não muito longe de mim falando no telefone.
- Isso é bom. - sua voz estava estranha - Não, tudo bem, nos vemos amanhã, estarei esperando por vocês.
- Pai! - chamei por ele, assim que ele desligou o telefone.
Ele cambaleou um pouco e passou os dedos pelos olhos. Subi alguns degraus, me aproximando.
- Você está bem? - perguntei.
Ele forçou os olhos e esticou o braço e minha direção.
- Crystal.
Foi tudo que ele disse antes de tombar para frente, dei um impulso para frente e agarrei seus braços, caí junto com ele dois degraus abaixo de onde eu estava e assim que meus joelhos bateram no chão, segurei o rosto de meu pai.
- Ei, ei, pai! - olhei pra baixo e gritei por Will – Will, o papai! Will!
Ele chegou depressa, e ao se deparar comigo segurando nosso pai, ele correu até nós e ajudei a levantar meu pai.
- Alyssa!
Ela apareceu imediatamente no corredor.
- Alyssa, cuide da casa, voltamos o mais rápido possível!
Aquele bolo de pessoas apareceu, todos assustados no corredor. Mas não perdemos tempo nos explicamos, apenas carregamos nosso pai para a garagem com a maior velocidade que conseguimos alcançar.
>>
Will tinha entrado com meu pai, mas eu estava sozinha naquela recepção, esperando por alguma notícia. Minhas pernas tremiam e ainda doíam pela queda. Eu já estava rezando pelo que parecia a décima vez, o silêncio daquele lugar me deixava angustiada, não ouvia ninguém falar nada. Me levantei e fui até o balcão, um tanto irritada.
- Nada sobre o meu pai ainda?
A mulher me olhou com devaneio e respondeu:
- Não, moça, como das últimas três vezes que me perguntou. - disse ela – Sinto muito, ainda não me passaram nada. Agora, será que pode voltar pro seu banco e ficar quietinha, por favor?
Assenti em silêncio e retornei para onde eu estava.
- Crystal! - Will abriu a porta que estava trancada até então e disparou em minha direção, imediatamente me levantei e o encarei.
- Ele está bem, ele está bem. - ele sorriu segurando meus ombros – Parece que foi apenas um susto, uma queda de pressão, ele está bem.
Abracei Will aliviada e soltei o ar que a pouco eu estava prendendo.
- Vou entrar e ficar com ele. - disse ele segurando meu rosto - Já vamos para casa.
Assenti sorrindo enquanto ele atravessava a porta novamente. O som de rodas esfolando o asfalto me fizeram voltar o olhar para a porta, o carro parou em frente a entrada, quase fiquei cega por conta da luz dos faróis em meu rosto. Foi quando uma silhueta masculina saiu do carro e o reconheci imediatamente, assim que ele atravessou a porta e veio pelo corredor rapidamente em minha direção.
- Dominic?! - meu tom era quase revoltoso – O que você pensa que está fazendo aqui?
- Soube do seu pai. - disse ele com certo tremor na voz, suas mãos nos bolsos, mas eu podia perceber seus braços inquietos – O que houve com ele? Ele está bem?
- Quem te contou isso?
- Vincent. - respondeu Dominic – Ele me ligou contando mais ou menos, vim ver como estava.
- Ele está bem, foi apenas uma queda de pressão.
- Eu estava falando de você agora.
Ri e o encarei irritada.
- E desde quando se importa com o que acontece comigo, Dominic? - meus olhos rugiam de raiva – Sabe, ontem a noite, ficou bem claro pra mim, eu não vejo um motivo sequer para você estar aqui. Será que pode, por favor, ir embora?
- Eu sinto muito, mas não. - ele deixou as mãos escaparem dos bolsos – Querendo ou não, quando meu avô morreu, você estava comigo...
- Não preciso de caridade, obrigada. - revirei os olhos – Agora pode ir.
- Crystal. - ele respirou fundo, mas eu não quis olhar para ele – Noite passada... As coisas que eu disse a você... Eu fui muito... duro.
- Pelo amor de Deus, cale a boca, você sequer é capaz de se desculpar...
- Tente entender o meu lado, está bem? - disse ele – Eu estou tentando fazer a coisa certa, pode não parecer, mas estou fazendo o melhor pra você.
- Quantos anos você acha que eu tenho, Dominic?! - enfim o fitei – Eu não sou a garotinha do papai há muito tempo, então pare de tentar me “poupar” ou seja lá o que está “tentando fazer”. Você foi péssimo comigo, você fez algo pior que o Greg, você me usou para preencher o seu vazio, a parte engraçada é que logo eu que sempre fui cuidadosa, resolvi acreditar em um Perseguidor como você.
- Me desculpe.
Balancei a cabeça.
- Eu sei que fui um idiota com você, mas eu posso ser melhor que isso...
- Não minta para mim.
- Eu mudei uma vez, você viu. Posso fazer isso de novo, e não vou decepcionar você, somos uma boa dupla, lembra? Eu posso voltar a ser essa pessoa pra você.
- Talvez. - disse por fim – Mas eu não posso viver esperando por um talvez. Eu já esperei tempo demais pelo Greg, esperei a mudança dele, um ato digno... Mas eu sei o fim disto, e eu não vou passar por isso de novo.
- Então, nós não... Nos veremos mais?
Pensei se eu gostaria de falar de fato aquilo, mas antes que eu me impedisse, já tinha dito.
- Sim. - o fitei – Eu preciso que você se afaste o quanto conseguir de mim e da minha família, é só isso. Afinal, não há importância nisso.
Saí dali sem querer ouvir uma palavra a mais dele.
28 de novembro de 2015
Eyelids - Pvris
Nossos olhos estão lutando contra a luz Mas eu não estou pronta para dizer "boa noite" Eu tento segurar firme Porque não está na hora de dizer "boa noite" Dizer "boa noite"
Um puxão me arrancou do meu sono, mas não tinha ninguém ali. Minha respiração acelerada me sufocou, pisquei rapidamente para afastar meu espanto e toquei minha têmpora, molhada de suor. Estava quase pronta para me levantar quando enfim percebi um peso extra na minha perna esquerda, puxei a coberta para cima para poder ver do que se tratava. Com o cenho transtornado, soltei um grito alto ao ver uma carcaça de um filhote de cervo.
Alyssa e Vincent foram os primeiros a chegarem e se depararem com a imagem confusa, eu não conseguia me mover pelo choque. Alyssa caminhou até a minha cama e me abraçou, enquanto eu não parava de tremer.
Vincent saiu em disparada, indo buscar meu pai, que chegou depressa com os pais de Alyssa, e Trina.
- Crystal, o que... - ele ficou tão pasmo quanto os outros - De onde veio esse animal?
- Eu não sei. - balancei a cabeça secando meu rosto - Eu... Acordei isto já estava aqui.
- Alyssa, desçam. - disse ele.
- Espere, senhor Argent. - ela apertou meus ombros - Crystal, conte a ele.
- Há 4 dias eu recebi flores e deixaram um cartão pra mim. - contei ainda tremendo - Estavam me ameaçando.
- Por que não me contou isso antes, Crystal? - indagou ele nervoso.
- E que diferença faria? - o fitei e engoli em seco - Alguém está querendo me assustar e é só isso.
- Crystal, eu não acho que isso seja “só pra assustar”. - disse Alyssa - Você já cansou de nos dizer que tem alguém atrás de você, pode ser a mesma pessoa.
Não disse nada, apenas continuei presa no choque do cervo ensanguentado em minha cama.
- Tudo bem, não adianta discutirmos sobre isso. - meu pai tentou se acalmar - Leve-a, Alyssa.
Ela me ajudou a levantar com as mãos em meus ombros e assim fomos pela escada, até encontrarmos Will angustiado no fim da escada.
- O que está acontecendo aqui? - perguntou ele confuso, tentando ligar os pontos.
- Tem pessoas atrás da sua irmã, Will. - explicou Alyssa - Ela acordou com um corpo de cervo na cama, alguém entrou aqui enquanto todos dormíamos.
Will deu quase um pulo para frente e me abraçou forte. Eu nem tinha percebido que estávamos tão afastados até aquele momento, e saber que meu irmão ainda estava ali para mim acalmava meu coração.
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Já tinham removido a carcaça do meu quarto, e agora, meu pai estava no telefone preso dentro do escritório, não sabia com quem, mas sabia que era sobre mim que falava. Alyssa tinha ido tomar uma ducha e Will, fora para o seu trabalho. Nate e Vincent estavam na biblioteca, algo tinha mudado entre os dois desde o sumiço de Lindy, e parte era por minha causa, pois Dominic passara mais tempo comigo do que com o melhor amigo.
Afastei o pensamento e continuei tomando meu café, e de repente, a Conjuradora estava sentada ali em minha frente inquieta.
- Conjuradora? - espantei-me quase jogando a caneca no chão, a deixei sobre a mesinha.
- Olá, criança. - ela sorriu como um fantasma - Tempos ruins pra você, não é?
- Você me avisou o que estava por vir, mas eu achei que pudesse fugir disto.
- Não se pode fugir do destino, minha querida. - seus olhos brilharam e era quase como se ela fosse real - E ainda não acabou, tem algo terrível se aproximando, algo que vai quebrá-la.
A fitei assustada.
- Mas tem algo para se preocupar agora. - disse ela friamente - O Criador vai tentar ultrapassar a barreira, mas prometo que irei protegê-la. Não quer dizer que você não vá sentir nada.
Engoli em seco.
- O que isso quer dizer?
- Você saberá quando ele começar. - explicou ela - Ele vai usar sua amiga contra você.
Mordi meu lábio inferior.
Lindy
Ouvi risadas enquanto eu despertava de uma noite que me dera dor de cabeça, abri os olhos devagar e disfarcei para não notarem. Era Denyel e Pete, eles estavam me observando? Fechei as mãos com os dedos dobrados sobre a palma e respirei lentamente esperando pela saída deles para poder me sentar e relaxar a câimbra que subia por minhas costas.
- Lindy! - chamou Denyel de forma irritante - Hey, Lindy!
- Deixe a menina, Halder. - aconselhou o outro - Não vai adiantar nada ficar cutucando-a, ela não quer falar com você.
- É uma idiota. - Denyel gritou - Ei!
- O que foi, Denyel?! - me sentei enfim o respondendo sem paciência - Será que pode me deixar dormir em paz!
Ele riu do comentário enquanto Pete, ao lado dele, se manteve sério.
- Fique tranquila, Lindy. - ele sorriu, e meu estômago se revirou - Já estava de saída.
E foi o que ele fez.
- Não fomos formalmente apresentados. - disse Pete - Pete Oregon.
- Não tem que perder seu tempo se apresentando pra mim, eu não me importo.
- Eu não tenho nada contra a senhorita, sabe. - ele cruzou os braços - Meu trabalho é com outro marcado.
- Se está machucando marcados, isso é ter algo contra mim.
Pete riu, e segundos depois, Jackson entrou acompanho dos dois guardas que sempre estavam com ele, Lee e Jake.
- Bom dia, meu marsupial de estimação! - cantarolou ele.
Revirei os olhos em descaso, não tinha a mínima vontade de tentar rebater as gracinhas de Jackson ou qualquer um hoje.
- Levante-se, menina. - ordenou ele gesticulando para que seus guardas fossem até mim - Vamos trabalhar hoje.
Eles soltaram minhas correntes e agarraram meus braços sem qualquer cuidado, soprei um fio de cabelo do meu olho e encarei Jackson confusa.
- O que? - indaguei – Que trabalho?
- Você vai nos ajudar a derrubar a Conjuradora. - disse ele pleno – A guardiã de sua amiga Armadir.
- Não, eu não...
- Shhh! - ele levou os dedos até os próprios lábios e abriu um pequeno sorriso – Será uma experiência espetacular pra você, patinha!
- Só uma informação pra sua mente débil. - meus lábios se elevaram discretamente - Patos não são marsupiais.
- Olhe se as gracinhas não voltaram. - ele riu - Você tem sorte que eu estou de bom humor hoje, menina.
Ele passou por mim e meu curto triunfo se foi, fui arrastada dali pelos guardas. Os corredores estavam cheios dessa vez, provavelmente estavam todos ouriçados pelos acontecimentos da madrugada passada, muitos ali deviam ter se aliado à Rosamund e tinham se curvado diante do “seu senhor”.
Abaixei o olhar evitando encará-los, mas eu parecia uma celebridade para eles. Seus olhos me examinavam como se eu fosse de uma espécie diferente, até de outro planeta. Eram tolos por seguirem aquele homem, mas cada um era livre para escolher seu próprio caminho.
Tinha ido parar na mesma sala onde estivera dias antes para localizar meu colar, a lembrança de Vincent deitado na cama passando os dedos pelo pingente vieram à minha cabeça como um rastro de velas sendo acesas, eu acendi naquele momento. Prendi a respiração e encarei com cuidado tudo e todos da sala.
Denyel estava do outro lado da sala com aquele sorriso irritante, ao seu lado estava a garota da noite passada, assim que pus meus olhos nela me lembrei do que me dissera, “da próxima vez que nos encontrarmos não vai ser em condições tão favoráveis assim”. Engoli em seco enquanto me largavam no centro da sala. Justin, o rastreador estava ali como da última vez, além destes, os Najos se posicionavam em forma de defesa sobre minha cabeça. Haviam mais guardas desta vez, eles circundavam o local como seguranças vestidos de preto e com os braços fortes cruzados.
Jackson bateu palmas, o que me assustou por conta dos meus pensamentos inquietos me incomodavam. Amordaçada, acorrentada, com cortes sérios no rosto e na altura do dorso, e com uma aparência muito longe da que eu conhecia, Rosamund entrou sendo carregada por mais dois guardas como eu.
- Justin, nós vamos começar.
Ele caminhou em minha direção acompanhado de Giamon no momento em que Rosamund foi empurrada parando ao meu lado, e me encarando de soslaio, seus olhos espantados me deixaram nervosa.
Como da última vez, Justin agarrou minhas mãos e meus olhos se fecharam automaticamente depois do tranco de troca de poder, eu senti o mal-estar e então o branco, e então eu estava na mansão dos Argent, na porta da frente. A abri me deparando com o salão vazio de entrada. Caminhei devagar e cautelosa, mesmo sabendo que era só na minha cabeça e ninguém poderia me ver.
Fui até a sala de estar, aparentemente vazia, mas mais alguns passos e pude ver Crystal sentada no sofá conversando com uma mulher branca com longos cabelos negros, quase parecia um espírito dos vários filmes de terror que eu já tinha visto. Continuei caminhando até ficar diante das duas. A mulher olhou em minha direção como se estivesse me vendo.
- Ela está aqui. - disse a mulher para Crystal que tentou me ver, mas tinha falhado.
- Lindy?! - me chamou ela, a mulher podia me ver. Era a Conjuradora.
- Mande ele desistir. - ordenou ela – Recue, criança. Ninguém toca na minha Armadir.
Crystal franziu os olhos, finalmente encontrando a direção certa.
- Não posso. - balancei a cabeça - Se eu o fizer, ele me mata.
- Bom, então não tenho escolha. - ela se levantou.
- O que?! - Crystal também se levantou – O que isso quer dizer?
A mulher agarrou meus ombros e os senti queimar, gritei sentindo-me em chamas, foi quando algo gelado cortou o fogo e um campo de força empurrou a Conjuradora, em um cambaleio para trás.
- O que você fez, menina?! - ela estava perturbada, seus olhos tomaram uma cor gélida.
- Eu não fiz nada, eu juro! - mas ela já estava agarrando meus braços novamente, uma mistura de gelo e fogo se fez sobre minha pele, era quase equilibrado, mas o calor dela era mais forte.
- Conjuradora, o que está fazendo?! - indagou Crystal nervosa - Não a machuque!
- Agora não, criança! - gritou ela de volta.
- Ponha as mãos as mãos nela, ande! - ouvi alguém gritar, mas não era a Conjuradora, nem Crystal, era outra pessoa. Uma voz de fora da situação.
O fiz como ela pediu e apertei seus pulsos, sentindo o calor deixar suas mãos. O olhar dela se tornou apavorante e ela tentou se soltar, mas parecia que minhas mãos tinham congelado sobre suas mãos.
Crystal, que até então estava quieta e bem, começou a se engasgar. Engasgar de forma sufocante, ela estava perdendo o ar e eu não podia ajudá-la, sequer era capaz de soltar a mulher que agora pronunciava palavras numa língua estranha.
O calor se fora, mas agora eu sentia eletricidade, como pequenos curtos de energia em meu corpo, fios desencapados fritando a minha pele. De mim emanava um bloqueio forçado, como se eu estivesse sendo blindada enquanto Crystal se debatia no chão, gritando de dor. Mas por que ninguém vinha ajudá-la? Quando enfim alguém apareceu era Nate.
- Nate! - gritei mesmo sabendo que ele não ouviria – Nate, a ajude!
Ele não se moveu.
- Nate!
- Não é o Foxin, é ele.
- Não. - gritei angustiada tentando soltar meus dedos - Não!
Os curtos pararam e eu parei de tremer. Com outro grito, quebrei a camada gelada sobre meus dedos, que eu nem sabia que estavam ali e me afastei da Conjurado me pondo contra a parede.
- Ajude ela! - gritei para ela enquanto eu lutava contra a força que me induzia para ela.
Quando Nate finalmente se moveu, Crystal tentou se pronunciar.
- Na... Nat... Pare... O que... - os dedos dele se fecharam em torno do pescoço dela.
A Conjuradora praguejou aquelas palavras estranhas tentando ajudar Crystal, mas eu já estava de volta com os braços em seu pescoço a sufocando da mesma forma que minha amiga.
- Nate! - gritei mais uma vez falhando – Nate, pare!
Ele agora tinha meu colar em mãos, mas assim que se preparou para sair Will apareceu.
- Nate? - ele o encarou com estranheza – O que...
Crystal conseguiu fôlego então para gritar pelo irmão.
- Wi... Will! - ela estava se arrastando pelo chão, como um animal - Nã... Não é ele!
Nate o socou antes que ele pudesse reagir, mas não o impediu de correr atrás dele e o pegar no corredor, não pude ver este momento pois eles tinham saído do cômodo, mas logo depois se fez um silêncio, o que significava que Nate fora apagado.
- Será que eu posso saber o que está acontecendo aqui?! - ele perguntou, mas Crystal estava voltada para a cena que Will não podia ver – Crystal!
Sorri diante de nossa vitória mesmo ainda apertando o pescoço da Conjuradora, que agora estava mais forte do que eu, e então, ela me deu uma cabeçada e fui empurrada para fora dali.
Eu estava de volta à sala de Jackson. Justin acabara de me soltar, ao meu lado esquerdo encontrava-se Gia com o cenho franzido e Denyel revoltado, ao lado do próprio Jackson que também não parecia feliz diante daquilo.
Dei um passo para trás e tropecei em Rosamund, caída aos meus pés.
- O que aconteceu?! - indaguei me virando para Giamon.
- Você... Como... Como se soltou? - ela parecia extremamente perdida – Como fez isso?!
- Eu... Eu não sei do que está falando.
- Ela está dizendo que você se livrou do controle dela. - Jackson caminhou furioso em minha direção e agarrou meus braços com muito mais força do que a Conjuradora – Como ousa desobedecer a uma ordem minha?! Eu devia mandar meus arqueiros flechá-la até a morte! Nunca mais faça isso, me ouviu, nunca mais se atreva a fazer isso, ou da próxima vez faço seu amiguinho arrancar a cabeça daquela puta loira!
- Não fale dela assim! - gritei de volta recebendo um tapa pesado no rosto, imediatamente me pus no lugar de Rosamund na noite anterior.
- Suma da minha frente!
Lee e Jake me agarraram e me tiraram dali, eu podia ter recebido um tapa dolorido, mas tinha salvado Crystal e Nate, e a Conjuradora. Agora, ele sabia que eu era uma ameça para ele.
Crystal
- O que acabou de acontecer aqui? - indagou Will assustado, agora acompanhado de meu pai.
- A Conjuradora esteve aqui, se não fosse por ela nem sei o que poderia ter acontecido. - balancei a cabeça respirando devagar e tentando amenizar dor que eu estava sentindo – Lindy... Lindy estava aqui, eu não a vi, mas a Conjuradora viu. O Criador a usou para que ela entrasse aqui e pegasse o maldito colar dela. Ele usou o Nate também... Está muito confuso aqui dentro da minha cabeça.
- Não importa agora. - Will me abraçou - O que importa é que está bem.
Fechei os olhos respirando fundo.
- Ei, Alyssa vai participar da confraternização hoje. - ele esfregou meus braços, como se estivesse me aquecendo de uma noite fria – Vai ser perto da cachoeira, todos os adolescentes da cidade vão estar lá, não quer ir?
- Não é uma boa ideia sua irmã sair hoje. - meu pai se levantou pronto para subir – Desculpe filha, mas nada de festa para você hoje. Vá tomar um banho e se deitar um pouco, tem sido um dia cheio.
Esperei que ele terminasse de subir as escadas e me voltei para Will.
- Sei que queria ir, você precisa distrair essa cabeça e ficar no quarto o dia todo dormindo não é uma boa distração.
- Eu vou. - disse decidida.
- Crystal...
- Meu pai acha que vou passar o dia dormindo, o que é ótimo. - revirei os olhos e me levantei em um pulo, quase parecia que nada tinha acontecido – Que se dane, eu vou nessa merda!
>>
A música estava animada e era uma explosão de hormônios aquele lugar. Era quase incômodo. Eu e Alyssa decidimos que era hora de encontrarmos um lugar menos “frequentado” e encher a cara, claro. Ela voltou com dois drinks, aceitei um e brindamos com os copinhos de plástico.
- Quase parecemos normais aqui. - disse após beber aquela substância gelatinosa – Tomando gelatinas batizadas de vodka. Cadê a bebida de verdade?!
- Nós somos normais, Crystal. - Alyssa já estava um pouco tonta – Somos meninas bebendo enquanto os meninos trazem um prato de churrasco para nós.
- O que?! - me virei encontrando Will e Vincent.
- Vou trazer mais. - disse ela se levantando.
- Fico feliz que tenha vindo. - disse Will com um sorriso enorme no rosto – Mas o papai vai nos matar.
- Não se ele não descobrir.
- Ele já deve saber, Crystal. - respondeu ele – Acha que foi uma boa ideia virmos sem o Nate?
- Nós sabemos que sim. - peguei uma carne de seu prato e a engolindo seca – Ele não está bem, Will, aposto uma garrafa de bourbon que ele está agora mesmo se culpando e pensando na Lindy, é o que ele faz.
- Ela está certa, Nate é um cabeça dura! - exclamou Vincent enfim.
- Crystal, eu notei o sumiço do Dominic...
Revirei os olhos diante do nome dele, mas Will me ignorou e continuou.
- Aconteceu alguma coisa?
- Por que estão todos falando isso?! - o encarei irritada - Não aconteceu nada com a gente, ele só está com família enfrentando o luto, será que agora podemos parar de falar dele.
- Tudo bem. - Will se rendeu – Finja que não falei nada.
Vincent abaixou o olhar, mas logo o levantou novamente. Aquilo fora estranho, mas eu não tinha dito nada para ele. Me voltei para Will novamente.
- Desculpe. - pedi balançando a cabeça - Eu só... Não estou com cabeça para pensar no Dominic com tudo que está acontecendo, está bem? Tem sido um inferno pra mim.
Alyssa retornou cortando nossa conversa.
- Sua bebida! - ela estendeu para mim.
Aceitei e a entornei garganta abaixo com um sorriso forçado no rosto.
- E nós, vamos buscar algo para tomarmos também. - disse Will batendo no ombro de Vincent após deixar o prato de carnes no tronco de árvore onde estávamos sentadas.
- Ele retornou suas mensagens? - indagou Alyssa.
A encarei por mais tempo do que devia até tomar coragem e soltar.
- O que você acha?
- Não fique assim. - ela tocou meu ombro me confortando – Vai ver ele trocou de telefone, não sei...
- Cansei de procurar desculpas, Alyssa. - disse desabafando – Quem é a maior perdedora do mundo? - levantei o braço.
- Não é verdade. - disse ela balançando a cabeça - Não é uma perdedora.
- Não precisa ficar aqui me bajulando enquanto o verdadeiro motivo de você estar aqui está esperando a hora certa para te dar uns amassos na cachoeira. - mordi meu lábio inferior – Quer saber? Eu não vou mais estragar o seu dia.
- Crystal, sei que está num péssimo dia, mas não precisa me tratar assim. - ela me encarou – Ou esqueceu que fui eu quem te deu apoio nos últimos dias?
- Claro, Alyssa! - me sobressaltei – Como eu me esqueceria com você me lembrando disso o tempo todo?! O que quer que eu faça? Me jogue aos seus pés e agradeça?
Me levantei e saí dali deixando Alyssa sozinha.
Havia um peso na minha consciência me exaurindo, eu tinha sido egoísta com ela, e não me orgulhava disso. Alyssa de fato tinha sido essencial nestes dias. Eu só queria ir para casa, mas não tinha a menor sobriedade para isso, tanto que nem vi Vincent e bati de frente com ele.
- Vincent, me desculpe, eu... - toquei minha testa e me virei encarando o que ele tanto olhava. Dominic estava ali, ótimo.
Abri a boca para falar algo e talvez xingá-lo com todos os palavrões baixos que eu conhecia, mas na verdade eu paralisei enquanto ele parecia completamente indiferente.
- Crystal. - foi tudo que ele disse e fez um aceno de cumprimento com a cabeça pra mim, nada mais.
- É o que tem pra dizer? - cruzei os braços.
- Te espero lá no bar. - disse Vincent.
- Não, Vincent. - dei um passo para longe de Dominic – Pode ficar com o seu amigo, eu já estava de saída.
- Estava? - Dominic ergueu a sobrancelha.
- Sim, eu estou. - bati o pé para ele.
- Certo, eu também. - Dominic deu de ombros – O Vincent te conta a novidade.
Com a saída dele, me virei para Vincent.
- Do que ele está falando? - indaguei.
- O Dominic entrou em contato com o filho do Aworn, Torrance. - contou ele – Ele aceitou ser nosso aliado.
Suavizei o olhar e me permiti ficar animada com isso.
- É uma ótima notícia. - assenti forçada.
- Sabe aquilo que você disse sobre o Nate? - ele me fitou – Talvez devesse seguir, posso te acompanhar até em casa, se quiser.
- Não. - recusei passando por ele – Ainda estou sóbria demais.
>>
Já era noite, mas eu não tinha a menor ideia de onde estavam os outros e provavelmente eles não me encontrariam, a festa já estava por um fio e a cachoeira só seria boa para me afogar.
Quando me levantei, quase de imediato, vi uma silhueta passando por entre as árvores. Assim que cheguei mais perto, percebi que era Dominic, eu deveria deixá-lo ir como mais cedo, mas fui atrás dele.
- Dominic! - o chamei e ele parou.
Ele deu mais alguns passos depois da pequena parada e eu o alcancei.
- Não, você não vai sem me ouvir! - gritei.
Parei em sua frente e te encarei.
- Você ignorou minhas ligações, minhas mensagens e pretendia simplesmente sumir e depois voltar fingindo que nada aconteceu?
- E você queria que eu fizesse o que, Crystal? - seu olha me assombrou – Queria que eu atendesse e falasse umas baboseiras pra você acreditar e ficar esperando eu dar um passo que eu nunca darei?
- Bem, devia ter pensado nisso antes de dormir comigo.
- Você sabe tanto quanto eu que estávamos bêbados e sensíveis, só estou sendo lógico, isso é para o seu bem, que bem eu posso trazer para a sua vida?
- Isso... É a maior babaquice que eu já ouvi na minha vida, eu estava bêbada sim, mas não totalmente para discernir o que eu queria, e nem você! Como você pode mentir desse jeito na minha cara? Eu confiei em você, e pra quê? Pra você vir agora e fazer a mesma canalhice que o Greg fez?
- Sim.
- Eu sei que não é verdade. - balancei a cabeça - Você não faria as coisas que fez se fosse, você não teria sido meu apoio, você não teria mostrado suas fraquezas. Mesmo que minta para si mesmo, eu sei o que eu sinto e eu vi o que você sentiu também. Você está é com medo porque nunca se sentiu assim antes, só... Não faça isso. Mas se quiser virar as costas pra mim agora, pode ir e esquecer que eu estive presente na sua vida, que eu tive qualquer importância pra você, você não é esse idiota que quer me convencer de que o que eu sinto é errado, eu sei que não é, você é uma pessoa boa, James me fez enxergar. Não posso trazer ele de volta, mas posso manter esse seu lado bom vivo. Então se você acredita nisso... Fique.
Ele me fitou e o silêncio entre nós se fez, uma parte de mim se agarrou à ideia de que ele ficaria, mas não ficou. Dominic se foi da mesma forma que chegou, mas foi diferente pra mim. Quando ele chegou, queria me livra dele, agora que tinha ido, meu coração estava partido.
Segurei minhas lágrimas. A Conjuradora disse que algo me quebraria, e eu esperava que fosse aquilo, pois eu não aguentaria outra dor como aquela. Uma única lágrima desceu e quando levantei o olhar, vi Alyssa parada não muito longe de mim me observando com sua expressão consoladora. Ergui minhas sobrancelhas em sinal de algo esperado e passei minhas mãos pelos meus cabelos, e quando me toquei de que não conseguiria mais me segurar, desabei. Mesmo depois de tudo o que aconteceu, fora Alyssa quem ficara do meu lado.
27 de novembro de 2015
Where do we go from here - Ruelle
Para onde vamos a partir daqui? Para onde vamos a partir daqui? Como vamos voar sem asas? Como você respira sem sonhos? Para onde vamos a partir daqui?
Crystal
Despertei procurando por ele, mas não o senti do meu lado. Apoiei-me em meus cotovelos e olhei em volta, eu estava sozinha e toda a sala era um silêncio total. Ainda estava com a mesma roupa da noite passada, portanto decidi que era hora de subir e tomar um banho, eu não estava com ressaca nem nada do tipo, mas eu queria me livrar do álcool no meu corpo e do cheiro que se prendia em mim. Passei as mãos pelos meus olhos, grudentos de sono e dobrei a manta que me cobria.
Subi depressa esperando não encontrar ninguém e fui direto para o chuveiro, com sorte ninguém teria me encontrado na sala apagada. Mesmo com o descuidado da minha família no meu aniversário, eu podia perdoar isto por conta dos últimos dias.
Saí do meu quarto e quase de imediato, encontrei Trina.
- Ah, bom dia, Crystal! - cumprimentou ela forçando um sorriso.
- Senhorita Fell! - coloquei uma mecha para trás da orelha - Está tudo bem?
- Está sim. - ela assentiu se aproximando - Estou saindo para ir ver uns amigos, você sabe, para conseguirmos nossos aliados.
- Claro. - lembrei-me daquilo de solavanco - Você quer... Uma companhia?
- Seria ótimo. - ela tocou meu braço de forma consoladora - Mas creio que alguém esteja querendo te ver.
- O que? - Dominic.
- Sua amiga, Alyssa. - respondeu ela - Ontem a noite ela procurou por você, mas seu irmão disse que você tinha saído com um garoto.
Ruborizei diante do comentário.
- Obrigada, vou falar com ela. - agradeci - Vá encontrar seus amigos, por favor.
Ela acenou com a cabeça e passou por mim. Me senti uma idiota por esperar que fosse o Dominic, muito provavelmente ele tinha fugido de mim, dos sentimentos que eu tinha mostrado por ele. Ótimo.
Respirei fundo e desci as escadas novamente, eu precisava comer algo.
>>
Treinar com armas de verdade era muito melhor do que com bastões, e Alyssa era tão boa quanto eu, então tinha um oponente forte e preparado. Eu e a Alyssa fomos treinadas juntas, sabíamos bem os pontos fracos uma da outra, a parte ruim foi quando ela resolveu mudar para uma escola nova e integral, acabamos perdendo nosso hábito.
Quando éramos pequenas, treinávamos com pequenas adagas e socos-ingleses, eu sempre estive envolvida com armas, desde nova, por isso eu tinha intimidade com elas e não as temia, afinal minha arma era uma das mais temidas e fazia um belo estrago, eu precisava extravasar meus sentimentos às vezes. A arma de Alyssa era uma kodachi, e ela era tão boa!
- Como foi passar o dia com o Will babando em você? - indaguei.
- Não fale assim dele, Crystal. - brincou ela avançando - Ele foi um doce comigo.
- É claro que foi. - ri, batendo meu machado em sua espada, me protegendo.
- Mas e você que sumiu noite à dentro com o Dominic?
- Não aconteceu nada, foi só uma festa. - sorri avançando, assim como ela - Ele me trouxe em casa depois... E só.
- Foi a uma festa com um perseguidor? - ela abaixou em um giro enquanto e saltava fugindo da lâmina - E não qualquer um, o seu perseguidor.
- Ele não é meu. - afirmei como se fosse óbvio.
Alyssa riu enquanto continuávamos nossos bates e rebates. O golpe final veio de mim.
- Muito bom! - Alyssa elogiou.
Sorri abaixando minha arma.
- Você por acaso teria visto o Vincent hoje? - indaguei de repente, minha vontade era socar a mim mesma.
- O minion número 2. - ela balançou a cabeça e pegou uma garrafa d’água - Não, eu não o vi, e sugiro que se quiser saber do Dominic vá direto até ele ou ligue.
- Eu não... Quero saber do Dominic.
- Eu te vi dormindo no sofá, Crystal. - ela cruzou os braços - Eu não sei o que de fato aconteceu entre vocês e nem vou te obrigar a me contar, mas se algo ficou... Confuso, fale com ele.
Apenas a encarei com cautela.
- Mas eu não vou ser a mãezona conselheira se é o que você está pensando. - reforçou ela fechando a garrafa novamente - Só estou dizendo.
Assenti ainda em silêncio.
- Vamos correr um pouco? - indagou ela prendendo o cabelo.
- Passo. - disse enfim - Por que não chama o Will?
Ela concordou saindo dali, e me deixando sozinha em meus pensamentos. Ela estava certa.
>>
Lindy
Ouvi passos vindos sem pressa pelo corredor. Preparei-me para o pior, Jackson poderia ter mandado qualquer pessoa para me torturar ou mexer com a minha cabeça, eu não duvidava de mais nada vindo dele. Ele era um homem doente e eu só queria ficar longe dele, ir embora dali.
Uma sombra me assustou, eu não a conhecia. A mulher, não muito mais velha do que eu, tinha a pele mais pálida que eu já tinha visto em toda a minha vida, cabelos longos em ondas castanhas, quase louros, seu vestido preto contrastava fortemente contra a sua cor natural, e meu deus, que vestido lindo era.
- Ho, ho! - ela sorriu de um jeito atrevido - Veja que Globlin adorável o Jack arranjou.
Revirei os olhos diante da ironia em sua voz.
- Ele cortou sua língua também? - ela riu - Não me surpreenderia.
- Estou guardando minha língua para momentos específicos.
Ela sorriu diante do meu comentário.
- Eu gostei de você. - ela passou os dedos pelo queixo, suas enormes unhas negras fizeram meu coração saltar, ela poderia arrancar meu coração perfurando meu peito com aquelas garras - Não é uma mosca morta como a maioria das pessoas daqui, eu juro por Deus que eu tenho vontade de arrancar todas as tripas do menino Halder toda vez que ele abre a boca. Ele é obcecado por você.
- Quem é você?! - a encarei com o cenho franzido - Jackson te mandou aqui?
- Ora que falta de educação a minha, me chamo Giamon. - ela sorriu com seus lábios rosa vibrantes - Sou a Maquinista do pequeno Max.
- Isso devia significar alguma coisa pra mim?
Seu sorriso sumiu, mas ela não deu um passo sequer em minha direção, ela não estava ali para me machucar, pelo menos não pertencia a seus planos.
- Jackson não me mandou aqui, Goblin curioso. - ela apertou os olhos com desdém - Ele está tramando coisas muito melhores, como a execução dos traidores que participaram da debandada de ontem à noite. Realmente, foram idiotas achando que Jackson não estava de olho neles, aquela Rosamund, nunca me enganou. Eu sinto o fedor de perdedores de longe, e ela parecia o próprio esgoto.
- Eu soube da fuga. - congelei, eu não ia revelar que conseguia ouvir de uma distância considerável - Jackson veio me dar uma lição de moral sobre não confiar nas pessoas próximas de mim.
- Pois não confie mesmo. - sua expressão parecia ter se vertido para ódio cego - Eles sempre nos traem.
Engoli em seco enquanto ela me olhava de cima a baixo.
- Você é bem bonita para um Goblin. - ela sorriu e finalmente se aproximou, eu estava sentada no chão com as correntes ainda me prendendo - Ouvi que Fell’s eram quentes.
Encarei-a, em pé diante de mim, curvada em minha direção. Ela riu diante do meu rosto confuso, ela estava ali para dar em cima de mim?
- Goblin tolinha! - ela afastou uma mecha do meu cabelo de meu rosto - Jackson me ensinou a dar apelidos, mas confesso que fiquei melhor do que ele, somos irmãos de criação, mas não imaginava que ele seguiria de fato o pai. Jackson é incrivelmente péssimo Criador, não espalhe. Ryan tinha mais vigor e determinação, uma pena o filho ser tão burro, infelizmente aquele palerma é a única família que tenho. Você acha comum ter um pai pirado? - ela fez um sinal de loucura próximo à sua têmpora - E uma mãe incendiária? Ela tentou pôr fogo em mim enquanto eu dormia. Meu pai não era um astro como o de Jackson, digo Archer, é o primeiro nome dele.
- E por que está me contando isso? - eu ficava cada vez mais confusa com o que estava acontecendo.
- É uma vida solitária, sabe, Fell. - ela sorriu tristemente o que me deu uma pontada de dor - Quando Jackson me falou de você, fiquei curiosa para conhecê-la, parecia uma pessoa boazinha, mas vejo seus traços de pesar, decepção e raiva, bem lá no fundo. Você é apenas o começo de algo muito maior, aproveite enquanto tem isso.
Mantive-me quieta.
- Da próxima vez que nos encontrarmos não vai ser em condições tão favoráveis assim, mas espero que você se lembre deste lado. Todo “lobo mau” tem uma segunda face.
- Afinal está a favor ou contra ele?
- A favor, é claro. - ela não apresentou uma expressão sequer de emoção - Ele é meu irmão.
Ela se foi com a mesma leveza e descaso com que chegou.
Peguei-me pensando no que ela havia dito. “Você é apenas o começo de algo muito maior”. O que ela queria dizer com isso? Eu era apenas uma Marcada qualquer, sem importância, que Jackson queria apenas eliminar. O meu algo maior era a vida além daquelas paredes, o que eu tinha lá fora? Eu não sabia ao certo mensurar o quanto ela achava que eu era importante de alguma forma. Ela dissera que o pai era um pirado e a mãe, uma incendiária, entendia como era ter uma família atípica, uma mãe tola e um pai abusivo.
Deixei meus ombros fraquejarem e me deitei sentindo o gelo do chão e do lugar, que ainda me fazia tremer, mesmo que menos do que no começo. O frio tinha se tornado parte de mim e não havia nada que eu pudesse fazer. O teto dali era como o do cômodo em que eu estivera antes, e era uma imagem até bonita se fosse desconsiderado que era uma prisão demoníaca.
Crystal
Estava na sala de estar, depois de um dia inquieto, não bebendo desta vez. Apenas pensando, com o celular em mãos, se devia ou não seguir o conselho de Alyssa e ligar para Dominic ou esperar que ele desse o primeiro passo, visto que ele era quem fora embora e me deixara sem tempo para falar sobre nossa noite.
Assustei-me com a chegada de Nate, ele tinha em mão uma pasta azul cheia de folhas. Ele largou ela ao meu lado.
- O que é isso? - quis saber.
- Abra.
O fiz por curiosidade dando de cara com uma lista de nomes, já completando a primeira folha, e assim se sucedia na seguinte, ambas completas, porém havendo muitas outras em branco.
- Que nomes são estes, Nate? - franzi o cenho.
- São os nossos aliados. - explicou ele se sentando ao meu lado - Temos 30.
- Poucos. - fechei a pasta e a larguei ao meu lado.
- Não terminamos ainda, Crystal. - continuou ele - Amanhã vamos falar com os Anciãos.
- Os traidores? - cruzei os braços - É arriscado demais.
- Tudo que estamos fazendo é arriscado demais, Crystal. - disse ele convicto - Não sabemos se podemos confiar nestas pessoas, mal a conhecemos, qualquer um pode nos delatar para o Criador e seremos massacrados antes mesmo de marcharmos até Auborne, mas a questão não é essa, estamos falando da Lindy. Ela faria o mesmo por nós.
- Eu sei que tudo que mais deseja é trazê-la de volta, eu também. - apertei sua mão, tentando lhe passar segurança - Aguentamos até aqui, estamos perto.
- Sim, estamos. - ele assentiu.
Abaixei o olhar e soltei sua mão, batendo as costas no sofá.
- Onde esteve ontem? - indagou ele.
- Vocês não se lembram, mas ontem foi meu aniversário, Nate.
Nate fechou os olhos, com intenção de se desculpar de alguma forma, ele tinha mesmo esquecido.
- Não se sinta mal por isso, ninguém lembrou. - falei arrastado - Eu pretendia passar o dia bebendo, mas Dominic apareceu e quis me levar para sair, rodamos pela cidade e de noite fomos a uma festa de uma amiga dele.
Nate estava sério.
- Sei que está preocupado comigo. - disse - Sei que não quer me ver magoada depois do que houve, e você não está errado, mas o Dominic é bom pra mim, não suportei a ideia de estar tão perto dele no começo, mas eu descobri que ele é mais do que um Perseguidor, Nate. Ele é uma pessoa normal como nós, com problemas, ressentimentos, rebeldias... Ele não é um monstro. Eu estava tão errada, todos nós estávamos. Vincent também é uma pessoa tão boa, os dois nos ajudaram e estão do nosso lado, é difícil acreditar nisso após o ocorrido com a Lindy, mas sinto que as pessoas que eles eram antes não existem mais, e se existem, acharam um jeito de serem melhores. Eu e o Dominic não somos como você imagina, eu não sou louca por ele Nate, eu gosto dele como gosto de você e do Will, como família.
- Não te julgo, mas também não acredito. - ele balançou a cabeça - O jeito que você fala dele, é como Lindy e eu, a diferença é que eu cansei de fingir que não é verdade, sim, eu estou apaixonado por ela, e não, não vou contar a ela. Lindy deve estar esperando para voltar para o Vincent, quem ela ama de verdade, é ele quem ela deseja ver acima de tudo. Eu não vou ser egoísta com ela nem com o Vincent, eles devem ficar juntos e eu não vou me meter nisso. Não minta para o seu coração, Crystal, ou vai perder sua chance. A chance de uma vida. Não seja como eu.
Senti tristeza de verdade ao ouvir as palavras de Nate, seus olhos cheios de dor, eu quase conseguia ouvir o som do seu coração se partindo. Eu já tinha visto aquele Nate “quebrado”, mas nunca me acostumei com a dor dele. Não demorou para que ele me deixasse ali sozinha, nem o impedi, deu o espaço que ele precisava.
Girei o telefone entre os meus dedos e apoiei os cotovelos em minhas pernas, queria discar os números, queria ouvir a voz dele, mas um peso nos ombros me impedia de tomar este passo. Fechei os olhos e abaixou o rosto, tocando o aparelho com minha testa.
Até decidir e discar de uma vez, deixando chamar, mas ele não atendeu. Resolvi deixar uma mensagem de voz por fim.
- Dominic, sou eu. Crystal. Você não atende o telefone então vou deixar uma mensagem de voz pra quem sabe você ouvir, ou não, você pode me ignorar e desaparecer, mas eu preciso fazer isso por mim. Eu passei o dia pensando na possibilidade de você me atender e no que falaria, mas eu liguei e só chamou. Sei que você tem os seus motivos para fugir de mim e do que nós nos tornamos, seja lá o que for, mas eu preciso de um sinal, um sinal de que você em algum momento do seu dia pensou em mim, se eu tenho estado nos seus pensamentos ou se eu não passo de uma distração do resto do mundo para promover alguma espécie de satisfação momentânea ou sei lá, eu só... Não posso sentar e esperar por qualquer coisa que me prove qualquer coisa. Me ligue quando ouvir isso.
Desliguei.
Dama das Armas
Only human - Robin Loxley & Wolfgang Black
Eu deixo você sob minha pele É só você que eu preciso Eu não posso continuar me apaixonando por você Eu sou apenas humano Eu sou apenas humano
[ 2 dias depois ] Os dias que se seguiram depois da morte de James foram os piores possíveis. Depois do funeral dele, não tive notícias de Dominic, ele simplesmente resolveu ignorar todas as minhas mensagens e ligações. Eu entendia, enfrentar o luto era algo difícil, mas eu só queria saber se ele estava bem, mas se estivesse ele apareceria aqui. Aqui, as coisas continuavam em andamento. Eu e Alyssa tínhamos treinado, eu tinha passado um tempo extra com o meu irmão e o meu pai, e estava me aproximando de Vincent, o que eu realmente não esperava. Eu estava me dando muito bem com Trina, ela era uma mulher extraordinária. Lindy era sortuda, mesmo não gostando da mãe, talvez elas pudessem se acertar com a volta dela. Trina se importava de verdade com a Lindy. Eu sentia falta da minha mãe. Hoje em especial, eu estava sozinha. Will tinha saído para dar um passeio com Alyssa, Trina fora ver uns amigos para procurar aliados para nós, meu pai, Nate e Vincent também saíram a negócios, e eu... Não estava num clima tão bom e encher a cara de borboun me pareceu uma boa escapatória para sublimar minha solidão. Bebi um copo de uma vez e ouvi a porta bater. Deixei o copo de lado e me levantei, só para dar de cara com Dominic. - Dominic? - sorri com a presença dele. - Olá, Dama das Armas! - ele caminhou animado em minha direção - Sentiu minha falta? O abracei e o convidei para se juntar à minha na sala e beber. - Como você está? - indaguei assim que me sentei e ele fez o mesmo na poltrona na frente da minha. - Estou enfrentando tudo ainda, você sabe como é. - ele franziu um dos olhos e encheu seu copo - Não fiquei perto do meu telefone esses dias, por isso não te respondi ou liguei de volta. - Tudo bem. - balancei a cabeça - Só queria saber se estava tudo bem, e você... Parece ótimo. - Está sozinha hoje? - indagou ele curioso - Achei que poderia dar um oi para o Vincent. - Ele saiu com o Nate eo meu pai. - disse terminando meu copo - E o Will resolveu sair com a Alyssa, então não voltam cedo. Ele assentiu e me observou enchendo outro copo. - Crystal. - ele me encarou - É impressão minha ou está querendo passar da conta hoje? São tipo, 10 horas, e você já está bebendo. - A verdade é que hoje é meu aniversário, Dom. - admiti com a voz tênue - Mas estão todos alvoroçados ainda, eu não te contei, mas a mãe da Lindy apareceu e muita coisa está acontecendo ao mesmo tempo... Ninguém se lembrou de mim hoje, então sim, eu vou continuar enchendo a minha cara. - Não vai não. - ele pegou o copo cheio da minha mão e se levantou - É o seu aniversário, não vou deixar você ficar em casa se entupindo de álcool. - Pode me devolver só mais esse copo, então. - Está bem, mas só mais esse. - ele sorriu e me entregou. Bebi em uma golada e estendi o copo de volta para ele, que me entregou o seu também cheio. Sorri em agradecimento. - Obrigada. - agradeci. - Agora, venha. - ele estendeu a mão para mim desta vez - Você vai subir, tomar uma ducha, colocar uma roupa legal e nós vamos sair. - Não, Dominic! - reclamei. - Sim, Dominic! - ele insistiu - Vamos, mocinha. - Ah! - aceitei sua mão e fui puxada, sendo obrigada a ficar de pé. - Estou esperando. Revirei os olhos e subi com preguiça, não sabia ao certo onde Dominic queria chegar com aquilo, mas pelo menos eu não estava mais sozinha. Mesmo que fosse tentador ficar em casa, ele queria me levar para sair. Cômico, mas era verdade. Seria bom passar o dia com ele, pois assim eu poderia esquecer aquele cartão que viera com as flores. Ninguém além de Alyssa sabia daquilo e eu não tinha a intenção de contar, ainda me dava arrepios lembrar. Afastei aquele pensamento e tirei minha roupa entrando debaixo do chuveiro, a água quente lavava a minha pele, mas jamais poderia me lavar por dentro. Eu queria que ela tivesse esse poder às vezes.
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Depois de irmos a uma lanchonete, que nos serviu café e waffles, Dominic me levou para a livraria, onde comprei alguns livros novos. Paramos no Tom McCall Waterfront Park, li um pouco, eu normalmente não gostava de sair, mas com Dominic era diferente. Antes de irmos, ele comprou pipoca para nós e ouvimos The Neighbourhood durante nosso trajeto no carro de James, que agora era do neto. Nossa última parada antes de voltar para casa foi o Zoológico, um lugar que eu não ia há muito tempo. Nos jogamos no sofá. - Isso foi divertido! - disse rindo. - Foi melhor do que ficar o dia todo bebendo sozinha, não foi? - Foi sim. - assenti me aproximando de seu rosto, ali bem na frente do meu. Meu coração acelerou com nossa proximidade, ele parecia quase saltar para fora do meu corpo. Tinha algo nele que me fazia transbordar sempre que estávamos juntos. A casa ainda estava sozinha, a sensação de não ter ninguém por perto era boa, tão boa quanto a pele de Dominic contra a minha quando sua mão tocou meu braço com cuidado. Seu telefone tocou nos fazendo acordar daquela anestesia boa. Ele largou meu braço, puxou o telefone de trás de si e checou a tela. - O que foi? - indaguei. - O que acha de uma festinha? - perguntou ele com um sorriso no rosto. Sorri de volta. A última festa que eu tinha ido não fora boa, então seria bom fechar o dia com uma festa. - Vou ligar para a Arabella e dizer que nós vamos. - disse Dominic se levantando. - A festa é dela? - Sim. - respondeu ele discando o número dela - Ela gosta de dar festas e encher a casa, você vai adorar. Assenti não tão animada assim. - Vou subir e me arrumar. - avisei, mas não houve resposta, pois aparentemente ela tinha atendido o telefone. - Bella, oi. - o ouvi dizer - Sim, nós vamos. Eu sei, é aniversário dela... Não fiquei para ouvir o resto.
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Dominic entrou na minha frente, fiquei do lado de fora para atender Will. Ele tinha enfim chegado em casa e não me vira, Alyssa implorara para ele ligar. Avisei que estava com Dominic e voltaria para casa tarde, mas que não precisava se preocupar porque, bem... Eu estava com Dominic. Desliguei o telefone e entrei, ele estava recostado em uma pilastra. - Quando você disse festa grande, você quis dizer grande mesmo. - ri. - Isso não é nada, Arabella já deu festas maiores. - ele se desencostou da pilastra e partiu entre as pessoas, o segui - Aposto que ela não demora a aparecer. - Podemos procura-la, se quiser. - disse atrás dele - Tem muitas pessoas aqui, vai ser difícil encontra-la. Ele pegou uma garrafa da mão de uma das pessoas dali, enquanto caminhávamos. - E você nem está me ouvindo. - Me desculpe, mas é uma festa. Você devia estar se divertindo não falando. - disse ele bebendo da garrafa. - Eu sei, eu sou uma chata. - Achei ela. - ele apontou para alguém atrás de mim. Me virei e vi um amontoado de meninas em cima de uma mesa dançando com suas blusas colantes e calças jeans. As encarei. - Qual das gostosas é ela? - indaguei. - A loira. - respondeu ele comicamente - Você se parecem. Ri e me voltei para ele. - Eu não estou com ciúmes, mas olhe para elas. - sinalizei - Estão se divertindo como eu nunca fiz antes. - Bem, então devia começar a se divertir agora como nunca antes. Olhei para ele com um pequeno sorriso. - Você é tão bonita quanto elas então vá dançar. - Só se você me acompanhar. - peguei a garrafa de vodka e bebi. Ele sorriu... Sem graça? - É sério, Dom. - disse - Você me alegrou o dia todo e está falando sobre eu me divertir, mas eu não vi você fazer isso nas últimas 24 horas. - Eu não me dou bem com isso de me divertir, dançar, bebidas, muitas pessoas... É uma péssima combinação para mim. - Não vou deixar você perder a cabeça. - disse a ele - Eu estou aqui, vou te impedir de fazer besteira. Ele assentiu. - Certo. Me assustei quando ele me tirou do chão me colocando em seu ombro. - Dominic! - reclamei rindo. Ele riu enquanto me carregava, estava se divertindo. Quando me pôs no chão, começamos a dançar. Um flashback nosso no Majestic veio em minha cabeça e aquela dança era tão diferente, mal parecia ele ali comigo, tão solto e sorridente, nunca o tinha visto do jeito que estava agora. Naquele momento eterno eu só ouvia nossas risadas e meu coração acelerado, mal conseguia ouvir a música, ela quase desaparecia entre as pessoas, eu sentia a batida no meu peito e cada molécula do meu corpo queria se mover para perto de Dominic. Quando pensei em me aproximar, mas alguém chamando por Dominic me interrompeu. - Ei, pombinhos! - cantarolou a voz feminina. Paramos de dançar imediatamente e nos voltamos para a voz que nos chamara, era a loira que estivera dançando na mesa há poucos minutos. - Ah, Bella! Essa... - ele remexeu os ombros me apresentando - Essa é a Crystal. - Então é a famosa Argent. - ela sorriu para mim, retribui - Sou Arabella, só Bella, por favor, não sabe o prazer que é conhecer uma Armadir, vocês são tipo... Seres celestes, isso é bonito! - Dominic falou muito bem de você. - olhei dele para ela novamente - O prazer é meu, sinto por não ter tanto apreço por Rastreadoras, você é a primeira que conheço. - Tudo bem, e feliz aniversário! - ela sorriu e se voltou para Dominic - Espero que meu amigo esteja sendo um bom companheiro para você hoje. - Obrigada. - agradeci e olhei para Dominic - Ele tem sido ótimo. Houve um silêncio estranho entre nós, até Arabella quebra-lo. - Certo, se divirtam! - ela abriu um sorriso enorme para nós - Eu estarei... Por aqui se precisarem de mim, mas é claro que não vão precisar... Tchau! Dominic me puxou para perto e voltamos à nossa dança. Eu sentia meu próprio coração aquecido diante de tanta atenção e importância, Dominic tinha assumido um lugar no meu peito que eu desconhecia, ele tinha se tornado alguém muito especial pra mim. Ele fez com que os meus dias fossem menos tediosos e tristes, e eu o amava por aquilo.
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As horas passaram rápidas, mas eu sentia como se tudo passasse em minutos, tão curtos e infinitos, mas apesar de eu não sentir as horas passando, logo já era meia-noite e meia e eu precisava ir para casa, mas esse alerta interno veio externamente na forma de palavras, mas não ditas por mim. - Crystal. - era Dominic voltando com um copo de água para mim - Aqui. Temos que ir. - Eu sei. - aceitei o copo d’água. Já estava mais vazio, então não foi difícil achar Arabella. - Já vão? - indagou Arabella, que estava bêbada. - Vamos sim. - disse Dominic - Tenho que deixar a Crystal em casa, mas volto ainda hoje. Ela sorriu e nos abraçou, totalmente fora de si. - Obrigada por virem. - o hálito dela estava fedendo a cerveja - Somos amigas agora Crystal. - Somos, claro. - ajudei ela a se sentar com Dominic. - Chega de beber. - ele tirou o copo da mão dela e passou a mão pelo rosto dela - Acabe com a festa e vá tomar um banho gelado, uma xícara de chá e cama, me ouviu? - Sim, senhor! Desliguei a caixa de som e ele pôs fim à festa, as pessoas saíram deixando a sala da casa vazia. - Boa noite! - ele deu um beijo na cabeça dela e se voltou pra mim - Vamos? Assenti. Não foi demorada nossa volta para casa. Dominic e eu nos sentamos na sala de estar, desta vez sem bebidas, e começamos a conversar. - Já devem estar todos dormindo. - disse tirando meu casaco jeans e colocando um de pano fino que me deixava mais confortável - Deve ter sido um dia cansativo para eles. - Não se culpe por ter tirado um dia pra você, era seu aniversário. - Eu nunca tirei de fato um dia todo pra mim. - ri com o pensamento absurdo - Obrigada. - Só fiz o que qualquer um faria, Crystal. - ele sorriu sonolentamente - Ninguém merece passar o aniversário sozinho, ninguém merece passar um dia sequer sozinho. - Não é qualquer um que faria isso. - disse abaixando o meu olhar e levantando novamente - O Greg nunca fez. - Esqueça esse cara. - ele balançou a cabeça em desgosto em ouvir o nome - Ele não merece estar na sua cabeça. - Ele não está, acredite. - confirmei - Sabe, quando nós terminamos foi muito dolorido no começo. Eu senti como se toda a minha vida dependesse do amor dele, mas na verdade não depende, eu continuo sendo a mesma Crystal com ou sem ele e eu me sinto bem com isso, com a pessoa que eu sou sem ninguém. Passei tantos anos pensando que eu morreria sozinha depois do que houve com o Troye e do julgamento da minha família sobre mim, depois veio o Greg pra me deixar desnorteada e eu percebi que a Crystal que eu queria ser estava longe do que eu estava sendo, minha realidade tinha saído do meu controle. E então... - paralisei e olhei para o Dominic - Você. - Eu não acredito ainda que o Greg te machucou daquele jeito, o modo como ele te tratou, o que você significava para ele. - ele sorriu com uma ternura que eu desconhecia - Ele tinha a mulher mais maravilhosa do mundo e a deixou escapar pelos seus dedos, se eu tivesse jamais escaparia dos meus. Minha respiração ficou presa em minha garganta e meus olhos se fixaram nele, ali do meu lado me observando de uma forma apreciativa, como se eu fosse o mundo para ele. Sorri nervosa e foi uma questão de alguns segundos para que eu me livrasse daquele transe, mas me livrei puxando seu rosto para perto e entrelaçando nossos lábios. Uma ferocidade invadiu o céu da minha boca me impulsionando para cima dele, suas mãos percorriam todo o meu corpo e eu só me importava em manter nossos lábios unidos, enquanto eu sentia meu estômago fervilhar em excitação. Quando minhas mãos desceram para seus braços, uma das dele fizeram movimento e de encontrar a minha nuca enquanto a outra se perdia por dentro de minha blusa tocando minhas costas descendo para os meus quadris, mas ela não se demorou lá, logo subiu segurando meu rosto. Nós paramos de nos beijar momentaneamente, mas não demoramos a retornar um para o outro. Tudo em mim queria tudo nele, e mais, mais e mais; porém nos limitamos a beijos e muitos toques calorosos. O resto da noite era um borrão, eu só lembrava de nós dois nos beijando sem dizer uma palavra sequer até nos cansarmos e enfim adormecermos, mas eu também não me lembrava de quando isso tinha sido. Minha cabeça deu uma última descansada em seu peito e... Tudo acabou.
Dominic
Ela dormiu em meus braços, tão serena e calada que mal parecia a Crystal que eu conhecia. Comecei a pensar em tudo que tinha acontecido e do quanto eu tinha esperado aquele momento sem saber, mas isso também abalava o que eu era. O que eu tinha que ser. Parte de mim queria ficar e vê-la acordar, a encher de mais mil beijos e nunca mais deixá-la, mas eu a outra parte sabia que tinha que ir para casa. Eu estava sobre o mesmo teto que a família dela e eu me sentia desconfortável por estar violando o espaço que não era meu, além de claro ser um desrespeito visto que ele não tinha conhecimento do que acabara de acontecer. Não queria Crystal em apuros. Me levantei com cuidado e a deixei ali adormecida, puxei uma manta de um dos sofás e a cobri, não era a forma como eu queria que terminasse, mas eu precisava ir. Ainda era novo o que eu sentia por ela, visto que até esta noite eu não sabia dos sentimentos dela, se é que havia algum, pois mesmo que não muito, ela estava embriagada. Eu também estava, se eu estivesse delirando mais tarde eu sairia. Meu cochilo durou meia hora e qualquer um poderia ter nos visto, eu torcia para que não tivessem passado pela sala de estar hoje. Não podia arriscar mais. Vesti meu casaco que eu tinha tirado e caminhei em silêncio até a porta, mas com a minha saída dei de cara com Vincent. - Dominic? - Vincent? - franzi o cenho - O que você está fazendo aqui? - O que você está fazendo aqui? - implicou ele - Saí para tomar um ar, não estava conseguindo dormir. - Claro. - assenti - Eu já vou. - Espera. - ele me impediu - O que aconteceu? - Nada, Vincent. - disse em descaso, não queria ter que contar a ele. - Dominic. - Eu estava com a Crystal, estávamos bebendo. - disse - Aí ela pegou no sono e cá estou eu, indo pra casa. - Não me contou por que resolveu voltar pra casa dos seus pais. - disse ele - Você queria ficar. - Não é a minha casa, Vince. - Não, essa história ainda está muito estranha. - insistiu ele - Tem haver com a Crystal, não é? - Vince, meu avô morreu, meus pais estão desaparecidos e minha avó está sozinha agora, eu e Arabella estamos ajudando agora. Não posso cruzar meus braços e fingir que nada está acontecendo. Crystal é bem grandinha, não precisa de mim. - Eu já entendi tudo. - disse ele - Você está apaixonado pelo Crystal e ficar na mesma casa que ela estava te deixando nervoso, como vontade de... - Não, Vincent! - Amigo, eu convivi com você todos esses anos, eu te conheço. - disse ele tocando meu ombro - Você está apaixonado por ela? Não disse nada, apenas o observei. - Você está delirando. - Está? - ele foi duro desta vez. - Não, Vincent. - disse em alto e bom tom - Eu não estou apaixonado pela Crystal. Saí dali sentindo meu coração apertar, mas a verdade é que me sentimento por ela ainda não era bem definido, eu precisaria de tempo pra isso, e isso significava me afastar da mansão dos Argent por um tempo.
24 de novembro de 2015
Dynasty - Miia
E tudo que eu te dei se foi Tremeu como se fosse pedra Achei que tínhamos construído uma dinastia que o céu não poderia abalar Achei que tínhamos construído uma dinastia, como nunca feita Achei que tínhamos construído uma dinastia que não poderia se quebrar
Estávamos todos reunidos na sala. Will, Nate, meu pai e Vincent estavam amontoados lado a lado enquanto Trina se encontrava sentada em uma poltrona com uma toalha nos ombros. Entreguei a ela roupas secas de minha mãe e uma xícara de chocolate quente. - Obrigada. - ela agradeceu enquanto eu me juntava aos outros. - Como nos achou, senhorita Fell? - quis saber meu pai. - Tenho amigos próximos que os conhecem, eles me ajudaram a achá-los. - disse ela após tomar uma golada da caneca - Anciãos. - Não! - meu pai disse como se estivesse a advertindo - Eles são traidores. Foram os responsáveis por fornecer energia aos Rajões, estão do lado de Jackson Wilvarn. - Aida me contou sobre isso. - afirmou ela - Ela não teve escolha, o Criador está com a filha dela, Pauline, ou ela o ajudava ou a menina seria morta. Ela ainda está em Auborne. - Então o Criador está mesmo em Auborne? Trina concordou. - Sei que foram traídos, mas podem confiar em mim. - pediu ela - Eu sei que estão sendo cuidadosos para que eu não faça o mesmo, mas tudo que me importa aqui é tirar minha filha daquele inferno! Eu já estive naquele maldito lugar. - Acha que a machucaram? - indagou Nate engasgado. Trina mais uma vez assentiu. - Ryan Wilvarn foi um monstro, Jackson não deve ser muito diferente disto. - disse ela enojada - Lindy tem uma vantagem, eu e Sarah a protegemos, linhagem completa. - Já sabemos disso. - disse Vincent enfim - Percebemos com a rapidez com que ela se curava. - Nossa proteção é muito mais que isso. - reforçou Trina - Podemos atravessar paredes sobrenaturais, bloqueios, ninguém é capaz de matá-la, nós não deixamos. Eu estive sentindo tudo que Lindy está sentindo e é um sentimento que queima meu peito só de lembrar, ela está mal. - Faz alguns dias desde que eu tive algo parecido. - revelei - Dominic estava comigo na biblioteca e eu apaguei de repente, eu vi Auborne por dentro e a vi acorrentada. Como isso é possível? Não sou da linhagem de vocês. - Mas é uma Armadir. - disse Trina - Armadires criam conexões fortes que permitem essas “visões”. Fiquei em silencio, querendo captar mais informações. - Tem outra coisa. - disse Nate - Vincent teve uma convulsão ontem à noite, seguido de febres, vômito e vários sintomas assim. Foi algo repentino, ele estava bem, e então estava agonizando a noite toda. Se o Criador pudesse, quisesse, ele poderia de alguma forma ter sido o responsável. - Não ele. - disse ela - Mas os Maquinistas dele sim. - Como?! - quis saber ele. - Tem alguma ideia do que ele queira neste momento? - O colar da Lindy. - disse Nate incisivo - Está com a Crystal agora. - Sei como ele fez. - ela deixou a xícara sobre a mesinha em sua frente - Ele usou a Lindy para que ela achasse o colar, é como se ela viajasse para cá, mas não estivesse aqui, apenas sua mente. Um rastreador o ajudou. Quando ela encontrou a pessoa que tinha o colar, Jackson soube o que fazer. Muito provavelmente ele ainda teve a ajuda do seu Maquinista, Nataniel. - Como... - Sei quem são todos vocês. - disse ela - Minha conexão com a Lindy me permite isso, além de claro serem bem conhecidos. - Ok, mas como sabe tanto sobre o Criador? - indagou Vincent com os olhos franzidos. - Existe uma rebelião chamada debandada.
Lindy
Ouvi uma movimentação estranha do lado de fora e vozes confusas, estavam distantes, mas eu podia ouvir. Eu estava quase adormecendo, mas aquilo me acordou. - Sejam todos bem-vindos a mais uma reunião da debandada! - era Rosamund, eu podia sentir a entonação em sua voz - Esta noite, vamos mudar nossos rumos para sempre, não iremos mais ser os cães sarnentos de nosso “dono”. Vamos pisar na horta dele e destruir tudo. Quantos aqui já se sentiram pequenos? Sentiram que estavam apenas sendo usados e nada vinha em troca? Uma moeda sequer. Hoje daremos um basta nisso e fugiremos para o norte, no final da trilha da floresta um caminhão nos espera, nos camuflaremos sob os sacos de areia e partiremos para longe, onde nem o Jackson nem ninguém nos acharão. Seremos livres. - Rosamund! - chamou alguém - Iremos para qualquer lugar no mundo? - Depois que atravessarmos a fronteira, está livre para ir para onde quiser, meu jovem. Houve um reboliço como se a estivessem adorando. - Chega de nos escondermos sob a capa daquele homem! - Não faça isso, Carey! - era Denyel. - O que foi agora? - ela estava irritada - Veio nos colocar para baixo? - Vim te implorar para desistir dessa ideia maluca de debandada. - Nós nunca desistiremos, Denyel. - E depois que fugirem? - eu podia sentir o desdém dele - Como vão se restabelecer sem nada? Vão morrer de fome no meio da viagem e serão esmagados pelos sacos de areia, sentirão falta de ar e vomitarão nos próprios corpos, o calor tomará conta de vocês... - Não ouçam ele, não é verdade. - gritou ela - Estarão seguros lá fora, aqui não, se falharem com o Jackson serão mortos! Denyel riu. - Se não vai se unir a nós por que simplesmente não vai embora, garoto? - Porque é muito mais divertido ficar aqui e ver toda a baboseira que vocês idolatram. - Meu Deus, você quer mesmo continuar sendo o cachorrinho dele! - Rosamund foi irônica, mas estava falando a verdade - Denyel Halder, você é patético! - Querem mesmo dar as costas para o homem que deu à vida de vocês algum sentido? Me escutem, se quiser. O que vocês eram antes de estarem aqui? Vagabundos, desempregados, esterco humano, alcoólatras, drogadinhos desprezíveis, criminosos... Vamos, agora vocês são os vilões. Tudo está no nosso controle, todos nos temem. Não conseguem sentir o poder disso? Não joguem isto fora. Rosamund riu em sua cara e todos a acompanharam, eu daria tudo para poder ver a cara de Deny naquele momento. - Riam mesmo, seus babacas. - disse ele irritadiço - Vão se arrepender. - Isso foi uma ameaça? - debochou Rosamund - Não temos medo de um menininho. Não houve resposta. - Peguem suas coisas! - gritou Rosamund - A debandada está marchando para fora daqui. Denyel tinha sumido, mas logo meus ouvidos captaram passos próximos seguidos de sussurros: - Eles não cederam. - a voz de Deny me fez tremer, estava perto demais - Parece que vamos jantar algumas ovelhas nas próximas semanas. - Eu sou um lobo faminto. - esse era Jackson. Meu Deus, eles iam matar todos eles!
Crystal
- Então, você fez parte da debandada? - indaguei - O que quer dizer que você era uma das Capangas dele? - Não, Crystal. - negou ela - Eu fiz parte da debandada sim, mas eu era uma infiltrada. Jackson não sabia que Lindy era minha filha, nenhum deles sabia. Depois que meu ex-marido Chris desapareceu, tive medo que ele entregasse nossa filha para o Criador, mas ele nunca mais foi visto. Nunca sequer encontrou Jackson. Eu tive medo por anos dele voltar e arruinar tudo, mas ele não voltou. Quando me infiltrei na toca dele, eu ouvia conversas, sabia dos planos dele, como as coisas funcionavam, não fui descoberta. Não estava sozinha lá dentro, havia outros. Na primeira chance que tive, entrei para a rebelião que na época era comandada por Lilia Candnova, a amante de Jackson. Ela não achou o que queria lá, então juntou seus debandos e partiu pelo esgoto com eles. Não faz tanto tempo, a última debandada foi há dois meses, quando ele ainda se instalava em Holligan Werst. Foi quando fugi e entrei em contato com os Anciãos, velhos amigos muito antes disso. Eu quis por vezes vir até aqui, mas não sabia qual seria a reação da Lindy. Quando soube que Jackson tinha a pegado, foi o momento de me aproximar. Fui até minha irmã primeiro e juntas bolamos isso, não fiquei muito tempo. Comecei a me mover com mais rapidez e aqui estou eu. - Por que a abandonou? - Crystal! - advertiu meu pai - Não seja grossa. - Não, tudo bem. - ela se voltou para mim - Chris representava um perigo para nós, ele poderia contar a todos o que sabia e comprometeria minha filha pra sempre, mas quando ele se foi achei que estava tudo resolvido. Até eu receber no dia seguinte uma ameaça de morte, se eu ficasse minha filha perderia a mãe. Pode parecer egoísta, mas eu não queria que minha filha ficasse órfã, minha irmã era a única a quem eu podia recorrer. Eu fiz de tudo para tirar os olhos dele de minha menina, mas ele a achou mesmo assim. A vi estampada em todos os jornais e na TV, soube que ali era o começo de tudo. Minha filha estava exposta para ele. Deus sabe como eu queria ter estado com ela. - Eu sinto muito. - me senti culpada por ter perguntado, eu sentia a dor de Trina. - Está tudo bem. - ela assentiu - Agora tenho a chance de consertar isso, não sei como será pra ela, mas sou uma mãe insistente. Não vou forçar nada, mas vou fazer o impossível para salva-la. - E como pretendem salvar ela? - Will que só estava absorvendo as informações, enfim falou - Como ela mesma disse, ele tem um exército, e nós estamos numa média de 10. - Nossa família... - Não, pai. - interferi - Recebemos Vale e Robert e eles só serviram para lamentos pelo filho deles. Não é deles que precisamos, precisamos de guerreiros. - Ela está certa. - disse Trina - Hora de reunirmos todos os aliados possíveis, podemos nos infiltrar na toca dele, eu sei como. É perigoso, mas se quisermos salvar ela, não tem como fazê-lo com total segurança, mas podemos... Treinar para isso. - Isso! - Tudo bem, vamos fazer do jeito de vocês. - ele voltou-se para Trina, mas como vocês, da debandada, fugiram? Não deve ser fácil passar pelos guardas. - E não é mesmo. - disse Trina - Alguns de nós ficaram para trás.
Lindy
Eu ouvia Rosamund os apressando pelos corredores. Eles estavam indo para uma emboscada e nem sabiam, eu queria avisá-los mesmo com as condições, deveria odiar Rosamund, mas não odiava. Ela queria ser livre, todos eles queriam, assim como eu. - Venham! - ela os chamava - Por aqui. Eu não podia ver nada, mas escutar já era o suficiente para me deixar angustiada. Uma parte de mim queria se juntar a eles e fugir ou morrer tentando. Porque a morte era melhor que aquele lugar. Houve um tumulto e então muita correria, eu não sabia se já tinham os emboscado ou se estavam com pressa de sair dali logo. O barulho se intensificava a cada segundo e parecia uma chuva de pedras em minha cabeça. - Não! - ouvi o grito de Rosamund - Droga! Ouvi tiros sendo disparados, gritos e uma zorra se fizeram. Pareciam animais estrebuchando antes de serem abatidos. A selvageria tomou conta e eu conseguia ouvir perfeitamente cada palavra de Jackson, até as palmas. - Bravo! - tinha certeza que aquele sorriso cínico estava estampado em seu rosto, eu sentia - Vocês acharam mesmo que eu ia deixar o mesmo erro se repetir? Como vocês podem ser tão tolos?! Denyel, Pete. - Seus traidores! - gritou Rosamund. - Eles? - ele riu - Não, vocês são os traidores. E sabem o que faço com traidores. - Não vai nos fazer nos curvar pra você. - Não? - ele riu mais uma vez - Quem se curvar aqui está perdoado, de todo e qualquer mal, continuaram na minha casa como se nada tivesse acontecido. Os que se recusarem vão para as celas e serão executados depois da primeira semana. Tudo que ouvi foram sons de armas tocando o chão, não houve um barulho sequer depois disso. - Muito bem. - ele parecia satisfeito, então deviam ter se curvado para ele - Estão perdoados, voltem para seus dormitórios já, antes que eu mude de ideia e os atirem no mar. Eles correram de volta, mas Rosamund tinha resistido junto com outros, eu podia ouvi-la choramingar. - Levem estes para o poço. - Os Marcados vão te destruir. - ela riu - Você não é nada. Ouvi um som pesado, e logo soube que Jackson tinha acertado seu rosto. - Você não é nada, sua vadia. - ele estava furioso, uma fúria que eu nunca tinha sentindo vindo de Jackson, era quase sobrenatural sua voz, como um demônio - Nunca mais se atreva a falar comigo deste jeito! Ela não disse nada. - Levem-nos agora! - ele gritou. - Troye! - a ouvi gritar - Troye, olhe para mim! Troye! Imediatamente lembrei de Crystal, ela dissera que o primo era um Najo e estava na casa do Criador, e ele estava de fato, era um dos debandos. Engoli em seco e tentei relaxar meus pensamentos ou eu não dormiria. Fechei os olhos pronta para tentar, mas a porta se abriu e Jackson entrou na sala. - Viu como sou bom com você? - seu rosto estava molhado de suor e seus lábios eram uma linha em seu rosto - Te deixo ficar aqui, quando devia estar no poço junto com toda aquela sujeira. Lembra do que eu te disse sobre a traição vir sempre de quem menos esperamos? De quem está perto de nós? Que não deve confiar em ninguém? É disso que estou falando. Tenha como seu aliado apenas você mesma. - E por que está falando isso se me odeia? - Porque não tenho a quem falar. - ele preparou-se para sair, mas parou na porta - Você tem sorte, menina, seu namoradinho deu seu colar para Armadir, mas não se engane. Ele ainda vai ser meu. Com a saída dele, eu sorri. Ele tinha mesmo os subestimado, eu nunca tive dúvidas de que eles dariam um jeito de ferrar com os planos dele. Tudo que eu queria agora era poder vê-los.
Crystal
Não dormi muito, era a segunda de noite que eu perdia e eu sentia minhas olheiras colorindo meu rosto pálido. Me levantei e vesti uma roupa depressa, Alyssa logo chegaria e eu queria estar pronta para não recebê-la de pijama. O andar de baixo estava silencioso, eu já estava acostumada com a casa vazia, mas com Trina na casa eu imaginei que teria mais movimentação, mas na verdade não. Ela tinha dormido no quarto que Lindy estava ocupando, mas eu não tinha ouvido um único som durante toda a noite. Trina tinha acendido uma esperança que já estava se apagando em mim. Com tudo o que tinha acontecido na noite anterior eu tinha me esquecido das flores que tinham chegado pra mim. Elas ainda estavam sobre a bancada. Fui até lá e abri o cartão, o recado era direto e breve. “São bonitas o suficiente para o seu funeral?” - O que?! - procurei por uma identificação, mas era anônimo como eu imaginava - Muito engraçado! Em um estalo, me lembrei da Conjuradora dizendo que estavam atrás de mim. Meu sangue gelou e quase enfartei com o toque do meu telefone. Com as mãos tremendo, atendi o número não registrado. - Olá? Não houve resposta. - Olá? Quem... - e a ligação caiu. Suspirei de forma abafada e afastei o celular da orelha, ainda tremendo. A campainha me assustou tanto quanto. Devia ser Alyssa, fui abrir. - Nova colega de quarto! - era de fato Alyssa acompanhada dos pais e muitas malas. - Alyssa! - suspirei aliviada desta vez e a abracei - Ah, graças a Deus! - Tudo bem, Crystal? - Sim, claro. - balancei a cabeça escondendo minha inquietude - Entrem. Dei espaço para eles e antes que eu fechasse a porta, lá estava Will. - William Argent! - ela sorriu - Vai vir aqui ou ficar parado aí me olhando? Ele caminhou até ela e a abraçou. - Bom ver que você está bem. - disse ele a apertando, dava para perceber. - Você está muito bem também, Will. - Senhor, senhora Tunne! - ele cumprimentou com respeito. - Ora, Will! - Adelaide o puxou para um abraço - Não seja modesto! Adelaide e Roran sempre eram muito receptivos. - Está bem mesmo, Crystal? - insistiu Alyssa. - Conversamos lá em cima. - disse a ajudando com as malas, enquanto subíamos encontrei meu pai. - Alyssa. - Finick. - ela acenou com a cabeça. Quando finalmente chegamos no meu quarto, me sentei na cama e tentei me acalmar. - O que aconteceu? - Eu recebi umas flores ontem e... - tirei o cartão do bolso e estendi pra ela - Veio com isso. Não segurei minhas lágrimas enquanto ela lia com nervosismo. - Crystal... - Eu sei pode ser uma brincadeira idiota, mas a Conjuradora me falou sobre alguém atrás de mim. - passei a mão pelo rosto - Acho que me encontraram. Alyssa se sentou do meu lado e me abraçou. - Você não está mais sozinha, Crystal. Apertei seus braços em volta dos meus ombros e chorei, eu queria não ter de fazer aquilo na frente dela, mas eu estava assustada de verdade. Alyssa estava ali, mas eu queria que o Dominic estivesse. Ele disse que viria cedo, mas não tinha vindo.
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O dia tinha sido cansativo. Não havia dito uma palavra sobre o cartão que viera com as flores para ninguém além de Alyssa, eu preferia que ninguém soubesse por agora. Existiam outras prioridades. Já era noite e Dominic não tinha aparecido, aquilo já estava me preocupando. Não tinha tido notícias dele desde a noite anterior. Queria ter ido ao hospital ver se ele estava com James mais cedo, mas Alyssa me convenceu a ficar, e então eu fui ler para encher minha cabeça, mas nem isso estava me deixando quieta. Algo tinha acontecido. Meu telefone tocou mais uma vez, meu coração disparou, mas era apenas o James. - James? - Não. - respondeu uma voz feminina - Você não me conhece. Me chamo Arabella. Arabella. A amiga Rastreadora de Dominic. - Crystal. - disse cautelosa - Amiga do James. - Eu não sei bem como te dar essa notícia... O James não teve um bom dia hoje, ele teve recaídas durante toda manhã e início da tarde, precisou de máquinas para ajuda-lo a respirar... Mas no final da tarde ele teve uma parada cardíaca e... Eu sinto muito. Tampei a boca e segurei tudo dentro de mim para não chorar desesperadamente. - O James está morto? - Sim. - ela foi incisiva - Mas te liguei por causa do Dominic. - Onde ele está? - perguntei pegando minha bolsa - E descendo as escadas. - Esse é o problema. - disse ela - Ele sumiu e não fazemos ideia de para onde foi, procuramos ele o dia todo. Ligamos para o Vincent, mas ele não atendeu. Você é amiga dele, faz ideia de pra onde ele foi? Pensei um pouco, ele poderia estar em qualquer lugar. Era o Dominic. Me lembrei do dia em que minha avó fora para o hospital, então um lugar me ocorreu. - Acho que sei onde achar ele. - larguei minha bolsa no sofá - Vou falar com ele. - Me ligue se achar ele. - Claro. - respondi - Eu levo ele pra casa.
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Ele estava exatamente onde eu imaginava, só que do lado de fora. Me sentei ao lado dele em silêncio, ele mal se assustou com a minha chegada. Não soube o que dizer, estaria disposta a ouvi-lo. - Como me achou aqui? - indagou ele sem me olhar, seus olhos estavam úmidos e a voz falha. - Arabella. - disse de pronto. - Claro que foi ela. - ele abaixou a cabeça, mas logo a levantou novamente - Mas ela não sabia que eu vinha pra cá. - Mas eu sabia. - disse decidida - Eu vim pra cá quando eu soube que minha avó estava no hospital e você estava aqui, falou que gostava daqui. Eu sabia que não haveria outro lugar que você poderia estar senão este, onde ninguém pudesse te ver chorar. - Não deu muito certo. - Dominic... - Ele se foi, Crystal. - ele permaneceu paralisado olhando para nada exatamente - Não posso fazer nada, não posso trazê-lo de volta. Faz menos de 5 horas e dói como se tivesse acabado de acontecer, e amanhã será mil vezes pior e depois... Eu já devia ter me acostumado com a dor, mas ela sempre me acerta como um soco na cara. Abaixei o olhar, não sabia como transmitir para ele meus pêsames. Eu quase conseguia sentir a dor dele, só de olhar para sua expressão tão abatida. - Eu... Ele não... - ele abaixou a cabeça e eu passei a mão por suas costas. Eu o abracei e ele apoiou a testa nos braços, despedaçando de vez. Deitei minha cabeça em seu ombro e o mantive perto. Em outra ocasião, ele tiraria sarro do meu cuidado, mas aquilo estava fazendo tão bem a ele quanto estava a mim. Eu podia ouvir seus soluços, nunca tinha o visto chorar antes e rezava para nunca mais ver. A dor que eu sentia só de olhar para ele... Eu não queria mais ver aquilo.
O lado bom
Hometown - Twenty One Pilots
De onde viemos, não há sol Nossa cidade natal é no escuro De onde viemos, nós não somos ninguém Nossa cidade natal é no escuro Nossa cidade natal é no escuro
Crystal
Respirei fundo e abri meus olhos. Não tinha conseguido pregar o olho a noite toda, Vincent tinha chegado ao estado febril. Eu, Dominic e Nate cuidamos dele madrugada a dentro. Meu pai estava cansado demais e Will tinha voltado do trabalho, não sabia que ele estava trabalhando por conta de sua perna, mas ele parecia bem agora. Minhas pálpebras estavam pesadas, queria continuar deitada, mas eu tinha que começar a agir, e assim seria. Me levantei e vesti a primeira roupa que vi em minha frente, uma blusa branca e shorts. Me arrumei rápido e fui direto para o quarto de Vincent, onde encontrei Nate. - Bom dia! - disse entrando no quarto – Dormiu aqui? - Sim. - ele passos os dedos pelos olhos. - Como ele está? - Não teve mais recaídas desde as 5. - respondeu ele – Isso é muito estranho, não acha? - Como assim? - indaguei me sentando na cama ao lado de Vincent – Ele pegou uma virose, Nate. - Ele estava bem, Crystal, eu estava com ele quando aconteceu. - implicou Nate – E de repente, tem uma convulsão, febre, ânsias de vômito... - Acha que foi induzido? - perguntei abismada. - Talvez sim. - ele consentiu – O Criador pode ter feito alguma coisa. - Mas como? - questionei – Ele não pode controlá-lo, Vincent não é um Marcado. - Ele tem pessoas para fazer por ele, eu posso ter feito algo. - Não acredito nisso, o que ele iria querer com o Vincent? - remexi os ombros desconfortável - Não faz sentido. Nate permaneceu em silêncio pensando. - O colar! - ele disse em um estalo percebendo-o no pescoço dele – Emely disse para que Lindy cuidasse do colar, eu me lembro perfeitamente disso. Está com o Vincent. - Então deixe comigo. - estendi a mão desabotoando-o de seu pescoço - É melhor que fique comigo até que a Lindy volte. Para mexer comigo, ele tem que passar pela Conjuradora primeiro e duvido que ele vá querer isto. - Você está certa. - ele concordou. - Como o Dominic está? - perguntei enfim – Viu ele hoje? - Ele saiu cedo, deve ter ido para a escola. - E ia sem o Vincent? - prendi o colar no pescoço e o guardei dentro da blusa - Deve ter acontecido alguma coisa. Vou sair. - Não pode dirigir. - repreendeu Nate - Já está abusando da sorte, Crystal. - Não vou dirigir. - me levantei – Vou andando, preciso me certificar de que está tudo bem. Dominic não é de sair assim sem ninguém, inclusive tenho que ficar de olho nele. Volto o mais rápido que eu conseguir. - Vocês se aproximaram muito nas últimas semanas, não acha? - Talvez. - balancei a cabeça - Temos muito em comum, mais do que pensei que fosse possível para uma Armadir e um Perseguidor. - Só cuidado. - seus olhos carregavam preocupação - Acabou de sair de um namoro ruim, não se deixe levar por seus sentimentos agora. - Com todo respeito, Nate, não preciso de seus conselhos. - e com isso saí. Não queria falar com ele daquela forma, tão grossa, mas às vezes eu sentia que Nate e Will queriam controlar minha vida, e isso era bem chato. Eu já era bem crescida para ter pessoas me aconselhando conselhos bobos e imaturos como aquele. Apesar do péssimo golpe de Greg, eu ainda tinha controle sobre a minha vida.
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Liguei para Dominic enquanto me aproximava da escola, mas ele não tinha me atendido, então resolvi deixar uma mensagem de voz. - Eu não sei o que está acontecendo, mas o senhor vai ter que me explicar tudo. - suspirei – Por que não me chamou para ir com você? Quer saber, esqueça tudo, já estou na frente da escola. Encerrei a ligação e caminhei até a entrada. Todos pararam e me olharam ali de shorts parada olhando em volta, mas ele não estava ali. Parti pela multidão de pessoas, não era possível que nunca tinham visto um par de pernas nuas na vida! Prossegui e bati na sala do diretor. Uma mulher loira de óculos vermelhos foi quem me atendeu. - Pois não? - ela me encarou querendo respostas. - Me chamo Crystal. - me apresentei – Sou prima de Dominic Asvarc e queria saber que aula ele está tendo agora. - Conheço o rapaz. - comento ela – Mas ele não veio hoje, creio que tem algo haver com o último diretor. Numa média de 2 semanas, o Gabrilson foi pior do que Rosamund em 3 anos. Alguns alunos não se adaptam bem à troca de diretores. - Claro. - assenti – Eu vou ver se o encontro, obrigada. - Por nada. - ela fechou a porta com um sorriso, ela era sem dúvidas mais simpática do que Cedric. Atravessei o corredor mais uma vez e ao chegar do lado de fora, meu telefone tocou. Era Dominic. - Eu espero que tenha uma boa justificativa por ter desaparecido deste jeito. - Crystal. - sua voz estava baixa e triste – Eu não estou no clima hoje, ok? - O que aconteceu? - tomei um tom sério - Onde você está? - Estou com o meu avô, no hospital. - Hospital. - engoli em seco – Ai meu Deus! - Será que pode vir pra cá? Eu te mando o endereço. - Eu vou.
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Entrei no hospital com um tanto de pressa e encontrei Dominic andando em círculo na recepção. - Dominic! - disse um tanto angustiada em vê-lo impaciente – O que aconteceu? Ele passou a mão pelo rosto e me puxou para o canto da sala, perto de um bebedouro. - Foi ele, Crystal, o Criador. - disse Dominic tentando manter a calma – Meu avô viu o rosto dele, ele o viu. Ele foi até a casa dele com seus Capangas e eles acabaram com ele... Era um aviso, pra ele não abrir a boca ou da próxima... - Por Deus, eu já entendi! - toquei em seu ombro tentando reconfortá-lo, me aproximei mas meu telefone tocou imediatamente me impedindo. Levantei o dedo pra ele pedindo para que esperasse e atendi. - Alyssa? - indaguei. - Crystal, onde você está?! - sua voz era um tanto desesperadora. - Eu estou ocupada agora, fale o que houve. - sinalizei com minha cabeça para que déssemos entrada. Caminhando lado a lado, continuei ouvindo Alyssa. - Eu descobri quem é o Criador. - O que?! - Eu o conheço, Crystal! - disse ela alarmada – Estou com medo dele vir atrás da minha família. - Ele não vai, vamos atrás dele primeiro. - afirmei olhando para Dominic de soslaio – Quem é? - Se chama Archer Jackson Wilvarn, mas o conhecíamos como Ian Topaz. - explicou ela – Ele trabalhou para o meu pai, meu Deus! Já estivemos sobre o mesmo teto que aquele monstro. - Mas como descobriu isso, Alyssa? - Estive revirando as coisas do meu pai, eu senti que estavam me escondendo algo nas últimas semanas. Então eu achei uma pasta cheia de fotos e evidências, estavam investigando assim como nós, mas já estavam de olho em Auborne. - Isso é péssimo, mas é ótimo. - disse – Consegue me mandar fotos desses documentos? - Claro, eu me antecipei e fotografei tudo. - Hoje é um dia difícil, mas resolvemos isso amanhã? - Está bem, Crystal. - respondeu ela – Mas me sentiria melhor se seu pai nos acolhesse na casa de vocês. Se meus pais sabem de Jackson, não vai demorar para que ele descubra e venha atrás de nós. - Não se preocupe, Alyssa. Você e sua família já cansaram de nos ajudar, é claro que me pai vai acolher vocês. Nos falamos depois. Desliguei o telefone rapidamente e Dominic me fitou cheio de interrogações. - O que já ouviu falar de Archer Jackson Wilvarn? - Nada? - ele franziu o cenho - Então temos um nome... - O Criador, Dominic. - expliquei a ele – Ele também tem um codinome, Ian Topaz. - Não conheço nenhum dos dois nomes. - Isso fica para amanhã, quero ver seu avô, ele vai querer saber. Ele assentiu e eu o segui até o quarto de James. - Vô? - chamou ele - Você tem visita. James abriu os olhos e me fitou ali na porta ao lado do neto. - Crystal! - ele fez um esforço para se sentar. Dominic foi ajudá-lo e eu fui fechar as cortinas. Quando voltei o olhar para os dois, Dominic já estava sentado na cadeira ao lado dele. - Pegue um desses sucos na mesa ao seu lado, por favor, minha jovem. Peguei um dos copos e entreguei a ele. - Aqui. - ele sorriu pra mim - É o que tem tomado? - Os médicos disseram que é bom para os ossos e garante que nada dentro de mim piore. - Como isso aconteceu exatamente, James? - indaguei – O que fizeram com você? - Já sou um homem velho, Crystal. - respondeu ele – Eles me pegaram desprevenido. - São uns cretinos estúpidos, se quer saber! - Não importa agora, tenho uma perna quebrada, um abdômen perfurado e hematomas pelo corpo todo. Sinto muito, mas não posso ajudá-los mais, se eu fizer qualquer movimento a mais pode não só me comprometer, mas a vocês também. - Sabemos quem é o Criador, James. - contei a ele – Minha amiga Alyssa deu uma revirada no escritório dos pais e descobriu bastante sobre ele pelo que parece, por enquanto o que ela me adiantou foi o nome, Archer Jackson Wilvarn, provavelmente filho de Ryan Wilvarn. - Eu estive cara a cara com esse homem, ontem à noite, Crystal. - disse ele – Ele apontou uma arma pra mim e me mandou ficar longe. Tenham cuidado. Pouco importa se ele é filho de Ryan ou não, ele é perigoso e vai vir atrás de vocês se preciso. - Eu sei o que ele quer. - puxei o colar de dentro da blusa para mostrar – Esse é o colar da família de Lindy. Peguei do pescoço de Vincent hoje pela manhã, Nate e eu pensamos um pouco, achamos que o Criador foi o responsável pelo transtorno do amigo de Dominic, ele não vai parar até ter isso e todos os Marcados. - Proteja isso, ele não pode pôr as mãos nessa joia. - alertou ele – Nem nos Marcados. Guardei o colar novamente dentro de minha blusa. - Dom, eu gostaria de conversar com a sua amiga sozinho. - O que... Vai contar segredos pra ela agora? - Dominic, não seja teimoso. Ele saiu praguejando. - Sente-se aqui, menina. Fiz o que ele pediu, pondo-me ao seu lado. - Sei que você quer falar do Criador e da sua amiga, do quanto quer recupera-la. - disse ele forçando um sorriso – Mas ouça o que tenho a lhe dizer. Assenti em silêncio. - Eu estou velho, Crystal, e um homem velho é sensível a coisas assim. - disse ele melancolicamente – Foi muita adrenalina pra mim, não sou mais um Perseguidor ativo. Tenho algo para te mostrar. Ele recolheu de trás do travesseiro, uma pasta hospitalar. - Esse é o meu estado no momento. Abri a pasta sentindo minhas mãos temerem, fechei os olhos momentaneamente tomando coragem, e então abri. Olhei para James um tanto assustada. - Muitos órgãos meus foram atingidos. - ele engoliu em seco – Minha chance de sobreviver é quase nula, eu não contei isso ao Dominic. Quero te pedir algo, Crystal. - Peça. - segurei sua mão transmitindo meu calor para ele. - Meu neto é um bom garoto, apesar do trabalho que tem, ele não é um monstro. Você viu a bondade nele, quero que cuide dele quando eu me for. - James... - Me deixe falar, Crystal. - implorou ele – Ele vai ficar devastado quando eu morrer, preciso que me diga que não vai desistir dele, você é a única que vai ajudá-lo a superar isso. Sei que se estiver do lado dele, vai fazer meu neto muito feliz, mesmo que não sinta nada por ele, não vou te obrigar a me dizer, mas por favor, ele precisa de você na vida dele. Você foi muito boa com ele e continua sendo, ele não pode perder coisas boas, ele já perdeu demais. - Eu vou cuidar do seu neto, é uma promessa. - Você é um anjo que entrou na vida dele. - disse ele admirado - Me deixa mais tranquilo saber que meu neto não ficará sozinho quando eu me for. Obrigado. Sorri para ele com tristeza no olhar, o pouco tempo que eu tinha tido com ele, fora o suficiente para me afeiçoar a ele, e agora ele estava morrendo. Devolvi a pasta a ele e me segurei para sair dali sem derramar uma lágrima sequer. Encontrei Dominic olhando para algo que eu não era capaz de ver, só percebi o que era quando me aproximei. Era uma senhora feliz por estar saindo dali bem, ela estava acompanhada da neta que devia ter entre 6/7 anos. O olhei enquanto ele não tirava os olhos da cena. - Você acha que meu avô vai demorar para sair daqui? – perguntou ele repentinamente. Eu não soube o que dizer de imediato. - Não. – disse baixinho – Ele vai sair logo. Tive que mentir para deixá-lo mais animado. - Ei, fique feliz por eles, seu avô vai se levantar da cama bem, assim como aquela mulher. - pressionei meu cotovelo em seu braço - Por que não vamos comer alguma coisa? - Não estou no clima... Me pus em sua frente. - Olha Dominic. – soltei o ar com pesar – Pense no seu avô, acha que ele ia querer que você ficasse aqui no hospital e deixasse de viver sua vida por ele? Ele quer que você viva! Não fique sozinho nesse hospital, isso vai te deixar deprimido. Vamos fazer do meu jeito hoje. Dominic suspirou e olhou por sobre seu ombro, para a mulher ainda lá com a família. - Tudo bem. – ele forçou um sorriso e eu sorri de volta. Eu me sentia mal por não ter contado a ele de minha conversa com James, mas se ele tinha falado apenas pra mim, comigo ficaria, por mais que eu soubesse que Dominic tinha direito de saber.
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Passamos o dia rodando com Dominic pela cidade, até no museu fomos. Tinha sido um dia bom e tinha o distraído um pouco. Ele nem tinha tocado no assunto e isso me deixara mais tranquila. Mas já era noite. - Crystal, obrigado por hoje, foi bem... Divertido? Ri, ele tinha mesmo gostado de passar o dia comigo? - Podemos sair mais assim, Dominic. - Está me chamando pra sair, Dama das Armas? - Você ainda se lembra desse apelido? – ri ao ouvir, eu na verdade gostava. - É o apelido mais bonito que eu já dei a alguém. Assenti mordendo meu lábio inferior. - Estou parecendo um babão falando assim, não sei onde está minha cabeça hoje, eu... - Não precisa fingir ser algo que você não é, seu avô disse que você é bom, muito bom, e eu acredito nisso, Dom, eu errei muito quando nos conhecemos. Você não é uma pessoa odiável. Ele sorriu e segurou minha mão, prendi a respiração e o olhar em nossas mãos unidas. Sua delicadeza me arrancou um sorriso de mim inevitável. - Eu... A... – abri um sorriso maior quando nossos olhares se encontraram – Tudo bem. - Crystal, tem outra coisa. – disse ele soltando nossas mãos – Eu... Eu não vou ficar hoje, achei melhor eu ir dar suporte a minha avó, ela vai precisar de companhia agora que... Bem, você sabe. - Claro. – assenti, mas eu queria que ele ficasse – Nós cuidaremos bem do Vincent, se o Nate e eu estivermos certos, essa noite ele terá uma noite tranquila. - Amanhã cedo vou estar aqui. – disse ele – Não vai nem sentir minha falta. - Leve o tempo que precisar, amanhã estaremos resolvendo tudo com o meu pai, espero que ele entenda que saber quem é o Criador é um grande passo. - Esqueça um pouco isso, Crystal, é importante mas você também é. Paralisei por alguns segundos até processar o que ele tinha dito. - Boa noite, Crystal. - Boa noite, Dom. Finalmente entrei, deixando ele do lado de fora. Assim que entrei na sala sei de cara com um flores, em um pequeno vaso retangular. Olhei com carinho para elas e fui até lá. - De onde é que vocês vieram? - São suas. - Minhas? - Sim. - Oh! – mexi nas pétalas. - Saiu com o Dominic hoje? - era Will. Assenti. - Ele teve uns problemas com o avô, quis distraí-lo um pouco. – remexi os ombros – Tudo bem por aqui? - Sim. – respondeu ele - Por que sinto que não está tão bem assim com você? - Tenho um assunto importante para conversar com vocês, re não tem nada a ver com o Dominic - O que houve? – indagou Will preocupado. - Alyssa me ligou hoje, ela descobriu quem é o Criador. - Ela descobriu o que?! - Eu sei é loucura. – expliquei – Mas é, ela sabe quem é, e ela conhecia o homem pelo codinome, Ian Topaz, ele trabalhou para os pais dela. - Eu me lembro dele, já o vi na casa dos Tunne. – disse ele assombrado – Precisamos falar com o nosso pai. - E agora! – alertei – Alyssa nos pediu acolhimento, ela está com medo do Criador ir atrás dela e da família, e nosso pai vai nos ajudar com isso. - Vamos! – chamei Will enquanto subia a escada depressa.
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Depois de uma reunião complicada, ficou decidido que Alyssa ficaria no meu quarto e os pais dela no último quarto livre. Eu tinha ligado para ela e avisado que viesse no dia seguinte, de preferência pela manhã. Chovia lá fora agora e eu mal conseguia fechar os olhos pensando em James e torcendo para que ele sobrevivesse àquilo, mas eu sabia que a chance era baixa, quase impossível. Resolvi descer para beber um copo d’água. A casa estava escura, mas a cada relâmpago, todo andar de baixo se iluminava. Abri a geladeira e enchi o copo e antes que eu pudesse levá-lo à boca, o som de uma batida ecoou pela sala. Franzi o cenho e deixei o copo sobre a bancada, me aproximei da porta parando com a mão na maçaneta, a batida veio novamente. Tirei a chave de dentro do casaco que eu usava e abri. Do outro lado, uma mulher alta, bonita e de cabelos longos negros escorridos pelos ombros se encontrava encharcada. - É a Mansão dos Argent? - Ah... Sim. – franzi o venho procurando por sinais de reconhecimento, mas nunca tinha a visto na vida – Sou Crystal Argent. - Tenho procurado por vocês. – disse ela batendo os dentes – Posso ajudar vocês. - Nos ajudar? - Sim, ajudar a salvar sua amiga. – revelou a mulher – É um prazer conhecer uma Armadir, sou Trina Fell. Sou a mãe da Lindy.
Auborne
Stranger - Skrillex ft. Killagrahm From Milo & Otis & Sam Dew
Aqui no escuro eu posso ver onde você está Eu vejo tão claramente A batida do meu coração para e começa Sempre que você está perto de mim Eu só tenho que agradecer a você, todo o amor que eu te dei Veio e você levou tudo embora E não, não há dor, há tudo a ganhar aqui Agora que eu estou perdido eu acho que vou ficar
Crystal
O avô de Dominic tinha vindo nos buscar. Os dois tinham conversado a viagem inteira, eu falei pouco. Assim que o carro parou nos vimos diante de uma casinha simples de tijolos de apenas um andar, só era mais velha do que esperava. Antes que Dominic ou James abrissem a porta pra mim, eu saí. Logo Dominic estava ao meu lado e James bem atrás de nós. Por mais que eu estivesse irritadíssima com meu pai por ele ter ido visitar minha mãe e não me levar, eu não parava de pensar no flash que eu tinha tido da Lindy. Agora finalmente estava diante das minhas respostas. - Tenham calma, por favor, não é muito fácil lidar com ela. Olhamos para entrada e lá estava de pé uma senhora morena de pele clara e olhos escuros nos encarando de braços cruzados. Quase conseguia enxergar uma Lindy de meia idade nela. Quase. - São eles, James? - ela o fitou. - Sim, Sara. - ele nos empurrou pra frente - Meu neto, Dominic e a amiga, Crystal. Fiz um sinal com a cabeça acenando, ela não parecia muito simpática. - Acredito que queiram entrar. - ela abriu a porta atrás de si sem se virar - Vamos. Dentro da casa era bem bonito. As cortinas cobriam a claridade do dia e a sala era tomada pela cor laranja aconchegante da lareira que estalava do outro lado do cômodo. - É uma bela casa! - murmurou Dominic batendo o cotovelo no meu braço para que eu prestasse atenção. - Sim. - respondi no mesmo tom - Por dentro. Viu o estrago do lado de fora? - Crystal! - advertiu ele sorrindo ironicamente. Me sentei em uma poltrona; James e Dominic no sofá lado a lado e Sara bem na nossa frente em uma cadeira almofoada, o jeito que ela se sentava - com as pernas cruzadas e coluna reta - era majestosamente assustador. - Obrigado por nos receber, Sara. - Preciso daquele maldito morto pra ter esse resto de vida segura. - ela me olhou com seus olhos famintos por questões - Então ouviu sobre os Wilvarn? James foi quem respondeu. - Na verdade fui eu quem levantei a questão dos Wilvarn. - disse ele - Lendo o livro do seu ex-marido. Ela revirou os olhos em descaso. - Leu o livro do Corvier? - Li. - respondeu ele - Muita coisa me chamou atenção, inclusive o envolvimento do Ryan. - Nunca foi sua culpa o Ryan ter tido a vida que teve. - Ryan merecia coisa melhor. - tensionou James - Eu podia tê-lo ajudado. - Não é hora disso, James. - respondeu ela se irritando - Não foi pra isso que vieram aqui. - Você está certa. - reconheceu ele contornando a situação - Conviveu muito tempo com os Wilvarn, conheceu a casa dos pais de Ryan, não conheceu? - Conheci mesmo. - ela suspirou - E que mansão era! Hoje em dia continua enorme mas um lixo e abandonado. - Achamos que o Criador está na casa deles agora. - explicou James - Nunca pisei naquele lugar mas você sabe onde fica. - Querem ir até lá? - Queremos. - eu quem falei estava farta de ouvir coisas que não faziam sentido - Sua neta, ela é nossa amiga e precisa de nós. Não houve fala imediata, ela parecia estar raciocinando sobre o que falaria. - Quanto tempo faz desde que a menina foi levada? - aquilo foi realmente pra mim. - Cinco dias. - respondi. - Ela está morta. - encerrou ela - A mansão dos Wilvarn ficou muito tempo desativada, muitos dizem que foi maldição mas não, não foi isso. Foi magia. Aquele lugar é gelado, muito frio. Sua amiga está morta, lamento. - Não. - me levantei irritada - Você não lamenta. Não queria mais olhar para àquela mulher, saí dali batendo a porta. - Crystal! - ouvi Dominic gritar durante a minha saída. E logo lá estava ele, na varanda comigo - Eu disse que não seria fácil. - A Lindy não está morta, Dominic. - o encarei - Viu o que aconteceu hoje. Eu a vi, tem como explicar isso? - Eu acredito em você. - falou ele sem devaneios nem meio termos - Ela vai nos falar onde é e nós vamos buscá-la não importa o inferno que tenhamos que enfrentar. Mas agora temos que ir lá pra dentro, engolir aquela grosseria tosca e ouvir o que ela tem a nos dizer. Passei a mão pelo rosto respirando fundo e assenti. Entramos novamente e nem James nem Sara tinham se movido desde nossa saída. - Queriam o lugar, não queriam? James estendeu um papel dobrado pra mim antes que eu me sentasse, o peguei e li os escritos em uma letra redonda, parecida com a da Lindy:
"Street Vielows, Aubourne, 223, rota 902."
Levantei o olhar e os fitei. - Não sei se é lá que estão. - ela enfim me olhou - Mas será um milagre se sua amiga estiver viva. - Obrigada. Ela apenas desviou o olhar. - Vou olhar o café. - disse ela direcionada a James - Forte e sem açúcar? - Nunca esquece. - Ora, James! - e com isso se retirou. - Por que não se sentam? - pediu James. Me sentei primeiro na poltrona de antes, Dominic logo depois junto com o avô. - Como conseguiu que ela te desse o endereço? - perguntou Dominic sacudindo o braço de James. - Primeiro dei minha palavra a uma mocinha loira que o faria. - ele piscou pra mim - Depois joguei meu charme e falei dos velhos tempos. - ele suspirou - Sempre funciona. - James Asvarv está perigosíssimo! - brincou Dominic - Ainda arrasando corações. Ele cobriu o rosto rindo enquanto o neto o zoava; eu ri baixinho no meu canto, eles nem sequer pareceram notar.
Lindy
Vou fazer com que Vincent Martin sinta a maior dor do mundo, vou fazer seu Marcado perder a cabeça, seu amigo aleijado e a loirinha vão perder tudo que amam. Vou arrancar toda a felicidade deles. Vou acabar com os seus pais falsos. Melhor se preparar, vai conhecer seu Maquinista hoje. Vai saber que todos os que ama vão sofrer horrores e não poderá fazer nada. Todas essas palavras estavam queimando meu cérebro. Sentia fome e me arrependia imensamente de ter assassinado uma mulher. Não conseguia entender o que tinha de tão ruim em ter uma marca no pulso. Por que uma marca te tornava um ser humano tão podre e sem valor? Era irritante! - Patinha! - cantarolou Jackson, isso era mais irritante ainda. Me virei, estava ajoelhada no chão exausta. - De pé. Revirei os olhos. - Agora! - ele foi firme - Fique de pé. Me levantei rapidamente. - Seu convidado já chegou. - ele sorriu. Permaneci quieta. - Não está me respondendo mais? - ele começou a rodar em minha volta - Menina esperta! - senti uma cotovelada no meio das minhas costas, aquilo me fez soltar um grito e arfar caindo de joelhos - Vamos ao show principal. Ajeitei os ombros, ainda no chão, e o encarei. - Entre, minha querida! Ouvi o som dos saltos batendo no chão e quem surgiu na porta fez com que minha mente fervesse e uma raiva enorme surgisse no meu peito. - Acho que já se conhecem, não é? - ele divertiu-se. - Drta. Rosamund?! - Olá, meu bem! - ela sorriu - Pode me chamar de Care. - Disseram que você estava morta. - Para eles eu estou. - ela assentiu inclinando a cabeça para o lado - Você não sabe como é um prazer finalmente ser apresentada, como eu mesma, para uma marcada tão especial quanto você. Desviei o olhar para Jackson. - Quantas pessoas mais vai colocar contra mim? - Não estou colocando ninguém contra você. - ele balançou a cabeça - Meus aliados estão aqui por que querem, por que sabem quem vai ganhar no final. Acostume-se. - Acostume-se você. - Care e Denyel já foram. - zombou ele - Quem mais será que vai te trair até descobrir que não pode confiar em ninguém? Faça suas apostas. - Não pertube a menina. - disse Rosamund casualmente - Já estamos preparados, Jackson. - Ótimo. - ele sorriu radiante - Pode ir, Care. Ela retirou-se com uma última olhada em mim. - Preparados pra quê? - Vamos rastrear seu namoradinho. Engoli em seco. - E onde quer que ele esteja. - completou ele - Nós vamos achá-lo.
Crystal
- Estamos bem, pai. - falei pelo que parecia a milésima vez - James vai nos levar pra casa. - Está bem. - respondeu ele do outro lado da linha - Estaremos esperando. - Vou desligar, pai. - desliguei e percebi Dominic caminhando em minha direção com uma xícara de café. - Algum problema? - perguntou ele. - Meu pai acha que eu vou fugir de casa. - aceitei a xícara - As coisas não são as mesmas desde que minha mãe foi internada. - Ele é apenas um pai protetor tentando cuidar dos filhos. - disse ele - Você é muito dura com ele às vezes, por mais que ele seja um mala pra você ele ainda é seu pai. Ele se importa com você. - Eu sei que tudo que ele fez foi pra ajudar a minha mãe, foi ela quem quis. - disse respirando fundo - Mas mesmo assim eu não consigo aceitar totalmente, ela é a minha mãe, eu sinto falta dela. - Sim, eu te entendo. - disse ele se recostando na pilastra ao seu lado - Eu sinto falta da minha casa também. Meus pais nunca foram tão harmoniosos ou apaixonados quanto os seus são, mas eu queria encontrá-los. - ele fez uma longa pausa - Mas não acho que nos veremos tão cedo. - Você vai encontrá-los. - respondi - Você e Vincent são muito bons juntos, agora precisamos de tempo para planejar nossa invasão. Não podemos simplesmente deixar tudo e correr para Aubourne. Precisamos de pessoas aptas a nos ajudarem, pessoas de confiança. - Não acho que temos muitas opções. - Você está certo. Precisamos comunicar pessoas maiores, e nos livrar dos olhos e ouvidos dos cães de caça que estão na minha casa. Eu mal posso piscar sem pensar que Vale pode estar me espionando. Ou o tio Rob. - deixei a xícara que eu mal havia bebido sobre a mesinha na varanda - O Troye sumiu e eu... Me interrompi e voltei o olhar para Dominic. - Estamos sozinhos. Eu esperava que ele desse uma luz para a escuridão instalada em meu coração. - Não estamos. - disse ele enfim me encarando de volta - Ainda podemos conseguir ajuda, Crystal. Meu avô conseguiu fazer Sara abrir a boca, pode nos conseguir aliados também. Ela quer o Criador morto tanto quanto nós. James surgiu na porta como um fantasma. - Temos que ir. - interveio ele quebrando nossa conversa - Está ficando tarde. Assentimos. - Acham que nosso papo com Sara já está finalizado? Dominic e eu trocamos um olhar inquieto e ele se pronunciou: - Na verdade, temos um último pedido a ela.
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Eu e Dominic entramos nos deparando com Vale, Robert e meu pai na sala de entrada conversando sobre algo que foi interrompido com nossa chegada. Todos nos fitaram,fiquei envergonhada com tantos olhos em nós. - Crystal, Dominic. - ele sorriu - Demoraram a chegar. - O James nos trouxe, assim como eu disse, pai. - respondi puxando Dominic comigo pelo pulso - Nos falamos depois. - Não vai se despedir, Crystal? - indagou Vale - Estamos indo embora. - Mas já? - os encarei - Chegaram ontem. - Ficaríamos mais. - explicou ela com arrogância - Mas parece que Troye entrou em contato e eu quero ver meu filho. - Claro. - compreendi com o cenho franzido - Ele está bem, então? - Não foi o que eu disse. - Espero que ele volte para casa. - Obrigada, Crystal! - seu sorriso foi quase convincente - Meu menino estará em casa logo. Não me prolonguei pois eu sabia que estava mentindo pra ela, e ela para si mesma, ambas sabíamos que ele nunca voltaria completamente. Najos estavam presos para sempre. Com um último aperto de mão, ela saiu acompanhada do meu tio. - Será que posso saber como foi a conversa com Sara Fell? Retirei do bolso o papel com o endereço. - Se prepare para o que temos pra contar. Iamos começar a falar quando vieram os gritos de Nate do andar de cima. - Finick! - sua voz era de assombro - Finick, rápido! Assim que alcançamos a base da escada, nos deparamos com Nate segurando Vincent que se encontrava no meio de uma convulsão. - Vincent! - Dominic correu até o amigo, ajudando Nate a colocá-lo no chão. Vincent não parava de tremer mesmo com Dominic forçando seus ombros contra o chão. Eu e meu pai nos unimos à cena caótica, eu ajudava Dominic a acalmá-lo, mas o outro sofria ainda com os tremores. A pele de seu ombro descoberto escorregava contra a minha mão, os cabelos dele se grudavam em sua têmpora e seus dentes batiam desesperadamente. Olhei desesperada para meu pai que tentava sentir a pulsação dele, mas não conseguia. Ele estava pegando fogo. Will devia estar dormindo, ele não estava ali. - Ele está muito quente! - gritei tocando seu rosto e tentando segurar sua cabeça para olhar em seus olhos que pareciam saltados para fora contrastados pelas veias vermelhas como fogo - Precisamos resfriar o corpo, agora! Nate desceu as escadas correndo. Enquanto segurava o mais firme que conseguia para ele não rolar escada abaixo, olhei para Dominic o meu lado, desesperado. Mesmo nervosa com a situação, me aproximei dele. Tocando sua mão com a minha. - Ele vai ficar bem. - apertei seus dedos carregados com minha tensão. Olhei para meu pai ao meu lado, tão nervoso quanto. Nate não demorou para voltar com um balde de gelo e várias toalhas. - Segurem ele firme. - pedi dando meu lugar a nate e cobrindo todo o corpo de Vincent com as toalhas, sentindo o gelo contra sua pele, ele começou a gritar como um louco. - Vamos, Vincent! Dobrei uma última sobre sua testa e soprei seu rosto. - Vamos! - gritei apertando a toalha em seu dorso - Vamos, Vincent! Seu corpo ainda tremia. Grunhi em desespero e, já com lágrimas, tentei segurar sua cabeça usando toda minha força, Nate me ajudou. Ficamos mais cinco minutos assim até o corpo começar a se acalmar. Soltei o ar que eu estava prendendo e sorri aliviada. - Graças a Deus! - abaixei a cabeça acalmando a mim mesma. Tirei a toalha de seu rosto e joguei meu cabelo para trás, me apoiei no corrimão e fechei os olhos tomando meu fôlego. Meu próprio rosto estava molhado agora. - Vince! - Dominic puxou o amigo o abraçando, a respiração dele ainda era acelerada, mas foi se acalmando enquanto ele chorava um choro tão doído de se ouvir - Você está bem agora. Você está bem agora. Dominic me olhou sobre o ombro do amigo. Seus lábios se moveram em um “obrigado” silencioso, jamais vira ele sorrindo assim e me sentia feliz por tê-lo alegrado. Respondi um “de nada” da mesma forma e forçando um sorriso. Eu tinha salvado a vida dele, e salvar a vida de alguém fora a melhor coisa que eu tinha feito na semana.
Lindy
Sentada no meio daquela sala escura e fria, eu sentia falta da luz vermelha do teto. Era tudo que eu desejava agora. Fechei meus olhos e me concentrei como eu tinha feito noite passada. Eu tinha conseguido ouvir, estava torcendo para conseguir ouvir de novo. Um som surdo irrompeu o ar e relaxei meus ossos, toda tensão deixada de lado. Senti meu inconsciente tomar conta de mim e então, as vozes. - Deu certo. - era Care - Fiz o que me pediu. - Mas a garota conseguiu nos parar, maldita Armadir! - era a voz de Jackson. - Mas amanhã vamos colocar nosso plano em ação, aquele colar chega em minhas mãos amanhã. - E como vai fazer isso, Jackson? - era Denyel. - Você é o Maquinista de Nataniel Foxin, vai me ajudar a guiá-lo até aqui, ele vai me trazer o colar. - Feito então. - ele riu - Vai ser divertido. - Precisamos tomar mais cuidado com o amigo e os irmãos. - disse ele - Driblamos eles, passamos pela porta e pronto. - Está certo. - era a voz da noite anterior, um homem, mas não reconhecia - Só tem um problema nisso. James. - Galego? - ele franziu o cenho - Achei que tínhamos dado um jeito no velho. - Não, ele sabe. - confirmou o homem - E abriu a boca, há três noites perseguimos ele a caminho do Lat’ Damage. Conferimos de perto a loira e o neto dele, estavam adormecidos, não nos viram. Mas algo me diz que já sabem onde estamos. - Podemos lidar com adolescentes. - Mas podemos lidar com um exército, Jackson? - Nós somos um exército, imbecil, eles não podem criar mais do que uma liga em tão pouco tempo. - se gabou Jackson - Deixe que venham, vão poupar meu trabalho de retaliar. Vamos deixar nossas portas abertas para eles. - E o James? - insistiu Care - O que fazemos com ele? - Eu cuido do James. - disse Jackson incisivo - A prioridade aqui é o meu colar. Ninguém respondeu, provavelmente tinham concordado com a loucura dele. - Care, faça com que o garoto tenha uma noite infernal. - ordenou Jackson - Arda em febre, tenha enjoos alucinações... Faça-o sofrer como puder. - Como quiser. - ela consentiu. - Vou me deitar, estão dispensados. Mesmo com a saída dele, continuei ouvindo a conversa dos três Maquinistas presentes. - Alguém vai dizer por que não disse nada sobre a debandada? - Você ouviu ele, Care, o colar é a única coisa que importa. - se pronunciou o homem desconhecido. - Um dos nossos está preso agora e só Deus sabe se algum dia sairá daquele lugar. - disse ela - Velho burro! - Ele estava no grupo da debandada? - perguntou Denyel. - Sim, ele estava. - respondeu Care - Vão partir dentro de duas noites, vou com eles. - Olha, Srta. Rosamund, sou o mais novo aqui. - Deny fez uma pausa - Mas isso é um péssimo plano. Não vou virar as costas para o Archer, está bem. - Não diga o primeiro nome dele! - advertiu o outro. - Vamos lá, vocês dois são espertos, vão mesmo ficar nas mãos deste “garoto” pelo resto de suas vidas? - Carey você tem seu direito, mas também não posso deixá-lo. - disse o outro - A menina completa a marca ano que vem e não terminei meu trabalho, Jackson me caçaria pelo resto da vida. Seu trabalho com a Fell está completo, mas o meu não. - Vocês são dois covardes babões, mas tudo bem, é melhor. - disse ela - Caso mudem de ideia, nos encontraremos amanhã a noite depois da recolhida de Jackson, atrás da fortaleza. Agora vou para meus aposentos, vou dar a noite febril do garoto. Depois disso, silêncio total. Meus sentidos voltaram depressa me deixando sem ar momentaneamente. Eu não sabia como era capaz de fazer aquilo, mas eu conseguia, e como Jackson não tinha como saber, seria meu segredinho nos próximos dias. Parece que finalmente, eu estava um passo à frente dele.
Pensamentos sujos
Drugs - Eden
Eu acho que estou mentindo, porque eu quero Eu acho que estou mentindo, porque eu não quero Porque eu me sinto tão cansado Assim como eu preciso de algo pra me trazer a vida
Tinha acabado de sair do banho quando meu celular tocou. A ligação caiu quando fui atender, era Greg. Como ele ousava me ligar depois da vergonha que me fizera passar? Ignorei o acontecimento e deixando o celular na mesinha fui pra cama. E lá fiquei jogada até o celular tocar de novo. Me levantei irritadiça e atendi: - O que é que você quer?! - disparei - Pare de me ligar! - Você tem quem me ajudar! - sua voz estava estranha - Tem que vir até a Broonks Portland School! - O que está fazendo na Broonks, Gregory? - Não interessa, Crystal! - gritou ele - Só vem pra cá logo e pelo amor de Deus, venha sozinha. - Greg! - respondi de volta extremamente nervosa - Me diga o que diabos está acontecendo! - Não demora! - e desligou. Coloquei o celular no bolso e tranquei a porta saindo pela janela. Fugir não era muito meu forte mas já estava virando rotina. Era frustrante saber que eu estava fugindo para encontrar meu ex-namorado - eu mesma queria me socar por aquilo. Devia ter ficado em casa, não ter saído e testado minha sorte. Tinha um velasque atrás de mim!
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A escola estava deserta. Não esperava menos, era sábado a noite. - Greg! - chamei olhando em volta - Greg! Nada. Ouvi uma porta batendo e segui o som. Por fim, parei diante da cantina. - Greg? - chamei baixinho. As luzes imediatamente se acenderam com a minha entrada e lá estavam Greg, Josh e Claude sentados em cima de uma das mesas do local. Franzi os olhos e fitei Greg irritada. - Mas que merda é essa, Greg? - fui firme - Se era pra ser engraçado, você falhou, não foi. - Ainda assim você veio. - Achei que estava em perigo! - Perigo? - ele riu, os outros o acompanharam - Eu não ligaria para uma garota se eu estivesse em perigo. Josh e Claude zombaram. - O que estou fazendo realmente aqui? - Te chamei para nos divertirmos. - respondeu ele - Achei que ia gostar. - Só pode estar brincando! Saí pela porta em que entrei pronta para ir embora e nunca mais olhar na cara de qualquer um deles, mas dei de cara com Ivan. Levei um tempo para me preparar para falar alguma coisa mas mal tive chance, pois ele me empurrou contra a porta e quando vi já estava dentro na sala de novo encarando Ivan que segurava a porta agora. - Não, não. - ele sorriu - Ainda não está na hora de ir. Já estava ficando estressada e não consegui segurar minha mão, soquei seu rosto com tudo. Sentia minha pele latejar agora, mas esse soco já estava guardado pra Ivan há um bom tempo e me deixou satisfeita ver a dor no rosto dele. Mas não foi suficiente, ele permaneceu parado entre eu e a porta. - Vadia! - ele praguejou entre dentes. Me virei para Greg e seu bando novamente. - Eis o que vai fazer: - começou ele saltando da mesa - Vai ligar para seu novo namoradinho e dizer que vai passar a noite fora na casa de uma amiga. Sem mais explicações. Se disser onde está não vai gostar do que vai acontecer. - E por que eu faria isso? - perguntei enojada. - Porque realmente não vai gostar do que vai acontecer se não fizer. - Está me ameaçando? - Faça a ligação. - Não! - soou como um grito de guerra. - Josh deixe-a escutar um pouco. Josh se levantou e um objeto preto apareceu em sua mão. Com um movimento de dedos ele acionou os alto-falantes, eles chiaram sobre nossas cabeças e vieram seguidos de conversas minhas com diversas pessoas, muitas citando o Criador, os Marcados, Armadires e o fato de eu ser uma, entre outras coisas. - Instalou escutas na minha casa?! - minha vontade foi voar em seu pescoço e estrangulá-lo - Não só na minha casa. Andou me seguindo... Por quê?! Ele fez um sinal com a cabeça e Josh interrompeu a gravação. - Estava estranha. - contou ele - Escondendo coisas de mim. Me preocupei com você, Crystal. Só não achei que as coisas fossem tão sinistras assim. As coisas que disse... São perturbadoras. Não quer que as pessoas ouçam isso, quer? Engoli em seco. - Achei que não. - Por que está fazendo isso? - o encarei ressentida - Por que está brincando comigo? O que eu fiz pra você, Greg? - Me traiu, me fez te odiar. - Não te traí! - falei engasgada. - Não? - ele riu - O que andou fazendo com o seu priminho querido? - Nada! - E o tal Dominic? - prosseguiu ele me ignorando - Sozinhos em um ferro velho deserto altas horas da noite? Sério? - Por que se preocupa tanto?! - cuspi as palavras nele tomada pela raiva - Foi você quem me abandonou na festa da casa do lago da minha família, Greg. Eu te amei e você nem ligou! - Não preciso de amor. - respondeu ele - Só os fracos amam. - Estranho, não era o que o Greg por quem me apaixonei dizia. - rebati - Ele costumava ser mais humano do que é agora. - O que sabe dos humanos, menina burra? - falou ele - Você é uma aberração. Me calei por fim, aquilo tinha cortado fundo. - Agora, faça a ligação. Não podia deixar meus segredos e o de todas as pessoas que importavam pra mim serem expostos daquela forma. Tive que fazer. Dominic atendeu no segundo toque. - Dominic? - Crystal? - sua voz estava cômica - Está tudo bem? Por que, você sabe, estamos separados por apenas algumas paredes de concreto. - Na verdade, não estamos. - disse fechando os olhos - Eu estou na casa da Alyssa. - Como é? - Só avise meus pais que vou passar a noite fora, pode fazer isso? - Saiu escondida e a pé a esta hora? - indagou ele com certa preocupação - Há um Velasque atrás de você, está doida? - Ainda não. - Está mesmo bem? - insistiu ele dificultando minha situação. - Eu estou. - afirmei - Só faça o que eu pedi. Volto de manhã. E terminei a ligação. - Muito bem, Argent! - Greg pegou o celular da minha mão, o silenciou e o guardou no bolso. - O que quer primeiro? - Tire este casaco, não precisa dele aqui dentro. O fiz em silêncio, logo depois Claude estava do meu lado com um copo do tamanho do seu polegar cheio. - O que é isso? - apontei para o copo que me fora oferecido. - Vodka. - Greg deu de ombros - Beba! - Já está bêbado, claro, agora faz sentido. - reparei - Explica o porquê de estar mais babaca que o normal. - Beba. - disse ele lentamente. Tirei o copo da mão de Claude e virei todo de uma vez, logo o copo estava cheio de novo. - Quer me embebedar. - estava reprovada a ideia pra mim. - Talvez eu prefira você bêbada. - debochou ele - Não fala tanto quando está entupida de álcool. - Isso é ridículo! - protestei - Eu não pretendo ficar bêbada esta noite. - Na verdade vai fazer o que eu quiser ou a segunda-feira dos alunos da Broonks será bem informativa. Com todo desgosto do mundo bebi mais um copo de uma vez e todo. - Foi o que eu pensei.
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Minha cabeça doía muito e meus olhos não viam direito. Me lembrava de Ivan tentando me beijar e eu desviando tentando resistir à submissão do álcool, a mão de Claude estava apoiada na minha coxa - a empurrei para fora de lá - prossegui com o jogo tosco que eles tinham me obrigado a jogar no qual tínhamos que adivinhar o que éramos. Era minha vez pelo que parecia a quinta vez ou por aí. - Ok. - revirei os olhos e apoiei o queixo na minha mão - Eu sou comestível? - Você é! - assentiu Josh loucamente. - Estou falando da placa na minha testa. - respondi olhando pra ele - Eu sou muito gostosa pra você, Josh. Ele murchou rapidamente e Ivan falou: - Essa coisa não é comestível. - ele apontou para a minha testa - É uma coisa pegajosa. - Pegajosa? - Greg segurou o rosto dele e sacudiu - É um nojo! - Ei, vocês! - estalei os dedos esperando por atenção - Prestem atenção em mim, depois vocês se pegam, por favor. Os dois me olharam imediatamente. - Sou um objeto? - É? - Josh olhou pra Claude. - É claro que não! - ele balançou a cabeça - Seria uma espécie de planta? - Planta? - pescou Ivan - Não é uma planta, seu besta, é um objeto. - Um objeto pegajoso. - concluiu Greg - Vocês são nojentos! - Onde eu normalmente sou encontrado? - Em lugares pegajosos. - concluiu Josh. - Sejam mais específicos, seus trouxas! - falei balançando a cabeça e a apoiando na mão mais uma vez. - Tenho cor definida? - perguntei quase fechando os olhos. - Não. - Claude balançou a cabeça - Você tem diversas cores. - Vocês são horríveis nesse jogo! - reclamei - Da próxima jogaremos sóbrios, ouviram? - Não jogaremos juntos outra vez. - disse Greg meio arrastado. - Por que não? - choramingou Josh agarrando o braço de Greg. - Eu não sei. - respondeu ele - Alguma coisa me diz que nós só jogaremos essa noite. Nunca mais. - Vamos todos morrer hoje a noite? - indagou Claude deitando na mesa. - Talvez. - respondeu Greg. - Olá! - chamei a atenção deles mais uma vez - Eu ainda não sei o que eu sou. - Você é uma gelatina! - gritou Greg contorcendo o rosto. - Gelatina é comestível, seus tontos, não é um objeto! - arranquei a placa da minha testa - Santo Deus! - Acabou o joguinho. - Greg esticou os braços recolhendo tudo - Vamos sair daqui. - Pra onde vamos? - quis saber Josh - Diga que iremos no McDonalds, por favor, diga que estamos indo pra lá! - Não Joshua! - respondeu Greg decididamente - Não vamos no McDonalds, ok? - Pra onde vamos então? - perguntei levantando a cabeça. - Olhem só pra vocês. - falou ele diante de nós com a caixa do jogo embaixo do braço - Precisamos animar um pouco. - Vai nos levar pra onde, cara? - ressaltou Claude confuso. - Vamos ao Casa Plata, meus filhos! - Onde? - o nome não me parecia conhecido. - Casa Plata? - Ivan cruzou os braços - Vão mesmo colocar a garota lá dentro? Ela não aguenta! - Quem liga? - Greg franziu o cenho. - O que é essa Casa Plata? - Uma boate estriper, gata. - explicou Claude. - Podem me deixar no McDonalds? - pediu Josh. - Não Joshua! - gritou Greg - Nós não vamos nesta maldita lanchonete, vamos todos para a Casa Plata. - Não. - disse ele - Todos não. - O que isso quer dizer? - Quer dizer que eu vou pra casa. - respondeu Josh pegando o chapéu do chão e pondo na cabeça - Boa noitada pra vocês, mas pra mim já deu. Vou passar no McDonalds no caminho pra casa. - Que covarde! - falou Greg passando o braço pelo meu pescoço. - Por que ele não vai com a gente? - perguntei levemente magoada. - Porque ele é virgem. - respondeu Claude - Eu amo aquele cara, mas ele é careta. - Acabou de dizer que ama o Josh? - perguntou Ivan o fitando - Você está muito chapado mesmo. - O que eu disse? - Claude se questionou para não chegar a nada no final. - Calem a boca e vamos embora. Fomos até o carro e entramos. Claude e Ivan foram atrás; Greg ficou com o volante e eu fui ao seu lado, joguei meu cabelo pra trás e prendi o cinto. - Não tão ruim para engatar o cinto? - retrucou ele. - Não tão ruim pra dirigir? - devolvi. - Eis a questão! - sua mão agarrou o tecido da minha roupa e me puxou para perto me beijando. Depois me largou e acelerou sem nenhuma palavra. Não houve qualquer som vindo de Ivan ou Claude durante o ato de Greg. Balancei a cabeça afastando a sensação dos lábios dele nos meus, de alguma forma aquilo não era certo. Greg estava tão bêbado que mal conseguia manter a cabeça levantada. Eu olhei para frente sorrindo e esperando o carro ganhar velocidade. Não correndo, mas eu estava tão animada com a sensação que liguei o rádio. Quase tudo indo bem. Greg pisou no acelerador e o carro disparou, velocidade alta. Percebi um movimento na beira da pista e então ele surgiu, um Velasque gigante na pista a poucos metros de nós. O carro começou a deslizar demasiadamente, olhei para o lado tirando os olhos do animal. Greg havia apagado. Agarrei o volante e desviei do poste, eu estava acesa como uma chama agora tentando evitar uma batida grave. O carro deve ter rodado na pista umas quatro vezes, eu podia ouvir os gritos de Claude e Ivan. Até que bateu em uma cerca e parou. Me virei para olhar pela janela de Greg para me certificar de que o Velasque não tinha nos seguido, mas ele não estava mais lá. Sacudi o ombro de Greg tentando acorda-lo, mas ele não se mexeu. - Ei, Greg! - desengatei o cinto e bati com força em seu ombro - Greg! Ivan e Claude abriram as portas prontos para sair. - Chamem ajuda! - pedi colocando mechas do meu cabelo pra trás da orelha - Vão! - Greg acorde! - me aproximei mais e segurei seus ombros o sacudindo - Greg, vamos! Ele enfim abriu os olhos e respondeu com pesar: - O que aconteceu? - Você dormiu e nós batemos. - balancei a cabeça - Não sei se isso era pra ser bom mas estamos bem. - Você nos salvou? Abri a boca para responder, mas fui interrompida pela a luz de faróis que cegaram minha visão. Me deixou mais aturdida ainda quando vi quem eram. Greg abriu a porta e saiu primeiro, minhas pernas doíam portanto me mantive dentro. Quando a porta se abriu, lá estava Dominic. - Como... - No que estava pensando? - Do que... - Está fedendo a álcool! - ele me puxou para perto e me encarou olho no olho - Por que mentiu pra mim? - Como soube onde me achar? - apoiei minhas mãos em seus braços. - Não importa agora. - respondeu ele - Vamos pra casa. Com isso, ele me levantou do banco. Mantive meus olhos cerrados e a respiração controlada enquanto Dominic me levava em seus braços para o carro de Nate, onde meu pai nos esperava. Era estranho saber que eles estavam trabalhando juntos, mais estranho ainda era eles terem me achado. Não sabia bem que rumo aquilo tomaria, mas Dominic tinha razão, eu tinha perdido a cabeça.
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Não me lembrava de muita coisa. Minha cabeça não estava bem, parecia ter levado uma pancada com um dos tacos de treino. Meus olhos doíam por conta da claridade que entrava pela janela do meu quarto. Lembrava-me de Greg me ligando e minha fuga pela janela; Ivan, Claude, Josh e Greg me cercando; a ligação que tinha feito para Dominic; beber, beber e beber; o carro de Greg batendo; Dominic aparecendo e me tirando do banco... E só. Ainda estava com a roupa da noite passada e precisava urgentemente de um banho porque o fedor de álcool já estava irritando meu nariz. Demorei mais de 10 minutos em baixo d'água, somente um banho de perfume permitiu um odor agradável. Respirei fundo e me preparei para um dia incrivelmente difícil na companhia de meus tios queridos, um pai furioso, um irmão recitando lições de moral, e Dominic e Nate, bem, certamente teria vários olhares de reprovação deles. O único que eu não sabia o que esperar era Vincent, não conseguia pensar muito nele porque pensar nele me fazia pensar na Lindy também. Não topei com ninguém nos corredores, a cozinha estava vazia assim como as salas de recepção e estar, e a sala de armas. Me restou a biblioteca, esta por sua vez não estava vazia. Dominic estava debruçado em um livro enorme lendo atentamente. - Oi. - cumprimentei-o caminhando em sua direção - Bom dia? - Vai direto ao ponto, por favor. - O que aconteceu ontem? - perguntei fechando os olhos. - Eu ia te fazer a mesma pergunta, mas pelo visto nem se lembra. - ele franziu os olhos - Vou te contar o que eu sei da noite passada. Me sentei no banco em sua frente e esperei pelas suas palavras. - Fugiu de casa para se encontrar com seu ex-namorado, eu nem quero saber o porquê, e resolveu me telefonar mentindo dizendo que estava na Alyssa... Sorte que o seu irmão tinha o número dela, ligamos, e adivinha? Você não estava lá. Tive que rodar quase a cidade inteira com o seu pai para encontrá-la em uma rodovia com o carro estrepado em uma cerca e você bêbada no assento do carona enquanto seu ex vomitava no gramado sem nem ligar pra como você estava, Crystal, foi a coisa mais irresponsável que já fez. - Não, não foi. - disse levianamente - Mas está certo eu agi mal. Ele me ligou ontem a noite pedindo ajuda, eu devia ter recusado mas... - Ainda gosta dele. - Não! - disparei - Ele parecia assustado e eu me preocupei. Qualquer um que me ligasse dizendo que precisava de ajuda parecendo urgente me faria fazer o que eu fiz. - Sabe que o cara é um babaca que não se importa e ainda assim você se importa! - ele me fitou - Entendeu agora? Me interrompi por um segundo. Ele estava certo. - Ele me enganou, eu já sei. - falei baixinho, meu orgulho estava sendo ferido na frente de Dominic, era isso mesmo? - Greg é sozinho, está bem? Ele vive com aqueles três tremendos idiotas, mas nenhum deles se importa com o bem estar dele. Eu era a única que se importava. Ele tem problemas com os pais... - Todo mundo tem problemas com os pais, Crystal! - respondeu Dominic com raiva - Pare de defender aquele cara. - Eu não o estou defendendo. - Ah não? - ele riu de nervoso - Ontem você jogou na cara dele que o odiava e de noite estava no carro dele, acorda! O encarei calada. Dominic estava tão certo que chegava a me irritar. - Você é uma garota legal, não merece ficar na mão daquele animal. Você se faz de superior mas sei que não é, então tente ou isso nunca vai parar. Você sempre vai se machucar. - Por que quer me ajudar? - Porque eu sou seu amigo! Olhei pra ele e refleti um pouco. Eu nunca me imaginaria amiga de Dominic Asvarc, não até ser dito oficialmente. - Hoje de tarde vamos ver a avó da Lindy. - anunciou ele - Meu avô vem nos encontrar às cinco, queria suas respostas, não queria? - Quero. - Ótimo! - consentiu ele. - O que está lendo aí? - Um livro de lendas. - Por que? - franzi o cenho - Achei que lendas não te interessassem. - Interessam quando se tratam da minha família. - Está falando dos seus pais? Ele não respondeu. - Me desculpe. - Não precisa se desculpar. - respondeu ele com relutância e desconforto - Desculpas não confortam ninguém. Me mantive quieta depois disso não quis mais tocar no assunto. Me levantei, peguei um livro qualquer e voltei para o mesmo lugar lendo-o.
Lindy
Quanto tempo tinha passado? Onde estavam Jackson e Deny? Havia alguma chance de terem me abandonado? Mas a mulher ainda voltava então não. E Vincent, será que já estava nas mãos do Jackson? E quanto a Nate, o que teria acontecido com ele? E com Crystal, Will, Dominic... Eu queria ter as respostas. A mulher corcunda vinha mais uma hora seguida com a cafeína. Eu não conseguia mais dormir direito, meus olhos piscavam em tiques desiguais... Eu estava um caos mas se Jackson continuasse sumido, eu sobreviveria. Mas ele gosta de um show, não gosta? Bem, eu faria um pra ele então. O copo tocou meus lábios e se inclinou derramando todo o conteúdo dentro da minha boca. A mulher já estava se virando quando a impedi. - Espere! - pedi - Tem me trazido café e cuidado de mim nos últimos dias... Me diga seu nome. Ela se aproximou com os olhos indiferentes, quase desinteressados. - Teresa. - Teresa. - repeti assentindo - Me perdoe por isso. Depois disso, eu imediatamente chutei suas pernas a derrubando, me arrependi, claro, era uma mulher já de idade e não era nada saudável pensar que eu teria a machucado, e usando minha força limitada, porém suficiente, quebrei a cadeira. Fui ao chão junto com ela. Me levantei depressa ainda com os punhos atados pelas cordas. Correndo pelos corredores confusos, levei a corda até meus dentes e os forcei, não consegui nada. Acabei em um lugar que parecia uma cozinha, achei uma faca e a peguei com a boca fazendo movimentos rápidos para cortar a corda. Com os pulsos livres, soltei os pedaços de corda que restaram e pulei a janela. Estava em uma área totalmente feita de mármore agora. Outro corredor, porém meus sapatos deslizavam conforme eu corria. Minha liberdade não durou. Virei a segunda curva e dei de cara com centenas de Capangas, um número grande demais até pra mim e meus cálculos. Todos apontaram suas armas pra mim e a engatilharam. Levantei meus braços em rendição. Jackson não ia gostar nada disso e eu estava ferrada! - Merda! - o que mais eu poderia falar naquela situação? Por trás de mim, meus braços foram tomados e puxados contra o peito de dois homens. Olhei de um a outro tentando reconhece-los, mas eu não sabia quem eram só sabia que não tiveram problemas em me arrastar pelos corredores.
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- É engraçado, menina Fell. - Jackson passou o polegar pela sobrancelha esquerda - Você estava se saindo bem mas eu não comentei que eu tinha um exército guardando minha fortaleza. Soou cômico também você ter agredido sua cuidadora, azar o seu, Teresa não vai voltar.
- Onde ela está? - Longe. - respondeu ele - Ela foi embora, patinha, meus parabéns! - Só isso que fará comigo? - ri - Não vai me castigar? - É claro que vou. Meu sorriso sumiu. - Mas tenho um jeito melhor de te machucar sem tocar em você. Franzi o cenho. Eu não estava em minha sala comunal, estava em outro lugar no chão gelado com correntes nos pulsos e nos tornozelos. - Ainda não coloquei meu plano de buscar pelo seu colar em prática. - respondeu ele com grandeza - Começo hoje mesmo e vou fazer com que Vincent Martin sinta a maior dor do mundo, vou fazer seu Marcado perder a cabeça, seu amigo aleijado e a loirinha vão perder tudo que amam. Vou arrancar toda a felicidade deles. Vou acabar com os seus pais falsos. Me joguei para frente querendo voar nele e o esfolar por ter ameaçado meus pais. Sentia meu rosto arder de raiva, minhas veias saltando... Ele estava me deixando irritada e era isso que ele queria. - Sabe, guarde essa raiva, vai precisar dela mais tarde. - disse ele indiferente. - O que isso quer dizer? - grunhi. - Achei que tinha te contado. - ele se deliciou com meu total desentendimento - Melhor se preparar, vai conhecer seu Maquinista hoje. Suspirei em descrença. - Espero que os últimos três dias tenham sido ótimos porque a partir de hoje não vai ter mais folgas, vou te usar até te esgotar, até não aguentar mais ficar de pé ou abrir os olhos. Vai saber que todos os que ama vão sofrer e não poderá fazer nada.
Crystal
Dominic enfim tinha fechado o livro. - Preciso te contar uma coisa. - disse - Sobre o acidente. Ele começou a se levantar mas pedi que ficasse. - Não batemos por que Greg estava bêbado. - Como é? - Tinha um Velasque na pista, eu me lembro. - Ele atravessou a pista na hora certa então. - Greg não o viu. - respondi - Ele apagou. - Pelo menos isso. - aliviou-se ele - Não ia ser fácil explicar que o que ele viu era um lobo gigante mutante. - Não estávamos sozinhos no carro, Dominic. - O que?! - Ivan e Claude estavam no banco de trás. - expliquei - Eles viram. Estavam assustados quando saíram, não apenas com a batida, havia algo a mais. Já bateram carros antes. - Isso não é bom. - E só piora. - respondi batendo os dedos na mesa - Greg tem uma gravação que me compromete. - Que tipo de gravação? - Do tipo muito ruim. - engoli em seco - Ele me seguiu por esses dias. - Que romântico! - desdenhou ele. - Pôs escutas aqui em casa... - Tem que denunciar ele. - falou ele decididamente - Isso é assédio e invasão domiciliar. - Não posso. - balancei a cabeça - Eu ouvi a gravação ontem, um pedaço, tinha conversas minhas com a Lindy, com você... Todas citando o Criador, Capangas e muitos outros. Ele vai emitir pra Boonks Portland School inteira as minhas conversas. Disse que não faria se eu fizesse tudo que ele queria, mas você me tirou de lá. Temos que impedi-lo. - Gostaria de saber porque não me disse isso antes. - disse ele se levantando. - Eu ainda estou me lembrando. - levantei também. - Vamos resolver isso agora. - disse ele caminhando em direção à saída. Minha visão ficou turva repentinamente e só senti meu corpo cair e minha cabeça bater no chão. Vi Dominic correr em minha direção, mas antes de sentir seu toque, meus olhos se fecharam. Flashes rápidos atingiram minha mente tomando conta das minhas pálpebras. Vi Lindy acorrentada no chão de algum lugar estranho e gelado, seus lábios cortados provavelmente pelo frio, o cabelo bagunçado, o rosto sujo e olheiras arroxeadas abaixo dos olhos, parecia pensativa tanto quanto desesperada. Seu coração batia forte mas eu sentia a dor dela. Ela estava com a cabeça baixa e choramingava pra ninguém ouvi-la talvez. Não parecia nada bem de certo. E então tudo se apagou de novo. Meus olhos se abriram com dificuldade e me apoiei no chão para levantar, brevemente vi correntes nos meus braços mas não tinha nada ali, era na minha cabeça. - Eu vi ela, Dominic. - olhei pra ele apavorada. Ele pôs as mãos nos meus braços e me fitou. - Quem você viu, Crystal? - A Lindy, eu vi ela. - tentei explicar procurando pelas palavras - Era um lugar tão frio... Ela estava acorrentada. Não reconheci o lugar mas ela não está bem. Não acho que ela vá aguentar muito mais tempo. - Como conseguiu ver ela? - perguntou ele - Disse que não consegue encontrá-la. - Eu não sei. Ele me ajudou a levantar e permaneceu me segurando já de pé. - Vou pegar a gravação do Greg. - disse ele com as mãos nos meus ombros - Mas vou precisar que use seus dons, tudo bem? Assenti. - E sobre isso que aconteceu agora. - ele suspirou - Deve contar ao seu pai quando ele voltar, ele precisa saber. - Sabe pra onde ele foi? Dominic passou a língua pelos lábios secos e me soltou, certamente não era um lugar que eu iria gostar.
Lindy
Levantei a cabeça cessando o choro. Não sabia o que tinha acontecido mas foi alguma coisa. Senti como se estivesse sendo observada, senti uma presença mas estava completamente sozinha. Me levantei, se tinha uma vantagem de estar acorrentada era que eu podia andar pelo cômodo, não livremente mas já era um começo. - Por que está tão inquieta? - a voz veio da porta. Olhei por cima do meu ombro e vi Deny, imediatamente virei o rosto de volta para a parede na minha frente. - Eu não quero conversar. - É claro que não. - ouvi seus passos - Acabou de ser ameaçada pelo Criador. Ele envolveu seus amigos, seus pais, seus namorados... Qualquer um se sentiria na impossibilidade de conversar com alguém. Me virei de frente pra ele. - O que veio fazer aqui? - cruzei os braços - Seja o que for, vá embora, por favor. - Eu quero ficar. - Por quê?! - contestei indignada - Se Lynor está morta hoje é por que você fez uma aliança com o Criador. A culpa é sua. - Não, não é. - ele levantou o dedo para me advertir - Já ouviu aquela frase: "A mágoa vem de quem menos esperamos, não de estranhos e sim das pessoas mais próximas de nós"? - É uma pessoa que eu amo? - Não entendi a pergunta. - replicou Deny. - A pessoa que matou a Lynor. - expliquei - É uma pessoa que eu amo? - Não sei se é amor. - respondeu ele - Não me identifico com a palavra, mas é alguém com quem conviveu nas últimas semanas. Alguém em quem confiou. Franzi o cenho. Eu tinha convivido e confiado em muitas pessoas nesse meio tempo, talvez meu erro tenha sido esse. - Soube da sua fuga. - Como vê, não deu certo. - disse começando a rodar pela sala ou pelo menos os meus limites dela, até onde eu era capaz de ir por conta das correntes - E uma mulher se machucou por minha causa. Foi embora por minha causa. - Não acredito que foi tão ingênua assim, Lindy. - debochou ele - Foi isso o que ele te contou? Que ela foi embora? E você acreditou?! Ora, por favor! - O que isso quer dizer? - o encarei novamente parando e cruzando os braços - O que ele fez com a Teresa? - Teresa está morta, Lindy. Segurei meu ar e mordi meu lábio inferior, não ia demonstrar fraqueza na frente dele. - Ele a matou? - quis saber - Como? - Flechadas. - respondeu ele - Ela sangrou até a morte. Agora sabe como é ser o motivo da morte de alguém, está sentindo a culpa? - Teresa não foi a primeira a ser morta por minha causa. - respondi me virando de costas pra ele novamente - Já senti antes, não é bom. - Você não é boa. Novamente virei-me pra ele. - Nem você. - A diferença, Lindy, é que eu não quero ser bom. - ele me fitou e caminhou em minha direção - Eu gosto de ser mau, gosto que as pessoas tremam com a minha voz - ele passou os dedos pela minha bochecha e desviei o olhar - e se arrepiem quando eu pisar no mesmo chão. - Eu não tenho medo de você. - Não? - ele tocou meus ombros e os apertou com suas mãos fortes, segurei a dor na garganta - Vamos nos ver de novo, amor. Vou ficar fora por um tempo mas eu volto pra você. Finalmente o encarei olho no olho e cuspi as palavras nele: - Vá pro inferno, Denyel! - Te espero lá.
Domador de feras
Closer - Kings of leon
Os céus estão piscando pra mim Eu vejo uma tempestade chegando pelo oceano E está se aproximando E está se aproximando
Chutei o braço de Will chamando sua atenção enquanto ele se concentrava nas últimas páginas a serem lidas. - O que é?! - indaga ele irritado. - Por que não liga pra ela? - suspirei - Ela te mandou um oi. Um oi. Liga agora! - Sem chance. - Larga de ser covarde, William Argent! - declarei - Até quando vai fugir das garotas? - Eu não estou fugindo de ninguém. - responde ele voltando a sua leitura. Minhas pupilas tremem diante de sua resposta. - Você é muito burro! - resmunguei me levantando - Só não se esqueça que Alyssa é bonita e a fila anda... - o provoquei - E o Thomas está disponível. - Cale a boca, Crystal! - esbravejou ele. Me retirei deixando-o com seu livro enquanto uma garota esperava por sua ligação. Às vezes, Will era metído demais, e o simples fato de ele não estar perfeito era motivo suficiente para afastar uma garota que realmente gostava dele. Homens e suas cabeças malucas, acho que nunca vou entender! Estava subindo a escada indo para o meu quarto quando Nate surgiu no topo dela apreensivo. Me apressei até estar em sua frente. - O que foi, Nate? - perguntei o afastando dos degraus - O que você viu? - Eu não tenho certeza. - respondeu ele balançando a cabeça - Foi como um apagão, como se... - Se pudesse ver pelos olhos de alguém? - Como sabe disso?! - Mais cedo, no estacionamento. - expliquei - Quando eu estava escondida esperando por Alyssa e Thomas, eu vi alguma coisa. - Por que não me contou?! - Achei que fossem os olhos da Conjuradora, que ela queria me mostrar alguma coisa, mas não foi nada muito nítido. - disse - Mas eu senti frio, frio gelado. - Acha que a Lindy... - Não sei. - respondi - Mas é um aviso. Cedric disse que o Criador viria atrás do colar dela, que ele sabia... E se ela... Mas como? - E se ela o quê, Crystal?! - E se ela estiver tentando atravessar a barreira? - levantei a hipótese - Derrubando os muros do Criador. - Isso fica entre nós. - anunciou ele - Nada de falar disso com o seu Perseguidor favorito. Franzi meus olhos para ele. - Me avise se acontecer de novo. - pediu ele. Assenti revirando os olhos. - Está bem, estarei na biblioteca em todo caso. - disse ele - E cuidado. Atravessar barreiras de comunicação poderia matar Lindy, mas me mantive calada. Nate já estava desesperado, contar a ele o faria infartar de vez.
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Tinha passado o resto do dia na cripta sozinha, isolada de todos. Estava atravessando a floresta em silêncio agora, rodeada pelo som dos animais noturnos. Passando pelos vãos de duas árvores, um som soou próximo. Soltei um ar pesado de susto e me virei procurando por algo. Nada. Me apressei nas sombras e evitei barulhos. Poderia ser um animal qualquer, mas eu não queria ficar pra me certificar. Pisei em um galho acidentalmente e me assustei com meu próprio movimento. E então, um uivo me fez congelar. Era uivo de lobo, mas não haviam lobos em Portland. Olhei em volta ofegante ao ouvir sons arrastados. Depois dos uivos, vieram os rosnados e reclames. Eu ainda não era capaz de ver a criatura dos resmungos, mas eu já a temia. Ignorando, continuei sem querer ficar parada no meio daquela situação esquisita. Não corri. De relance, olhei para a esquerda e uma sombra surgiu entre as folhagens. Tudo que eu conseguia ver era sua silhueta robusta e alta, bem maior do que eu. Dei um passo para trás diante da imagem que se materializou quando ele deixou as sombras se mostrando à luz da lua. Um Velasque? Talvez fosse julgando que tinha um tamanho muito mais acentuado do que um lobo mesmo parecendo um. Ao ver seus dentes brancos brilhantes e olhos totalmente negros, cambaleei para trás colidindo contra o tronco de uma das árvores. Prossegui me esgueirando e caminhando para trás sem tirar os olhos da criatura que dava passos lentos na minha direção. Meu peito subia e descia mais rápido que o normal, com a respiração acelerada. Em um vacilo, me cortei em um galho espinhoso abrindo um rasgo na minha jaqueta. Senti imediatamente meu braço molhado. Sangue. Com o coração disparado, agarrei meu braço e pressionei o corte aberto contra o meu peito. As narinas da criatura arreganharam-se diante do meu movimento e um rosnado anunciava minha morte. Suas patas enormes prepararam-se para avançar, larguei o meu braço seguindo seus movimentos com os olhos e tomando ar, me virei e disparei na escuridão. Eu podia ouvi-lo me seguir em sua corrida, e sentir o solo tremer sob meus pés. Engasguei sentindo falta de ar, mas isso não me freou, pelos menos não até me atrapalhar em um arbusto, onde meu pé ficou preso e caí batendo o rosto no chão. Se eu parasse agora estaria desistindo da minha vida. Me livrando do arbusto em volta do meu tornozelo, e ainda zonza, me levantei e voltei à minha maratona contra àquela fera. Me embrenhando em uma parte mais interna da floresta, notei seu sumiço. Franzi o cenho e agarrei um pedaço de tronco no chão aos meus pés. O posicionei na frente do meu corpo e rodei em círculos procurando por algum sinal do animal. E quando o vi descer pelo lado contrário da floresta - ele tinha a contornado para me encurralar, como um predador faz a com uma presa - disparei mais uma vez. Uma olhada sobre meu ombro foi o suficiente para me fazer bater contra alguém. Ao me virar pronta para atacar, recuei. Era Dominic, que imediatamente tirou o pedaço de árvore de minha mão e agarrou meus braços, sem ver o corte. - Ei. - ele me sacudiu tentando acalmar meu pavor - Ei! - Eu acredito em você. - disse atabalhoada - Eu acredito em você. - Do que está falando? - indagou ele. O uivo da criatura mais uma vez tomou conta da noite e nos fez voltarmo-nos para a direção do som. - Lobos em Portland? - Lobos não. - balancei a cabeça o fazendo voltar o olhar para mim - Velasque. Me compreendendo, ele enfim viu o sangue escorrendo pelo meu braço e manchando seu casaco. Seus olhos fixaram-se em meu rosto e suas mãos pararam sobre o ferimento. - Corre, agora! - Não... - engasgei entre a respiração ainda irregular - Dominic, não! Eu não vou sem você. - Não é hora de bancar a durona, Crystal... - ele fez uma pausa - Ele está aqui. Me virei vendo-o de pé ali do outro lado da floresta com seus dentes salivando. - Crystal, vai embora! - berrou ele pondo-se entre a criatura e eu. Permaneci parada observando. Dominic se aproximou lentamente com as mãos abaixadas. A criatura deu passos em sua direção, lentos e perigosos. Cada passo era como gelo em minhas veias. Pude ver um movimento de seus dedos que chamou a atenção da criatura, que inclinou a cabeça para o lado como um cachorrinho hipnotizado. Boquiaberta, notei que ele estava controlando o animal, o fazendo seguir seus movimentos. - Vá embora. - ordenou ele com os dedos dançando no olhar - Não achou o que queria. Vá. O Velasque se contraiu e com uma última olhada pra mim deu as costas e sumiu nas sombras. - Como você fez isso? - indaguei abraçando meus braços. Ele se virou e pensei que brigaria comigo por eu não ter feito o que ele tinha dito, mas não, ele respondeu minha pergunta. - Eu domo feras. - ele deu de ombros. - Já tinha enfrentado feras antes? - Não. - respondeu ele - Não devíamos ficar aqui fora. Assenti em silêncio. - Está ferida. - concluiu ele - Evite sangrar na frente dessas coisas, está bem? Antes que ele pudesse fazer qualquer outro movimento, o abracei, surpreendendo-o. Ele tinha salvado minha vida mais uma vez.
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Com uma atadura no braço e uma bolsa de gelo no rosto, me sentei perto da lareira. Meu pai estava de pé na minha frente, Will, sentado ao meu lado, e Nate, sentado na poltrona atrás de meu pai. Vincent e Dominic não tinham sido convocados. - Um Velasque? - meu pai ergueu as sobrancelhas. - Eu já disse mil vezes que sim. - o encarei tirando a bolsa de gelo do rosto brevemente. - Parece que os monstrinhos comedores de gente existem mesmo. - balbuciou Will - Só eu acho que os Perseguidores deviam estar participando desta reunião? - Não viram o que Dominic fez lá fora. - disse suspirando - Aquela coisa obedeceu ele. Ele a mandou embora e ela foi. - Eles certamente deveriam estar aqui. - intervém Will. - O avô de Dominic nos encontrará em dois dias. - disse contendo minha ansiedade - Ele pode nos ajudar. - James já está fazendo demais por nós, não vou colocá-lo em risco. - Você não entende! - balancei a cabeça - Precisamos de aliados, pai. - Aliados? - ele riu - Só podemos confiar em nós mesmos. A família. Confiamos nos Anciãos e veja no que deu. - Está bem, está bem. - o cortei - Mas não é disto que estou falando. Os Anciãos não tem nada a ver com isso. Precisamos ficar mais fortes, o louco tem um exército, não é? Os Velasques já estão em Portland, correto? Logo, virão atrás de nós. Cedric nos contou algo hoje cedo. - Vai acreditar no doido de pedra agora? - indagou Nate. - Ele disse que o Criador sabia onde estava o colar. - disse lentamente - Que viria atrás dele. E se ele tiver dito a verdade? - Ele queria os amedrontar. - revidou meu pai - Tirar nossos olhos do foco real, que é a Lindy, e agora, a sua segurança. - O que?! - sobressaí me arrependendo imediatamente depois da dor que atingiu meu rosto - Não, não e não. Acha que a mamãe não concordaria com isso? Eu sou a única pessoa sã dessa casa! E sei que estou certa, você aceite ou não. - Eu não vou discutir com você, Crystal. - falou ele massageando a têmpora - Só me dê um tempo pra pensar. - Pensar? - ri de novo - Enquanto você pensa como se fosse chegar a algum lugar, a Lindy pode estar morta! Já parou para pensar nisso? Não me veio resposta, não a que eu desejava. - Está passando tempo demais com o Dominic. - disse ele - Está ficando respondona demais para o meu gosto. - Isso é ridículo! - Você quem pegou as Auras, não é? Cerrei a mandíbula preparando minha língua. - Não estamos nem falando disso! - respondi - Que tal nos concentrarmos na criatura que está lá fora em algum lugar? O Velasque estava atrás de mim, eu sou o alvo, a Conjuradora me alertou. Disse que sou preciosa, que todas as Armadires são. E agora, aquela criatura tem o meu cheiro e vai voltar. E você está preocupado com Auras?! - Nossas barreiras estão caindo. - esvaporiu-se meu pai. - Finalmente uma resposta sã. - Primeiro os Capangas, agora esse quadrúpede gigante... - ele suspirou cansadíssimo - Nossa casa vai passar por mudanças, está decidido. Vamos receber familiares nos próximos dias. Preciso de mais mentes porque a minha está quase explodindo. Revirei os olhos irritada. - Preciso fazer ligações. - anunciou ele levantando-se - Não arrumem mais problemas. Com a saída dele, saltei da cadeira. - Não vai adiantar nada encher a casa de Argent's! - declarei passando meu olhar entre os dois - Na minha opinião, temos que fazer alguma coisa. - Crystal, eu não acho uma boa ideia. - opinou Will - Só vai deixar o papai mais nervoso. - Acha que nossa tia-avó Ophelia vai saber lidar com isso? - levantei a questão - Fala sério! - O que sugere que façamos? - quis saber Nate. - Estamos pensando pequeno. Se queremos nos livrar de um problema e trazer a Lindy de volta, temos que ampliar nossos horizontes. Precisamos de pessoas que saibam mais do que nós, não menos. Pessoas como o avô do Dominic, a avó da Lindy, a mãe dela. - O que a Emely tem haver com isso? - Pensa, Nate. - respirei fundo - Pessoas que sabem mais, vocês tem alguém na cabeça para ajudar? - Os pais da Alyssa, talvez. - sugeriu Will hesitante. - Corvier Aworn também. - interveio Nate - O homem não sabia demais e acabou num hospício? Vamos atrás dele então! - Vamos mesmo fazer isso? - Will nos fuzilou. - Precisamos. - respondi olhando para Nate - Dominic e Vincent vão com a gente, então se vire e faça as pazes com o Vincent. - Ela está certa. - defendeu Will - Se vamos trabalhar em equipe, tem que deixar essa rivalidade de lado. Quando a Lindy estiver de volta poderão voltar pra essa disputa. Eu odeio admitir, mas eu estou sentindo falta daquela mala! Sorri diante do comentário. - Esse é o Will que eu gosto!
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Durante o trajeto da minha casa até o colégio, expliquei a situação para Vincent e Dominic. Nosso combinado fora: os dois iriam para a escola como de costume e manteriam os olhos bem abertos, Nate me acompanharia até a casa dos pais da Lindy, e Will tentaria receber nossa amável família sem vomitar e distrairia nosso pai para que ele não desconfiasse de nada. - Tem certeza de que é uma boa ideia? - perguntou Nate enquanto andávamos pela calçada. - Não. - respondi balançando a cabeça - É uma péssima ideia, mas somos bons em coisas péssimas então. - dei de ombros - Vamos encontrá-la. - Eu devia ter ficado. - lamentou ele - Culpei o Vincent porque não queria aceitar que o culpado era eu. - Não diga isso! Ele balançou a cabeça rindo. - Estou com medo de colocar os pais dela nisso. - disse baixinho - Eu sei que fui que dei a iniciativa mas estou com medo de algo horrível acontecer. - Não vai acontecer. - Muito confiante para um chorão! - ri tentando dissolver o ar pesado. - Ei, eu ouvi você chorando também. - rebateu ele - Quatro paredes não escondem resmungos. - Por acaso essa frase tem segundas intenções, Nataniel Foxin? - Não. - debochou ele - Por que teria? Bati meu ombro no dele e enfim fiz a pergunta que eu tanto desejava fazer: - Vai dizer que gosta dela quando ela voltar? - Como?! - Não se faça de idiota. - O adverti - Lindy. Vai se declarar quando ela voltar? - Eu não posso força-la a gostar de mim, Cryst. - respondeu ela - E você, mais do que eu, sabe que ela ama o Vincent. Eu não vou sabotar o relacionamento deles. - Não vai precisar. - respondi confiante - Não vai dar certo. - Está me dando um voto de confiança? - Estou. - fui direta - Vincent é um cara legal, eu tenho que admitir, mas ele e Lindy não vão durar. Marcados e Perseguidores estão condenados há um futuro caótico. Assim como Armadires. - Como você e o Dominic? - revidou ele. - Não sei do que você está falando. Foi o fim da conversa pois já estávamos parados na porta da frente da casa dos Fell. Levantei minha mão fechada em um punho e a bati na porta. Não demorou para que uma Emely Fell abatida a abrisse. - Acharam ela. - ela apontou para nós com uma alegria melancólica - Onde ela está? - Não, Srta. Fell, ainda não achamos sua filha. Um tremor passou por seus lábios e saiu na forma de um suspiro sufocado. - Mas acredito que possa nos ajudar em uma coisa. - expliquei - Poderíamos ter uma conversa? - Entrem. - pediu ela se acalmando. Entramos e nos sentamos no sofá. Emely veio logo depois e se jogou na poltrona em nossa frente. - O que essas cabecinhas estão tramando? - Estive conversando com Nate e meu irmão. - continuei - E achamos que temos boas chances de achar a Lindy e enfrentar o Criador com pessoas úteis ao nosso lado. Você conhece bem sua filha, portanto queríamos que se unisse à nós. Afinal, é uma Marcada e deve saber muitos truques que Lindy pode estar tentado, o que deve estar fazendo, como deve estar. Conhece muitas pessoas. Temos pistas do Criador que podem te interessar, alguém nos deu uma ajuda, um sobrenome. Soa familiar "Wilvarn"? - Wilvarn? - ela nos encarou - O que Wilvarn têm haver com isso? - Uma fonte nos afirmou que o homem que procuramos, o Criador, tem esse sobrenome. Seu silêncio entregava alguma dor, decepção, mas não foi uma ferida na qual quis mexer. - Precisamos da sua ajuda. - passei os dedos pelo pulso dela instintivamente - É a única forma que temos de achar a Lindy. Todos sabemos que um mundo sem ela não é um mundo bom. Quero chegar à ela, Emely, mas pra isso preciso que se abra conosco. Não vou falhar, mas tem que me prometer lealdade, é algo do qual Armadires não podem fugir. Lealdade é nosso único legado. Fale comigo. - Você tem ela. - ela suspirou soltando um sorriso de agradecimento - A minha lealdade.
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Após nossa conversa com Emely, Nate foi pra casa, e eu estava voltando para escola para esperar por Dominic e Vincent. A Praça do Centro estava enfeitada para o natal, uma árvore branca e enorme se estendia ao lado do chafariz. Com uma vibração incômoda na minha mão, notei que alguém me ligava. Will. - Fala. - atendi. - O que está fazendo? - Esperando pelo fim de turno do Vincent e do Dominic. - respondi - Está quase na hora. - Por que não voltou com o Nate? - Porque eu queria passar pelo Praça do Centro. - admiti - Estamos próximos do Natal e tem uma árvore gigantesca bem na minha frente. Você iria adorar! - Todos os anos essa árvore está aí, Crystal, eu já a vi antes. - Não é a mesma. - o avisei - Essa é branca. - Teremos outros natais para vê-la. - Claro. - Eu liguei para a Alyssa ontem à noite. - Como é? - indaguei surpresa. - Pouco antes de você e Dominic aparecerem apavorados com a aparição do Velasque. - E por que é que você não me contou? - Estávamos com muitos problemas. - respondeu ele - Certamente minhas relações amorosas, ou quase isso, não eram prioridade. - Você está me surpreendendo, William Argent! - admirei percebendo que começara a nevar - Continue assim. - Tia Vale e tio Robert estão aqui em casa. Revirei os olhos diante do comentário. - Troye? - Ele não. - confirmou Will - Nosso primo sumiu. - Deve estar no esconderijo do Criador. - especulei - Ele não é problema meu. Acho que vou ficar mais fora de casa esses dias. - Não faça isso! - Vale é como os outros, me considera a ovelha negra da família. - engoli em seco - A sobrinha que tirou o filho dela, a responsável pela desgraça caída sobre ele. O único motivo de ela não ter voado no meu pescoço ainda é por causa da mamãe, mas ironicamente nossa mãe não está em casa. - Não seja dramática! Olhei para o céu e falei com Will: - Está nevando, olhe pela janela. - Se abrigue, então. - advertiu ele - Vai ficar doente. - Não, Will, eu não vou. - Não seja teimosa! - Will. - disse rapidamente - Vou desligar. Fiquei observando a árvore por um tempo e sentindo os flocos de neve em minha pele. Quando vi que a hora tinha passado rápido, me apressei pela calçada rumo ao colégio. Estava passando por um beco próximo da escola quando Dominic surgiu solitário da curva no fim do mesmo. - Dominic? - franzi o cenho diante da imagem inesperada. - Ah, oi! - ele caminhou em minha direção. - Por favor, não me diga que Vincent se meteu em uma briga novamente. - Não. - respondeu ele como se fosse óbvio - Ele está nos esperando no carro. Seu irmão me mandou uma mensagem pedindo que eu viesse atrás de você. - Mas é claro! - assenti. - Você está bem? - perguntou ele. Abri a boca para responder, mas assobios cortaram minha voz. E da entrada do beco surgiu Greg acompanhado de Josh, Ivan e Claude. Os fitei e Dominic seguiu meu olhar atrás de si. Passei meu olhar para seus movimentos minuciosos e para Greg mais uma vez. - Fofos! - ele fez uma careta batendo palmas. Seus amigos reproduziram sons de beijo me envergonhando no exato momento em que Dominic caminhou na direção de Greg. - Não sei como ser mais claro, Greg. - ouvi Dominic sibilar - Você tomou sua decisão, respeite a dela. Greg revirou os olhos e riu junto com os amigos. Riram na cara dele e isso me fez sentir por ter sido por minha causa. - O que sabe da vida, Argent? - indagou ele - Só imagina um mundo colorido que não existe. - Melhor do que viver em um mundo cinza devastado e real movido à bebidas, drogas e sexo com garotinhas, não é mesmo? - revidou Dominic. Isso calou Greg, o que me confortou. Tudo parecia ter acabado quando Dominic pediu para que eu o seguisse. - Você não vem? Eu tinha me virado de costas para Greg e seus amigos estúpidos, mas não tinha me mexido depois disso. - Crystal? Virei-me para Greg que caminhou em minha direção e parou em minha frente. - Veja bem, seu tolo. - ele deliciou-se passando os dedos pelo meu cabelo enquanto eu desviava o olhar - Até sua princesinha te dá as costas. - Qual é o seu preço para me deixar em paz? - ressaltei sobre sua voz. - Eu só vim dizer um oi. - ele deu de ombros - Mas já está dito. Pode ir agora. O encarei com raiva transbordando em meus olhos e bochechas. - Eu te odeio, Gregory Royce Doliver, você é um homem horrível. - meus dentes bateram de raiva - Eu te odeio! Seus lábios se fecharam em desgosto e enfim dei as costas a ele seguindo Dominic, que esperava por mim. - O que foi aquilo? - perguntou Dominic enquanto eu caminhava ao seu lado. - Me desculpe. - pedi enquanto nos aproximávamos do estacionamento - Eu precisava de um tempo para tomar coragem e dizer o quanto odiava aquele cretino. - Precisava dar uma glória para as piadas dele? - Uma piadinha ofendeu Dominic Asvarc? - debochei comicamente - Você está ficando fraco! Ele riu e tive que me unir a ele para poder quebrar aquela tensão anterior provocada por meu ex-namorado terrível. Nunca pensei que pensaria isso, mas eu e Dominic Asvarc éramos uma boa dupla mesmo, agora eu via. Mais que isso, éramos bons amigos.
Não deixe a luz ir
Until the levee - Joy Williams
Eu vou ficar Eu vou ficar aqui na dor Até o dique Até o dique do meu coração partir
Dominic
Depois de um jantar silencioso com os Argent, Crystal foi para o quarto temporário do irmão. Bati duas vezes na porta. - Quem é? - ouvi William gritar. - É o Dominic. - respondi dando de ombros - Será que poderíamos conversar? - Entre. - foi tudo que ele disse. Abri a porta e dei um passo para frente a deixando aberta. - O que foi? - indagou ele se sentando. Relaxei os ombros e caminhei até estar de pé ao lado de sua cama. Cruzei os braços e franzi o cenho ao falar: - Crystal veio aqui. - Sim. - ele assentiu com os olhos arregalados - Ela vem o tempo todo. - Eu não sou burro e sei que aconteceu alguma coisa. - disse com cuidado - E eu sei que ela te contou. O Argent engoliu em seco. - Só me diga se estou errado, está bem? - assim que ele assentiu, prossegui - Ela foi se encontrar com o Greg. - Você não perde uma mesmo, não é? - os lábios dele curvaram-se para cima - O que você quer com a minha irmã? - Eu sei que Perseguidores não tem um histórico saudável ou honroso. - declarei - Já fiz coisas horríveis e tem dias que eu penso em largar esta vida só pra me tornar uma pessoa melhor. Desde que eu conheci sua irmã, eu tenho feito coisas menos estúpidas do que eu fazia a meses atrás. Ela de alguma forma salvou uma parte de mim que eu nem sabia que existia. E se aquele idiota está fazendo algum mal a ela, eu quero saber, porque sinto que é a hora de eu mostrar alguma gratidão. Ele não soube o que dizer de início, mas depois de pensar um pouco, chegou a uma decisão. - Parece que terminaram de novo. - respondeu ele - Ele terminou. Marcou um encontro e mandou a real na cara dela friamente. Ela está evitando falar disso. - Mas eu não. - intervi - Vamos pensar. Onde um ser ridículo, como esse Gregory, estaria nesta quinta-feira negra? - Em qualquer lugar que tenha mais seres ridículos. - Se ele for tão baixo, quanto eu acho que ele é. - respirei fundo - Eu sei exatamente onde ele está. Ele me encarou querendo entender onde eu chegaria com aquele papo. - Levante-se! - exclamei gesticulando. - Qual seu plano? - indagou ele se levantando de fato - Dirigir até o tal lugar e surrá-lo? - É exatamente este o plano. - Eu estava brincando! - disse ele - Quer mesmo fazer isso? - Ele precisa de um punho na cara. - respondi - E eu quero ser o dono do punho. Vai dizer que não adoraria ver ele levando uma surra? Ele demorou a responder, mas quando seu argumento veio foi abalador: - Soque aquele imbecil como se ele tivesse xingado a sua mãe. - Eu dirijo.
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Assim que paramos, o Argent ficou doentiamente pálido. O lugar era exatamente como eu me lembrava, um casarão abandonado e caindo as pedaços estourando em luzes brilhantes e coloridas e uma música tão alta que meus ouvidos zuniam, e a julgar à expressão dele, deveria estar sentindo o mesmo. Saímos do carro calados e nos pomos diante da casa de horrores. Enquanto o Argent andava era nítido o seu mancar. - Cara, essa perna não está legal. - falei com um ar exasperado - Devia ficar aqui. - Sem chance. - ele balançou a cabeça - Já viemos até aqui. - seus olhos franziram-se - O que é exatamente isto aqui? - O inferno na Terra. - respondi passando a língua pelos meus lábios secos - Te apresento à Casa Plata, a casa noturna mais nojenta e selvagem que eu já frequentei. - Já veio aqui?! - ele me encarou. - Como acha que eu soube que o Greg não prestava? - respondi sem olhá-lo - Eu já fui igual a ele. - Eu soube da Aura. - comentou ele - Por que não foram embora? - Minhas intenções mudaram, Argent. - respondi - Nós vamos ficar. - Acho justo. - Vamos nos separar lá dentro. - troquei de assunto começando a caminhar; ele me seguiu - Não beba nada que seja oferecido a você e evite olhar para as mulheres. Ele franziu o cenho, mas assim que abri a porta, ele me entendeu e fuzilou meu sorriso de lado. - Não babe, por favor! Parti entre a multidão dançante enquanto as luzes agrediam meus olhos e a música meus ouvidos. As garçonetes que passeavam entre a multidão eram violadas pelos homens, mas não se importavam nada com o desrespeitos, até gostavam. Seus trajes eram leves e transparentes, suas roupas íntimas variavam de lingeries escandalosas às mais comuns, e sobre aquelas peças nada mais que um casaco-camisola transparente. Desviei os olhos quando uma delas tentou me seduzir com seus olhos afiados e uma mordida nos lábios. As mulheres aqui eram tratadas como meras diversões, as lembranças desse lugar fizeram meu estômago revirar e minha garganta fechar quase me causando um engasgo. No fim do hall lotado, uma porta dourada fechada chamou minha atenção. A abri e me deparei com um corredor estreito e extenso cheio de mulheres e homens encharcados de suor e ocupados demais explorando os corpos e bocas um do outro para me notar. Muitas das mulheres estavam quase nuas enquanto os homens abusavam de toda sua vontade cega. Virei para esquerda e mergulhei entre braços e pernas. Uma garçonete vinha em minha do fim do corredor bem na minha frente, ela agarrou meu pescoço com a mão livre - a outra carregava uma bandeja de copos vazios - e o beijou sem qualquer pedido de permissão, a afastei imediatamente e continuei meu percurso limpando a mancha de batom que ela deixara. Mais uma porta se escondia nas sombras, a abri com cuidado e percebi que o som era bem abafado ali e as luzes mais amenas, meus ouvidos e olhos agradeceram. Era uma espécie de sala, tinha sofás e poltronas singulares por todo o lugar, uma lareira e até garrafas de vinho posicionadas em mesinhas, mas ninguém parecia estar naquele cômodo. Me preparei para sair, mas um gemido me interrompeu. Havia uma segunda curva à esquerda do cômodo, segui por ela e ao me ver na sala ao lado, encontrei o que eu estava procurando. Greg estava atacando uma jovem morena que praticamente sumia ao lado dele. Ela estava pressionada contra uma mesa de escritório, aos pés dos dois, milhares de acessórios espalhavam-se. A blusa da garota estava jogada no chão. Estavam bêbados. A garota foi a primeira a me notar ali quando abriu os olhos. Ela parou de beijá-lo de repente e com os olhos espantados fez menção para que ele soubesse que eu estava ali os assistindo. Greg virou-se para me encarar. - Eu te conheço. - titubeou ele com os olhos desorientados. - É claro que conhece. - revirei os olhos - Sabia que ela te amava? - Não sei do que está falando! - ele virou-se de costas pra mim e tentou retomar o beijo puxando o rosto da menina para ele, mas ela recuou e os lábios dele acertaram-na na mandíbula. - Eu acho que está na hora de ir embora, mocinha! - falei apontando para a porta atrás de mim - Por que não vai pra casa? Ela o empurrou para trás e abaixou para pegar sua blusa. Depois de vesti-la, ela caminhou na direção da porta pegando sua bolsinha de mão da mesa. - Quem era ela? - Eu não sei. - respondeu ele com desdém. - Eu falava da Crystal, sabia que ela te amava? - Vai dizer que não gostou? - ele sorriu doentiamente - Vai dizer que não ficou urrando de alegria, que não tem uma quedinha pela loira? - Cala a boca! - praticamente voei em sua direção me contendo por um passo. - Sabe de uma coisa, frouxo? - seu sorriso já estava irritando - Faça bom proveito, na primeira chance que aquela vaca teve, ela dormiu com você. Com a mão fechada carregada de raiva, aceitei seu rosto sem dó nenhuma. Sua mão subiu para o local atingido com uma recusa de dor. E eu teria o socado de novo se William não tivesse me assustado falando atrás de mim sem que eu soubesse que ele estava ali. - Foi um ótimo golpe! - admirou ele estupefado. Me virei pra ele contendo minha raiva ou não iria surrar alguém que não merecia ser surrado. - Agora nós podemos ir.
Crystal
Abri uma garrafa de uísque, suspirei e bebi uma boa dose do uísque que me deixou tonta. Tinha escolhido a sala de estar porque estava quente e mais escura, e esperava que estivessem todos dormindo a esta hora da madrugada. Nem todos estavam. Ouvi uma batida na quina da entrada da sala, me virei esperando que fosse meu pai, mas não era. - Reunião de bêbados emotivos? - retrucou Dominic - Esperava um convite decente. - Vai embora! - resmunguei me virando de costas pra ele - Me deixe em paz! - Não. - ele se jogou em uma poltrona ao lado do sofá onde eu estava - Por que não me contou sobre o Greg? Tentei cobrir a pergunta dele levando a garrafa à boca, mas ele tirou ela de minha mão e levou à própria boca. - Responde. - pediu ele olhando para o conteúdo da garrafa. - Como você soube? - indaguei me virando pra ele. - Não sou idiota, Crystal. - Foi melhor assim. - respondi pegando a garrafa de volta e bebendo dela - Foi melhor assim. - Pra você ou pra ele? - apontou ele - Pensa um pouco. Mesmo depois de tudo, ainda está fazendo o que ele quer. - Minha vida amorosa é o menor dos nossos problemas, Dominic. - disse em negação - Devíamos estar falando da Lindy. - Não Crystal, não devíamos! - reclamou ele - Vamos falar de você. Estamos vivendo na mesma casa há 10 dias e eu não sei quase nada sobre você. - Eu não sou interessante, Dominic. - respondi balançando a cabeça - Sequer boa. Minha mãe está na reabilitação, minha avó, internada com alguma infecção grave, eu atirei no meu próprio irmão, minha única amiga desapareceu, meu pai está perdendo a cabeça, até o meu namorado se encheu de mim e caiu fora. E Crystal Argent? Ainda a consideram a ovelha negra da família por ter tido um romance tolo com o primo, sem contar com os delírios recentes. O que ela está fazendo de bom para a vida? Chorando por um garoto e bebendo como uma prostituta. Crystal Argent não é ninguém. Crystal Argent é um fracasso! - Você está errada. - sobre disse ele se inclinando pra frente - Vou dizer quem é Crystal Argent sobre o meu ver e meus poucos conhecimentos. O fitei com os olhos lacrimejando e as mãos nervosas secando cada lágrima. - Crystal Argent é uma garota loira que aparentemente é uma patricinha oferecida, eu juro que nos primeiros dias era o que eu pensava dela. Durante minha primeira conversa com ela, com você, eu vi que ela se ofendia com muita dificuldade e não suportava minha presença, mas ela não tinha medo de mim mesmo depois de saber quem eu era. Ela sabia que eu não era bom e não estava errada. A garota com quem me surpreendi era forte, habilidosa, mau-humorada às vezes, quase sempre, mas sabia ser agradável e sorria quando achava que ninguém estava vendo, era durona e sem dúvidas extraordinária. Você é uma Armadir, a única do século, vê se enxerga o quão tem importância, e não apenas por isso. Crystal, você tem uma família que te ama, não precisa de namorados para ser amada. Saiba que eu não a crucifico por ter se apaixonado por alguém de sua própria família, não dê ouvidos para quem dizer o contrário. Sei que cresceu rodeada de armas, sem amigos e passou por um primeiro ano de ensino médio infernal, e quando não é? Sei que foi difícil e não completou os dois anos seguintes por algum motivo, mas não interessa, isso não a impediu de amar livros ou ser incrivelmente inteligente. Não é tão boa cozinheira, mas os biscoitos de aveia e leite de Crystal Argent matam mais fome do que um prato de comida. O que interessa nisso tudo é que tudo bem chorar por um garoto mesmo sabendo que ele não merece. Chore por você. Está chorando porque a Crystal que amava o Greg está triste, mas a Crystal além do Greg é muito mais interessante, e ela vai ensinar a Crystal triste a seguir em frente mesmo que demore e doa. A Crystal que eu vejo agora é um reflexo lindo do que virá pela frente. É forte o suficiente para contornar isso. Eu não soube o que dizer quando ele terminou. Meus olhos doíam, acho que eu não tinha piscado devidamente e havia um nó na minha garganta, mas o desfiz. - Você andou me espiando? - brinquei tentando quebrar o gelo. Ele riu cobrindo o rosto - Foi muita baboseira, eu preciso, preciso beber. Estiquei a garrafa para ele, que terminou de toma-la. - Devia esfriar a cabeça. - aconselhou ele - Dizem que uma boa noite de sono resolve tudo. - Eu acho que não. - balancei a cabeça. - Está tarde, Crystal, vai pra cama. - E você? - Vou ficar um pouco mais. - respondeu ele - Só até me aquecer. Revirei os olhos e assenti me retirando. Eu realmente não sabia o que vinha acontecendo com ele. Alguma coisa estava se transformando dentro do Dominic, e os resultados estavam me fazendo gostar dele.
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A ligação de Dominic tinha me preocupado. Tudo que ele tinha dito foi: "estamos com problemas, venham correndo para cá!" - aquele alerta fora o suficiente para me fazer disparar pela casa e pedir a ajuda de Nate, que imediatamente, apesar dos últimos dias, me acompanhou até seu carro. Agora, já estávamos no caminho. Minha mão estava apoiada sobre o porta-luvas do carro e meu dedo indicador batendo repetidas vezes no mesmo. Nate, ao meu lado, não dizia nada. Iniciei uma discussão curta com a outra mão apoiada sobre a têmpora. - O que acha que é? - indaguei o olhando de lado - Juro que se não for nada, eu mato os dois! - Espero que eu esteja errado. - respondeu ele tenso e sério - Ou estamos muito ferrados! - O que é, Nate?! - perguntei irritada largando minha têmpora. Ele apenas me encarou com uma expressão caótica e virou-se para a frente. - Apenas prefiro estar errado. Não insisti e comecei a questionar minhas interrogações enquanto nos aproximávamos da escola. Mas Nate já estava estacionando o carro e eu ainda não tinha chegado à nada. Soltei o cinto com as mãos trêmulas e desci do carro rumo à entrada da escola, onde Dominic nos esperava com uma expressão nada boa. - O que vocês fizeram, seus burros? - o encarei. - Não tem nada a ver comigo. - respondeu Dominic irritado - Foi o Vincent. - O que seu amigo idiota fez? - perguntei cruzando os braços - Anda, fala! Nate finalmente me alcançou e antes que Dominic contasse, ele o interrompeu. - Vincent fez besteira. - concluiu Nate - Cedric o pegou. - Nossas aulas eram separadas. - explicou ele - Um garoto de sua turma fez uma piadinha sobre a Lindy e ele simplesmente socou-o no rosto. - Muito heróico! - retruquei - Ele está na sala do homem, agora? - Sim, está. - E por que diabos não está com ele? - questionei - Vive dizendo que são próximos, não devia estar lá com ele? - Fala como se fosse fácil demais, Crystal. - ele franziu os olhos pra mim - Eu não posso entrar sozinho. Seria atacado assim como o Vincent deve estar sendo, e no final eu não ia conseguir ajudar. Com vocês dois aqui, temos mais cabeças funcionando e não-alvos. - Ele está certo. - disse Nate tocando meu ombro e parando em minha frente - Só vamos tirar aquele cabeça oca de lá e ir pra casa. Não posso perder meu tempo com a causa do sumiço da Lindy. - Vamos deixar uma coisa clara, Marcado. - replicou Dominic o empurrando pra trás, cambaleei com o movimento por estar bem atrás de Nate - O sumiço da Fell não tem nada a ver com o Vincent. Se ela não soube se cuidar ou se defender é problema dela, não dele. Agora pare de falar, a sua voz me irrita. Nate cerrou o punho, mas passei minha mão em torno dele e quando ele virou-se pra me encarar, balancei a cabeça. Dominic tomou a frente e caminhamos rapidamente pelo corredor até a sala do diretor. Não batemos, apenas entramos e lá estava o velho, atrás de uma mesa de madeira com os olhos ávidos em Vincent - que mudaram de direção para nós assim que entramos - Já Vincent, estava de costas para nós sentado na cadeira em frente à mesa, e seus ombros tensos. - Mas o que é isso?! - interveio ele apertando os braços da cadeira com suas mãos enrugadas e manchadas enquanto Vincent se virava nos encontrando de pé na porta - Não podem entrar desta forma na minha sala, é um lugar de respeito. - Cale a boca, Cedric! - revidou Dominic irritado. - Traidor número dois. - ele riu passando o polegar pelo lábio inferior pálido - Quanta destreza! - Vincent vai sair conosco ou não vamos sair. - declarou ele - Sabemos bem que ele não está aqui por que surrou um dos colegas de classe. - Na verdade - murmurou ele - Surrei sim. - Não está ajudando, Vincent, quieto! - resmungou Dominic levantando sua mão - O que quer para nos deixar em paz, nos libertar de seus serviços? - A garota. - ele deu de ombros - Logicamente. - Não dá! - respondeu Dominic - O Criador já está com ela e não sabemos pra onde a levou. Vá negociar com ele, Cedric. - Não estão liberados. - ele balançou a cabeça - Se não podem me dar a garota, quero outra coisa. - E o que seria? Seus olhos voltaram-se para Vincent, que se virou ao ver nosso espanto. - O colar no seu pescoço. - disse Cedric - O colar de serpentes. Depois estarão liberados. - Não! - disparou Vincent pondo a mão sobre o tecido da blusa em seu peito, onde provavelmente estaria o colar - O colar pertence a ela e não vou entregá-lo a você. - Está sendo fiel. - ele assentiu lentamente olhando para a mão de Vincent que deixara o colar - É uma graça, mas não foi exatamente um pedido, meu rapaz. Franzi os olhos para aquele homem estranho desconfiada. Ele ia fazer alguma coisa. Não demorou mais de dois segundos para que ele avançasse sobre a mesa puxando a corrente e o pescoço de Vincent para si. O colar arrebentou e Cedric levantou-se triunfante com ele entre os dedos. Vincent se levantou em um salto passando a mão pelo pescoço. - Isso não é seu! - ele apontou o dedo para ele - Não me faça pegá-lo de volta a força. - Tente! - desafiou ele sacudindo o colar no ar. Vincent saltou sobre a mesa, assustando Cedric, e o agarrou pelos ombros jogando-o contra a parede. Seu braço prendeu-se sobre o torço dele. O velho apertou os dedos ao redor do pingente e riu. - Sempre achei que o menino Asvarc era o esquentadinho, mas vejo que as aparências enganam. Foi só perder a garota que você se tornou um caos, Vincent Martin. - Não repita isso, seu nojento! - silvou Vincent - O único caos aqui é você. Acorde, Cedric, Doroty está morta e o Criador não vai trazê-la ela de volta. Não seja burro. Não ganha nada entregando esta merda a ele. Dominic foi até o homem e tirou os dedos do homem do colar e o pegou para si. Cedric riu diante dos dizeres de Vincent e o acertou com uma arma de choque, o que fez ele soltar um grito. Ele avançou em Dominic e assim que se preparou para acerta-lo na barriga, tirei o colar de sua mão e disparei pelo corredor.
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Quando ouvi o motor do carro de Alyssa e reconheci suas botas saltando de sua caminhonete, saí do meu esconderijo e fui de encontro com ela. - Crystal? - ao me notar indo em sua direção ela já começara seus questionamentos - O que aconteceu? Está sozinha? Onde estão os meninos? E a Lindsey? - Vejo que está desatualizada. - respondi parando diante dela - O Criador está com a Lindy, ela sumiu. - Ah, meu Deus! - exclamou ela no momento em que Thomas chegou ao seu lado - Lindsey Fell foi levada pelo diabo, Thomas! Ele fez sinais e Alyssa os traduziu pra mim: - Ele sente muito! - falou ela - Mas o que está acontecendo? - Cedric, o homem que tinha contratado Dominic e Vincent para o trabalho sujo com a Lindy. - Sei. - assentiu ela enquanto eu falava. - Nate, Vincent e Dominic estão na sala dele. - expliquei - O homem nos atacou com uma arma de choque e já faz uns vinte minutos que eles estão lá dentro. Não sei como as coisas ficaram depois que eu saí. Alyssa assentiu e segurando meu pulso, me puxou pelas escadinhas e no fim delas, o largou. Thomas nos seguiu. Mantive o passo largo de Alyssa pelo corredor. A porta estava encostada portanto eu pude ver Cedric de pé e quando Alyssa terminou de abri-la, nos deparamos com ele apontando um revolver para Nate, que mal se movia. Ela deu um passo para trás, mas eu permaneci no mesmo lugar. Com o canto do olho, notei Dominic no chão com os braços apoiados na cadeira que o amigo estivera sentado antes, Vincent, por sua vez, estava estirado no chão com as costas apoiadas na mesa. - Eu sabia que a mocinha ia voltar. - ele sorriu sem tirar a mira da arma de Nate - Dizem que elas sempre voltam. Não me pronunciei, apenas continuei o encarando sem fraquejar diante de suas palavras. - Só não imaginei que você traria mais amiguinhos. - ele riu - Me entregue o colar e não atiro neste aqui. Pus a mão no bolso do meu casaco e segurei o colar. Um sorrisinho brotou em seus lábios com meu movimento e repentinamente, vi de lado Vincent olhar para algo além de mim e cutucar Dominic. Ele olhou para o mesmo lugar e assentiu para ele. Vincent levou o dedo aos lábios pedindo silêncio. Ao meu lado, Alyssa franziu o rosto e desviou o olhar querendo disfarçar. - O que vai ser, garotinha? - provocou ele enquanto Dominic e Vincent se levantavam sorrateiramente. - Você subestima demais as pessoas, Cedric. - fitei-o - Esse é o problema. Antes que ele pudesse abrir a boca para responder, Dominic agarrou a mão dele que empunhava a arma e a pegou para si; já Vincent, arrancou a arma de choque de seu bolso. Olhei por sobre meu ombro e vi Thomas sorrindo. Virei para encarar Cedric no momento em que ele tentou fugir. Alyssa e eu demos um passo para esquerda, seguindo seus passos, e por sua cara de vencido, Thomas nos seguira também. - Acabou pra você, Cedric Gabrilson! - declarou Dominic com a arma apontada para sua cabeça - Faça a ligação, Vincent. - A ligação não! - resmungou ele sem se mover. Vincent levou a mão ao bolso e discou três números. Era óbvio pra mim a ligação que ele temia. Polícia.
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Cedric foi levado diante de todos os alunos e funcionários da escola. Ele emburrou-se com a imagem das algemas em seus pulsos e nos fitou com os olhos em chamas. Dominic, Vincent e eu ironicamente estávamos mais próximos do carro e o encaramos enquanto ele entrava na viatura. Quando dentro, ele nos fuzilou com um sorriso irritante. - Cometeram um erro. - disse ele balançando a cabeça - Aquele homem virá buscar o colar. Aposto todo o meu dinheiro que ele já sabe que estão com ele. - Estamos prontos pra ele. - revidei mesmo sabendo que não era verdade. Ele riu. - Boa sorte. - debochou ele - Revolucionários. - Vá para o inferno, Cedric! - suspirou Dominic se afastando. Troquei um olhar indecifrável com Vincent antes de ir atrás dele ignorando as risadas. Dominic tinha se sentado em uma mesa de concreto perto de barras de ferro. - Você está bem? - indaguei me sentando na escada atrás da mesa. - Fizemos o certo. - afirmou ele - Ele teria nos matado lá dentro. - Sim. - confirmei - Mas você não parece muito satisfeito. - Não é nada. - respondeu ele balançando a cabeça - Fez bem pedindo ajuda. Poderíamos estar todos mortos agora. Me mantive calada sem tem o que dizer. - Meu avô entrou em contato. - revelou ele me fazendo arregalar os olhos - Foi hoje, durante o intervalo. Ele ligou para a Sara Fell. - E? - indaguei ansiosa. - Nos vemos em dois dias. - respondeu ele sabendo que eu o estava encarando, mas sem mover um centímetro de sua cabeça. - Está bem. - assinti - Dois dias. Um silêncio desconfortável pairou sobre nós. - Crystal... - suspirou ele quebrando o gelo, mas foi interrompido com a chegada de Alyssa. - Eu e Thomas já vamos. - anunciou Alyssa - Mande um oi ao seu irmão por mim, Crystal. - Vou mandar. - sorri discretamente. - E boa sorte com a Lindy. - terminou ela. - É o que esperamos! - soltei exasperada enquanto saltava do muro. Com isso, ela se retirou. - Não foi muito convincente. - titubeou Dominic. - Só não queria piorar as coisas. - Seu pai deve estar preocupado. - ele levantou-se também - Melhor nós irmos. - O meu pai? - Sim. - Eu acho que não. - respondi acompanhando seu movimento de pegar a mochila - Ele está ocupado.
As portas abertas
Take it easy - Jetta
Na subida Nós esquecemos de ir com calma Pegue leve, pegue leve Tão alto, alto Se nós pegarmos isso tão alto Eu estarei perdendo você Eu poderia me perder também
Crystal
Acordei não muito bem, parecia ter dado um mau jeito no meu pescoço. Foi quando tomei consciência que notei que estava no meu quarto, na minha cama, mas como é que eu tinha ido parar ali? Eu me lembrava da noite anterior. Eu e o Dominic... Meu Deus, e ele?! Sentei-me espantada e depois de passar as mãos nos meus olhos, não estava mais sozinha. Era a Conjuradora de novo, sentada ao pé da minha cama. - Bom dia, criança! - ela sorriu seu sorriso branco cegante. - Conjuradora! - engoli em seco - Ele a pegou. - Ah, eu sei, meu bem. - respondeu ela abanando as mãos - Mas vim alertá-la sobre outra coisa. - O que? - Eles chegaram. - ela foi clara - Os Cães do Norte, eles estão em Portland. A encarei pasma. - Estão estranhos - continuou ela - eles deviam matar tudo que veem pela frente, mas parecem procurar por algo, alguém. - O Criador?! - indaguei nervosa. - Talvez. - concluiu ela - Ou você. - Eu? - arregalei os olhos - Por que estariam me procurando, Conjuradora? - Querida, ainda não aprendeu? - ela tocou meu rosto - É uma Armadir, farão de tudo para pôr as mãos em você. Você é uma arma. Franzi o cenho. - Tome cuidado, criança! E foi tudo que ela disse antes de sumir. Ela simplesmente tinha desaparecido como se fosse um sonho e eu tivesse acordado. Olhei em volta, mas não havia sinais da presença dela. Secando minhas mãos na coberta, respirei fundo e fechei os olhos. Após abri-los novamente, me levantei e fui até o closet. Já vestida adequadamente, me apressei nas escadas checando as notificações do meu celular, mas não tinha absolutamente nada para ser visto. O enfiei no bolso e enfim estava no andar debaixo. Ninguém estava na sala ou na cozinha. Fui checar na sala de armas, nada. A biblioteca, completamente vazia. Subi novamente e bati na porta de Nate, que a abriu com uma cara de quem acabara de acordar. Não tinha o visto depois de nossa curta discussão na cozinha e em vez de me preocupar com isso, fui direta: - Faz ideia de por que a casa está deserta? - muito delicado! - Não. - responde ele passando a mão pelo rosto - Mas a essa hora Dominic e Vincent devem estar na escola, e Will e o Fin devem estar dormindo. Por que não vai checar? Assenti, e ele se preparou para fechar a porta novamente. O interrompi. - Espera! - segurei a porta e a empurrei de volta - Como você está? - Ocupado. - respondeu ele com um sorriso falso - Não enche, por favor! Olhei através dele e franzi os olhos. Sem permissão alguma, entrei em seu quarto ignorando sua advertência. O lugar estava uma zona e cercada por papéis e livros, uma caneca com uma crosta seca de café e embalagens de barras de cereal no chão. Virei-me pra ele cruzando os braços. - Quando ia nos contar que está tentando achá-la? Nate estava vermelho como nunca, mas não explodiu, ele abaixou a cabeça e respirou fundo. - Porque eu e Dominic temos uma pista que pode te ajudar. - respondi sorrindo - E eu ia gostar de ajudar, por que não contou? Seu rosto tinha assumido outra expressão diante do meu comentário. O Nate ansioso era imprudente e isso sempre terminava em uma ideia suicida. - Sabe melhor do que eu que todos estão tensos demais para se preocuparem com o que realmente importa. - disse ele - Eu que a trouxe para esta vida para começo de conversa. Desejo ser responsável por trazê-la de volta. - Mas não vai fazer isso sozinho. - o enfrentei - É impossível fazer isso sozinho. - Que pista você e o Dominic conseguiram? - perguntou Nate torcendo os dedos. - Eu te conto. - disse assentindo - Se me disser o que achou nas últimas horas, criando essa bagunça repugnante! Ele revirou os olhos e fechou a porta atrás de si.
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Depois da história de Nate, contei sobre a casa de um dos Criadores em uma área que fazia fronteira entre o mundo natural e o sobrenatural, e claro, que James Asvarc nos levaria lá com a ajuda de Sara Fell. Ele pediu que eu saísse depois disso e eu falei para ele que não ficasse no quarto o dia inteiro, mas duvido muito que fosse fazer alguma diferença. Agora, eu estava na cozinha sentada à mesa junto com Will e em nossa frente, uma vasilha de frutas secas era nosso lanchinho. Meu pai tinha ido com Will ao médico ver como estava a perna dele, e graças a Deus estava melhorando, apesar de estar mancando um pouco. Pelo lado bom, ele não precisava mais das muletas, ainda assim, subir escadas era a exceção. - Tem falado com a Alyssa? - perguntei sorridente. - Não. - respondeu ele envergonhado - Da última vez que nos falamos, ela leu uma passagem de A Besta de Notre Vaz pra mim. - Ela leu pra você? - ri - Meu Deus, como você é burro! - Por quê? - indagou ele irritado por não saber do que eu falava. - Will. - comecei - Quando uma garota lê pra você por pura e boa vontade, ela quer te impressionar e mostrar que está interessada. Ela está a fim de você. Ele gargalhou, mas terminou com um olhar distante. - Liga pra ela. - dei de ombros - Chame-a pra vir aqui. - Não obrigado. - disse ele mastigando as frutas em sua boca - Não quero que ela me veja assim. - O que isso quer dizer? - o encarei. - Precisando da ajuda de vocês e mancando como um aleijado. Olhei para baixo e fiquei em silêncio, claro, por culpa minha! - Não se preocupe comigo. - ele me reconfortou tocando meu ombro - Logo estarei bom. Levantei a cabeça e abri um sorriso - "Por que os Argent são fogo. Belos e rebeldes, um desastre; mas são guerreiros". Ri voltando a comer as frutas. Não demorou nada para que Dominic e Vincent chegassem. Assim que surgiram no corredor, Vincent subiu direto sem falar nada, e Dominic, deixando mochila no sofá, se sentou perto do balcão. - Quais são as novas? - indagou ele pegando a garrafa de água que estava sobre ela. - Nate está procurando a Lindy. - declarei e até Will se sobressaltou, também não sabia - Parece que o subestimamos. - Já deviam saber. - falou Dominic bebendo uma golada de água com uma cara feia, devia estar quente - Ele e a Lindy são as pessoas mais próximas dessa casa, pensem no que ele não é capaz de fazer só para salvar ela do Criador, a pessoa que aparentemente ele mais odeia no mundo. - Dominic está certo. - falei repentinamente - Devíamos saber que ele não ficaria sem fazer nada. - Não serei eu que vou impedi-lo. - falou Will se levantando - Vou descansar minhas costas, não façam bagunça! Revirei os olhos e comi outra porção de frutas. Olhei para Dominic, era a hora de saber a verdade. - O que houve lá no ferro velho? - indaguei lentamente - Como saímos de lá? Quando? - Assim que amanheceu, fui até o posto e comprei os pneus. - disse ele batendo a garrafa vazia entre as mãos sem me olhar - Os troquei e dirigi de volta. - ele enfim me encarou - Não quis acordá-la. - Entrou no meu quarto? - perguntei sentindo minhas bochechas arderem. - Não. - respondeu ele deixando a garrafa de lado - Seu pai estava acordado, parecendo um zumbi na sala. Expliquei a situação a ele. Depois ele a levou para o quarto. - Ah. E a escola hoje? - perguntei - Alguma coisa nova? Suspeitos? - Todas aquelas pessoas são suspeitas. - falou ele saltando da cadeira - Qualquer aliado do Criador sabe atuar bem, não são idiotas. Assenti quieta. - Vou lá, loirinha! - ele fez um sinal de despedida - Não coma muitas frutas secas. Engoli em seco e quando pensei em me levantar pra ir atrás dele e revidar, meu celular vibrou no meu bolso. Tirei-o de lá e visualizei a mensagem. Greg. "Arcal Noba, me encontre lá em meia hora." Agora eu estava irritada.
Lindy
Por mais incrível que pareça, eu tinha conseguido dormir. Não muito, mas o suficiente para que os tiques parassem. Mal estava acordada e já havia sido obrigada a tomar minha primeira dose de cafeína do dia, trazida pela mulher corcunda, a mesma que tinha me levantado do chão. Mas ela já tinha ido mais uma vez. Já estava na sexta dose do dia e bem acordada. Hoje eu tinha uma oportunidade de fugir e se eu tivesse que rasgar algumas peles para isso, eu faria com as minhas unhas. A porta se abriu de solavanco e dois homens fardados surgiram nela. Não portavam armas visíveis, então não era minha hora de levar um tiro no meio da cara ou algo do tipo. O que me confortou de repente foi o que Jackson tinha me dito há duas noites: eu não podia ser morta. Sem qualquer contato visual, eles começaram a me soltar e agarraram meus braços antes que eu tivesse a chance de estapeá-los. Primeiro fracasso. Engoli em seco enquanto eles me levaram pelo corredor, eu caminhava com dificuldade e praticamente estava sendo carregada pelos homens. Viramos umas duas curvas até estar em uma sala vasta e vazia como a maioria daquele lugar parecia ser. E bem no centro dela, estavam Jackson e dois homens, um mascarado com um arco nas costas e flechas douradas no ombro esquerdo - Najo - o outro, também mascarado, tinha apenas uma estatura distante de ser de um homem, na verdade era um garoto. - Patinha! - ele bateu palmas enquanto os homens me carregavam até ele. Eles me largaram e quase caí, mas me mantive de pé. - Está tão fraquinha. - caçoou ele segurando meu rosto e me fazendo olhar para seu par de olhos negros. O encarei com repugnância enquanto ele virava meu rosto para entrada onde os dois homens que tinham me trazido estavam de pé. - Avisos rápidos. - anunciou ele mantendo meu olhar naqueles homens - Aqueles são Lee e Jake, meus melhores homens. Não vai querer encará-los ou a eles. - mais uma vez ele bateu palmas e luzes superiores acenderam-se iluminando a sala escura e revelando Najos espalhados por todo o espaço circular, um em cada pilastra - Não sei já leu sobre os Arqueiros Mascarados ou Najos, mas são excelentes e qualquer gracinha sua será revidada com flechas. Vão flechá-la até virar um saco de sangue moribundo. Quis voar no seu pescoço, mas me controlei para não começar a chover flechas em mim. Ele me virou novamente para que eu pudesse ver seus outros dois homens em nossa frente. - E esses são os protagonistas do nosso joguinho. - ele riu de uma forma doentia, mas que o normal - Um Maquinista - ele apontou para o garoto - e um Najo... Especial. - Najo especial?! - franzi o cenho. - Sim. - concluiu Jackson - Ele se tornou um Najo, mas era um Rastreador. Justin será sua âncora. - Minha âncora? - ri - Ele vai ser minha ponte para chegar até os meus amigos? - É exatamente isso! - disse Jackson com um sorriso - Não sei se percebeu, mas todo e qualquer contato com o mundo além desse lugar é inútil, é bloqueado. Isso explica muita coisa. - O senhor Lewis é capaz de cortar este bloqueio. - E o Maquinista? - apontei pra ele - Por que está aqui? - Não entende nada mesmo, não é menina? - ele riu de mim - Todos os seus amiguinhos estão enfiados na mansão dos Argent, e um deles é Marcado, o que melhor do que usar o Maquinista dele para chegar ao que eu quero? - Nate... - Isso, o agregado. - ele gargalhou - Não é irônico? Você parte o coração dele e agora ele entrega o atual responsável pelo seu colar precioso, que pode ser ele por sinal. Não pude formar palavras para liberá-las, estava diante do Maquinista do Nate. Partir o coração? O que? Passei a língua pelos meus lábios feridos pelo frio e respirei fundo. Eu tinha tomado todo cuidado possível e agora ia arruinar tudo. E nem sabia como o faria. - Chega de enrolação! - declarou Jackson - Venha até aqui, menina. O fuzilei com as mãos cerradas ao lado do corpo e um fervor que minha garganta vinha experimentando nos últimos dias. Raiva. Caminhei cambaleante até ele. Suas mãos pararam em minha nuca e seus dedos direcionaram meu queixo para que eu olhasse para ele. O sorriso que veio de seus lábios podia ser comparado com o de uma cobra, e seu próximo passo só o fez parecer mais ainda com o ser deslizante e gelado, ele fechou os olhos e sibilou em uma língua desconhecida para mim. Não era nem latim. Ao terminar, ele abriu os olhos e me fitou novamente. - Olhe para os meus olhos, Lindsey Fell, olhe dentro dos meus olhos. - ordenou ele apertando minha mandíbula - Olhe através deles. O fiz e com o olhar preso no dele, nem piscar eu conseguia, e quando voltaram ao normal me sentia estranha, enjoada e tonta como se estivesse chapada. - Certo. - cogitou ele - Ela está limpa. O Najo estendeu a mão pra mim, mas algo me dizia que aquilo não era um convite. A segurei e senti uma incrível tensão quando o fiz, como se ele carregasse eletricidade no punho. Com a mão sobre a dele, uma força que não veio de minha vontade fez meus olhos se fecharem e era como enxergar a casa dos Argent novamente. A sala, cozinha, sala de armas, de estar. A lareira, os corredores, a garagem, os quartos. O primeiro não apresentava qualquer sinal de vida, nem o segundo; e então veio o meu e uma lufada de calor atingiu meu rosto, o de Crystal passou exatamente igual e o de Will. Mais dois passaram vazios e um último agrediu o meu rosto com seu calor. Uma silhueta se materializou sobre a cama, não podia ver nitidamente, ainda era uma imagem muito borrada. Forcei os olhos e me aproximei de alguma forma da silhueta, como se eu estivesse no mesmo lugar que a pessoa diante de mim. Senti o vapor piorar e esmagar meu peito, eu mal conseguia respirar. E então passou, de repente. Meus olhos logo foram observando com cuidado até que eu pudesse ver quem era. Quase me pus a chorar diante da imagem que eu via. Ali tão pensativo, simplesmente deitado com o meu colar no pescoço e os dedos passeando pelas serpentes com os olhos marejados e cheios de dor, era Vincent. Como se tivesse levado um soco no estômago forte o suficiente para quebrar algum osso da minha coluna, fui arrancada daquela cena. De volta ao inferno. Ao abrir os olhos, percebi que as minhas duas mãos estavam tomadas, à minha esquerda pelo Najo e à direita, pelo Maquinista. Franzi os olhos para os dois e passei o olhar para Jackson, que estava pasmo pela primeira vez desde que tinha chegado àquele lugar. Quando os dois largaram minhas mãos, a levei para meu nariz e a recolhi percebendo que sangue escorria de lá. - Interessante! - exclamou ele enquanto eles abriam espaço para ele - Se fosse possível, estaria morta agora, tem noção disso? Balancei a cabeça negativamente. - Me diga o que viu. - Estava muito embaçado, não consegui ver rostos. - engoli em seco mentindo para ele - Tinha muita luz e não enxerguei... - Ordeno que me conte com quem está o colar! - ele agarrou meu pescoço. - Eu não vi nada. - Reconheço mentiras quando elas me são ditas. - ele riu - Não quer entregar seus amigos. Deve ser alguém importante, só pode ser ele. É o Perseguidor, não é? O dos pensamentos obscuros. Qual é mesmo o nome dele? É Vincent, não é isso? O colar está com o seu namoradinho. - ele riu diante da água em meus olhos - Você não pode esconder nada de mim, patinha. Ele girou em minha volta e por acaso, meus olhos foram levados para as mãos do Maquinista. Eu já tinha visto aquela mão pálida e ossuda, eu conhecia aqueles ombros curvados e... Saltei para frente em uma distração e puxei a máscara do garoto. E bem ali estava um dos meus piores pesadelos, Denyel. - Você?! - soltei com uma lufada de ar. Ele apenas deu um passo para trás me olhando nos olhos. - Olá, Lindy! - retrucou ele. Incontida, voei em seu pescoço o derrubando no chão e me pondo sobre sua barriga enquanto o enforcava. - Não era assim que eu imaginava nossa primeira vez. - disse ele com seu sorriso nojento, apesar de ter dificuldade para pronunciar suas palavras toscas. Antes que meu punho descesse no seu rosto, fui puxada para trás por Jackson e arremessada contra a parede. Apaguei assim que bati a cabeça no concreto me afogando em uma escuridão dolorosa.
Crystal
Parei o carro e consegui avistar Greg de costas para o estacionamento. Caminhei até ele preparando minhas palavras, mas todas foram quebradas quando ele virou-se para me encarar. - Você veio mesmo. - reparou ele. - Claro que vim! - parei diante dele - Não costumo furar encontros, como você, não é mesmo? - Não quis te magoar, Crystal. - disse ele dando de ombros - Sei que queria que eu fosse mais presente, mais certinho. Mas eu não sou assim. Abaixei o olhar relaxando. - É por isso que estou acabando com isso. - falou ele - Você já sabe o que quer da vida e eu estimo isso, mas nós realmente... Não estamos mais dando certo. Devia se esquecer de mim, você sabe do que estou falando? Assenti. - Eu estou terminando com você - disse ele de uma vez - e eu espero que você entenda o porquê. Apenas o encarei confusa. - Eu preciso ir. - ele tocou a lateral do meu rosto e beijou minha cabeça - Não suma ou vou sentir saudades. Insensivelmente, ele passou por mim deixando várias questões ainda sem resposta. Novamente com o olhar abaixado, senti meus olhos queimarem e meus dentes cerrarem. Foi então que notei que ele já tinha ido e eu estava de pé no meio do estacionamento. Enfrentando a situação, voltei para carro e quando girei a chave na ignição e o carro ligou percebi que estava chorando. As lágrimas pareciam água fervente contra o meu rosto, eu só queria voltar pra casa, de onde não devia nem ter saído. Já estava abusando da sorte dirigindo sem uma carteira renovada, acho que eu tinha planos para o dia seguinte. Me faltava coragem de chegar em casa neste estado, então parei no meio da floresta e desci do carro vestindo um casaco quente sobre meus trajes finos, estava esfriando. Mesmo correndo o risco de encontrar Dominic na cripta, entrei e estava deserta para minha sorte. Devia se esquecer de mim, ele disse. Infelizmente meus poderes não funcionavam em mim mesma, a maldição era ter poderes mentais, mas não conseguir usá-los.
Lindy
Acordei com uma luz forte no rosto. Franzi os olhos e ao tentar cobri-los, notei que tinha voltado para a cadeira e minhas mãos estavam presas novamente. Uma risada veio de trás do holofote. Quando a luz se apagou, percebi que era Denyel. Pela primeira vez seu cabelo estava em bom estado e seu sorriso parecia verdadeiro. - Do que está rindo? - indaguei revirando os olhos. - Sabe o que é irônico, Lindy? - questionou ele sem querer respostas - Há três dias, Vincent Martin me empurrou na piscina do ginásio fechado porque sentiu que eu feri os seus sentimentos, e agora, Jackson irá massacrá-lo. E a culpa é sua. Tencionei minha mandíbula. - Como pôde se aliar a ele, Denyel? - Procure me entender, Lindy, o Jackson me mostrou a saída de uma terrível vida solitária. - seus olhos vasculharam os meus - Com certeza ser o alvo da chacota dos "reis da escola" não era meu objetivo quando entrei na Harwy. - Acha mesmo que ele se importa com você? - o encarei com frieza - Conheço este homem há apenas dois dias e já garanto que ele só pensa nele mesmo. Ele riu novamente e levantou-se do chão antes de qualquer outra palavra minha. - Eu vou te contar uma coisa. - sua convicção me interessou - Estou neste ramo há quase dois anos, tudo começou do final do primeiro ano. Jackson tinha planos pra mim. Me quis como Maquinista, ele precisava e eu queria. Além de mim, haviam mais quatro. Jackson me contou tudo sobre as famílias, como a marca funcionava e que papel eu tomaria. Escolhi você, é claro. - Mas você não é meu Maquinista. - Não. - afirmou ele - Mas era o que eu queria. Me tornei próximo de Lynor e engoli até um namoro com ela só pra arrancar dela alguma informação sua. Ingênua, como sempre, ela falava tudo que eu precisava saber. E então Jackson me disse que eu não seria o seu Maquinista, ele tinha encontrado alguém especial para isso. Que poder eu tinha para me recusar de deixar a garota Fell por um tonto que eu nem conhecia? Não tive escolha. Terminei com aquela chata e só foi preciso mais duas semanas para que ela saísse do meu pé e começasse a me ignorar. - Ela falava de você. - meus dentes batiam de raiva - Passávamos noites inteiras juntas na minha casa e ela sempre me dizia que tentava entender o rompimento de vocês, se preocupava, tinha vontade de ligar para conversar, mas eu não deixava. Agora simplesmente me diz que foi uma mentira? Enquanto ela temia pelo seu bem estar, você nem ligava pra isso? Não sentia nada?! - Isso mesmo, espertinha! - ele sorriu - Mas aí ela começou a saber demais e se tornou um problema. - Você a matou? - perguntei com repugnância. - Não. - respondeu ele serenamente - Não significa que eu não saiba quem foi. - Quem? - as palavras saíram antes que eu pudesse contê-las. - Você vai saber, mas não por mim. - ele sorriu - Espero poder presenciar a cena, será interessante! Quanto ao seu Maquinista, se verão em breve. Franzi o cenho e tirei os olhos dele, pondo-me a pensar. - Já perdi muito tempo aqui com você. - ele parou para tossir - Até outra hora, Lindy! Sozinha de novo e pensamentos voavam pelos vãos da minha mente. Denyel era o Maquinista do Nate, na noite do banheiro... Não, não, que horror! Me fez tremer.
Crystal
Cheguei evitando barulhos. Não queria ver ninguém, apenas ir para o meu quarto e na calada da noite detonar uma garrafa de bourbon ou uísque. Mas assim que me aproximei da entrada, Dominic surgiu na porta. - Onde você estava?! - ele parou em minha frente. - Dando uma volta pela cidade. - respondi tentando afastar a lamentação na minha voz - Não tive problemas, mas é a última vez. Vou acertar a minha carteira. - Ah, muito bom! Sorri pra ele concordando. - Onde sujou seu rosto? - O que? - engoli em seco parando de sorrir. - Está sujo. - ele apontou para a bochecha direita do próprio rosto - Bem aqui. Sua mão pousou na minha bochecha e seu polegar roçou nela, aparentemente limpando-a e me fazendo cócegas. Sorri com o movimento e instintivamente, depois de ele afastar a mão, passei meus dedos pelo mesmo local, temendo ainda estar sujo. - Valeu! - agradeci balançando a cabeça. - Você está bem? - indagou ele e eu já sabia o motivo, meus olhos estavam queimando, eu podia senti-los molhados. - Eu estou bem. - sorri na expectativa de tranquilizá-lo. Sua expressão divertida deu lugar para uma preocupada. - O que aconteceu? - Nada. - pisquei. - Crystal... - começou ele. - Me dê licença. - pedi passando por ele e me apressando pelo corredor enquanto cobria a boca com a mão para que ele não ouvisse meu choro.