O sorriso dele só não estava maior porque ainda guardava umas migalhas para mastigar, nos cantos da boca --- inflando suas bochechas por conta disso. Sentiu-se até que mal por ter comido do alimento alheio assim, sem mais nem menos, porém comoveu-se e fez uma careta, terminando de comer para que pudesse pronunciar-se, finalmente: “Você não vai engordar de uma hora ‘pra a outra, sabia? Além do mais, imagino que tenha uma rotina muito corrida também, e pelo modo como fala isso deixa óbvio demais até. Quer comer um kebab? Conheço um lugarzinho que faz comida boa do lugar onde cresci. Posso afirmar que o kebab só engorda seu cérebro. E isso é uma coisa boa!”
Não era prudente da parte de Kyunghee oferecer todo aquele doce para criancinhas, tanto porque não eram de sua responsabilidade quanto porque faria mal ao corpo receber aquele exagero de açúcar; contudo, relembrando o tempo em que era jovem, percebeu que era exatamente isso que sempre teve, somado à boa alimentação que nunca lhe faltou. Não era como se isso justificasse suas atitudes, porém, ainda assim, satisfaria um desejo interno de cada serzinho que distribuísse os cupcakes. E sem contar que havia provado e achado-os deliciosos. Seu foco principal, no entanto, era surpreender seu irmão mais novo, o qual tivera pouca conexão desde que voltara para a Coreia. Foi surpreendente, na verdade, descobrir que tinha um irmão, pois sequer lembrava de seus pais biológicos --- tendo sempre considerado seus próprios avós como os verdadeiros pais, que de uma forma ou de outra não deixavam de ser, realmente. Cada lacuna vazia foi preenchida e esperava ser tão vivo na vida de Junsik quanto seu pai jamais foi.
O olhar brilhava quando adentrou o grande espaço, verificando nas salas algum rostinho conhecido com aquele cabelo grande que o irmão insistia em manter --- não só pela beleza, mas pela comodidade. A visão, todavia, fora ocupada pelos cabelos negros e tão longos quanto os de seu semelhante. A cabeça até inclinou para o lado, curioso por já saber de quem se tratava, mas mesmo assim ansioso pelas feições femininas; Era como se aquele rosto o deixasse sem fôlego e ao mesmo tempo lhe fizesse respirar de verdade. Não lembrava o nome dela, mas sabia que não havia conseguido esquecer aquele rosto desde que o vira a primeira vez. E a segunda, e a terceira... Era impossível não se encontrar com a outra, ainda mais quando o círculo de convivência de ambos era tão similar. Só havia nomeado-a como A Mulher do Fogo, mas é claro que referir-se à ela daquela forma sem sequer conhecê-la propriamente, era falta de educação de sua parte. Mesmo após digerir aquela sensação boa que os traços alheios implantaram sobre seu âmago, Kyunghee deu duas batidinhas na porta, em seguida sorrindo plenamente à outra em questão, até que esperasse uma atitude dela para que ele adentrasse --- a permissão dela, na verdade.
“O que isso; um cachorro ou um hellhound? Eu também já fiz uns bicos assim, mas desisti porque muito cachorrinho pequeno junto é quase uma convenção do inferno. Sabe aqueles pitocos de gente que morrem de latir, mas não fazem nada? É só ‘pra me dar dor de cabeça, então acabei desistindo. Mas já tenho os meus ‘pra cuidar, e eles são endiabrados o suficiente.”
“Omo~, que responsa se chamar Senhor Popozão! E eu lá deixaria meu filho à mercê de um senhor enfurecido? Eu carrego o cachorro e você dá cambalhotas ‘pra distrair todo mundo, que tal?”
“Quem é Ben Johnson... Yah~, jinjja! Por que tão cabeça dura? Eu posso fazer isso por você, é uma coisa tão simples! Preciso treinar, aliás; como espero ser um bom profissional na área da saúde se nem ao menos consigo ajudar alguém machucado? Não faz sentido ficar só olhando você desse jeito. Por favor, me permita.”
“Aigoo~, eu queria que ele pelo menos pensasse que eu não sou retardado, ou que não tenho imaginação o suficiente ‘pra gastar com ele. Eu inventei uma uns dias atrás, mas acho que só passaria vergonha... É assim: ‘gato, você bebe soju? Porque só juiz ‘pra me livrar da cadeia do seu coração.“
“Mas o quê... Você cheirou muito essa rosa, bicho! Eu achei que era comestível, mas agora percebi que é só pacote de droga; não tem outra explicação. E essa rosa nem é sua, você pegou ela de outra pessoa que eu vi, então como assim não é muito bom em dividir?!”
“Hmm... Chave de cadeia esse outro. Sou louco por uma gracinha que todo dia vai lá em casa, mas ele nem liga ‘pra mim... O que você sugere que eu faça sobre isso? Acha que uma serenata resolve?”
“O que foi isso que eu acabei de escutar, Jesus Cristo?”
"Bicho, você fala muita coisa assim... meio... sei lá?! Eu só entendi Atari até agora. Calma que eles acabaram de lançar o futuro, você não precisa esfregar na minha cara que eu não entendo nada disso. Na faculdade eu aprendo outra coisa!”
"QUINZE... mil wons?... Você entendeu que eu enxergava? Eu na verdade sou cego, então esse seu serviço torna-se nulo automaticamente.”
“Kwenchanayo~, eu sou muito bem encarado ou mal encarado no meu dia-a-dia, mais uma pessoa ‘pra cota não é nada! Eu até sugeriria aquelas apostas de ficar olhando sem piscar, mas lembrei que sou cego, né?!”
“Sim, são mesmo. Eu passei a prestar atenção nisso quando conheci minha irmãzinha!”
“Acho que... tem?! Você já assistiu aqueles últimos filmes d’Os Vingadores? Que o Tony vira parceirinho do Peter? Você bem que podia ser meu filhote de aranha.”
“Isso me faz pensar que eu sou um péssimo irmão, aish~... Então eu vou salvar ela do colesterol alto e você de uma dor de cabeça.”
“Hmm, não sei... Eu pensei de levar ‘pra escolinha da minha irmã. Ela é nova, mas muito preguiçosa, então o açúcar ajuda ela a ficar mais ativa. E também seria bom ‘pros colegas dela; ela me contou uma vez que eles comem coisas mais saudáveis, e odeia verduras. Por isso que esses cupcakes iriam cair como uma luva! Você ajuda alguma instituição? A gente podia fazer uma parceria, hn?”