【 IT’S TOO LATE NOW TO SAY SORRY? ➸ BLACKWATERS ➸ FB】
O ato caracterizado pelo arrependimento era a expressão “desculpa” que, de certo, não exemplificava tão bem o conceito geral daquela virtude humana que era arrepender-se. O pesar da culpa não provinha essencialmente do modo como ferira outro ser com palavras que julgastes felizes, mas que, entretanto, eram infelizes; dentro da psique humana era, de fato, um notório desejo de modificar aquele momento para que fosse possível lucrar com o mesmo em dado momento, algo que Black, embora em seu subconsciente estivesse sentindo uma pontada daquilo que poderíamos descrever como culpa genuína, estava sentindo em sua consciência humana naquele momento. O ato de caminhar até a área destina às cabines masculinas era, de certo, um desejo de descobrir o que teria acontecido caso sua resposta fosse diferente àquela dada; o retrocesso era motivo pela curiosidade que rondava sua mente em busca de possibilidade. Seria muito dizer que ele estava essencialmente arrependido. Infelizmente, era recente o pesar em seu peito e, de tal forma, era impossível para ele crer que aquele sentimento era essencialmente terreno; a condição térrea de ser humano. ❝ Aly? ❞ Dissera o mais velho ao bater à porta da menor de forma condida. A voz possuía um tom sereno que se assemelhava à sua expressão relaxada. A culpa não o atingira verdadeiramente como qualquer outro ser humano seria atingido por ela. ❝ Olha, da uma segurada na emoção e me escuta: i’m sorry for what i said when i was drunk. ❞ Culpar a bebida era baixo até para alguém como ele, todavia, o álcool que vivia em seu organismo era um bom álibi para aquela situação. Esperou, todavia, nenhum som. Suspirou irritado. Ele vem se desculpar, algo que não faz com ninguém, e é ignorado daquela maneira? ❝ Você não é uma menininha patricinha mimada, você sabia? Não se comporte feito uma. ❞ Os olhos azuis eram frios como aço diante daquela cena. Não voltaria atrás novamente, e se ela o estava ignorando, ele não voltaria a vê-la novamente. Entretanto, ele estava atento, porém, nenhum som ou qualquer coisa que indicasse movimento dentro da cabana; nada indicava a presença de alguém e já era tarde para que ela estivesse vagando. A curiosidade ou a preocupação? Ninguém saberia dizer a razão pela qual seu pé acabou batendo contra a porta, todavia, os deuses pareciam ter o enviado para encontrar a cena a sua frente. Alisson estava caída em uma postura estranha, como se não tivesse se movido um centímetro desde sua queda, indicando que havia algum tempo o seu estado. Black aproximou-se cuidadosamente, como se a outra fosse feita de porcelana e seus dedos fossem quebra-la em pedaços. ❝ Será que serei acusado de ter te matado se ficar? Ou eu posso deixa-la aqui e ir embora. ❞ Divagava ao procurar uma veia pulsante em seu pescoço. Está respirando. Heaven, por fim, equilibrou o peso da outra em seus braços para encaminhá-la para a enfermaria.
@stronger-allison
A amizade que Allison e Heaven apresentavam não era considerada boa para a ruiva, como poderia quando a cada instante que passavam juntos sempre surgia algum motivo de discutir na maioria das vezes, restando apenas raros momentos agradáveis sem brigas, estas causadas muitas vezes pela impulsividade da Waters como a última briga que haviam tido em menos de uma hora, por isso, que a garota se encontra andando pelo seu quarto se remoendo por ter falado algo tão pessoal para o moreno. “Como pude ser tão insensível aquele ponto?” Perguntou a si mesma, seus pés estancaram fixando-se ao solo de madeira da cabana deixando a ruiva encarando seu reflexo, suas feições retorcendo em forma de desagrado aos pensamentos que lhe ocorria no momento, entretanto, não foi o que mais chamou atenção de Aly em seu rosto, seu rosto estava inchado e seus cabelos desgrenhados em volta sem controle, estava horrível e o pensamento que não queria que chegasse em sua consciência tão cedo aparecerá, levando para o lado que lutava tão bravamente para não entrar. Mas Heaven não deveria ter sido tão insensível, poderia muito bem ter usado qualquer motivo menos grave como aquele, a aposta idiota que William havia feito com os seus amigos estúpidos que ele poderia namorá-la e tirar sua virgindade, o clichê que mais se ver em filmes adolescente que no final tudo ficava bem porque o cara se apaixonou pela nerd, esquisita. Porém a vida não é um filme, Allison havia saído sem um namorado, virando uma piada para toda a sua escola e como não poderia faltar para aumentar a sua desgraça a descoberta do seu câncer. “Se eu fosse esse seu ex não aceitaria namorar você por tão pouco. Ele ia ganhar o quê? Bebidas?” A frase dita pelo moreno rondava em sua mente enquanto tentava esquecer-se do tempo que havia descoberto tudo, ela havia começado a gostar dele e confiar em Will, mas tudo se desmoronou quando sem querer ouviu uma conversa perto do vestiário masculino e como se fosse um filme que a garota não controlava se dava pause, passava rápido ou desligava as lembranças passaram em sua mente, gotas grossas quentes caíam lhe pelas bochechas e parava seu caminho muitas vezes entre seus lábios permitindo a garota sentir o gosto salgado provindas das mesmas, ou contornavam seu maxilar. “HEAVEN VOCÊ É UM IDIOTA!” Sua fúria sendo emanada em único grito fraco que rapidamente se tornou em soluços abafados, precisava se manter em movimento para dissipar qualquer raiva, mal havia dado um passo quando sua vista começou a embaçar e o local parecia que estava rodando, não teve nem tempo para perceber o que estava acontecendo, suas pálpebras fecharam e deixaram ela perdia em sua inconsciência antes de deixar seu corpo cair no chão duro da cabana.
A primeira coisa que seu cérebro percebeu foi a luz vermelha que provinha da claridade vista através da parede interna de suas pálpebras, logo em seguida o cheiro que era tão conhecido por ela de alvejantes para manter o local esterilizado, livre de quaisquer microrganismos que pudessem infetar uma pessoa que estava ali por um leve ferimento, ela conhecia cada parte do local ou imaginava que fosse parecida com tantas outras que visitou durante anos de sua vida. Por que ela estava ali? Seu câncer não poderia ter voltado, a porcentagem da volta era tão pequena que poderia ser equalizada a 0%, mas de alguma forma poderia voltar e ser mais avassalador do que havia lidado anteriormente e poderia levá-la ao último e o mais assustador estágio da doença: morte. Ela precisava tirar a incerteza que suas dúvidas lhe provocavam e deveria enfrentar com a cabeça erguida qualquer fosse a resposta de sua pergunta. Inspirou o ar para dentro de seus pulmões e expirar deixando seu diafragma descontraí, tornando os movimentos musculares uma forma de acalmar seus pensamentos. Abriu os olhos e encarou o teto branco da enfermaria. “O que estou fazendo aqui?” Sua voz saiu ríspida como se o tempo que havia estado desacordado deixasse suas cordas vocais secas, mas não teria ficado tanto tempo nas ondas da inconsciência.








