Infortúnios
Por vezes muitas tentei
De mim escapar
Por vezes muitas estive a lamentar,
Mas no fim é preciso saber
Que ser poeta é se suportar
é fingir que há dor onde não
há é dizer que está cheio de felicidade sem nem a carregar.
(Yuri Rhamachi)
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Infortúnios
Por vezes muitas tentei
De mim escapar
Por vezes muitas estive a lamentar,
Mas no fim é preciso saber
Que ser poeta é se suportar
é fingir que há dor onde não
há é dizer que está cheio de felicidade sem nem a carregar.
(Yuri Rhamachi)
A alma cativa e obcecada Enrola-se infinitamente numa espiral de desejo E melancolia Infinita, infinitamente
Carlos Drummond de Andrade em Sentimento do mundo. (via gotas-de-poesias)
Pouco importa venha a velhice, que é a velhice? Teus ombros suportam o mundo e ele não pesa mais que a mão de uma criança. As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios provam apenas que a vida prossegue e nem todos se libertaram ainda. Alguns, achando bárbaro o espetáculo, prefeririam (os delicados) morrer. Chegou um tempo em que não adianta morrer. Chegou um tempo em que a vida é uma ordem. A vida apenas, sem mistificação.
Carlos Drummond de Andrade em Sentimento do mundo.
Trecho do poema Os Ombros Suportam o Mundo.
(via gotas-de-poesias)
A dor é uma estrada: Você anda por ela, No adiante da sua lonjura para chegar num outro lado que é uma parte de nós que não conhecemos.
Mia Couto. (via gotas-de-poesias)
Não faço teorias a respeito da vida. Se ela é boa ou má não sei, não penso. Para meus olhos é dura e triste, com sonhos deliciosos de permeio. Que me importa o que ela é para os outros!
Fernando Pessoa. (via gotas-de-poesias)
Não sei se é dormindo ou alheado que estou. Sei que estou sentindo a boca sorrindo aos sonhos que sou.
Fernando Pessoa. (via gotas-de-poesias)
Ah a frescura na face de não cumprir um dever! Faltar é positivamente estar no campo! Que refúgio o não se poder ter confiança em nós! Respiro melhor agora que passaram as horas dos encontros, Faltei a todos, com uma deliberação do desleixo, Fiquei esperando a vontade de ir para lá, que'eu saberia que não vinha. Sou livre, contra a sociedade organizada e vestida. Estou nu, e mergulho na água da minha imaginação. E tarde para eu estar em qualquer dos dois pontos onde estaria à mesma hora, Deliberadamente à mesma hora… Está bem, ficarei aqui sonhando versos e sorrindo em itálico. É tão engraçada esta parte assistente da vida! Até não consigo acender o cigarro seguinte… Se é um gesto, Fique com os outros, que me esperam, no desencontro que é a vida.
Fernando Pessoa. (via gotas-de-poesias)
A sensibilidade é a imensidão do poeta.
morte meu peito arde arde na alma todas as minhas súplicas são inúteis apelos gritos a alma já não cabe mais na casca ela berra esperneia preciso sair arder no tártaro ou flutuar nas nuvens ah! senhora do manto negro aspecto cadavérico cajado poderoso olhar profundo acolhedor tu tens o que necessito o que clamo todos os dias meu desejo mais suprimido peço-te escreva meu nome em teu livro venha ao meu encontro esperando-te estou com bolos cafés e biscoitos.
Poesia inédita
Me virou ao avesso
E me fez ver
Que o mundo ao contrário
É mais bonito.
A solidão é meu oceano Particular Em que boio E me afogo Já que sei pouco nadar
(cidade)
A rua que existe como um retrato de fome e miséria dos vencidos As flores enterradas em bueiros e impedidas de nascer O barulho que confunde os pássaros que confunde os passos que confunde a paz
(pressão)
Sinto medo do medo Sinto que tudo que tenho é medo Sinto medo de sentir medo Sinto medo de me sentir Sinto medo de me ser e assustar
poēsis
a poesia é uma arte morta, é o meu esconderijo: bilhete debaixo da porta, canção de tédio e de exílio.
a poesia é uma arte moderna, design de um dirigível: cidade por cima da terra, cartaz que veste o edifício.
a poesia é uma arte fantasma, pegada de uma abstração: gota do que foi geada, rastro do que foi paixão.
a poesia é uma arte deserta, inverno que nunca verão: ilha assentada na métrica, sombra de nuvem no chão.
Beba seu café Leia seu livro Molhe sua bolacha no chá Veja seu filme Se deite Ouça sua música estranha Deixe o cabelo crescer As unhas também Ou não Se depile se quiser Não ouça o que eles têm a dizer Não se importe com o que eles não dizem Não ligue pro que falam de você Não ligue pra como tratam seus sentimentos Só seja você Só seja autêntico O mundo não acaba porque ele não te ama.
Sadico-aristocrata (via sadico-aristocrata)
Saca-rolhas
Medo de dar uma volta
e resetar objetivos
Medo de uma sentença
por maus adjetivos
.
É difícil começar o que já começaram
É difícil mudar o que já rumaram
É difícil acabar o que já terminaram
.
Ideias, pensamentos, adjetivos
Talvez não devessem barrar objetivos
.
Poderes, decisões, posições, escolhas
Letras se encaixam melhor nestas folhas
.
Medo de um novo vinho
de usar o saca-rolhas
.
(Rodrigo L Martins, 06/02/2012) Imagem
Vem cá
Não me deixe no escuro frio
Dado à ânsia do choro
Corre ao meu abraço carente
Empresta teu calor nessa noite vil
Faz casa, hoje, onde moro
Que a gente ilumina esse céu doente
Ausente de estrela cadente.