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@suicidapaixonada
É até melhor que eu saia da sua vida aos poucos, assim você não precisará se impactar tanto com o que eu sinto.
Com ardor, John
“As melhores coisas acontecem por acaso.”
— Procurando Dory.
Tem momentos que não parecem acontecer no tempo comum. São como portais, brechas na realidade, na rotina, onde a vida sussurra baixinho: "olha, é aqui que mora o amor que vale a pena". Foi isso que eu vivi com você, um fim de semana que, pra qualquer olhar desavisado, poderia passar despercebido… mas que, pra mim, foi tudo.
Foi a cura vestida de risada boba. Foi batata frita como quem oferece flores. Foi chocolate, cigarro e dança esquisita no meio da sala, como se o mundo inteiro tivesse ficado do lado de fora. E ficou.
A gente se olhou e, sem dizer, entendeu: aqui ninguém precisa fingir. Aqui podemos ser malucas, sensíveis, exageradas. Podemos cantar high school musical como se tivéssemos treze anos. Podemos dizer que sentimos sem medo de parecer bobagem. Podemos chorar de rir e depois ficar em silêncio, e ainda assim nos sentir amadas.
E eu nunca tinha estado tão inteira perto de alguém. Nunca tinha me despido tanto sem tirar nenhuma roupa. Porque você não olha pra superfície, você olha pra dentro. E, de repente, aquilo que sempre foi dor em mim, virou sossego. Aquilo que sempre foi medo, virou colo.
E tudo o que era pequeno, naquele final de semana, se tornou sagrado A mordida no ombro, o apelido bobo, a gargalhada alta. O toque que dizia “fica”. O olhar que gritava “aqui é casa”.
Foi um fim de semana temperado com as coisas mais simples. Mas foi também o vislumbre mais claro de um futuro que não assusta, porque se for com você, então pode ser.
Pode vir. Eu não vou fugir. Eu quero.
E não é só amor. É uma coisa maior. É alma. É conexão de outras vidas. É a espiritualidade em forma de sentimento.
Você me fez lembrar que ser amada, de verdade, é se sentir livre. Que amar alguém, de verdade, é escolher todo dia. E eu escolho. Escolho a gente com a leveza que a gente construiu e a intensidade que a gente carrega.
Obrigada por ter sido esse intervalo bonito do mundo. Por ter sido cura sem receita. Por ter sido, simplesmente… tudo.
E que a gente saiba sempre voltar pra esse lugar, o nosso.
Eu te reencontro como quem reencontra um poema esquecido numa gaveta, sei que já li antes, mas hoje leio diferente, com outra luz, outro corpo, outro cansaço. Não quero lembrar do que não deu certo, nem quero esquecer, quero só olhar nos teus olhos e não ver mais culpa. Quero que a gente não precise pedir desculpa por ter sido o que foi, só respirar aliviadas por ainda ser.
Eu não trago mais as mesmas perguntas, cansei de querer entender o que nos quebrou e sei que o tempo já fez esse trabalho por mim. Agora eu só quero viver o que nos resta de verdade. Que é muito, é mais, é novo. Mesmo com a mesma pele, o cheiro familiar, o jeito de olhar que já conheço, e que me despenteia por dentro. Você tem gosto de antes, mas corpo de agora. E isso muda tudo.
Não tô aqui pra te cobrar eternidade, só quero a coragem do presente. A coragem de ficar mesmo depois que os medos se levantam, de tocar com a alma limpa o que um dia foi machucado. De acreditar que pode ser melhor, que pode ser inteiro. Sabendo que pode ser leve mesmo com passado.
Sem essa de amor de vitrine. Quero amor que se deita com a gente depois da raiva, abraça depois da dúvida. Que recomeça sem precisar apagar nada, porque o que a gente viveu, bom ou não, nos trouxe até aqui. E agora, eu não sou mais a mesma. Eu sou muito mais eu. E ainda assim, escolho você.
Mas não aquele você antigo, não. Eu escolho de agora, o que também sangrou, o que também pensou em desistir, mas ficou. Escolho o que não espera me salvar, mas olha nos meus olhos com sinceridade. Escolho o que não tenta me consertar. O que me pega com todas as partes soltas, com todos os fios fora do lugar, e ainda assim percebe que eu sou inteira.
É estranho, eu sei. Não é mais receio, é reconhecimento. A gente se olha e vê que não é mais como antes, que o gesto mudou, que a resposta veio diferente. Que o silêncio já não pesa igual, que as feridas ainda existem, mas agora a gente sabe como cuidar. É um tipo de amor que já não promete cura, mas oferece companhia e sara sem obrigação. Um amor que não vem pra tampar o buraco, vem pra caminhar do lado, não chega pra completar ninguém, chega pra dividir o mundo, levar junto o que a gente não precisa mais carregar sozinho.
Eu não sei, eu só sinto e o que eu sinto é que o passado perdeu o peso. Que meu peito desaprendeu a guardar mágoa e que meu corpo não quer acerto de contas, quer abrigo. Minha boca não quer perguntas, quer beijo e que minha alma não quer justiça, quer presença, a sua.
Então fica. Fica se quiser viver com a pele nua e a alma exposta, se quiser fazer do toque uma nova língua. Fica se quiser amar como se nunca tivesse doído, se ainda souber sonhar, mas agora com os olhos abertos.
Porque eu te reencontro, sim, mas não pra voltar. Te reencontro pra ir.
Pra ir mais fundo.
Pra ir de verdade.
Pra ir juntas.
Fonte: Instagram
Se algum dia você nunca mais souber nada de mim, se cuide, e conquiste tudo que me confidenciou.
Abstract
@sobmeuolhar
Eu não vou gritar, você não reconhece nem meus sussurros.
- crisesdeluna
“Insistir ou deixar ir?”
— Está difícil decidir.