This is how I see // POV
I wish it was the past
Trancou a porta da sala para ter certeza que ficaria sozinha e que ninguém a iria atrapalhar. Era irônico que quando estava com a cabeça cheia ainda tinha o mesmo ritual quando criança, imitar os passos do irmão mais velho. Nunca teve a paixão pela dança que o irmão mais velho ou a dedicação, o máximo que tentava era ter certeza que os passos não ficavam feios visualmente. Mas a paixão, o zelo, a cobrança pela perfeição em cada um deles, na reprodução e na criação, isso não era dela, era de Doyoung. Era a mesma sensação que sentia ao ver Ahra dançando. Aquela era o mundo ao seu controle. Sentia se assim quando cantava, teve uma sensação parecida quando atuou, mas não quando dançava.
Para Sunyeon ela vinha de outra forma, ela vinha mais livre. Servia para soltar o que estava dentro, como se a cada passo que reproduzia tirasse algo que estava preso e perfeição em nada tinha haver com isso. Obviamente, era assim que se sentia quando dançava para si e não para agradar um público. Talvez está fosse a maior razão de não ter sido a dança que tenha chamado a atenção da HM para si.
De alguma forma não conseguia entender bem o que estava acontecendo em sua cabeça. O final do comeback deveria ter trago descanso, a notícia do término o livramento de um peso, mas apesar de tudo ainda sentia que carregava um mundo na costas. Queria fazer como quando mais nova e algo pesava em sua mente, e podia correr ao quarto do irmão e o espionar fazendo sua paixão. Ou então tentar reproduzir os passos que ele fazia, porque parecia que para ele era tão divertido, que achava que seria para ela também. E era, era libertador.
Mas agora não podia mais fazer isso, não podia correr para onde ele estava e espionar o que estava fazendo, precisava do seu próprio jeito. Talvez por isso o vídeo que estava no computador era uma fancam em seu comeback, talvez por isso assistiu tantas vezes, e depois o reproduziu, e consertou os erros e fez de novo, e de novo, até que o cansaço tomasse conta, e precisasse deitar no chão da sala, o peito subindo e descendo, enquanto o silêncio se instalava. Não era a mesma coisa, não trazia o mesmo sentimento, talvez porque aquele Doyoung do vídeo não a pegaria observando e chamaria para se juntar a ele, mas era o que tinha. Por um instante sentou para assistir a si mesma, pensou em mostrar ele só para ouvir a sua opinião, ou então postar, uma pequena surpresa, mas simplesmente decidiu que não valeria a pena. Juntou suas coisas e deixou a sala. Querendo ou não, tinha que voltar ao trabalho.









