A slytherin estava tão avoada em seus pensamentos que nem mesmo percebia a movimentação ao seu redor. Sabia que tinha que sair dali e voltar para o seu dormitório, mas saber que teria de se juntar as suas companheiras e colegas de casa, não lhe deixava de fato animada. Sempre que podia, Andromeda ficava longe de tudo aquilo, ela não era como elas, não conseguia ser boba o bastante para acreditar que um casamento arranjado daria certo e nem mesmo conseguia ser tão má quanto algumas outras, como Bella, sua irmã. Dromeda acreditava que além de ser uma ovelha negra em sua família, ela era ali em sua casa, afinal nunca conseguia seguir os passos de suas colegas de casa, tinha outras ambições além de ser sustentada por um marido rico e que não a amava. Ela queria casar por amor, sentir aquela sensação que suas poucas amigas, diziam que sentiam, poderia parecer inútil num mundo como aquele, mas a esperança era sempre a última que morria. E Andromeda Black tinha todo o tempo do mundo para se apaixonar, uma vez que jamais aceitaria se casar com alguém que não conhecesse, nem mesmo se fosse obrigada pelos seus pais. Isso estava fora de cogitação, a slytherin sabia bem disso. Ela até esmo fugiria se possível.
Não pode deixar de estremecer quando ouviu sua voz. Voz aquela que inundava seus mais íntimos pensamentos, que a deixava completamente sem ter o que falar, dizendo sempre a primeira coisa que vinha em sua mente, o que com toda a certeza a deixava de certa forma ridícula para o rapaz. Edward Tonks, hufflepuff, um nascido-trouxa, se alguém de sua família a visse conversando com o garoto, seria briga na certa, tinha plena consciência disso. Mas era quase impossível manter-se longe dele, o garoto sempre se aproximava dela, e jamais deixava-se passar em um corredor sem lhe cumprimentar, caso a visse. Teve momentos até que a slytherin estava extremamente magoada por coisas que Bellatrix havia lhe dito pelas poucas cartas que lhe escrevia, e por uma simples conversa com Edward, mesmo apenas uma troca de pequenos olás, já a deixavam animada. Talvez fosse pela animação do hufflepuff, ou da determinação dele de deixá-la animada, ele era como um sol tentando iluminar a mais forte escuridão. E ela era a escuridão, e ele seu sol, ele a iluminava. Deixou de olhar para o lago, e tratou de olhar para o garoto a sua frente, ajustando os braços e os cruzando sobre o peito, tentando inutilmente fingir que não ligava muito para a presença do mesmo ali. — Não sei ao certo se precisa de fato ter um motivo para observar o lago, veja bem, a paisagem é linda e… — suspirou profundamente antes de continuar — me ajuda a pensar, gosto daqui, gosto de olhar para tudo isso e acreditar que algumas pessoas podem ser bem diferentes quando querem — não soube ao certo o motivo de ter dito tudo aquilo para o hufflepuff, afinal nem mesmo o conhecia e se lembrava bem, nunca tinham trocado muitas palavras, apenas nos raros momentos que ele a fazia rir, ou quando faziam dupla na aula de poções. — Mas e você, decidiu observar o lago também ou ele de nada lhe parece interessante? — deixou um sorriso escapar de seus lábios e tratou de olhar em sua volta para ver se não encontrava Narcissa ou qualquer outra pessoa ali, uma vez que se alguém que conhecesse seus pais ou suas irmãs lhe vissem conversando com Edward, ela e ele estariam bem encrencados, mesmo que nem fossem amigos direito.
Imprudente. Edward Tonks era completamente imprudente, e sabia disso. Mas não era como se ele escolhesse ser assim, já que era algo tão natural para ele agir de impulso que quando via, já fora. Já estava lá fazendo algo que provavelmente o colocaria em problemas sérios. Ouvira tantas pelos corredores as histórias do que aqueles de famílias bruxas tradicionais faziam com nascidos trouxas que se atreviam a se meter com seus filhos e filhas que até mesmo já perdera as contas, mas o que ele estava fazendo? Conversando com Andromeda Black. Ah, ele tinha certeza que Caitlin chamaria aquilo de comportamento autodestrutivo característico se visse, e até mesmo achava merecer um tapa na cabeça por estar se comportando daquela forma, mas ele não se arrependia. Muitas das coisas que fazia por impulso geravam uma onda de culpa e arrependimento que ele carregava por vários dias, até fazer outra coisa que o fizesse se arrepender da anterior, mas não aquilo. A única coisa que levava dos encontros e rápidas conversas com Andromeda era uma alegria tão grande que mal cabia em seu peito. Ele se sentia bem estúpido por ficar feliz com um mero “oi” respondido, mas não podia evitar. Sabia que aquilo só podia significar que ele estava lentamente se apaixonando pela sonserina, mas não tinha como lutar contra aquilo, então apenas deixava acontecer. Autodestrutivo, é claro. Que mal havia, não é mesmo? Uma paixão platônica não parecia o fim do mundo para ele, Ted podia perfeitamente conviver com aquilo. Sabia que jamais seria retribuído de qualquer forma, então não seria mais um rapaz nascido trouxa assassinado pela família da garota sangue puro por quem se apaixonara. Ninguém além dele precisava saber daquele segredo, por isso não havia problema em apenas trocar algumas palavras com ela. No final do dia ele apenas seria mais um dos garotos secretamente apaixonados por uma menina que jamais teria naquele castelo. Eles não eram nada raros.
O mero fato de ela tê-lo respondido já o deixava maravilhado, com um brilho nos olhos que Ted sabia ser visível, mas não tentou escondê-lo. – Realmente, é uma bela paisagem. – mas ele não olhava para o lago ao dizê-lo, assim como obviamente não se referia a ele também. – Mas não sei se concordo que as pessoas podem ser diferentes quando querem. Na verdade, eu acho que elas podem ser diferentes exatamente quando não querem, quando menos esperam. Veja bem, praticamente todo mundo aqui passa o dia todo tentando ser algo que não são, e isso não é algo sobre o qual elas têm controle. Mas quando elas menos esperam, alguma coisa as faz abaixar a guarda e se mostrarem completamente diferentes do que são. Ou alguém. – acrescentou, os olhos no lago, evitando olhar na direção da garota. A noite já caía e já era possível observar o reflexo das estrelas na água espelhada. – Mas acho que precisa sim de um motivo para querer acreditar que as pessoas podem ser diferentes. Esse tipo de pensamento não surge do nada. – disse, sabendo que provavelmente ia longe demais com aquilo, mas não conseguindo evitar fazê-lo. Não era como se quisesse, também. Ao voltar seus olhos para a menina, o vislumbre de um breve, rápido e quase imperceptível sorriso no canto de seus lábios quase fez com que ele gargalhasse, completamente encantado. Mas se controlou, tentando ao máximo não sorrir de volta, mas falhando, deixando um sorriso quase tão imperceptível quando o dela brotar em seus próprios lábios. – Você está certa, ele não me interessa muito, acho que prefiro as estrelas e constelações. Elas me parecem muito mais belas. – falou quase num sussurro, olhando pela janela, para cima, onde as estrelas já brilhavam para eles. É claro que havia mais um duplo sentido naquilo, pois ele sempre admirara as estrelas, mas o fato de o nome de Andromeda ser tirado de uma constelação fizera com que essa admiração aumentasse bastante de proporção. Não sabia se ela entendera a referência, mas no fundo esperava que sim.