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"A gente fica pelo cuidado, mas também vamos embora pela falta dele."
- Gabriela
te amei como quem acende vela
em noite de tempestade:
sabendo que ia apagar
mas querendo a luz, mesmo assim
Tem dias em que a mágoa ainda me encontra. Mas tem dias em que eu consigo olhar pra ela e dizer : ‘eu escolho não carregar você hoje’.
-Minnie Lima
Deus não está procurando por vasos de ouro ou vasos de prata. Ele está procurando vasos dispostos.
— Kathryn Kuhlman
Eu nunca dei trabalho, eu nunca fiz bagunça, eu nunca ocupei muito espaço. Eu estou chegando nos 30 e não tenho memórias de ter sido difícil, de ter sido alguém que os outros precisavam cuidar.
Eu sempre fui a que cuida, a que suporta, a que espera, a que resolve, a que acolhe.
Eu nunca tive colo.
Às vezes tenho vontade de voltar ao passado, não para mudar algo na minha vida mas sim para rever pessoas que não estão mais aqui. Poder conversar com elas, contar segredos, dar risada. Pena que isso não é possível. Fico apenas com as lembranças de quando elas ainda estavam aqui.
— M.
Eu detesto cookie de Negresco. E não é ódio elaborado, é uma implicância chata. Pra mim tem gosto de coisa que não deu certo.
Mas teve um dia, um dia específico, em que eu mordi aquilo no meio de uma larica e fez sentido.
Foi a melhor coisa que eu já experimentei na vida, uma experiência quase espiritual que me fez acreditar, por alguns minutos, que eu tinha descoberto o segredo da felicidade em um pacote de três reais.
E o problema mora aí, em achar que o milagre mora no objeto, e não no estado de espírito.
Eu passei os dias seguintes comprando o mesmo cookie, só que sóbria, na tentativa ridícula de sentir aquele estalo de novo, mas a única coisa que eu sentia era o gosto de papelão com açúcar que ele sempre teve.
Minha melhor amiga ouviu meu drama e riu. Disse que faz a mesma coisa. Não com cookies, com bananas. Depois de um dia em que comeu como se fosse a melhor coisa do mundo, por causa de alguns tragos. Agora continua tentando, como se fosse questão de insistência, não de contexto.
O que fez a gente pensar não foi o cookie. Nem a banana. Foi perceber que fazemos isso com tudo.
Voltamos em lugares onde fomos felizes, telefonamos para pessoas que já não têm nada a dizer e tentamos repetir diálogos que um dia foram brilhantes, esperando que o gosto seja o mesmo.
É uma forma de masoquismo esse hábito de perseguir o que já passou, uma insistência em achar que se a gente repetir o gesto da mesmíssima forma, o sentimento é obrigado a aparecer. Só que a vida não é assim.
E o que foi bom naquele dia não foi o cookie, foi a falta de compromisso com a realidade.
A gente gasta uma energia absurda tentando plastificar o momento, querendo que ele vire regra, quando a graça era justamente ele ser único.
No fim, a gente continua engolindo o que já não tem o mesmo gosto, com o estômago pesado de expectativa, só porque ainda não aprendeu a aceitar que certas coisas só acontecem uma vez.