O Vazio Extraconjugal
Eu tão ferida prestes a fechar Sem cicatrização, a fórceps Em detrimento da agulha e da linha Que me põe em culpa e me sentencia
O abandono era álibi Para quem nos esgueirava Procurando em nós o pecado Enquanto isso, dançamos a sós
Interpretávamos a eterna guerra Ao público que nos punha entre rosas A cortina baixava e nos consumávamos Carne, espírito e nudez na escuridão da noite
O inferno que se preocupe com tua índole O inferno que se encarregue dos teus anéis O inferno que julgue teus votos quebrados O inferno que me arraste de volta ao silêncio
O perfume, de fato levantava suspeita O passeio, roupas amassadas e fôlego tomado A demora ao telefone e o riso frouxo No caso está prestes a ganhar a luz do dia
O cheiro de luxúria consumia Nossos corpos de vitrine Nossos espíritos entocados Neutralizava nossos venenos
Sangrou-se a ferida, exposta assim Um descaso do destino Os amantes foram descobertos Pelo faro impreciso dos cães
O tempo que nos custara Perdão sonegado, vaidade entregue Adeus frios, memórias vívidas Um outro nome para amaldiçoar...

















