telegrama,
João pessoa, 18 de setembro de 97
você sempre irá doer em mim, mas agora eu tenho coisas há fazer, e você também.
espero que a gente saiba se guardar em segredo, mack
porque dói demais tentar voltar.
- te encerro aqui, com amor, Anne.
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telegrama,
João pessoa, 18 de setembro de 97
você sempre irá doer em mim, mas agora eu tenho coisas há fazer, e você também.
espero que a gente saiba se guardar em segredo, mack
porque dói demais tentar voltar.
- te encerro aqui, com amor, Anne.
.
eu odeio pensar que você está melhor sem mim, anne. nós apenas continuamos a perder contato, foi pouco a pouco até eu achar que não havia mais nada, nos perdemos na correria, você tropeçou em tantos problemas, e não nos buscamos mais. mas eu tenho sentido falta de algo, queria que você voltasse pra casa.
"você é o único erro em mim", tu disse.
será que eu sou mesmo ?
bebi muito vinho ontem, as vezes o vinho fala por você. olha anne, espero que saiba que eu te desejo todo o amor que você está procurando. ninguém disse que duraria para sempre, mas queria ter feito mais por nós. sei que você está segura nos braços desse novo cara, meus pensamentos me matam por me fazerem me sentir tão insuficiente pra você.
e por simplesmente não ter sido capaz de aguentar o teu amor.
— Anne and Mackenzie.
e a gente vive nessa de se despedir pra se encontrar de novo.
inúmeras vezes te segurei pela nuca enquanto beijava tua boca e te dizia repetidas vezes
"eu te quero intensamente, anne"
enquanto a gente se demorava na cama, e eu olhava nos teus olhos que brilhavam mais do que as luzes da cidade.
— Anne and Mackenzie.
com as mãos no meu rosto, café frio em cima da mesa, e eu só estou tentando encontrar alguma verdade entre todas essas mentiras. tudo dói um pouco. você me pegou desprevenida, queria ter estado sóbria ontem. só me lembro de ter chorado um bocado, tinha rímel no meu travesseiro pela manhã.
a frase clichê "mergulhei fundo em uma pessoa rasa" se tornou real pra mim, talvez eu tenha me entregado rápido demais, você meio que arrancou o ar dos meus pulmões, e agora é difícil até pra respirar.
você me esgotou.
espero que você esteja sozinho, espero que você esteja perdido, porque eu estou, mack.
eu só queria que alguém tivesse me avisado sobre toda essa merda. e eu só me questiono que porra devemos fazer, para onde devemos ir quando o amor não é suficiente ?
— Anne and Mackenzie.
30 de dezembro
em cada segundo que você esteve falando, eu tentei contar as linhas ao redor do seu rosto, porque eu não sei se estarei tão próxima de ti novamente.
lembrei de 2012, da minha inocência naquela época, do dia em que te conheci, do meu aniversário surpresa que você organizou e acabou não podendo ir, das inúmeras SMS trocadas até que se esgotassem os créditos, e de como a gente se amou menos que infinitamente.
"se amou" no passado mesmo, porque hoje a gente não se cabe.
mas foi real, não foi ?
hoje a pele ainda arrepia, mas não é como se você estivesse correndo pelas veias, sabe ?
só queria que tivesse sido mais fácil até chegar onde nos encontramos hoje, e eu sei que não sou responsável por ter deixado tudo isso escapar. não me entenda mal, eu adoraria ter ficado por mais tempo, mas eu cansei da frouxidão de andar sozinha mesmo estando contigo
— Anne and Mackenzie.
se lembra de quando nos conhecemos?
nos apaixonamos em uma quinta-feira, nunca esquecerei de quando você perguntou como pronunciava meu segundo nome, e a forma como ele soou na tua voz.
foi como se eu não tivesse tido escolha, tínhamos uma química que atravessava o meu núcleo. você parecia meu lar, e eu nunca tive morada antes.
- Anne and Mackenzie.
não consigo amarrar esse nó com mais ninguém
nas noites só consigo pensar nos teus olhos cor de vênus, na galáxia que era teu abraço e em como eu orbitava nela. era bonito morar em você. agora eu não tenho mais lar e eu só sei que o mundo sem ti
não vejo,
não sinto,
não é.
— Anne and Mackenzie.
o mackenzie tinha um e noventa e dois de altura, eu dizia que o peito dele tinha o formato exato pra encostar minha cabeça quando eu o abraçava. ele sempre sorria com isso.
a gente gostava de "bater perna", era assim que ele chamava quando saíamos pra lugar nenhum e paravamos sempre no mesmo banco, da mesma praça. uma das últimas conversas que tive com ele foi sobre eu não gostar muito do bon jovi, ele falou que eu sofria da síndrome de mau gosto musical, depois perguntou se eu queria sorvete.
o gosto do sorvete de morango da praça lembrava infância, e o calor que fazia durante as noites do sertão, mostrava que a vida estava correndo rápido demais.
— Anne and Mackenzie.