“Havia ido para o quarto e sentei-me na beirada da cama com as pernas cruzadas. O som tocava pelos fones, era uma banda de rock do tempo da minha mãe. Me sentia querendo ir para outra década, meu ser queria ir embora dali. Disseram uma vez que sonhos tem poder. O quarto parecia tão velho, as paredes desbotadas, eu cansado. Sem saber o que estava acontecendo, sentia o momento como uma das noites de 93 quando havia calmaria na casa. Apenas o toca discos ligado, às luzes quentes iluminavam o espaço, enquanto minha mãe escrevia cartas de amor a alguém que agora é apenas memória. Ela me contou um dia. Tudo é muito intenso quando você vive com toda a sua alma e não esquece, jamais esquece. Almas românticas merecem um lugar especial no universo, com alguém sui generis que lhe promova aquelas tais sensações e de o nítido afago de mãos. A noite estava quente, e o verão havia partido tinha apenas dois dias. Meu corpo suava no quarto e todas aquelas canções faziam jus a toda história.”
— Elio, olha os dois lados antes de atravessar.













