É que a gente tem essa mania de achar que tudo é o fim do mundo, sabe? E depois de vários fins de mundo aqui estamos nós ainda. Bom fim de ano, galera. Nos vemos ano que vem!
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É que a gente tem essa mania de achar que tudo é o fim do mundo, sabe? E depois de vários fins de mundo aqui estamos nós ainda. Bom fim de ano, galera. Nos vemos ano que vem!
Tem pessoas que passam pela nossa vida, e tem pessoas que são um acontecimento. E você é um desses acontecimentos, o caminho e o destino. Algumas pessoas passam para nos deixar lições, nos mostrar o caminho; algumas nos acompanham pela estrada até o pote de ouro no fim do arco-íris. Você é a lição, o caminho, o arco-íris e também o pote de ouro.
Conhecemos muitas pessoas pela vida, mas nem todas têm a sorte de conhecer alguém como você, porque você é um acontecimento, desses que acontecem raramente, como um cometa.Eu te amo e sou grata todos os dias por ter cruzado o meu caminho com o seu.
Fugitiva
Eu sempre quis fugir. Sempre tive essa vontade incontrolável de largar tudo e todos ao menor sinal de problema. E isso desde muito nova. Lembro claramente de deitar no chão, no quintal da minha avó, olhando para as estrelas, e imaginar que bruxos vinham em vassouras me resgatar de seja lá o que estivesse me afligindo naquele momento. Qualquer microdesentendimento e lá estava eu, planejando uma viagem para a Patagônia com meus cinco reais no bolso.
Certa vez, vi uma reportagem sobre uma moça que encontrou uma carta muito antiga enfiada em um bloco na casa para a qual havia se mudado há pouco, e lá fui eu escrever uma também, contando o quanto era sozinha no mundo e o quanto queria fugir por aí. Eu tinha uns nove anos.
A fuga sempre fez parte de mim, seja nos planos, seja na escrita. Só não percebi que, no fundo, não adiantaria ir para lugar algum, porque eu estaria lá e o que eu queria mesmo era fugir de mim. Fugir de quem eu era, de onde viera, a quem pertencia. Não importava para onde fosse, porque, mesmo não querendo, tudo iria comigo. Para onde fosse.
Escrevo isso na véspera do meu aniversário de trinta e três anos. T R I N T A E T R Ê S A N O S. Quanto tempo, né? Quanto tempo para entender e, finalmente, parar de fugir. Quanto tempo para, não aceitar, não se conformar, mas sim se conhecer, se gostar.
Pela primeira vez, me sinto pertencente, mas no sentido de fazer parte, de ser parte de algo. A cidade já não é mais hostil. Os rostos já não são ameaçadores. O passado já não causa medo nem vergonha.
Planejei escrever um texto de aniversário quando estava para completar trinta e dois, mas as palavras nunca vinham. Agora entendo o porquê: havia coisas que ainda não tinham sido entendidas, mastigadas e digeridas. Acho que hoje, finalmente, as peças se encaixam, os sentimentos se tornam compreensíveis.
E eu já não quero mais fugir.
O bar.
Depois de flagrar seu namorado a traindo com sua melhor amiga, e quase ser demitida por não conseguir parar de pensar nisso e prestar atenção à reunião, Samantha só queria ir pra casa e se enterrar na cama. Mas depois de um longo banho e de algumas horas rolando na cama, resolveu sair em busca de algo para comer, declarando vitória ao seu estômago que não parava de roncar. Vestiu um moletom e saiu para a noite fria, pulando alguns ladrilhos ensopados da recente chuva. Samantha entrou por uma rua, sem prestar muita atenção por onde ia, até que se sentiu observada e parou, sentindo um arrepio percorrer a espinha. Olhou ao redor, não viu ninguém mas mesmo assim a sensação não sumia. Acelerou o passo entrando em outra rua e avistou um bar ao longe, com algumas pessoas conversando e rindo em frente. Resolveu entrar, ainda preocupada com a sensação de estar sendo observada. O ambiente era escuro e sombrio, pessoas se beijavam pelos cantos e poucas prestavam atenção enquanto ela passava. Foi até o balcão e pediu uma bebida, um pouco envergonhada pelo moletom, que destoava totalmente das pessoas ao redor. Quando o barmen trouxe a bebida, ela sentiu novamente o arrepio na espinha e olhou ao redor assustada. Foi quando o viu. Ele estava em um dos cantos, com uma lata de cerveja na mão. Vestido com uma camiseta cinza, calça e jaqueta pretas, parecia combinar exatamente com o ambiente. Ele a encarava e por um momento ela sentiu como se tivesse caído numa armadilha. Tentou deixar esse pensamento de lado, virando-se para o balcão e tomando um gole da bebida.
-Não me parece o tipo de ambiente que está acostumada a frequentar. - ela olhou pro lado assustada e o viu, parado ao seu lado, com um leve sorriso no rosto.
-Realmente. - Respondeu.- Não costumo ficar em bares conversando com estranhos.
-Bom, devo me sentir especial, então, já que fui escolhido para esse momento.
Samantha riu. Virou-se e pôde analisar mais atentamente o rapaz. Ele tinha olhos profundos, levemente rodeado por olheiras como se estivesse cansado ou entediado. Sua pele era pálida, mas ao perceber que ela o analisava leves rubores surgiram em suas maçãs.
-Espero que pelo menos eu esteja bonito hoje- ele disse, provocando mais uma risada.
Samantha não soube explicar, mas se sentiu subitamente atraída por ele e quando percebeu, tinha se aproximado um pouco.
-Não é dos piores, eu diria -ela respondeu, ainda rindo.
Continuaram conversando e ela não percebeu o tempo passar. Quando se deu conta, mais pessoas se juntaram ao redor deles e pareceram estar muito interessados no que falavam. Uma das mulheres se aproximou mais e começou a conversar com eles, e sem entender como, começaram a falar de loucuras sexuais. O papo estava bem animado e quando se deu conta, Samantha estava sentindo um leve pulsar entre suas pernas junto a um calor que subia pelo seu corpo. A moça olhava com muito interesse para o rapaz e o beijou, sem vergonha alguma, enquanto Samantha observava. Então ela olhou para Samantha, que a puxou e beijou também. Ela sentiu uma mão passar por sua cintura e ao olhar, o rapaz estava atrás dela tirando o cabelo do caminho e beijando seu pescoço. As pessoas ao redor ficaram olhando, e algumas delas começaram a se beijar também. A moça acariciava os seios de Samantha por cima da blusa, enquanto passava a língua por seu pescoço e seguia até encontrar os lábios do rapaz. Samantha virou e o beijou também, unindo sua língua em uma dança sensual. Era a primeira vez que ela dava um beijo triplo, e pode se dizer que gostou muito. Então o rapaz a segurou pela cintura e a colocou sentada no balcão, puxando seu moletom pela cabeça e revelando seus seios. A moça se aproximou e rodeou a auréola de um deles com a língua, sugando com vontade até que Samantha gemesse sem conseguir se controlar. O rapaz observava e quando ela olhou, ele estava com o membro pra fora da calça, olhando fixamente pros olhos dela, admirando seu prazer. A moça beijou-a novamente, passando as mãos por seus quadris e puxando a calça com a calcinha junto, e levando os dedos até o meio de suas pernas. O rapaz veio e abaixou-se na frente de Samantha, e começou a chupa-la, enquanto ela se contorcia e beijava a moça. Ela olhou ao redor, reparando que outras pessoas faziam o mesmo, e algumas delas se tocavam sem pudor algum observando-os. E isso fez com que ela sentisse mais tesão ainda e gemia descontrolada. Ela gozou, segurando o rosto do rapaz com força de encontro a si e se inclinando para trás.
Samantha acordou assustada com o sol batendo em seu rosto. Olhou pro relógio e viu que estava atrasada pro serviço. Se arrumou correndo, sentindo seu corpo dolorido da noite passada e sem conseguir se lembrar de como tinha chegado em casa. Ao passar correndo pela rua do bar, viu apenas um prédio abandonado, com parte da estrutura desmoronada. Ficou confusa, pois tinha certeza que era ali que o bar ficava.
-Com licença, - disse para um senhor que estava passando. - Sabe me dizer se tem um bar nessa rua? Eu achei que era aqui, mas devo ter me confundido.
-Não.. esse prédio está assim desde que me entendo por gente, nunca foi um bar. E até onde eu sei não tem bar nessa área da cidade.
Ela agradeceu e ele continuou andando. Ficou um tempo olhando para os escombros do prédio, sem entender nada e sentindo novamente que estava sendo observada.
Ninguém fala sobre quão difícil é limpar a galeria do celular. O quanto é doloroso selecionar as imagens e ver as lembranças se esvaindo com ela. Ninguém se lembra que fotos contam histórias, e histórias não se apagam da memória. Tantos momentos bons e felizes que eram pra ser eternizados.. agora são só espaços a serem esvaziados. Ninguém fala do quanto é triste apagar alguém da sua vida, como se fosse nada...
Eu sempre digo o que eu sinto E eu não sou de sentir pouco. Acho importante que as pessoas saibam o que realmente se passa dentro da gente O que elas vão fazer com isso pouco importa O que realmente vale é fazê-las saber o que você sente em relação a elas Sem mentiras, sem jogos de desinteresse Apenas o que você sente, nu e cru. Que elas saibam sempre que há um carinho dentro de ti Que há um caminho até você O que ela vai fazer com isso? Já não está em suas mãos. As pessoas perdem tempo de vida por ter medo de dizer o que pensam e o que sentem. Joga pra fora, deixa o outro lidar também!