Carrego dentro de mim sentimentos que se contradizem o tempo todo. Ao mesmo tempo em que me sinto vazia, também sinto como se estivesse transbordando de coisas que não consigo conter. É como se eu fosse um peso que atrapalha o mundo, mas, paradoxalmente, tenho vontade de ser vista, de ser reconhecida. Quero desaparecer e gritar por socorro na mesma respiração.
Minhas emoções mudam com uma velocidade assustadora. Em segundos, passo de soluços e lágrimas a risadas altas e quase desesperadas. Amo e odeio na mesma medida. A raiva e a alegria caminham juntas, como se fossem inseparáveis. Isso me deixa cansada, confusa, e muitas vezes com a sensação de que não tenho controle sobre mim.
O pensamento de me machucar está sempre presente, como se fosse uma válvula de escape para tudo o que não consigo expressar. Muitas vezes não faço isso pelos outros — pelas pessoas que poderiam se preocupar ou se ferir com minhas escolhas. Mas até nisso existe contradição, porque também deixo de viver coisas boas por causa deles.
Ser eu é viver no limite entre o vazio e o excesso, entre o amor e a dor. É sentir demais, o tempo todo, como se cada instante fosse vida ou morte.
Escrevo isso porque falar nem sempre dá conta, e as palavras me ajudam a organizar o caos. Quero que o senhor veja esse retrato honesto do que se passa dentro de mim, mesmo que ele seja fragmentado e intenso.
Com sinceridade, uma de suas personalidades...