nunca me curei de você
apenas segui em frente
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nunca me curei de você
apenas segui em frente
Sinto a sua falta. E não é algo literal. Não me sufoca, não me fere, não me desalinha. Ainda assim, sinto a sua falta. Carrego o incômodo que ficou com a sua ausência. Não vou mentir, afirmando que sinto apenas falta de saber como você está. Pois, no íntimo (ou nem tão íntimo assim), sei que você está bem e que minha ausência não te pesa. O que sinto é uma falta que, talvez, a sua presença já não fosse capaz de preencher. Acredito que seja a falta do inexplorado, da parte de você a que nunca alcancei e jamais alcançarei. Sinto falta da sensação que me invadia ao imaginar como seria o seu cheiro. Não me permito mais esse direito: o de pensar em você, o de te imaginar. Reprimo os pensamentos que ousam recordar como eram os dias contigo aqui. Não me concedo o luxo de ceder e te procurar. Não consigo pronunciar o seu nome sem que a saudade me alcance. A falta que sinto de ti é de algo que jamais vivemos ou partilhamos. Não nos apaixonamos reciprocamente, mas sinto falta do quase. Você atravessou o meu corpo e revirou a minha alma. Não me aprisionou, mas também não me deixou imune à sua ausência. Não sei descrever o que fomos, mas sei o que já não somos. Não somos um quase. E não fomos, tampouco, tudo o que eu desejei que fôssemos. Sinto a sua falta, e não gosto de sentir.
2024, J.O
"And be kind to yourself when you feel bad, try to think of something good that once happened to you or something good that could happen to you. We are often too hard on ourselves."
"nsa iskam k̓ilapay lamətay"
nayka nanich ukuk buk pi nayka tiki. tilixam ɬaska munk-miɬayt t̓ukti pʰikcha pi yaʔim pi t̓ukti tənəs-wawa kʰapa buk. amanda hawk yaka munk buk. steph littlebird yaka munk pʰikcha pus ɬax̣ani kʰapa buk (wəxt yaka munk makwst pʰikcha kʰapa buk). taɬlam-pi-lakit tilixam ɬaska mamuk. ɬaska chaku kʰapa x̣luyma tilixam bət kʰanawi sawash-tilixam ɬaska.
"Há ausências que não se explicam, apenas se sentem. A tua me atravessa em silêncio, como um vento antigo que nunca deixou de soprar. Te amo em cada lembrança, e sinto tua falta em cada batida minha."
— SAUDADES DE VOCÊ!
Meu poema favorito de Bukowski:
Pássaro Azul
há um pássaro azul em meu peito que
quer sair
mas sou duro demais com ele,
eu digo, fique aí, não deixarei
que ninguém o veja.
há um pássaro azul em meu peito que
quer sair
mas eu despejo uísque sobre ele e inalo
fumaça de cigarro
e as putas e os atendentes dos bares
e das mercearias
nunca saberão que
ele está
lá dentro.
há um pássaro azul em meu peito que
quer sair
mas sou duro demais com ele,
eu digo,
fique aí, quer acabar
comigo?
quer foder com minha
escrita?
quer arruinar a venda dos meus livros na
Europa?
há um pássaro azul em meu peito que
quer sair
mas sou bastante esperto, deixo que ele saia
somente em algumas noites
quando todos estão dormindo.
eu digo, sei que você está aí,
então não fique
triste.
depois o coloco de volta em seu lugar,
mas ele ainda canta um pouquinho
lá dentro, não deixo que morra
completamente
e nós dormimos juntos
assim
com nosso pacto secreto
e isto é bom o suficiente para
fazer um homem
chorar, mas eu não
choro, e
você?
Bukowski and the Linda King sculpture