Em noite de Máquinas afinadas, os Them Flying Monkeys e as Maida Vale foram os campeões da noite - Dia 2 do Westway Live 2025 | Reportagem Completa
O vocalista dos Them Flying Monkeys a contagiar o público com a sua energia positiva | Foto: Gonçalo Nogueira Como habitualmente neste evento ficou reservado para o último dia a tournée por diversos espaços na cidade, neste passado sábado, 12 de abril. Uma programação apelidada de ‘City Showcases’ ou Concertos na Cidade (dito em português) levou concertos ao Ramada 1930, ao Convívio Associação Cultural e também ao CAAA. Todos estes locais recebem frequentemente atividades culturais.
Sábado à tarde - City Showcases
Este ano houve menos locais e os horários repartidos de hora em hora sendo que houve duas atuações à mesma hora. Tal como em 2024 resolvi escolher algumas, com maior interesse pessoal, para ir ver. Passei pelo Ramada 1930 para ver Homem em Catarse, dei um salto ao Convívio para IBSXJAUR e terminei no CAAA para os italianos C'mon Tigre.
Afonso Dorido é Homem em Catarse, um artista que sigo e aprecio bastante. Foi um gosto revê-lo, já não sei o número de vezes que o vi ao vivo com o seu projeto a solo. Ele que revelou que “estar em Guimarães é como estar em casa”. Pode-se dizer que foi uma matiné bem aprazível, a beber um copo pelas 16h e escutar temas como "Gueto da Paz", "Hotel Saturnyo" uma das minhas preferidas, “Hipoteca” ou “Guarda”. Esta ultima guardada para o encerramento. Foi uma atuação bem simpática.
Homem em Catarse ao vivo no Ramada | Foto: Westway / Centro Cultural Vila Flor Nota final: ambiente de esplanada com algumas conversas pelo meio, não totalmente adequado a uma atuação de Homem em Catarse. Deixa só um pouco de pena que, por vezes, as pessoas não percebam e não se adaptem ao que a circunstância requer a determinado momento.
Numa transição calma e rápida cheguei a ponto central para ver a dupla IBSXJAUR. Confesso que tinha alguma curiosidade em conhecer esta dupla formada por JAUR (cantautora pop) e INFRABASSESATURE (produtor de música eletrónica). Em abono da verdade devo dizer que a pequena sala do Convívio e o som não estavam à altura da exigência desta atuação. Achei a voz de JAUR com imenso potencial, não fiquei totalmente convencido que este projeto de fusão de techno e drum and bass com pop seja o projeto ideal para esta voz feminina. Em todo o caso reservo-me a demais considerações para uma altura posterior.
Sábado – Noite 2 do Festival
Tal como na noite transata, o debute deu-se no Auditório do Teatro Jordão. Este foi o único concerto de toda a jornada noturna sonoramente mais díspar no qual tivemos Chico Bernardes com as suas baladas. Este foi um regresso a Guimarães, tinha atuado em janeiro de 2020, num evento da Capivara Azul, cuja reportagem do headLiner pode ser lida aqui. Ele que desejou não demorar tanto tempo para novo regresso.
Brasileiro Chico Bernardes no regresso a Guimarães 5 anos depois | mais fotos clicar aqui A atuação arrancou às 21:20h com a sala a registar uma bela afluência, muito diferente do registado na sexta-feira. Era o indicador de que este sábado, 12 de abril, teria uma maior adesão de público. Efetivamente assim foi, talvez num número, três a quatro vezes superior.
Chico formulou uma setlist com temas dos seus dois álbuns: do homónimo de 2019 e de ‘Outros Fios’ de 2024. Ele que teve dificuldades em ver a plateia por entre a “fumaceira louca”, a expressão que utilizou para descrever o fumo em palco. Esteve comunicativo e procurava aproximar-se do público “olhos nos olhos”.
Bernardes esteve maioritariamente sentado no meio do cenário com o seu violão com uma exceção de uma incursão no piano. "Astronauta", “Todas as Cores” e “Sem Palavras” foram três dos temas interpretados. Chico efetuou uma atuação serena e bastante pachorrenta, no bom sentido.
Brasileiro Chico Bernardes no Auditório do Teatro Jordão | mais fotos clicar aqui A banda Collignon, vinda dos Países Baixos, foi a única da noite a respeitar o horário estipulado, começaram mesmo às 22:15h na garagem do Teatro Jordão. Aí foi ainda mais notório a significativa adesão de pessoas ao Westway Live.
Muita cor em palco com estes Collignon que trouxeram sonoridades bastante animadas a fazer lembrar carnaval, com um travo exótico. Um som instrumental de densidade e graves superiores aos registados nos temas nas suas versões de estúdio. Uma intensidade bem mais elétrica.
Inicialmente era apenas o projeto a solo do teclista e produtor Jori Collignon, ele que fez-se conhecer artisticamente pela sua participação em diversas bandas do seu país. Após algum tempo na estrada, o músico acabou por assentar algum tempo em Portugal. Em 2022, depois de trabalhar no nosso país durante a pandemia, lançou 'Lagoinha', o seu álbum de estreia a solo. Passou a formato banda, nesse mesmo ano, quando efetuou uma tournée pelos Países Baixos. O baterista e percussionista Gino Bombrini e o guitarrista Yves Lennertz são os outros dois elementos. Ao vivo Jori ocupa-se dos sintetizadores.
Neerlandeses Collignon a mostrarem os seus temas | mais fotos clicar aqui No passado dia 14 de fevereiro os Collignon lançaram ‘Bicicleta’, o segundo álbum do projeto. Tanto este como o disco de estreia foram mostrados. Boa atuação nesta que foi a estreia em Guimarães.
Luís Judícibus (guitarrista e vocalista), Hugo Luzio (baterista), Diogo Sá (guitarrista), Francisco Dias Pereira (teclista) e João Tomázio (baixista) são os cinco amigos de Sintra que formam os Them Flying Monkeys.
Eles rubricaram um dos grandes momentos da segunda jornada. A energia em cima do palco passou rapidamente para a plateia, muito bem preenchida. O público ficou contagiado e fez a sua parte. Foram cerca de 40 minutos elétricos e emocionantes.
Luís, o vocalista dos Them Flying Monkeys | mais fotos clicar aqui Diogo Sá vinha equipado a rigor, com uma camisola da Argentina com o nome do astro Maradona e os Them Flying Monkeys foram mesmo campeões na noite.
O vocalista fez questão de pedir palmas ao CAAA, uma das salas de concertos de Guimarães, que os acolheu muito bem numa ocasião anterior. Efetivamente o Centro para os Assuntos da Arte e Arquitectura tem feito um excelente trabalho na divulgação dos talentos emergentes do nosso país e outros vindos do estrangeiro pelo que me revejo totalmente neste elogio.
Them Flying Monkeys em palco na estreia no Westway Live | mais fotos clicar aqui “Pretty Sticks” e “Everybody Everything” são temas essenciais dos Them Flying Monkeys e interpretados com a reverência que merecem. A ocasião áurea da atuação destes lusitanos foi quando Judícibus abriu alas e provocou sorrisos largos na plateia. Deambulou pela “passerelle” a cantar para a frente e para trás puxando pelas pessoas. A determinado momento parou e aninhou-se, o público seguiu-o para baixo e para cima!
‘Best Behavior’, o mais recente disco, foi apresentado com pompa e circunstância através de uma excelente performance com atitude punk rock certeira e a requerida para o devido aquecimento dos corações. Quero ver mais vezes os Them Flying Monkeys ao vivo e esta atuação só solidificou o meu gosto por eles.
Diogo Sá, guitarrista dos Them Flying Monkeys | mais fotos clicar aqui Outro dos momentos para o qual tinha algumas expetativas era acerca das Maida Vale. Este quarteto feminino está sediado em Estocolmo na Suécia e é formado por Matilda Roth (vocalista), Sofia Ström (guitarra principal), Linn Johannesson (baixo) e Johanna Hansson (bateria).
Esta aparição em Guimarães foi a estreia delas na Cidade Berço e um dos momentos incríveis de todo o Westway Live. Esta data foi, inclusive, a última da tournée. A longa tournée que efetuaram passou pela Bélgica, França, Alemanha, Países Baixos, Espanha e Portugal.
A vocalista Matilda foi parca em palavras, disse o essencial. Sorridentes e bem-dispostas, ficaram surpreendidas pela adesão de centenas de pessoas que preencheram bem a plateia. Algumas fãs presentes, algo notório pelo envergar de t-shirts alusivas à banda. Boa parte da audiência sabia bem ao que vinha. Outros ficaram bem impressionados, uns quantos desconheciam Maida Vale por completo.
Visão do palco por entre a frontline durante Maida Vale | mais fotos clicar aqui 'Sun Dog', álbum editado em maio do ano passado, foi o foco da setlist. "Faces [Where is Life]" e "Pretty Places", são duas das minhas preferidas deste trabalho discográfico mais recente, para minha felicidade não faltaram. “Attention”, “Control”, “Fool” e “Daybreak” foram outras tocadas, o álbum foi quase todo mostrado.
Já do disco anterior ‘Madness Is Too Pure’, editado em 2018, mostraram “Trance” e “Gold Mind”, a última interpretada.
As Maida Vale aproveitaram a ocasião com primor e afinco tendo rubricado uma performance bem polida e efetuada de modo sublime. Algo que deve ser de elogiar depois da longa série de concertos efetuados desde 20 de fevereiro. Oxalá regressem a Portugal o mais breve possível.
Sofia Ström, guitarrista das Maida Vale | mais fotos clicar aqui A despedida da Box dos concertos no Westway Live ocorreu com os MДQUIИД. cujo início aconteceu à 1:22h, já durante a madrugada de domingo.
Halison Peres, João Cavalheiro e Tomás Brito são o trio MДQUIИД. e continuam firmes após tantos e tantos concertos por Portugal e além fronteiras. São um claro caso que não foram eles que escolheram a música, foi a música que os escolheu. De forma nata e inata. Efetivamente é Impressionante o ritmo avassalador com que a carreira deste projeto tem progredido. Mais impressionante é não terem ainda "queimado fusíveis" após tantas e tantas atuações.
MДQUIИД. é já um nome de peso no universo musical português e por isso não é de estranhar a robusta quantidade de fãs que já possuem. Eles que aproveitam cada concerto para fecharem os olhos e deixarem seus corpos num modo ambulante em redor dos acordes hipnóticos produzidos por este projeto oriundo de Lisboa. A aura exploratória em redor do krautrock e techno industrial, entre outros géneros, está muito bem entregue nas mãos destes três músicos.
Halison dos MДQUIИД. | Foto: Mariana Silva O baterista Halison deixou um mimo à cidade dizendo que “Guimarães é uma das cidades favoritas” da banda. Não tenho dúvidas disso nem tenho memória de outra formação, de fora da região, que tenha atuado no concelho tantas vezes em tão pouco tempo.
Além de ‘Prata’, editado no ano passado, também ‘Dirty Tracks For Clubbing’, lançado em 2023, foram devidamente revisitados. As faixas “body control’ e “denial” irão perdurar como clássicos.
Tomás dos MДQUIИД. | Foto: Mariana Silva A noite terminou no Café Concerto do Centro Cultural Vila Flor com a performance de Mira Quebec x Diogo Mendes já depois das 2h da manhã.
Mira Quebec é um projeto de música eletrónica de José Pedro Caldas, músico conhecido por fazer parte dos Paraguaii. Já Diogo Mendes é um artista multidisciplinar com ligações a diversas artes.
Nesta performance juntaram-se em palco, do lado esquerdo esteve Caldas no controlo das sonoridades eletrónicas enquanto do seu lado oposto esteve Mendes no controlo das sensações por via de um jogo de luzes complementando o som.
Aos poucos e poucos o Café Concerto ganhou mais público vindo dos MДQUIИД. e o fim do Westway Live foi celebrado madrugada adentro com um frenético espetáculo de som e cor.
Mira Quebec e Diogo Mendes no encerramento do festival | Foto: Westway / Centro Cultural Vila Flor Esta edição, a décima segunda do Westway LAB agora denominado de Live para a parte dos concertos, foi mais do encontro aquilo que eu considero que pode ser o evento. Pensando sobretudo pela programação, pela adesão de público e no ambiente que este criou em volta das salas e durante os concertos.
O trabalho muito positivo d’A Oficina, gestora do Centro Cultural Vila Flor, pela alta qualidade geral na produção e organização do evento. Algo mais uma vez refiro com orgulho. Houve percalços, por vezes acontecem, fazem parte de quem organiza um festival com este enquadramento e exigência.
A novidade do festival estender-se ao edifício do Teatro Jordão foi positiva, especialmente pela utilização do Auditório. A garagem do Teatro Jordão tem sido usada como sala de espetáculos porém penso que não é a melhor opção quando o universo do Centro Cultural Vila Flor tem outros espaços melhores equipados, mais confortáveis e com uma acústica mais adequada.
Já os horários foram mais esticados, uma grande diferença relativamente a anos anteriores. Começar às 21:15h é algo cedo e o último concerto estar pensado para as duas da madrugada é demasiado tarde. Nem todo o público ocorre a todas as atuações o que faz com quem hajam atuações menos concorridas. Dito de outra maneira: o público foca-se em determinadas atuações.
O Westway Live demonstra-se um jovem adulto com um percurso já sólido, com algumas inconstâncias pelo meio. Pode ainda fazer realizar algum progresso e com alguns aprimoramentos alcançar um nível superior. Como nota de remate refiro apenas isto: as premissas continuam sendo as certas.
Reportagem fotográfica completa: Clicar Aqui
Johanna Hansson, baterista das Maida Vale | mais fotos clicar aqui Texto: Edgar Silva Fotografia: Nuno Coelho @ nunomscoelho (Instagram) Gonçalo Nogueira @ da_gac (Instagram) Mariana Silva @ marianasilvax (Instagram)












