O Arremesso de Cevada
Original post by @thegrapeandthefig available here.
Novamente, estou com pouco tempo para uma postagem completa, então decidi recorrer a um resumo do artigo (+ algumas idéias). Hoje vamos discutir o antigo costume de jogar cevada durante o sacrifício por meio de um artigo escrito por Stéphanie Paul e intitulado “Le grains du sacrifice: le lancer d'orges dans la pratique sacrificielle en Grèce Ancienne”, publicado em Kernos 31 em 2018. Você pode ler tudo aqui (em francês).
O contexto do arremesso de cevada
Na epopéia homérica, todas as ocorrências de lançamento de cevada, exceto uma, ocorrem antes de uma oferta de sangue. Seria feito antes de matar o animal. Alguém pegava o grão nas mãos, dizia a oração e jogava os grãos para a frente.
Em Electra e Ifigênia em Aulis, de Eurípides, os grãos são respectivamente atirados para o altar e para o fogo com ambas as mãos. Os grãos queimados são então descritos como “purificadores”.
Curiosamente, a Odisséia nos fala de uma substituição para a cevada, caso não haja nenhuma disponível: a tripulação de Ulisses, ao sacrificar as vacas de Helios, usa folhas de carvalho (livro XII, 356-363). No entanto, pode-se argumentar que o terrível final do mito se deve ao fato de que a tripulação teve que recorrer a tudo o que pôde encontrar na natureza (folhas de carvalho em vez de cevada e água em vez de vinho) para substituir ingredientes civilizados. No entanto, uma inscrição da cidade de Cos confirma o uso de folhas em um contexto semelhante para o sacrifício a Zeus Polieus. Num dos rituais preliminares, a inscrição indica para iniciar o sacrifício de um leitão com “oliveira e louro”. Entratanto, não se sabe ao certo como foram usados. Foram galhos ou apenas folhas e qual era o seu propósito exato?
O papel de cereais nas oferendas
Embora a literatura pareça se limitar à cevada inteira, as fontes epigráficas comprovam o uso de uma gama mais ampla de produtos, como a farinha de trigo ou de cevada. Ao contrário dos romanos, os gregos não pareciam usar a farinha-de-trigo (farinha de espelta).
Além da prática de jogar grãos no altar ou na vítima do sacrifício, o uso de cereais sob diferentes formas também é algo a que se deve prestar atenção. Isso poderia ser na forma de mingaus ou bolos que seriam colocados no altar ou queimados, sozinhos ou com carne, como parte de uma refeição maior.
É importante notar que a cevada era o grão mais cultivado na Grécia Antiga graças à sua capacidade de crescer em climas secos em comparação com o trigo. É possível que o cereal no ritual sirva como um símbolo da civilização e da humanidade através do domínio da agricultura.
Do ponto de vista reconstrucionista, estou dividido sobre a relevância de trazer de volta essa prática. A maioria, senão todos, os praticantes modernos não participam do sacrifício de sangue nem estão interessados em fazê-lo. A prática parece muito ligada à matança do animal para nos interessar hoje. No entanto, devemos prestar mais atenção aos cereais na adoração como um todo (especialmente para nossas divindades agrícolas!), Que podem assumir a forma de assar bolos e pão.
[NOTA DO TRADUTOR/TRANSLATOR'S NOTES, por @piristephes ]
Atualmente, no contexto helênico do Brasil, o uso de cevada é recomendado justamente pelas coisas supracitadas. Aurora nos trouxe recomendações importantes. Os grãos, tão sagrados a Deméter como são, são uma oferta adequada e de fácil acesso. Recomendo bastante.
Currently, in the hellenic context of Brazil, the use of barley is recommended precisely for the aforementioned things. Aurora brought us important recommendations. Grains, as sacred to Demeter as they are, are an adequate and easily accessible offering. I highly recommend it.
















