Trinity Blood - Reborn on the Mars Volume I - A Estrela do Lamento ----------------- ⚠️ ESSA OBRA EM HIPÓTESE ALGUMA É DE MINHA AUTORIA. TRADUÇÃO REALIZADA DE FÃ PARA FÃS. NÃO REPUBLIQUE OU POSTE EM OUTRAS PLATAFORMAS SEM AUTORIZAÇÃO. SE CASO POSSÍVEL, DÊ SUPORTE AOS AUTORES E ARTISTAS COMPRANDO AS OBRAS ORIGINAIS. ⚠️ -----------------
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Capítulo 4: A Estrela do Lamento
Ⅶ
— Você o matou?
— ..........
A noviça perguntou, temerosa, mas o padre não respondeu nada. As sinistras extensões que antes se projetavam de suas costas já haviam desaparecido sem deixar vestígios. Até a cor de seus olhos havia voltado ao habitual tom límpido de um lago invernal.
— Padre... quem realmente você...?
— Mais do que a mim, Esther-san...
Como se nada tivesse acontecido, Abel guardou seus óculos redondos no bolso e lançou um olhar para Esther, incentivando-a a continuar.
— Peço que, por favor, cuide daquilo.
Dentro do holograma, a contagem regressiva ainda continuava. No alto do céu, uma terceira aurora começava a tremular. Esther ainda parecia querer dizer algo, mas, após um aceno, correu em direção ao teclado.
Após vê-la partir, Abel voltou a baixar os olhos para seus pés. O braço direito do nobre, que jazia na lama ensanguentada, estava ausente a partir do ombro, e um profundo corte podia ser visto em seu abdômen. No entanto, ele ainda era um Methuselah — a criatura mais poderosa da Terra.
— ...Por que não me mata?
A voz estava rouca, mas surpreendentemente clara, quando Gyula perguntou ao padre, autor daquela cenário violento.
— Matar-me deveria ser o trabalho de Vossa Excelência... ou será que está apenas se divertindo em me torturar?
— Minha missão é destruir a sua 'Estrela do Lamento', não tirar a sua vida, Marquês da Hungria. Além disso, não tenho o hábito de torturar pessoas por diversão.
— Pessoa?
Nos olhos de Gyula, que olhou de volta para Abel, brilhou uma luz curiosa.
A ele... Este homem está chamando a ele — um vampiro — de "pessoa"?
— Sim, pessoa... Esther-san, como está aí?
— Sim... Agora terminei de digitar. Se fosse uma máquina de escrever, eu teria prática por ajudar a Reverenda várias vezes digitando, mas é a primeira vez que mexo com uma inteligência eletrônica.
Com movimentos inexperientes, Esther terminou de digitar no teclado e parecia estar verificando a tela mais uma vez.
‘Nós renovaremos o mundo através do fogo’ — ‘Igne Natura Renovatur Integra’ ── Após confirmar que a sequência de palavras desconhecidas estava digitada, uma a uma, sem um único erro, pressionou o botão de entrada.
— Isso deve estar certo... Eh!?
Olhando para a tela com satisfação, as sobrancelhas de Esther subitamente se franziram.
A contagem regressiva ainda continuava.
— Que estranho...
Ela pressionou o botão de entrada várias vezes, mas a tela não mudou. A esta altura, já deveria estar acontecendo a explosão da "Estrela do Lamento" nos céus. E ainda assim, por que apenas a contagem continuava avançando?
— O que é isso...!?
— O que aconteceu?
O padre, que estava ao lado de Esther, que se afligia sozinha, espiou a tela. Suas sobrancelhas logo se tornaram sombrias.
— Isso é estranho... Você inseriu corretamente o código?
— Sim. Exatamente como Dietrich disse...
〈Olá, Esther...〉
Foi nesse momento que a tela subitamente mudou.
A tela operacional da inteligência eletrônica, antes apenas funcional e sem graça, agora exibia um belo, porém malicioso, sorriso.
〈O fato de estar vendo esta imagem significa que você acabou inserindo o código exatamente como eu disse, não é?〉
— Di... Dietrich!
Esther se levantou instintivamente e gritou.
— O-o que você pensa que está fazendo!?
— Esther-san, acalme-se... Isto não é uma transmissão ao vivo. É um arquivo de vídeo gravado dentro da inteligência elétrica.
Com uma expressão séria, Abel fez uma observação. Como se confirmando suas palavras, o jovem na imagem continuava a falar sem reagir à voz de Esther.
〈Esther, preciso pedir desculpas a você por algo. Sobre o comando que você inseriu há pouco... aquilo não era um código de autodestruição... Na verdade, era um código de alteração de alvo.〉
— !?
O tom era tão descontraído quanto se estivesse se desculpando por faltar a um encontro, mas o conteúdo era mais do que suficiente para fazer o rosto de Esther mudar de cor de forma vívida.
〈Mas não se preocupe. Agora, István, onde você está, está seguro. O alvo foi alterado para Bizâncio... Ah, será que você conhece Bizâncio? A capital do ‘Império’, um verdadeiro covil daqueles vampiros que você tanto odeia.〉
— !
Certamente, os valores de coordenadas especificados na tela haviam mudado completamente em relação aos de antes. Para Esther, uma leiga no assunto, aqueles números eram indecifráveis. No entanto, se aquilo realmente estivesse apontando para o ‘Império’...
〈Se a capital imperial for atacada, eles certamente não ficarão em silêncio. Humanos e vampiros entrarão na guerra final... E então, Esther? Como se sente por ter puxado o gatilho final?〉
— ...V-Você é o pior!
Esther sabia que o que via era apenas uma gravação, mas não conseguiu conter as palavras que cuspiu.
— Até o último momento!
〈Depois de ter sido enganada tantas vezes, você ainda acredita no que eu digo? Você é mesmo ingênua. Bom, esse seu lado doce... eu até gostava bastante dele. Então, até mais, Esther. Espero que nos encontremos de novo algum dia.〉
Mesmo depois que a figura do jovem desapareceu com um riso contido, Esther continuou a encarar a tela. No entanto, foi apenas quando uma mão ensanguentada se estendeu em direção ao teclado ao seu lado que ela voltou a si, assustada.
— Padre!
— Esther-san, por favor, afaste-se.
Silenciosamente, ele afastou a garota para o lado. Quem agora estava diante do teclado era Abel. Com o rosto inclinado para baixo, seus olhos refletiam a luz da tela, brilhando em um tom azul.
— É inútil, Padre Nightroad... A inteligência eletrônica da ‘Estrela do Lamento’ é especial. Se o que Dietrich disse for verdade, então é a mais antiga sobrevivente do ‘Armagedom’. Nem mesmo Vossa Excelência poderá...
— ..........
Abel não respondeu a arfante respiração de Gyula. Apenas, em silêncio, passou os olhos pelos inúmeros números que apareciam na tela. Então, pousou as mãos sobre o teclado e começou a mover os dedos suavemente para cima e para baixo. No início, devagar, mas pouco a pouco, seus movimentos se tornaram mais rápidos.
— Er...bem, padre...?
Ao seu lado, Esther arregalou os olhos. Seus dedos se moviam com a precisão vívida de um pianista diante de um teclado. Mas inserir comandos em uma inteligência elétrica era uma tarefa extremamente difícil, exigindo um programador especializado, vasto conhecimento e um nível meticuloso de atenção. Definitivamente, não era algo que um amador pudesse fazer.
— P-padre, se você simplesmente digitar qualquer coisa ao acaso...
— Silêncio.
Com uma voz gélida, como se ele próprio tivesse se fundido à inteligência elétrica, Abel cortou Esther e continuou a digitar. Enquanto isso, a contagem regressiva persistia. O som das teclas competia com os números que diminuíam implacavelmente na tela.
〈Tempo até o disparo: 40 segundos restantes. 39, 38, 37...〉
Logo após o início da contagem regressiva pela voz mecânica, as mãos do padre, que se moviam sobre o painel de controle, pararam. Como se o espírito que o possuía tivesse se dissipado, ele ergueu o rosto pálido. Sem dar atenção a Esther, que o observava ansiosa, contorcendo-se de nervosismo, Abel murmurou com uma voz fria.
— Entrada de voz no programa de gerenciamento. Solicito a transição para o modo de administrador do sistema.
〈… 〉
Num instante, a voz que anunciava a contagem regressiva cessou. Não, não foi apenas a voz. Até mesmo os números que mudavam freneticamente na tela pararam por um breve momento. Era como se um cão, ao ouvir a voz de seu dono supostamente falecido, tivesse erguido o rosto com um sobressalto.
〈……Entendido.〉
O que se ouviu em seguida não foi mais a voz robótica e neutra de antes, mas sim uma voz feminina suave. Ela começou a falar em um tom respeitoso, semelhante ao de um vassalo leal respondendo ao seu senhor.
〈A partir de agora, a transição para o modo de administrador do sistema será feita via entrada de voz. Adicionalmente, as tarefas em andamento continuarão em paralelo. Restam trinta segundos. Vinte e nove. Vinte e oito. Vinte e sete...〉
— Distribuir a fonte com prioridade máxima para os comandos de emergência dentro do sistema. Congelar todas as tarefas operacionais gerais.
〈O arquivo de comando foi destruído pelo administrador do sistema. Consulte o endereço R200055 para obter a causa do erro──〉
— Não é necessário.
Era como se uma pessoa desconhecida estivesse conversando com Deus ou com o Diabo em uma língua estranha. Dando um pequeno estalo de língua diante dos olhos atônitos de Esther, Abel recitou rapidamente outro encantamento.
— Quantos comandos de congelamento do sistema estão disponíveis? Não temos tempo. Não precisa exibir os endereços.
〈Entendido. Iniciando busca... Concluído. Há apenas um que atende às condições da pergunta.〉
— Qual?
〈Código de autodestruição, baseado no regulamento de proteção 3090.〉
— .....
Os lábios de Abel pararam de se mover. Como se estivesse se desculpando por algo, seu olhar se voltou para Gyula, que ainda jazia no chão. No entanto, isso durou menos de um segundo.
— Código de autodestruição, insira. Com base no Regulamento de Proteção 3090, inicie a autodestruição.
〈A inserção do código requer a apresentação de um passe de qualificação classe especial A ou superior. Por favor, apresente a senha do administrador.〉
— A senha do administrador é...
Respirando fundo, o padre recitou mais uma vez um encantamento.
— Comandante da Força Aérea e Espacial das Nações Unidas, Abel Nightroad. Departamento de Segurança da Divisão de Gerenciamento do Projeto Red Mars. Código de Registro UNASF 94-8-666-02ak.
〈Senha confirmada〉
A inteligência elétrica artificial respondeu respeitosamente, como sempre.
〈A partir de agora, este sistema será autodestruído com base na Regulamentação de Proteção 3090. Além disso, juntamente com a autodestruição do sistema, todos os satélites de transmissão de energia da órbita 7782 serão descartados. Obrigado por utilizar nossos serviços.〉
— .......
A voz, que até então falava de maneira impassível, de repente silenciou. No mesmo instante, os números exibidos na tela começaram a desaparecer um a um.
Olhando fixamente para a tela, que aos poucos ia escurecendo, o que estaria pensando? O padre soltou um profundo suspiro e, então, ergueu o olhar para além da janela, murmurando para ninguém em particular.
— Por todo esse tempo, obrigado pelo seu trabalho...
Ao olhar para cima, via-se uma noite de lua brilhante. A "primeira lua", que acompanhava esta estrela desde o seu nascimento, surgia no céu oriental. Por outro lado, a "segunda lua" — com sua forma tão grotesca que parecia ter sido criada por um demônio brincalhão — brilhava de maneira disforme, sendo chamada de "a lua dos vampiros". Como o olho de um deus vigiando os mortais, sua presença funesta continuava a pairar num ponto fixo do céu do sul.
E então, ali perto, uma grande estrela, que brilhava intensamente sobrepujando todas as outras, pôde ser vista apagando-se silenciosamente enquanto cintilava...
— ...O-O que aconteceu?
Com uma voz que parecia prestes a desmoronar, Esther gemeu. Com seu nível de conhecimento, era difícil demais compreender o que acabara de acontecer diante de seus olhos. Mas uma coisa era certa: algo completamente extraordinário havia ocorrido.
— O que aconteceu? E a 'Estrela'?
— A 'Estrela' já não existe mais.
A resposta à dúvida da garota veio de uma voz vinda do chão.
— A 'Estrela' já não está em lugar algum... Tudo acabou. Não, talvez seja melhor dizer que tudo foi encerrado.
Gyula olhava para Esther com olhos de certa forma gentis, mas então desviou o olhar para o padre, que permanecia em silêncio.
— Como esperado, Vossa Excelência é exatamente a pessoa que eu imaginei, Padre Nightroad...
— .....
O vampiro ferido tentou dizer algo, mas Abel balançou a cabeça gentilmente. Se aquilo significava para ele não dizer mais nada ou se era por preocupação com seus ferimentos, não se sabia. Mas Gyula, como se tivesse compreendido, acenou profundamente e, com uma expressão tranquila, mudou de assunto.
— A propósito, será que poderá ouvir um pedido meu, Padre Nightroad?
Mesmo tendo seu braço decepado e carregando um profundo corte no abdômen, a vitalidade dos Methuselah não privou Gyula de sua voz. Apesar de rouca, suas palavras eram claras, e o vampiro ferido as teceu com precisão.
— Se for enviado a Roma, serei morto. Se é para morrer de qualquer forma, não quero ser morto pelos Juízes da Inquisição de Roma... Não poderia conceder a chance de vingança por meio desta irmã?
— Eh?
A garota, que até então estava caída no chão como se estivesse atordoada, estremeceu e ergueu o rosto. Sem entender o que lhe havia sido dito, olhava alternadamente para Abel e Gyula. Observando seu rosto manchado de sangue, Gyula acrescentou em um tom tranquilo.
— Eu tirei dela as pessoas que lhe eram preciosas... Ela tem o direito de se vingar. Isso é justo. Muito justo. E eu tenho a obrigação de morrer por suas mãos.
— ........
O que ele estava tentando dizer...? Abel abriu e fechou a boca duas ou três vezes, como se quisesse falar algo. Mas, no fim, calou-se sem dizer uma única palavra. Em vez disso, o que pegou do chão foi seu antigo revólver.
— Esther-san, aqui, pegue isto.
Trocando o carregador por um novo, o padre engatilhou o revólver e colocou a arma nas mãos da noviça.
— O que está carregado dentro são balas de prata... Se atirar no coração ou no cérebro, poderá matá-lo instantaneamente.
— .......
Como se estivesse perplexa com o peso metálico que de repente surgiu em suas mãos, Esther olhou para a arma. Com os olhos arregalados, alternou o olhar entre o rosto do vampiro, que jazia na lama ensanguentada, e a arma em suas mãos.
— ...Me desculpe.
Deitado no chão, Gyula pediu desculpas à garota com serenidade.
— A minha vingança foi justa. Não deixarei que ninguém diga que foi um erro. Mas também é verdade que tirei de você aqueles que eram preciosos... Você tem o direito de se vingar.
— E-eu...
O que ela realmente queria fazer?
Sentindo ao mesmo tempo o calor da mão do padre sobre sua própria mão trêmula e a frieza do aço, Esther se questionou.
A Reverenda que lhe criou quando eu era órfã, os muitos companheiros partisans e todas as pessoas da cidade...
Todos foram mortos por esse cara.
Não havia como não querer matá-lo. Ela mesma não era Deus nem um anjo. Assim como sabia amar, também sabia odiar.
Porém... Esther percebeu que o homem à sua frente também era assim.
— Eu te odeio. Quero vingar a Reverenda e todos os outros ── isso é verdade. Mas...
Após hesitar, a garota sussurrou com uma voz quase inaudível.
— Mas... acho que atirar em você seria um erro.
Ela balançou a cabeça para Gyula, que a olhava com estranheza, e então ergueu os olhos para o padre, com um olhar, como o de uma criança perdida de seu caminho.
— Deve ser porque eu sou tola, então não entendo muito bem. Não entendo, mas, de qualquer forma, isso está errado... Padre, eu sou estranha?
— ...Não, nem um pouco.
Com um sorriso que parecia contemplar toda a bondade deste mundo, o padre balançou a cabeça. Mantendo aquele sorriso que penetrava a alma, dirigiu-se a Gyula, que permanecia em silêncio, como se quisesse dizer algo.
— O ódio não gera nada... Não, bem, até eu me sinto envergonhado de dizer isso, mas parece que é assim que as coisas são, Gyula-san. Bom, sendo assim, desista de fazê-la puxar o gatilho... Agora, parece que a cidade também está ficando mais calma.
Na cidade visível a partir do terraço, de tempos em tempos, clarões que pareciam explosões ou disparos de armas de fogo cintilavam. No entanto, o desfecho já começava a se desenhar. Ainda estava longe de se poder dizer que a calma havia sido restaurada, mas a ordem, de certa forma, parecia estar retornando pouco a pouco.
Naquele exato momento, voltando-se para a nova silhueta que acabara de entrar no salão, Abel levantou levemente a mão.
— Ah! Olá, Tres-kun. Terminou por aí?
— Positive. 97% das forças da Guarda Militar estacionadas na cidade foram subjugadas.
O Padre Tres Iqus – o Executor Enviado, conhecido como 'Gunslinger' – manteve sua voz tão carente de entonação como sempre, mas sua resposta foi mecanicamente precisa.
— Depois que o Quartel-General foi destruído, a maioria perdeu a vontade de lutar e começou a se render. Com a participação da população civil ao lado dos partisans, os combates em si progrediram sem grandes problemas. Atualmente, 'Iron Maiden' está cooperando com os partisans para erradicar os inimigos remanescentes. A operação deve ser concluída antes da chegada do exército do Vaticano.
— Isso é um alívio.
Embora um número considerável de sacrifícios tenha sido feito, o combate urbano foi evitado de alguma forma. Além disso, devido à posição perante os países vizinhos, o Vaticano precisava demonstrar generosidade em relação a István após a ocupação. A reconstrução provavelmente avançaria em ritmo acelerado, e o fornecimento de alimentos também seria garantido. Diversas medidas seriam tomadas para garantir que os cidadãos exaustos pudessem sobreviver ao inverno com segurança.
Abel voltou a olhar para o terraço mais uma vez. Talvez os partisans já tenham alcançado o palácio, pois vozes trocando gritos podiam ser ouvidas ao longe, levadas pelo vento.
— Então, vamos nos retirar também? O resto deixamos para os partisans...
— ...Vocês, desgraçados, são os únicos que eu nunca vou deixar escapar, seus padres de merda!
Além do terraço, uma enorme sombra erguida no pátio rugiu.
O uniforme militar azul-escuro que cobria seu imenso corpo estava irreconhecível, sujo de sangue e lama. No entanto, a expressão feroz, com presas expostas como as de um peixe carnívoro, não deixava dúvidas para ninguém ali — era Radco’n. Ele deveria estar sob a custódia dos partisans após sua derrota, mas como diabos conseguiu escapar? Seu corpo, coberto de sangue, parecia um milagre ainda estar vivo.
No entanto, como um cadáver ambulante movido pelo ódio e por uma obsessão insana, o gigante ensanguentado permanecia firmemente plantado no meio do pátio. E em suas mãos, ele empunhava uma besta que lhes era familiar.
— Morraaa!
Diante da situação repentina, evitar o ataque era impossível. Apontada para Esther, que estava paralisada, o gatilho de sua própria besta foi puxado pelo gigante junto com um rugido feroz.
Naquele instante, sem sequer olhar para trás, a M13 de Tres foi sacada e rugiu sobre seu ombro. O gigante, atingido com precisão entre os olhos por um projétil de 13mm de alta potência que atravessou seu bulbo raquidiano, foi arremessado para trás, espalhando massa encefálica pela parte de trás de sua cabeça.
Porém, a flecha disparada...
— Ma-Marquês da Hungria!
Esther soltou um grito quase como um lamento. Diante dela, uma sombra sem o braço direito erguia-se como uma parede. Cravada em seu peito estava uma flecha grossa, cujo eixo havia sido impregnado com uma solução de nitrato de prata.
— ......
Com um fedor anormal de carne derretida, Gyula deu um passo lento para trás antes de desabar novamente no chão. Quando Esther, ajoelhando-se por reflexo, o ergueu nos braços, ele já havia começado a sofrer pequenas convulsões.
— Por quê? Por que me protegeu!?
— Q-quem sabe... por quê, hein...?
Uma flecha grossa embebida em nitrato de prata atravessando o coração — nem mesmo a vitalidade dos Methuselah poderia suportar isso. Gyula, forçando a voz em meio a um gorgolejo de sangue espumoso, já tinha um véu branco começando a cobrir seus olhos.
— Eu deveria odiar vocês... Mas por que fui proteger um terran... e ainda por cima, uma noviça...?
— Não fale mais nada!
Esther reprimiu apressadamente o vampiro, que esboçava um sorriso amargo. No entanto, mesmo tentando detê-lo, ela não fazia ideia do que deveria fazer. Olhou para os dois padres em busca de ajuda, mas um permaneceu impassível, enquanto o outro apenas sacudiu a cabeça, desorientado.
— Onde foi que eu errei...? Por que eu...?
Com olhos que já deveriam não mais enxergar, Gyula olhou para Esther e sussurrou. Seu rosto já não mostrava sinais de dor. Pelo contrário, sua expressão pálida parecia até serena.
— Eu só queria ver o seu rosto feliz, Maria... Como foi que chegamos a esse ponto...?
— .......
Esther percebeu que, nos olhos já cegos do homem, o que se refletia era algum outro lugar que não aquele. E que as palavras que ele dizia não eram dirigidas a ela, mas a alguém mais.
— ...Obrigada, querido.
De maneira surpreendente, não sentia aversão.
Quando percebeu, já havia encostado sua própria bochecha na bochecha ensanguentada que abraçava e, com doçura, Esther sussurrou:
— Obrigada... Mas já é o suficiente. De verdade, muito obrigada.
— ......
Por fim, parecia que Gyula sorriu.
Ela teve a impressão de que seus lábios se moveram levemente, mas talvez fosse apenas sua imaginação. As pálpebras, que se fecharam suavemente, esconderam seus olhos cinzentos — e então, nunca mais se abriram.
— ...Senhor, por favor, conceda paz a esta alma.
Por que estava chorando? — Enquanto se perguntava isso, achando estranho que as lágrimas quentes que caíam de seus olhos molhassem tanto sua própria face quanto a do homem morto, Esther fez o sinal da cruz pelo falecido, apenas pelo falecido.
— Que ele possa se reencontrar com sua pessoa amada e que a misericórdia o guie... Amém.
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Créditos da tradução:
Lutie (◕‿◕✿)














