Envelhecer é um ato de coragem para a comunidade LGBTQIA+. É também um ato de resistência. Nossas rugas não são apenas marcas do tempo. São cicatrizes de batalhas silenciosas, de amores que foram crimes, de identidades que nem mesmo na maturidade puderam respirar livres.
Quando chega a velhice, não faltam histórias de quem carece de acolhimento familiar, assim como políticas públicas que nos enxerguem.
E o preconceito não cansa. Nos segue nos consultórios médicos, onde profissionais despreparados ignoram nossas histórias e particularidades. Nas casas de repouso, o silêncio sobra quanto a quem somos e até obriga pessoas a se recolherem de novo ao armário por medo de agressões.
Envelhecer LGBTQIA+ é carregar uma dupla carga: o peso dos anos e o fardo da invisibilidade.
Mas há esperança nas brechas. Quando um cuidador aprende a nos chamar pelo nome certo, quando um abrigo abre suas portas sem exigir que apaguemos nosso passado, quando a sociedade enfim reconhece que merecemos mais que tolerância e sim dignidade, então a velhice pode ganhar novas cores.
Pode ser afeto tardio, memória que não se envergonha, orgulho que não se aposenta.
ideias de possíveis temas para a redação Enem 2020
*ideias e proposições de reflexões sobre os temas feitas por mim*
eu fiz da seguinte forma: separei os temas e em seguida citei as reflexões que acredito que possam ser feitas a partir de cada um deles. não necessariamente esses serão os temas, com as reflexões que estou propondo, óbvio. mas nunca é demais refletir e estudar questões atuais que nos afetam diariamente. em breve, em alguns posts farei um breve apanhado do que você poderia abordar em cada um desses temas, alguns eu domino mais do que outros, então os posts vão variar.
as perguntas são para reflexão, mas eu aconselho MUITO que você desenvolva algum texto sobre o que pensar, já treinando fazê-lo dentro do que é um texto dissertativo-argumentativo.
- a corrupção no Brasil
ela é como uma epidemia sistêmica? por que esse mal parece estar longe de ter um fim? quais são as suas raízes? podemos fazer algo em relação a isso?
- alienação e as redes sociais
as pessoas são facilmente persuadidas e enganadas hoje em dia? por que? o acesso à rede social onde recebemos muitas informações auxilia isso?
- democracia
qual a importância de sua existência e qual o seu histórico no nosso país?
- fake news e a sua influência na sociedade brasileira
por que elas nasceram e como são utilizadas? quais os impactos que elas causam na nossa sociedade?
- racismo
quais as origens desse mal? qual a importância de todos nos educarmos nesse assunto? por que o racismo é estrutural?
- saúde mental em jogo
somos uma sociedade mentalmente saudável? o que nos impede de ter uma vida mental mais saudável?
- a solidão no século XXI
estamos cada dia mais distantes dos outros e de nós mesmos?
- a crise da saúde
abandono do governo com a população? todos possuem acesso à saúde no país? o SUS é efetivo?
- o vício em redes sociais
vivemos mais on-line do que offline? a vida dentro das redes sociais é autêntica e deve ser vivida como um padrão a ser alcançado? vivemos mais por likes do que por apreciar os momentos do agora?
- ansiedade como o "novo comum" entre os jovens e adultos
quais as causas da ansiedade? o fato de mais pessoas terem ansiedade possui ligação com o ritmo que vive a nossa sociedade hoje? somos muito mais inquietos e ficamos facilmente entediados?
- a internet e o aumento da participação política das pessoas
quais os benefícios disso? porém, é uma participação efetiva e bem instruída? ou é superficial? (lembrar do whats e de posts, lembrar de persuasão)
- reforma previdenciária
nosso direito de se aposentar está em jogo? como funciona a aposentadoria atualmente?
- movimentos antidemocráticos
por que eles ressurgem de tempos em tempos?
- educação EAD e os seus benefícios e malefícios
qual o preço de se visar implementar um EAD de forma definitiva sem levar em consideração o acesso ainda precário à internet e dispositivos para algumas pessoas no país? EAD prejudica ou auxilia o desenvolvimento e o aprendizado de uma pessoa? como fica a necessidade de interagir socialmente, criar vínculos com as pessoas e conviver com as mesmas?
- sistema carcerário
o nosso sistema carcerário é efetivo ou falha? ele é ou não é seletivo? a sua principal função é simplesmente punir e não se importar com as consequências ou reintegrar a pessoa socialmente? com o que ele mais se preocupa?
- bullying e cyberbullying
(obs.: podem ser vistos como dois temas separados ou como apenas um)
por que deveríamos falar mais do assunto? por que uma pessoa pratica bullying com a outra e quais as consequências disso em quem é vítima?
- estética e saúde
a nossa preocupação com estética e uma visita cada vez maior às academias traduz uma vida mais saudável ou estamos mais ligados a padrões (corpo ideal e perfeito) do que nunca?
- novos modelos de família / quebra com a família tradicional
por que existe uma dificuldade das pessoas aceitarem outros modelos de família? isso possui alguma relação com religião? atualmente, é possível que pessoas do mesmo sexo se casem no Brasil?
- direitos LGBT
quais são os direitos que a comunidade já conseguiu alcançar e quais ainda são um desafio? por que há tanta dificuldade em reconhecer esses direitos? (lembrar do Legislativo e das bancadas, por exemplo as evangélicas, dentre muitas outras barreiras). e quando garantidos por algum tipo de norma, esses direitos são efetivados?
- preconceito linguístico e as piadas com a variedades linguísticas brasileiras
podemos dizer que esse tipo de preconceito é uma xenofobia? por que as pessoas possuem preconceito com regiões específicas do país? isso tem alguma ligação com a história?
- transporte público no Brasil
o que precisa ser melhorado? o preço é correspondente à qualidade do serviço prestado?
EUA: Mais de 7.000 já possuem carteiras de identidade não-binária, uma vitória para os direitos não-binário
Um extenso levantamento feito pelo daily jornal USA TODAY mostrou que o número de pessoas não-binárias atualmente registradas como não pertencente á um gênero binário passa dos 7 mil. E o número de pessoas que se identificam como sendo de um gênero não-binário é ainda maior, sendo de 500 mil pessoas no país segundo dados coleatados em 2016 pela Universidade da Califórnia em Los Angeles UCLA.
São dez estados oferecendo as chamadas IDs de X gênero: Arkansas, Oregon, Minnesota, Maine, Utah, Colorado, Califórnia, Indiana, Nevada e Vermont. Nos próximos meses, as políticas em Maryland, New Hampshire e Havaí entrarão em vigor. Pelo menos 7.251 carteiras de identidade e motorista foram emitidas em nove estados, além de Washington, DC, de acordo com registros obtidos pelo USA Today
Há três, quatro, anos atrás, ninguém nos EUA era legalmente reconhecide como não sendo nem homem ou mulher.
Hoje, milhares de pessoas podem optar por um marcador de gênero neutro em carteiras de motorista e carteiras de identidade, de acordo com registros obtidos pelo USA Today.
Depois que mais dois estados anunciaram planos na semana passada para oferecer um marcador de gênero X ou não-binário , es defensores da causa disseram que o momento para a opção pode ajudar a validar as identidades de gênero.
O Centro Nacional para a Igualdade Trans incentiva as pessoas a escolherem o marcador com qual mais se sentem mais adequade e confortável, disse Arli Christian, diretore de política estatal da organização. Mais estados oferecendo a designação neutra em termos de gênero, disse Christian, permite que mais pessoas tenham acesso á identificações precisas.
Pelo menos 7.251 carteiras de identidade e motorista foram emitidas em nove estados, além de Washington, DC, de acordo com registros obtidos pelo USA Today, dos departamentos estaduais, Indiana foi o único estado, que emite IDs de gênero X, que não respondeu à solicitação de registros do USA TODAY.
Embora o número de pessoas, que tem o marcador e maior privacidade em torno de seu gênero versus o número de pessoas que o fizeram refletir sua identidade não-binária, seja desconhecido, algumas pessoas descrevem o progresso como excitante.
"Eu estou realmente feliz com todas essas pessoas, e eu nem estou surpreso que há muito pouca gente pra mim", disse Dana Zzyym, ativista intersexo e não-binárie que processou o Departamento de Estado para que seu passaporte fosse de gênero neutro. "Eu acho que a população não-binária vai surpreender muita gente neste país".
Estados emissores de IDs não-binária de gênero
Dez estados oferecem as chamadas IDs de x gênero: Arkansas, Oregon, Minnesota, Maine, Utah, Colorado, Califórnia, Indiana, Nevada e Vermont. Nos próximos meses, as políticas em Maryland, New Hampshire e Havaí entrarão em vigor.
Washington e Pensilvânia anunciaram planos na semana passada para lançar uma terceira opção de gênero nos documentos, e seus departamentos provavelmente aprovarão as mudanças de regras.
Em julho de 2017, o Oregon foi considerado o primeiro estado a começar a emitir IDs de gênero X, logo após que Washington, DC, iniciou sua política. No entanto, o Arkansas adotou uma política que permite que as pessoas mudem seu marcador de gênero sem fazer perguntas em 2010, e permanece em vigor, disse o porta-voz Scott Hardin, do Departamento de Finanças e Administração (uma vitória especialmente para a comunidade trans em geral).
Carteiras de motorista que oferecem opção neutra em relação ao gênero
Estados que emitem carteiras de habilitação ou cartões de identificação com marcadores não binários - nem masc nem fem - ou de gênero X para proprietáries: (visualize o mapa aqui)
Cinco outros estados se juntam ao Arkansas para permitir que as pessoas auto-certifiquem ou designem seu próprio gênero, enquanto Maine, Utah, Colorado e Indiana exigem que residentes forneçam documentação para mudanças de gênero. Os requisitos incluem a aprovação de médicos, o que pode ser difícil de obter em locais onde poucos médicos são treinados para fornecer atendimento de afirmação de gênero para pessoas trans, disse Christian.
"Para obter o marcador de gênero mais preciso em um documento de identidade, esse relatório deve vir diretamente da pessoa sem barreiras adicionais, como laudo médico e permissão médica", disse Christian.
Validação? Ou discriminação?
Mari Wroblewski, de 22 anos, tem a oportunidade de autocertificar o marcador de gênero na Califórnia.
Uma pessoa não-binária e intersexual, Wroblewski manteve a papelada para conseguir o gênero X por meses, enquanto a proibição de transgêneros nas forças armadas entrou em vigor e o governo Trump anunciou planos para descartar as regras que protegem as pessoas trans da discriminação em abrigos e cuidados de saúde .
O sentimento de excitação pelo marcador deu lugar a preocupação, disse Wroblewski, que temia que a designação X pudesse forçar pessoas não-binárias á transições não-consentidas ou marcá-las como "outras" no clima político de hoje.
Wroblewski considerou todas as pessoas que examinam IDs - de agentes da TSA, seguranças a bancários - e se perguntou: Eu quero me sentir validade no meu gênero, ou eu quero me sentir segure?
"Damos nossa identidade a tantas pessoas que têm tanto poder sobre nossas vidas", disse Wroblewski. "ÉLes têm o poder de decidir se podemos obter um empréstimo ou se podemos continuar a dirigir e tantas outras coisas. Essas pessoas nem sempre expressam sua intolerância em relação a pessoas que são trans, intersexuais e não-binárias, mas certamente podem ter visões homofóbicas, transfóbicas e que são essencialmente perigosas para nós ".
Wroblewski está pensando sobre o marcador X por enquanto, mas descreveu a oportunidade de obter uma ID de gênero neutra como "incrível" e respeita as pessoas que escolhem o "X".
O marcador de identificação correto, pode afirmar a identidade das pessoas e beneficiar sua saúde mental, disse Jules Baldino, que coordena o micro-subsídios da Trans Lifeline , uma organização sem fins lucrativos de apoio a transgêneres. As pessoas olham sua IDentidade as vezes na vida cotidiana, de modo que ver um documento oficial refletir quem ély é, pode ser encorajador.
Quando as identidade não combinam com a forma como as pessoas apresentam seu gênero, Baldino disse que a necessidade de “demonstrá-lo” pode desencadear sentimentos de depressão, ansiedade e disforia de sexo e gênero, um desconforto ou desconforto causado por uma discrepância entre a identidade de gênero de uma pessoa e o sexo atribuído ao nascimento. Autoridades que checam a identidade podem confrontar a pessoa pela discrepância, disse Baldino, possivelmente concluindo que o cartão não pertence a éles
Na maior pesquisa sobre experiências de pessoas trans nos EUA, cerca de um terço de entrevistades mostraram uma ID com um nome ou gênero que não correspondia à apresentação pessoal de seu gênero, disseram que foram assediades verbalmente, e tiveram seus benefícios ou serviços negados, pedidos para viajar ou agredides. O Centro Nacional para a Igualdade Trans que conduziu a pesquisa, não recebeu nenhum relato de pessoas que enfrentam discriminação por ter um marcador de gênero X, disse Christian.
Enquanto trabalhava com pessoas trans solicitando subsídios para atualizar suas identificações governamentais , Baldino disse que a Trans Lifeline já ouviu falar de preocupações de segurança. Alguns temem que as autoridades que verificam os documentos de identificação possam não entender o que significa um marcador de gênero X, disse Baldino, possivelmente levando a perguntas invasivas sobre seu gênero, corpo ou assédio.
"Eu acho que haverá um momento em que muitas pessoas podem interagir com essas IDs e não saber o que é isso", disse Baldino. "Isso poderia potencialmente colocar a segurança das pessoas em questão."
Quão grande é a população não-binária?
Mais de um terço das pessoas trans identificam-se como não-binárias ou genderqueer , termos que descrevem pessoas cujo gênero não é masculino ou feminino, em uma pesquisa dos EUA pelo Centro Nacional para Igualdade Transgênero em 2015.
Cerca de 1,4 milhão de adultes americanes se identificam como transgêneros , de acordo com um relatório do think tank da UCLA de 2016, e se 35% dessas pessoas são não-binárias, isso poderia colocar a população não-binária em cerca de 490.000 pessoas.
Adutes que se identificam como transgênero
Porcentagem de adultes que se identificam como transgêneros, por estado, a partir de 2016. O Havaí tem a porcentagem mais alta e a Dakota do Norte tem a menor. Visualize o mapa aqui
NOTA Distrito de Columbia é de 2,8%, com uma população de 14.550. FONTE UCLA Escola de Direito / The Williams Institute Transgender Population Report, junho de 2016
A pesquisa e o estudo não incluem menores, o que significa que os números poderiam ser maiores, uma vez que pesquisas mostram que os membros da Geração Z estão mais familiarizados com a identidade não-binária.
Cerca de 35% das pessoas com idades entre 7 e 22 anos dizem conhecer pessoalmente alguém que prefere falar com pronomes de gênero neutro , como "eles" (they/éle) de acordo com o Pew Research Center. Esse número é de 12% entre baby boomers, e um em 4 millennials.
Pessoas não binárias existiam muito antes de estados começarem a reconhecê-las legalmente, disse Zzyym, 61.
Zzyym primeiro tentou colocar o marcador de gênero X na carteira de motorista por volta de 2012, antes que alguns ativistas não-veteranes da geração Z tivessem idade suficiente para dirigir. Como uma das primeiras a obter uma licença de gênero neutro no Colorado no ano passado, Zzyym descreveu um sentimento de profunda satisfação ao USA TODAY: enfim, um documento que reconhecia a identidade de Zzyym!
(E ativista intersexual e não-binárie Dana Zzyym, de 61 anos, processou o Departamento de Estado por uma designação neutra em termos de gênero em um passaporte. O caso está no Tribunal de Apelações dos EUA para o 10º Circuito).
Futuros avanços, melhorias
À medida que mais estados considerem marcadores de gênero neutro para identidades, Baldino descreve o presente como um momento crucial para o reconhecimento das identidades não-binária. A Trans Lifeline continuará a oferecer subsídios para atualizar as identidades e rastrear os processos e taxas para atualizar os fabricantes de gêneros em diferentes estados, disse Baldino.
Políticas de atualização de IDs podem ser melhoradas, disse Christian, que trabalha com governos estaduais e municipais para tornar as mudanças de gênero em documentos mais acessíveis, oferecendo autocertificação. A remoção de requisitos, como documentos médicos ou ordens judiciais, pode eliminar etapas dispendiosas e demoradas do processo, especialmente para pessoas em áreas rurais/suburbanas.
Várias agências podem atualizar seus bancos de dados para oferecer uma opção neutra em termos de gênero, da mesma forma que a United Airlines lançou uma opção de reserva não-binária .
No nível federal, defensores observam o caso de Zzyym de uma designação neutra em termos de gênero nos passaportes no 10º Circuito do Tribunal de Apelações dos EUA. Um juiz do tribunal distrital julgou em favor de Zzyym em setembro de 2018, dizendo que o Departamento de Estado excedeu sua autoridade quando negou o pedido de passaporte de Zzyym e não tomou sua decisão de forma razoável. O departamento entrou com um recurso.
"É um absurdo que o Departamento de Estado prefira que eu apenas marque aleatoriamente uma caixa: masculina ou feminina", disse Zzyym em um comunicado da Lambda Legal , que representa Zzyym no caso. "Não é quem eu sou, e me expõe a maior escrutínio quando a minha carteira de motorista do Colorado agora mostra 'X'."
As mesmas pessoas que consideram piadas ofensivas como liberdade de expressão são as que condenam beijos públicos entre pessoas de mesmo gênero como ofensa.
Reaças falam em liberdade como se fosse um salão amplo, de portas abertas, mas só para quem veste o mesmo casaco de moralidade estreita. Gritam “liberdade de expressão!" quando cospem ódio, quando chamam nosso amor de “doutrinação", quando transformam corpos dissidentes em alvos. Mas essa liberdade que anunciam tem donos e exclusividade.
Se dois homens se beijam na praça, é “exibicionismo". Se duas mulheres se abraçam no metrô, é “propaganda". Se uma pessoa trans caminha ao sol, é “militância".
A liberdade deles exige que a nossa seja engessada, trancada no armário. Querem que respiremos, mas não demos suspiros; que vivamos, mas não celebremos; que amemos, mas em silêncio.
Quantas vezes disseram que “o problema não é ser LGBT, é ficar esfregando na cara dos outros"? Como se afeto fosse obsceno apenas quando não serve ao script heterossexual cis. Como se a mão dada de um casal gay fosse mais provocação que a de um casal hétero, que pode se tocar, se desejar em praça pública sem que ninguém lhes jogue pedras.
Mas liberdade de expressão não é buffet. Não se serve apenas para quem tem o paladar certo. Ou é para todes, ou é para ninguém. Se a tua liberdade depende do meu silêncio, então não é liberdade: é tirania disfarçada.
Cada beijo nosso sob olhares de ódio é um poema sobre como não nos calarão. Cada drag que pisa no asfalto como quem pisa em tapete vermelho é arte viva. Cada pessoa não binária que rasga as etiquetas do gênero é obra-prima de liberdade de expressão.
Não estamos esfregando nossa existência. Estamos existindo. E isso já é revolução.
Nós temos a rua, temos os corpos, que não cabem em pré-moldados, que não pedem permissão.
Liberdade de expressão sem corpos livres é apenas um slogan vazio. Nós somos o contra-argumento colorido que caminha e desafia.
Desde a infância, vem a doutrinação de que nós, lgbtqia+, somos vergonha. O mundo todo é nosso tribunal. Daí, as campanhas de orgulho. Romper com a catequização de uma vida inteira.
E a heterossexualidade cis? Flui. Existe sem pedir licença, sem precisar se justificar. Ninguém a chama de "opção".
Ninguém precisa dizer a um heterossexual cis a não ter vergonha de si. O mundo já lhe garante que ele é o correto, o esperado, o normal.
Onde estão os espancados por serem cis héteros? Onde estão os expulsos de casa, os demitidos, os assassinados?
A tal heterofobia é se fingir de vítima. Se doer porque se vê impedido de praticar lgbtfobia.
Enquanto a heterossexualidade dorme no conforto da norma, a homossexualidade acorda todos os dias e escolhe, de novo, existir.
Benny, protagonista de Overcompensating, é um herói trágico-cômico, um Hamlet da vida universitária, com seu “ser ou não ser?”. O cara que ri alto das piadas heterossexuais, que força um "mano, eu adoro mulher" depois do terceiro gole de cerveja, que performa macheza exagerada, que precisa se apagar por sobrevivência.
A faculdade é um circo onde os palhaços são os machos alfa, que acreditam que testosterona se mede pelo volume da voz ao gritar "É porrada!”. Caricaturas ambulantes. Chamam qualquer coisa de "viadagem", como se a masculinidade deles fosse um castelo de areia prestes a desmorar com um sopro de homoafetividade.
E no meio dessa selva de idiotice, nosso protagonista tenta, desesperadamente, passar por “normal”.
O humor da série é reconhecível. O protagonista é mestre no esforço para parecer tão hétero que chega a ter dores musculares pela contração de corpo e alma. Mas a beleza da narrativa está no caos interno dele. Nos momentos em que, entre uma piada sem graça e um “não, cara, nem curto esse rolê gay", ele encara o espelho e pensa: “Que inferno é esse?"
A série não poupa ninguém: nem os “bros” patéticos, nem a sociedade que os cria, nem o próprio protagonista, que oscila entre o desespero e a comédia involuntária de sua situação.
E, no entanto, há algo profundamente humano nessa jornada. Todo mundo que já esteve no armário sabe que, às vezes, você precisa rir para não chorar. Que a melhor forma de sobreviver a um ambiente tóxico é debochar dele antes que ele humilhe você.
Overcompensating é uma carta de amor (e de risada nervosa) para todo gay que já fingiu gostar de uma música “masculina” para se enturmar. Para quem olhou para os héteros top da faculdade e pensou: “Como vocês são burros. E, por algum motivo, vocês mandam no mundo”.