Mensagem de alguns membros da equipe trans do Tumblr & Automattic:
Queremos que as pessoas trans, e as pessoas LGBTQ+ em geral, se sintam bem-vindas no Tumblr, em parte porque nós, como pessoas trans no Tumblr e na Automattic, queremos que esse seja um espaço onde nos sintamos incluídas. Queremos sentir que essa é uma plataforma que nos apoia e luta por nossa segurança. O Tumblr fica mais brilhante e vibrante com a nossa presença, e as pessoas LGBTQ+ que ajudam a administrá-lo lutam internamente por isso, por você, o tempo todo.
Há alguns dias, Matt Mullenweg (CEO da Automattic, empresa controladora do Tumblr) respondeu à ask de um usuário sobre a suspensão de uma conta de uma maneira que afetou negativamente a comunidade LGBTQ+ do Tumblr. Acreditamos que a resposta de Matt e seus comentários seguintes foram injustificados e nocivos. Por vários motivos, e por uma questão política, a equipe do Tumblr não comenta decisões de moderação – incluindo a privacidade dos envolvidos e os aspectos práticos de moderar milhares de denúncias por dia. A desvantagem dessa política é que é muito fácil que rumores e informações incorretas sobre as medidas tomadas pela equipe de Trust & Safety (“Confiança e Segurança”) se espalhem descontroladamente. Assim sendo, queremos esclarecer algumas questões:
A realidade sobre a suspensão de predstrogen não foi transmitida com precisão, fazendo parecer que estávamos buscando oportunidades para banir pessoas trans femininas da plataforma. Este não é o caso. O exemplo de comentário compartilhado no post (link acima) não atende de forma realista à nossa definição de ameaça de violência e não foi o fator decisivo na suspensão da conta.
Em seguida, Matt não percebeu como essa suspensão causaria danos à comunidade. Matt não fala em nome das pessoas LGBTQ+ que ajudam a administrar o Tumblr ou a Automattic, e nós não fomos consultadas na elaboração da resposta a esses eventos.
No ano passado, os avisos de conteúdo “adulto” e “temática sexual” foram erroneamente aplicados aos posts de alguns usuários. Uma equipe externa de prestadores de serviço encarregada de aplicar os avisos aos posts foi a responsável pela tendência de rotular de forma inexata conteúdo trans. Quando a equipe de Trust & Safety (“Confiança e Segurança”) descobriu o problema (em grande parte graças às denúncias da comunidade), retiramos da equipe contratada a responsabilidade de aplicar tais avisos, e adicionamos mais supervisão para garantir que não se repetisse. No post do blog Staff sobre esse assunto, as pessoas LGBTQ+ em nossa equipe pressionaram para que houvesse mais transparência, mas a solicitação foi rejeitada pela liderança. A rescisão do contrato da pessoa terceirizada mencionada na resposta à ask original ocorreu devido a um incidente não relacionado, tendo sido incorretamente atribuída a este caso. Lamentamos que a rotulagem incorreta tenha acontecido e o impacto negativo que teve na comunidade trans do Tumblr.
Tempos de transição não vão contra as Regras da comunidade, e não foram considerados pela equipe de moderação ao discutir suspensões e subsequentes recursos. Não tomamos medidas contra conteúdo relacionado a corpos trans ou em transição, a menos que viole as Regras da comunidade.
Quando se trata da experiência de pessoas trans no Tumblr encontrando conteúdo transfóbico e interagindo com usuários preconceituosos, nós entendemos, e compartilhamos de suas frustrações. As políticas do Tumblr e as políticas da Automattic foram feitas com o objetivo de garantir a liberdade de expressão. Proibimos o assédio conforme definido nas Regras da comunidade, mas sabemos que esta política não protege os usuários do âmbito mais amplo do discurso nocivo frequentemente utilizado contra pessoas LGBTQ+ e outras pessoas marginalizadas.
Daqui para frente, o Tumblr está tomando as seguintes medidas:
Priorização de recursos antiassédio que habilitarão os usuários a se protegerem de forma mais eficaz contra assédio.
Criação de mais ferramentas internas para que nós, colaboradores, possamos identificar e mitigar casos de assédio de forma proativa.
Revisão das tags frequentemente usadas pela comunidade trans e que estão bloqueadas no momento, trabalhando para disponibilizá-las já na próxima semana.
Lamentamos a forma como tudo isso aconteceu. Estamos lutando ativamente para que as nossas vozes sejam ouvidas, para evitar que outro evento desse tipo aconteça novamente no futuro. Sabemos em primeira mão que, como usuários do Tumblr, é difícil lidar com situações como essa, especialmente sendo parte de uma comunidade já frequentemente visada e assediada. Sabemos que levará algum tempo para reconquistar a confiança de vocês. Mas continuaremos trabalhando para reconstruí-la.
Apreciamos o espaço que nos foi dado para expressar as nossas preocupações e nossa divergência de opinião, e agradecemos que o forte compromisso de Matt (e da Automattic) com a liberdade de expressão tenha facilitado isso.
Continuaremos a lutar para tornar o Tumblr um lugar seguro para todos nós.
— Esta declaração é de autoria de colaboradores trans do Tumblr e da Automattic.
Uma mensagem de alguns dos membros trans da equipa do Tumblr e da Automattic:
Queremos que as pessoas trans, e as pessoas LGBTQ+ em geral, se sintam bem-vindas no Tumblr, em parte porque nós, enquanto pessoas trans no Tumblr e na Automattic, queremos que seja um espaço onde nós própri@s nos sintamos incluíd@s. Queremos sentir que esta é uma plataforma que nos apoia e luta pela nossa segurança. O Tumblr torna-se um lugar mais brilhante e mais vibrante com a vossa presença, e as pessoas LGBTQ+ que ajudam a geri-lo estão sempre a lutar por isto, por vocês, internamente.
Há uns dias, Matt Mullenweg (o CEO da Automattic, a empresa-mãe do Tumblr) respondeu à pergunta de um utilizador sobre a suspensão de uma conta de uma forma que afetou negativamente a comunidade LGBTQ+ do Tumblr. Consideramos que a resposta do Matt a esta pergunta e os seus comentários contínuos foram injustificados e prejudiciais. A equipa do Tumblr não comenta as decisões de moderação por uma questão de política, por várias razões – incluindo a privacidade das pessoas envolvidas e os aspetos práticos da moderação de milhares de denúncias por dia. A desvantagem desta política é que é muito fácil que rumores e informações incorretas sobre ações tomadas pela nossa equipa de Confiança e Segurança se espalhem sem controlo. Por isso, queremos esclarecer alguns pontos desta situação:
A realidade da suspensão de predstrogen não foi transmitida com exatidão e fez parecer que estávamos à procura de oportunidades para proibir a presença de pessoas trans femininas na plataforma. Não foi isso que aconteceu. O comentário usado como exemplo na publicação com o link acima não corresponde à nossa definição de uma ameaça realista de violência e não foi o fator decisivo para a suspensão da conta.
Depois disso, o Matt não reconheceu os danos causados à comunidade como resultado dessa suspensão. O Matt não fala em nome das pessoas LGBTQ+ que ajudam a gerir o Tumblr ou a Automattic, e não fomos consultados na elaboração de uma resposta a estes acontecimentos.
No ano passado, os avisos de conteúdo "adulto" e "temas sexuais" foram erradamente aplicados às publicações de alguns utilizadores. Uma equipa externa de prestadores de serviços encarregada de aplicar avisos de conteúdo às publicações foi responsável por esta tendência de identificar incorretamente conteúdos relacionados com a comunidade trans. Quando a nossa equipa de Confiança e Segurança descobriu este problema (graças, em grande parte, a denúncias da comunidade), retirámos à equipa contratada a capacidade de aplicar avisos de conteúdo e adicionámos mais supervisão para garantir que isto não volta a acontecer. Na publicação do blogue Staff sobre este assunto, a equipa LGBTQ+ insistiu em sermos mais transparentes, mas a direção não aprovou. A rescisão de um colaborador externo mencionada na resposta à pergunta original deveu-se a um incidente não relacionado que foi incorretamente atribuído a este caso. Lamentamos que o erro de identificação de conteúdo tenha acontecido e o impacto negativo que teve na comunidade trans do Tumblr.
As publicações sobre transição não infringem as nossas normas da comunidade e não foram consideradas pela equipa de moderação ao discutir suspensões e recursos subsequentes. Não tomamos medidas contra conteúdos relacionados com a transição ou com corpos trans, exceto se incluírem violações das Normas da Comunidade.
No que toca à experiência de pessoas trans no Tumblr que se deparam com conteúdo transfóbico e interagem com utilizadores intolerantes, compreendemos e partilhamos as vossas frustrações. As políticas do Tumblr, e as políticas da Automattic, foram escritas para garantir a liberdade de discurso e de expressão. Proibimos o assédio, tal como definido nas nossas Normas da Comunidade, mas sabemos que esta política não consegue proteger os utilizadores do âmbito mais vasto do discurso nocivo frequentemente utilizado contra as pessoas LGBTQ+ e outras pessoas marginalizadas.
De agora em diante, o Tumblr irá tomar as seguintes medidas:
Dar prioridade a funcionalidades antiassédio que permitam que os utilizadores se protejam contra o assédio de forma mais eficaz.
Criar mais ferramentas internas que nos permitam, enquanto Equipa, identificar e atenuar proativamente os casos de assédio.
Analisar quais são os marcadores mais utilizados pela comunidade trans que estão bloqueados e trabalhar para os tornar disponíveis na próxima semana.
Lamentamos a forma como tudo isto aconteceu e estamos a lutar ativamente para que as nossas vozes sejam mais ouvidas e para evitar que situações como esta voltem a acontecer no futuro. Sabemos, por experiência pessoal, que ter de lidar com situações como esta como utilizador do Tumblr é difícil, especialmente como membro de uma comunidade que já é frequentemente perseguida e assediada. Sabemos que vai demorar algum tempo a recuperar a vossa confiança e vamos trabalhar para a reconstruir.
Valorizamos o espaço que nos foi dado para expressar as nossas preocupações e discordâncias, e estamos grat@s pela forte dedicação do Matt (e da Automattic) à liberdade de expressão.
Continuaremos a lutar para tornar o Tumblr seguro para tod@s nós.
— Esta declaração foi escrita por vári@s colaborador@s trans do Tumblr e da Automattic
EUA: Mais de 7.000 já possuem carteiras de identidade não-binária, uma vitória para os direitos não-binário
Um extenso levantamento feito pelo daily jornal USA TODAY mostrou que o número de pessoas não-binárias atualmente registradas como não pertencente á um gênero binário passa dos 7 mil. E o número de pessoas que se identificam como sendo de um gênero não-binário é ainda maior, sendo de 500 mil pessoas no país segundo dados coleatados em 2016 pela Universidade da Califórnia em Los Angeles UCLA.
São dez estados oferecendo as chamadas IDs de X gênero: Arkansas, Oregon, Minnesota, Maine, Utah, Colorado, Califórnia, Indiana, Nevada e Vermont. Nos próximos meses, as políticas em Maryland, New Hampshire e Havaí entrarão em vigor. Pelo menos 7.251 carteiras de identidade e motorista foram emitidas em nove estados, além de Washington, DC, de acordo com registros obtidos pelo USA Today
Há três, quatro, anos atrás, ninguém nos EUA era legalmente reconhecide como não sendo nem homem ou mulher.
Hoje, milhares de pessoas podem optar por um marcador de gênero neutro em carteiras de motorista e carteiras de identidade, de acordo com registros obtidos pelo USA Today.
Depois que mais dois estados anunciaram planos na semana passada para oferecer um marcador de gênero X ou não-binário , es defensores da causa disseram que o momento para a opção pode ajudar a validar as identidades de gênero.
O Centro Nacional para a Igualdade Trans incentiva as pessoas a escolherem o marcador com qual mais se sentem mais adequade e confortável, disse Arli Christian, diretore de política estatal da organização. Mais estados oferecendo a designação neutra em termos de gênero, disse Christian, permite que mais pessoas tenham acesso á identificações precisas.
Pelo menos 7.251 carteiras de identidade e motorista foram emitidas em nove estados, além de Washington, DC, de acordo com registros obtidos pelo USA Today, dos departamentos estaduais, Indiana foi o único estado, que emite IDs de gênero X, que não respondeu à solicitação de registros do USA TODAY.
Embora o número de pessoas, que tem o marcador e maior privacidade em torno de seu gênero versus o número de pessoas que o fizeram refletir sua identidade não-binária, seja desconhecido, algumas pessoas descrevem o progresso como excitante.
"Eu estou realmente feliz com todas essas pessoas, e eu nem estou surpreso que há muito pouca gente pra mim", disse Dana Zzyym, ativista intersexo e não-binárie que processou o Departamento de Estado para que seu passaporte fosse de gênero neutro. "Eu acho que a população não-binária vai surpreender muita gente neste país".
Estados emissores de IDs não-binária de gênero
Dez estados oferecem as chamadas IDs de x gênero: Arkansas, Oregon, Minnesota, Maine, Utah, Colorado, Califórnia, Indiana, Nevada e Vermont. Nos próximos meses, as políticas em Maryland, New Hampshire e Havaí entrarão em vigor.
Washington e Pensilvânia anunciaram planos na semana passada para lançar uma terceira opção de gênero nos documentos, e seus departamentos provavelmente aprovarão as mudanças de regras.
Em julho de 2017, o Oregon foi considerado o primeiro estado a começar a emitir IDs de gênero X, logo após que Washington, DC, iniciou sua política. No entanto, o Arkansas adotou uma política que permite que as pessoas mudem seu marcador de gênero sem fazer perguntas em 2010, e permanece em vigor, disse o porta-voz Scott Hardin, do Departamento de Finanças e Administração (uma vitória especialmente para a comunidade trans em geral).
Carteiras de motorista que oferecem opção neutra em relação ao gênero
Estados que emitem carteiras de habilitação ou cartões de identificação com marcadores não binários - nem masc nem fem - ou de gênero X para proprietáries: (visualize o mapa aqui)
Cinco outros estados se juntam ao Arkansas para permitir que as pessoas auto-certifiquem ou designem seu próprio gênero, enquanto Maine, Utah, Colorado e Indiana exigem que residentes forneçam documentação para mudanças de gênero. Os requisitos incluem a aprovação de médicos, o que pode ser difícil de obter em locais onde poucos médicos são treinados para fornecer atendimento de afirmação de gênero para pessoas trans, disse Christian.
"Para obter o marcador de gênero mais preciso em um documento de identidade, esse relatório deve vir diretamente da pessoa sem barreiras adicionais, como laudo médico e permissão médica", disse Christian.
Validação? Ou discriminação?
Mari Wroblewski, de 22 anos, tem a oportunidade de autocertificar o marcador de gênero na Califórnia.
Uma pessoa não-binária e intersexual, Wroblewski manteve a papelada para conseguir o gênero X por meses, enquanto a proibição de transgêneros nas forças armadas entrou em vigor e o governo Trump anunciou planos para descartar as regras que protegem as pessoas trans da discriminação em abrigos e cuidados de saúde .
O sentimento de excitação pelo marcador deu lugar a preocupação, disse Wroblewski, que temia que a designação X pudesse forçar pessoas não-binárias á transições não-consentidas ou marcá-las como "outras" no clima político de hoje.
Wroblewski considerou todas as pessoas que examinam IDs - de agentes da TSA, seguranças a bancários - e se perguntou: Eu quero me sentir validade no meu gênero, ou eu quero me sentir segure?
"Damos nossa identidade a tantas pessoas que têm tanto poder sobre nossas vidas", disse Wroblewski. "ÉLes têm o poder de decidir se podemos obter um empréstimo ou se podemos continuar a dirigir e tantas outras coisas. Essas pessoas nem sempre expressam sua intolerância em relação a pessoas que são trans, intersexuais e não-binárias, mas certamente podem ter visões homofóbicas, transfóbicas e que são essencialmente perigosas para nós ".
Wroblewski está pensando sobre o marcador X por enquanto, mas descreveu a oportunidade de obter uma ID de gênero neutra como "incrível" e respeita as pessoas que escolhem o "X".
O marcador de identificação correto, pode afirmar a identidade das pessoas e beneficiar sua saúde mental, disse Jules Baldino, que coordena o micro-subsídios da Trans Lifeline , uma organização sem fins lucrativos de apoio a transgêneres. As pessoas olham sua IDentidade as vezes na vida cotidiana, de modo que ver um documento oficial refletir quem ély é, pode ser encorajador.
Quando as identidade não combinam com a forma como as pessoas apresentam seu gênero, Baldino disse que a necessidade de “demonstrá-lo” pode desencadear sentimentos de depressão, ansiedade e disforia de sexo e gênero, um desconforto ou desconforto causado por uma discrepância entre a identidade de gênero de uma pessoa e o sexo atribuído ao nascimento. Autoridades que checam a identidade podem confrontar a pessoa pela discrepância, disse Baldino, possivelmente concluindo que o cartão não pertence a éles
Na maior pesquisa sobre experiências de pessoas trans nos EUA, cerca de um terço de entrevistades mostraram uma ID com um nome ou gênero que não correspondia à apresentação pessoal de seu gênero, disseram que foram assediades verbalmente, e tiveram seus benefícios ou serviços negados, pedidos para viajar ou agredides. O Centro Nacional para a Igualdade Trans que conduziu a pesquisa, não recebeu nenhum relato de pessoas que enfrentam discriminação por ter um marcador de gênero X, disse Christian.
Enquanto trabalhava com pessoas trans solicitando subsídios para atualizar suas identificações governamentais , Baldino disse que a Trans Lifeline já ouviu falar de preocupações de segurança. Alguns temem que as autoridades que verificam os documentos de identificação possam não entender o que significa um marcador de gênero X, disse Baldino, possivelmente levando a perguntas invasivas sobre seu gênero, corpo ou assédio.
"Eu acho que haverá um momento em que muitas pessoas podem interagir com essas IDs e não saber o que é isso", disse Baldino. "Isso poderia potencialmente colocar a segurança das pessoas em questão."
Quão grande é a população não-binária?
Mais de um terço das pessoas trans identificam-se como não-binárias ou genderqueer , termos que descrevem pessoas cujo gênero não é masculino ou feminino, em uma pesquisa dos EUA pelo Centro Nacional para Igualdade Transgênero em 2015.
Cerca de 1,4 milhão de adultes americanes se identificam como transgêneros , de acordo com um relatório do think tank da UCLA de 2016, e se 35% dessas pessoas são não-binárias, isso poderia colocar a população não-binária em cerca de 490.000 pessoas.
Adutes que se identificam como transgênero
Porcentagem de adultes que se identificam como transgêneros, por estado, a partir de 2016. O Havaí tem a porcentagem mais alta e a Dakota do Norte tem a menor. Visualize o mapa aqui
NOTA Distrito de Columbia é de 2,8%, com uma população de 14.550. FONTE UCLA Escola de Direito / The Williams Institute Transgender Population Report, junho de 2016
A pesquisa e o estudo não incluem menores, o que significa que os números poderiam ser maiores, uma vez que pesquisas mostram que os membros da Geração Z estão mais familiarizados com a identidade não-binária.
Cerca de 35% das pessoas com idades entre 7 e 22 anos dizem conhecer pessoalmente alguém que prefere falar com pronomes de gênero neutro , como "eles" (they/éle) de acordo com o Pew Research Center. Esse número é de 12% entre baby boomers, e um em 4 millennials.
Pessoas não binárias existiam muito antes de estados começarem a reconhecê-las legalmente, disse Zzyym, 61.
Zzyym primeiro tentou colocar o marcador de gênero X na carteira de motorista por volta de 2012, antes que alguns ativistas não-veteranes da geração Z tivessem idade suficiente para dirigir. Como uma das primeiras a obter uma licença de gênero neutro no Colorado no ano passado, Zzyym descreveu um sentimento de profunda satisfação ao USA TODAY: enfim, um documento que reconhecia a identidade de Zzyym!
(E ativista intersexual e não-binárie Dana Zzyym, de 61 anos, processou o Departamento de Estado por uma designação neutra em termos de gênero em um passaporte. O caso está no Tribunal de Apelações dos EUA para o 10º Circuito).
Futuros avanços, melhorias
À medida que mais estados considerem marcadores de gênero neutro para identidades, Baldino descreve o presente como um momento crucial para o reconhecimento das identidades não-binária. A Trans Lifeline continuará a oferecer subsídios para atualizar as identidades e rastrear os processos e taxas para atualizar os fabricantes de gêneros em diferentes estados, disse Baldino.
Políticas de atualização de IDs podem ser melhoradas, disse Christian, que trabalha com governos estaduais e municipais para tornar as mudanças de gênero em documentos mais acessíveis, oferecendo autocertificação. A remoção de requisitos, como documentos médicos ou ordens judiciais, pode eliminar etapas dispendiosas e demoradas do processo, especialmente para pessoas em áreas rurais/suburbanas.
Várias agências podem atualizar seus bancos de dados para oferecer uma opção neutra em termos de gênero, da mesma forma que a United Airlines lançou uma opção de reserva não-binária .
No nível federal, defensores observam o caso de Zzyym de uma designação neutra em termos de gênero nos passaportes no 10º Circuito do Tribunal de Apelações dos EUA. Um juiz do tribunal distrital julgou em favor de Zzyym em setembro de 2018, dizendo que o Departamento de Estado excedeu sua autoridade quando negou o pedido de passaporte de Zzyym e não tomou sua decisão de forma razoável. O departamento entrou com um recurso.
"É um absurdo que o Departamento de Estado prefira que eu apenas marque aleatoriamente uma caixa: masculina ou feminina", disse Zzyym em um comunicado da Lambda Legal , que representa Zzyym no caso. "Não é quem eu sou, e me expõe a maior escrutínio quando a minha carteira de motorista do Colorado agora mostra 'X'."
Países americanos já reconhecem os direitos das pessoas não-binárias e Intersexo
No total 6 Países já reconhecem a existência e o direito das pessoas não-binárias de gênero e intersexo em algum grau (em colorido)
Desde 2015 temos acompanhado um grande aumento no debate sobre não binariedade de gênero e intersexualidade (intersexuação). E de lá pra cá a América têm dados passos significativos para o reconhecimento legal e pleno da não-binariedade de gênero e demais dissidências. O processo de reconhecimento da identidade de gênero não-binária e dos corpos intersexo também têm levantado diferentes tipos de debates, como um terceiro marcador de gênero e sexo em documentos pessoais.
Se a 20 ou 10 anos atrás, estávamos além da margem da sociedade, muitas das vezes vivendo atrás de máscaras, e quase não se falava sobre a gente, hoje podemos dizer com toda convicção de que somos resistência e nossa existência é válida. Estimando que fecharemos a década de 2010 com o maior número de conquistas para a comunidade LGBTQIAPN+, especialmente para comunidade trans, intersexo e não-binária que nos últimos anos deram saltos quantitativos na história na busca de mais direitos e dignidade.
Na América do Sul e Central a luta ainda é pequena se comparada com o hemisfério norte, onde 2 dos maiores países do mundo e do continente já reconhecem em algum grau a existência das pessoas trans, não-binária e intersexo. Mas ainda há exemplos importantes na América do Sul.
O Uruguai foi o primeiro país da América do Sul a criar uma legislação sobre identidade de gênero. E Ano passado a Câmara de Deputades do Uruguai aprovou, no dia 19 de Outubro, uma lei integral para pessoas trans. Essa Nova legislação estabelece várias medidas em combate a discriminação, a exclusão, e garantia de direitos humanos básicos para a população trans/não-binária, como reparação histórica. Medidas essas que inclui também o reconhecimento de outras identidades, fora as identidades de gênero binária. A nova lei permite que as pessoas alterem seus dados pessoais, como de gênero e sexo por via administrativa, de forma autônoma, incluindo a possibilidade de marcar um outro gênero além dos binário conforme o requerimento da pessoa, sem a necessidade de laudos e comprovação. O mesmo para acesso à saúde, cirurgias e TH. O Uruguai além de tentar reconhecer a existência das pessoas não-binárias de gênero e demais identidades, também proibiu procedimentos médico desnecessários em bebês, crianças e adolescentes intersexo sob a lei da violência com base em gênero e sexo, dando um passo importante na luta pela integridade física e autonomia corporal das crianças.
Foto: Uruguai
No Chile a questão ainda é complicada se pensarmos que em 2015, por um breve momento, o Chile se tornou o SEGUNDO PAÍS NO MUNDO a proteger crianças intersexo de intervenções médicas invasivas e desnecessárias, depois de Malta. No entanto os regulamentos foram todos substituídos no ano seguinte por uma Circular que infelizmente, rescindiu a circular anterior, citando uma declaração clínica de “consenso” de 2006. Em particular, a nova circular permite intervenções cirúrgicas para tornar os genitais infantis mais típicos, apesar da falta de evidências em apoio a tais intervenções, e muitas evidências de danos a longo prazo. A declaração clínica de 2006 permite cirurgias precoces para controlar o “sofrimento dos pais” e alegações de potencial confusão de identidade de gênero. O Chile também não oferece proteção legal à essas pessoas nem reconhece de forma plena um terceiro gênero e sexo. Ainda assim emite certidões de nascimento com marcador de sexo "indefinido" para algumas crianças intersexo. Após cinco anos de debate no Congresso, em 5 de setembro de 2018, o Senado aprovou o projeto de lei que reconhece e protege o direito à identidade de gênero por 26 votos a favor e 14 contra. Em 12 de setembro, a Câmara des Deputades fez o mesmo com 95 a favor e 46 contra. Em 25 de outubro de 2018, o Tribunal Constitucional declara a constitucionalidade da lei aprovada. Em 28 de novembro de 2018, o presidente Sebastián Piñera assina e promulgou a lei. Em 10 de dezembro de 2018, a lei é publicada no Diário Oficial .
"Sem mutilação genital intersexo" Foto: Camilo Godoy Peña que apresentou uma carta à presidente do Chile, Michelle Bachelet, sobre o Dia da Conscientização Intersex em 2015.
Em novembro de 2018, na província de Mendoza, que fica cerca de mil quilômetros de distância da capital Buenos Aires, aconteceu a primeira emissão de certidão de nascimento sem gênero da história da Argentina. Uma pessoa não-binária teve por meio do acesso à Lei de Identidade de Gênero 26.743 (sancionada na Argentina em 2012), a vitória em um processo para o reconhecimento de sua identidade como uma pessoa não-binária. Foi Gerónimo Carolina González Devesa, de 32 anos, médique e agênero que possibilitou esse momento histórico para nós.
Foto de Gero Caro em entrevista a La Nación na sua casa “na encantadora e tranquila cidade de Chacras de Coria”
Gero Caro consultou Eleonora Lamm que é subdiretora de Direitos Humanos da Suprema Corte de Justiça de Mendoza. Lamm deu-lhe a chave para começar com um processo burocrático que estabeleceria um precedente histórico: legalmente, não poderia ser identificado como nem um e nem outro. São três pilares que atravessam a argumentação do reconhecimento da sua identidade de gênero: o livre desenvolvimento da pessoa conforme sua identidade de gênero, o direito de ser tratade de acordo com sua identidade de gênero e, em particular, ser identificade desse modo nos instrumentos que creditam sua identidade. “Primeiro fomos ao registro civil para preencher o formulário. O registro civil põe os nomes que a pessoa elege como primeiro nome e, onde diz sexo, diz que não quer consignar nenhum, como está autorizado pela Lei de Identidade de Gênero, no art. 2”, disse Geronimo ao LATFEM. Lamm, a partir daí, como vice-diretora de Direitos Humanos da Corte de Mendoza, elaborou uma opinião explicando como a Lei de Identidade de Gênero não apoia uma concepção binária de identidade, permitindo a aprovação de um para outro, mas que possibilita a experiência individual interna de gênero de cada pessoa. Isto é, permite tantos gêneros quanto identidades, e identidades como pessoas. “Com essa opinião, todo um processo começou dentro do Código Civil, onde o interrogatório, as reuniões, as negociações começaram e isso foi para o governador, que tomou a decisão”, disse a autoridade ao LATFEM
“Muitas pessoas se perguntam com que idade eu vou me aposentar e esses tipos de coisas. Daqui pra frente teremos que colocar uma única idade de aposentadoria ou repensar a questão das cotas para finalizar essas questões. O binarismo marca uma diferença, que uma coisa é oposta da outra; quando a realidade é que somos todes iguais” diz éle a Los Andes.
Foto: Gerónimo Carolina González Devesa feliz com seu novo documento
Outro marco histórico na Argentina se deu no inicio deste ano. Lara María Bertolini, de 48 anos, também entrou na Justiça pedindo que respeitassem sua verdadeira identidade de gênero em sua certidão de nascimento e sua DNI: feminilidade travesti. A juíza Myriam Cataldi considerou que a Lei de Identidade de Gênero aplicava-se ao caso de Bertolini, citando uma das definições de identidade de gênero. Em uma decisão inédita na cidade de Buenos Aires, a juiza disse que "no campo reservado para o sexo, deve ser consignado 'feminilidade travesti', em vez de 'feminino'". Além disso, o Registro Civil foi ordenado a resolver esses casos por via administrativa, colocando uma multiplicidade de marcadores como opções de gênero.
“Muitos dos conceitos relacionados ao gênero que são usados nas culturas ocidentais são baseados em uma concepção binária do sexo, que considera que existem dois pólos opostos: homem e mulher, masculino e feminino, fêmea e macho. Não há dois gêneros que correspondam a dois sexos, existem tantos gêneros quanto identidades e, portanto, tantas identidades de gênero quanto pessoas ", disse a juíza Myriam Cataldi na decisão
Foto: Lara Bertolini discursando em um protesto. Ela é uma ativista travesti e participa do Coletivo Lohana Berkins
Já o tribunal constitucional da Colômbia. restringiu a capacidade de médiques e parentes permitir cirurgias cosméticas não consensuais em crianças intersexo. Em quatro decisões separadas, os tribunais determinaram que os procedimentos de “normalização” de sexo não podem ocorrer sem o consentimento informado da própria criança. Na Colômbia também , o referido decreto de 2015, 1227, permite mudar o marcador de gênero apenas com uma exigência administrativa e sem requisitos médicos específicos. Este procedimento pode ser feito duas vezes na vida, com 10 anos de diferença. Inclusive menores de idade podem solicitar a ação porém sem muita autonomia.
No Brasil não há nenhum tipo de reconhecimento e só recentemente, e com muita dificuldade ainda, pessoas trans-binárias puderam garantir o direto de retificarem seus documentos sem laudos e outros tipos comprovações abusivas, através de uma decisão histórica do STF (Supremo Tribunal Federal) em Março de 2018. O máximo que se chegou perto foi o projeto de Lei de Identidade de Gênero João W. Nery ( PL 5002/2013 de autoria des Dep. Jean Wyllys e Érika Kokay), e mais recentemente no estado de Minas Gerais um projeto de lei (PL 136/2019 de autoria do Dep. Alencar da Silveira Jr.do PDT) que autoriza os cartórios competentes a emitir certidão de nascimento com a inserção do gênero X, bem como a alterar o gênero na certidão de nascimento a pedido de declarantes, sem a necessidade de laudo médico. Texto Original
Foto: A militante travesti Anny Lima, que alterou seus documentos somente aos 60 anos, segurando a bandeira do orgulho trans.
O Canadá, apesar de sua fama de país progressista pelo mundo a fora - e com razão - ainda não reconhece por todo território a não-binariedade de gênero em documentos oficiais. Mas, a não-binariedade ainda sim é reconhecida no país. Isso porque o sistema político do Canadá funciona de uma forma muito diferente do que costumamos a pensar: as províncias possuem muita autonomia sobre leis. Em resumo, Ontário, Terra Nova e Labrador e os Territórios do Noroeste são uma das principais referências no reconhecimento ou pelo menos discussão do assunto. Em 2016 o governo, de uma das dez províncias do Canadá, Ontário, anunciou mudanças na forma como o sexo e gênero seria exibido nas carteiras de saúde e motorista. E em Junho do mesmo ano, Ontário excluiu qualquer tipo de designação "sexual" das carteiras de saúde. No início de 2017 motoristas de Ontário passaram a ter a opção de marcar um "X" como um identificador de gênero em suas carteiras. Em Julho de 2017 os Territórios do Noroeste passaram a emitir certidões de nascimento com uma opção não-binária no marcador de gênero, o "X" também . Já na província de Newfoundland and Labrador a reviravolta foi o seguinte: Gemma Hickey, que é um ativista e advogade não-binárie de gênero, em junho de 2017 entrou na justiça solicitando uma nova certidão de nascimento pois Hickey se recusou a marcar as caixinhas M e F como definidores de seu gênero. Pegou uma caneta fez um rascunho na identidade e mostrou como queria que fosse feita. Hickey fez isso por meio da Lei Canadense de Direitos Humanos e a Carta Canadense de Direitos e Liberdades. E não é que o governo da província aceitou sem problema nenhum? Sim. A missão de Hickey era desafiar a lei de estatísticas vitais de Newfoundland. Mas como informa a CBC News, a província emendou a Lei de Estatísticas Vitais para adicionar uma opção de gênero adicional ao pedido de certidão de nascimento. A caixa vêm com o popular “X” e uma seção para especificar qual gênero/sexo. E em Dezembro do mesmo ano Hickey se apresentou aos estabelecimentos requeridos e recebeu sua nova certidão de nascimento se tornando a primeira pessoa do Canadá a ter uma certidão de nascimento não-binária na história.
O Canadá em geral também permite o marcador de gênero "X" para passaportes, e recentemente foi noticiado que o país deve incluir um terceiro gênero em censos oficiais que já estão sendo testados. Ainda, infelizmente, peca muito em relação as pessoas intersexo como outros países, mas o país foi o primeiro a registrar uma criança, Searyl Atli Doty, com marcador de gênero/sexo “U” (aparentemente de neutralidade) em sua carteira de saúde, na Colúmbia Britânica. O pai, Kori Doty, que é uma pessoa não-binária, queria dar à criança a oportunidade de descobrir sua própria identidade de gênero . A província recusou-se a emitir uma certidão de nascimento à criança sem especificar feminino ou masculino; Kori entrou com um desafio legal. Kori Doty e outras sete pessoas trans e intersexo entraram com uma ação de direitos humanos contra a província.
Nos Estados Unidos já se somam 11 estados com jurisdições e legislações em pró da população trans, não binária e intersexo. Legislações que vai de carteira de motorista à um reconhecimento legal e amplo de 1 marcador de gênero unificado ou variados para pessoas não-binárias e ademais. Entre esses Estados estão os estados de Arkansas, Califórnia, Colorado, Washington, Maine, Minnesota, Nova York, Ohio, Oregon e Utah. São 11 de 50 estados. E no momento pode parecer muito pouco mas devemos considerar que esses números surgiram muito recentemente, de 2016 pra cá, o que mostra a rapidez com que isso vêm acontecendo e como os números podem crescer mais e mais daqui pra frente, mesmo com uma administração conservadora com a população trans, não-binária e intersexo de Donald Trump. Entre esses Estados vale destacar a Califórnia, que em Setembro de 2017 aprovou uma legislação reconhecendo a não-binariedade de gênero, com um terceiro marcador de gênero nas certidões de nascimento, carteiras de motorista e carteiras de identidade em geral. O projeto de lei, SB 179, também acabou com os requisitos de laudo médico e audiências obrigatórias para o requerimento de mudança de gênero para pessoas trans. Quase como a lei integral do Uruguai.
Foto: Toni Atkins (San Diego) e Scott Wiener (São Francisco) senadorés autores da lei SB 179, que o governador Jerry Brown assinou em outubro. No Escritório do Estado Senador Toni Atkins.
Em agosto de 2018, no estado da Califórnia, o SCR-110 solicitou a criação de uma política clara que incentivasse o atraso dos procedimentos estéticos até que a pessoa intersexo tivesse idade suficiente para tomar uma decisão consensual. o SCR-110, se tratta de uma resolução aprovada pelo estado da Califórnia em agosto de 2018, foi a primeira legislação na história dos EUA a identificar os danos das intervenções médicas não consensuais em pessoas intersexuais. A resolução não vinculante, de autoria do interACT, Equality California , e do Senador do Estado da Califórnia, Scott Wiener , conclama a profissão médica a seguir as diretrizes internacionais de direitos humanos e adiar procedimentos não consensuais que afetariam a função sexual futura de uma pessoa - como vaginoplastias, orquiectomias, e reduções clitoridianas - até que ela possa participar da decisão. Representa um primeiro passo histórico em direção a políticas que centralizam os direitos e vozes dos intersexuais. Outros estados em reconhecimento e proteção legal das pessoas intersexo estão Washington D.C., New York, Ohio, Oregon, Utah, Washington State, New Jersey e Colorado.
O ‘X’ da questão
Muitas dessas aplicações são questionáveis, e muitas nem se quer estão de acordo com nossas identidades e corpos, como o uso do X que indica uma nulidade. Por isso a importância da atenção e o diálogo das autoridades e profissionais com a nossa comunidade. Em 2018 tivemos mais casos do que anos anteriores. Se seguirmos no mesmo ritmo, em 9 ou 8 anos, mais da metade do território estadunidense terão reconhecido legalmente a não-binariedade em algum grau. E na América em geral serão 18 países aproximadamente de 35 países que compõe as Américas. E em 2031? Ou 2050? Será se estaremos olhando para esse passado, como quem olha uma má relíquia?
Câncer de mama: pessoas trans também precisam se prevenir
Assunto pouco abordado pelas políticas públicas voltadas à população LGBT vira algo de debate na comunidade acadêmica
Câncer de mama é uma doença associada predominantemente à população de mulheres cisgêneras. A ligação não ocorre à toa: são quase 60 mil mulheres cis diagnosticadas anualmente, de acordo com dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca).
Por força do hábito ou desconhecimento, esquecemos que pessoas trans têm glândulas mamárias, produzem testosterona e estrogênio, e também podem ser acometidos pela neoplasia (1% do total desses diagnósticos diz respeito a indivíduos com sistema reprodutor testicular, segundo o Inca).
Pessoas trans, transexuais ou transgêneros precisam ficar atentas à doença. O médico radiologista Luciano Chala explica a necessidade de se analisar separadamente o histórico de vida da pessoa no tocante à prevalência do câncer de mama.
“Mulheres trans passam por terapia hormonal para obtenção da mama com aspecto feminino. O uso de hormônio instiga um questionamento sobre eventual aumento do risco de câncer na região – o regime conduz ao desenvolvimento de um tecido com ductos e ácinos idênticos ao da mama biologicamente feminina”, explica.
Estudo publicado no periódico The Journal of Sexual Medicine acompanhou 2.307 mulheres trans que receberam terapia hormonal. A conclusão aponta: as incidências de carcinoma de mama são comparáveis aos cânceres que acometem em pessoas testiculadas.
Assim, os pesquisadores apontam que o tratamento hormonal em indivíduos trans não estaria associado a um aumento considerável do risco de se desenvolver tumor de mama maligno. “A ocorrência foi de 4,1 a cada 100 mil casos, superior à incidência em homens cisgênero (1,2 diagnósticos para cada 100 mil pessoas) e muito distante da reportada em mulheres (170 registros/100 mil indivíduos)”, analisa Chala.
Já o mastologista Guilherme Novita Garcia, membro da Sociedade Brasileira de Mastologia, fala sobre a necessidade de existir mais estudos a respeito do assunto.
“Nenhuma pesquisa na área médica mostra se é mais fácil ou difícil rastrear câncer de mama em pessoas trans. Ninguém sabe se esses homens e mulheres devem realizar exames de rotina como mulheres cis. Algumas mulheres trans não têm mamas, mas desenvolvem algo parecido. Já os homens trans que optam por não tirar as glândulas precisam fazer acompanhamento normalmente”, explica.
“Temos pesquisas mostrando como a terapia de reposição hormonal durante a menopausa aumenta a incidência de câncer de mama. Ou seja, a mulher trans faz uso de hormônio feminino, e isso também poderia ampliar o risco. Infelizmente, essa população não vem sendo amplamente estudada”, continua Novita.
Dificuldades de diagnóstico
A falta de informação é uma das principais barreiras para detecção da doença. O radiologista Luciano Chala pondera sobre as consequências da falta de suporte que a população trans enfrenta. “Em busca de formas mais baratas, muitas mulheres usam óleos minerais ou parafina para aumentar as mamas. Isso prejudica e até impossibilita o uso da mamografia e da ultrassonografia no rastreamento”, diz.
Já em homens trans, o tórax com aspecto masculino é obtido por meio da mastectomia subcutânea, proporcionando uma redução do risco de câncer de mama – porém não anulando a possibilidade de a doença se desenvolver, uma vez que há pequena quantidade de tecido residual.
Não é necessário realizar rastreamento com métodos de imagem, mas se sugere o autoexame periódico, bem como atenção ao surgimento de nódulos ou secreção sanguinolenta. A avaliação regular é indicada apenas para subgrupos de risco, como pacientes com mutação no gene BRCA 2, síndrome de Klinefelter ou histórico familiar da doença.
Tratamentos e cura
Assim como qualquer paciente com diagnóstico de câncer, pessoas trans precisam buscar imediatamente a melhor forma de se tratar. Para o mastologista, as chances de cura são iguais às das pessoas cis, variando de acordo com o tamanho do tumor e o número de gânglios comprometidos.
“Como a maioria dos trans não sabe sobre a chance de ter câncer de mama, grande parte dos casos é diagnosticada tardiamente. Eles não procuram um especialista quando os primeiros sintomas surgem. Ou seja, ao se identificar o problema, muitas vezes o tumor já está em estágio avançado e com prognóstico comprometido”, diz.
Para pessoas trans optantes por não retirar a mama, a recomendação é igual ao indicado às mulheres cis: mamografia anual a partir dos 40 anos. As que retiraram os seios precisam ficar alertas e, caso um nódulo apareça, procurar um médico. Pessoas trans em terapia hormonal com desenvolvimento de tecido mamário ou que tenham colocado prótese mamária devem buscar orientação profissional.
Tumor x terapia hormonal
“É preciso parar com os hormônios durante o tratamento de tumores. Mulheres cis, por exemplo, interrompem o uso de anticoncepcional. Homens cis não devem de forma alguma usar anabolizantes (mesmo saudáveis). As mesmas orientações se aplicam à população trans”, explica Guilherme Novita Garcia.
No entanto, um acompanhamento psicológico é imprescindível para o paciente entender: saúde em primeiro lugar.
“É complicado para as pessoas trans, pois elas conseguem com muito custo iniciar a terapia hormonal e, justo quando estão em direção a seus objetivos de se reafirmarem perante a sociedade, têm que a interromper. Mas não vale o risco, e a vida é mais importante”, explica o psiquiatra Nicolas Câmara, da Estratégia Saúde da Família e atuante na Resillia – Atendimento em psiquiatria, psicoterapia e consultoria em dependência química, saúde trans e transição de gênero, no Centro do Rio de Janeiro.
O médico acredita na importância das políticas públicas sobre o tema e da capacitação de especialistas em pessoas trans. Por outro lado, muitas pessoas trans só procuram médicos para terapia hormonal e se esquecem dos outros cuidados com o corpo.
“O Ministério da Saúde e as secretarias precisam abordar essas questões nas cartilhas voltadas à população LGBT. Mulher lésbica precisa do exame preventivo de colo do útero, homem trans também; mulher trans precisa realizar o exame de toque aos 50 anos, assim como homem gay”, defende.
Receita Federal Permite Que Pessoas Trans Incluam O Nome Social No CPF, Saiba Como:
Atualmente o CPF é só um papel impresso, e é nele que a Receita Federal do Brasil permite que pessoas trans peçam a inclusão do nome social no CPF.
Recentemente foi descoberto um requerimento que pode ajudar a vida de pessoas trans brasileiras, a de que a Receita Federal permite que pessoas trans incluam o nome social no CPF.
A inclusão do nome social no documento não precisa de ação judicial, nem de alteração do nome judicialmente e é gratuita. O nome social é uma medida paliativa menos burocrática proporcionado a pessoas trans na atual impossibilidade de alteração do nome de registro por outra via a não ser a judicial. Apenas empresas privadas tem a opção de cederem ou não a essa medida, e algumas tem demonstrado ser inclusivas quanto a questão - caso a pessoa seja desrespeitada de alguma forma por alguma empresa, mesmo sem lei, pode-se levar o caso até a justiça. No Brasil, todo setor público já é obrigado a respeitar a identidade de gênero e nome social de pessoas trans graças ao decreto federal nº 8.727.
O CPF não exclui ou oculta nome de registro da pessoa trans do documento e nem altera seu número quando feito o requerimento. Apenas se inclui o nome social e o coloca em mais evidência, como mostra a imagem abaixo.
Essa medida recente pode contar pontos a favor na retificação judicial do nome e/ou gênero de pessoas trans, pois este seria mais um documento provando que a pessoa utiliza o nome social. Atualmente, no Brasil, ainda é necessário mover uma longa e burocrática ação judicial para retificação do nome e/ou gênero nos documentos, diferente de alguns países onde no cartório mesmo você altera todos seus documentos sem precisar recorrer a justiça.
A Norma de Execução que autoriza tal inclusão é a COCAD Número 02 de 28/06/2017 e teve embasamento no Decreto no 8.727, de 28 de abril de 2016. No artigo 6º, ele diz que a “pessoa travesti ou transexual poderá requerer, a qualquer tempo, a inclusão de seu nome social em documentos oficiais e nos registros dos sistemas de informação, de cadastros, de programas, de serviços, de fichas, de formulários, de prontuários, dos órgãos e das entidades da administração pública federal direta, autarquia e fundacional”.
O requerimento pode ser consultado online pelo código de localização AP30-0617-12351-0439 - é interessante você levar o código escrito em um papel pra evitar imprevistos -. Clique aqui pra consultar o requerimento.
Para solicitar o nome social no CPF, a pessoa deve ter 18 anos, portar documento de identificação e se dirigir a Receita Federal da sua cidade (horário de funcionamento: 8h às 12h) e solicitar o requerimento de inclusão do nome social (foto abaixo).
Créditos a Arthur Cardoso que explicou sobre o procedimento de incluir o nome social em seu CPF em seu Facebook.
Superior Tribunal de Justiça decide que pessoa trans sem cirurgia genital pode retificar sexo da documentação
A Quarta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu que uma pessoa trans pode mudar o nome e sexo de suas documentações sem a necessidade de uma cirurgia de redesignação sexual (genital). Os ministros concluíram que o registro civil deve espelhar a realidade psicossocial do indivíduo.
Os órgãos responsáveis pelo novo cadastramento civil também são proibidos de incluírem a motivação da retificação, a expressão “transexual” e o sexo em que a pessoa foi designada no nascimento – ainda que de forma sigilosa.
A decisão foi motivada após os ministros avaliarem o pedido de retificação de nome e sexo de uma mulher transexual, apresentado pelo Ministério Público. Ela tinha laudo psicológico, passou pela hormonoterapia e fez outras cirurgias, mas por não ter realizado a cirurgia de redesignação genital foi autorizada a mudar o prenome e impedida de retificar o sexo no registro civil de masculino para feminino pelo Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul.
De acordo com o STJ, uma pessoa trans não pode ter o direito à retificação do registro baseado em uma cirurgia, que pode ser inviável do ponto de vista financeiro ou por impedimento médico.
O ministro Luís Felipe Salomão declarou em seu voto que o Estado não pode fazer tal imposição, pois “configura claramente indevida intromissão estatal na liberdade de autodeterminação da identidade de gênero alheia”.
“Se a mudança do prenome configura alteração de gênero (masculino para feminino ou vice-versa), a manutenção do sexo constante do registro civil preservará a incongruência entre os dados assentados e a identidade de gênero da pessoa, a qual continuará suscetível a toda sorte de constrangimentos na vida civil, configurando-se, a meu juízo, flagrante atentado a direito existencial inerente à personalidade”, ressaltou o relator.
Ele também salientou que em outros países a retificação dados registrais sem a obrigatoriedade de cirurgia. Como no Reino Unido, Espanha, Portugal e Noruega. Ele disse ainda que tramita na Câmara o Projeto de Lei 5002/2013, a Lei João Nery, que não tem avanço no Brasil. Ela é semelhante à da Argentina e não exige cirurgias, laudos médicos ou psicológicos para retificar a mudança no registro civil.
A decisão do STJ não obriga outros tribunais, como o Supremo Tribunal Federal, que tem pelo menos duas ações semelhantes tramitando, a decidirem da mesma maneira, mas serve como referência em instâncias inferiores.
Após ser proibida, esportista trans Jessica Millamán poderá competir em hóquei feminino
Aos poucos os esportes começam a abrir as portas para as e os atletas trans. Agora chegou a vez da esportista Jessica Millamán a comemorar um direito básico: que pratique o esporte tendo a sua identidade de gênero reconhecida e respeitada.
A decisão da Confederação Argentina de Hóquei se enquadra nas regras da Federação Internacional de Hóquei, que leva critérios do Comitê Olímpico Internacional.
Em agosto do ano passado, ela foi proibida de competir na equipe feminina do Germinal de Rawson (Chubut), tendo sua identidade de gênero desrespeitada. Pensando nas mudanças legais que ocorreram nos esportes, a jogadora entrou em uma batalha legal em sua província. E ganhou.
Na Circular nº 33-2017, a Confederação afirma que “aquelas que mudaram do sexo masculino para o feminino são elegíveis para competir com as mulheres (...) desde que a atleta se declare do gênero e do sexo feminino e que a instrução não pode ser modificada por um período de quatro anos. Também estabelece critérios de níveis de testosterona”.
Agora, ela declara que tem conversado com muitas mulheres trans pelo whatzapp e que está muito feliz por ter conquistado o direito de competir ao lado de outras mulheres. “Estou feliz da vida, a cada passo feito por mim provoca uma grande felicidade. Minha luta é para que as próximas gerações não sofram o que eu sofri”, afirma.
Devido a repercussão, a Federação Argentina de Lésbicas, Gays, Bissexuais e Trans convidou a atleta para participar dos Jogos Mundiais LGBT, que será realizado entre 26 de maio e 4 de junho em Miami. Parabéns!