Um trabalho árduo, daqueles que, de tão pesados, a gente chega ao limite, mas persiste e não desiste. Graças a Deus que me fortaleceu o tempo todo para alcançar o prêmio da conquista. Obrigada, Pai. Taí, minha exaustiva dissertação: “Igreja do Nazareno e seu discurso religioso sobre a homossexualidade”, apresentada, defendida, aprovada, encadernada entregue, publicada, referente ao Mestrado Profissional em Ciências das Religiões. Uma bênção na minha vida, por tudo o que vivi naqueles dias do curso, por tudo o que aprendi, e principalmente o fruto do espírito que tive de exercitar do início ao fim. Louvado seja o Senhor que esteve comigo todo o tempo e nos momentos mais difíceis era ele quem me reanimava. Obrigada, Deus de Israel. #gratidao #obrigadadeus #obrigada #dissertacao #mestre #mestrado #master #monicacampello (em Rio de Janeiro, Rio de Janeiro) https://www.instagram.com/p/B3LERv-HSH6/?igshid=xhc6ebgidqsi
Pronto, estão impressas. Agora é só entregar. #dissertacao #mestrado #posgraduação #estudosdelinguagens #análisedodiscurso 🎓📒📚📖 (em Belo Horizonte, Brazil)
Tema: A sociedade caminha para uma utopia ou distopia?
Data: 21 SET 2017
Título: Engrenagens sociais
Alta tecnologia, fim das enfermidades, sem infelicidade: esse é o mundo descrito por Aldous Huxley em “Admirável Mundo Novo”. É, também, para onde a realidade aparentemente caminha. O desenvolvimento das técnicas facilitaram a vida do homem de forma que se torna inimaginável viver sem ela. Tal favorecimento abrangeu tanto o âmbito doméstico quanto o biotecnológico, mas, principalmente, a consolidação da globalização, com as barreiras geográficas transpostas pelas redes sem fio.
A mecanização, no geral, otimizou a produtividade humana em atividades como lavar roupa, louça ou arar a terra. Em laboratórios, pode-se acelerar resultados com centrífugas e catalizadores. Dessa maneira, a dependência do ser humano em relação às máquinas mostra-se inevitável, principalmente na esfera social, com o advento da internet e os smartphones. Essas ferramentas, juntas, potencializam a conexão mundial ao permitirem a comunicação entre pessoas, em lugares distantes, de forma rápida e dinâmica; diferente do passado, em que cartas demoravam meses para serem entregues.
Destarte, a posse de eletrônicos faz-se essencial para a permanência à rede. No entanto, é esquecido o fato de que para uma escolha feita, há uma opção deixada de lado. Ao tomar a decisão de viver o mundo virtual, desliga-se do real. Esse anseio por acoplar-se à globalização, como forma de realização pessoal, equipara-se à pílula “Soma”, da obra, que é a felicidade por meio de substâncias químicas, portanto, não é verdadeira. Tem-se a impressão de que os maquinários, em sua totalidade, são símbolos do progresso. Todavia, não representam as relações interpessoais, que têm sido perdidas em meio às engrenagens da modernidade.
Vê-se, assim, a substituição das relações sociais pela “Soma”, que é a conexão sem fio. As relações humanas têm se tornado frias e distantes, no mundo sensível, enquanto o oposto ocorre no virtual. Percebe-se, então, que a sociedade flui para um cenário distópico quanto as relações humanas do mundo material, em prol da ascensão de uma utopia tecnológica.
UFA, acabou! Então, essa redação foi para uma proposta da FGV de 2013. Um amor de proposta, na minha opinião. Pesada? Um pouco, mas convenhamos que é legal escrever sobre isso. Aliás, é legal escrever. Ok, considerações sobre o texto:
Em primeiro lugar, a tese não está na introdução... OH NÃO! Fica na paz, que se a lógica do seu texto for indutiva, não tem problema nenhum. Ai, mas o que é um texto indutivo? Sendo bem sucinta, um texto indutivo constrói uma linha de raciocínio que vai da parte para o todo, direcionando o leitor a uma ideia central que aparece na conclusão. É como se você, o escritor, manipulasse o leitor a pensar da mesma forma que a sua. É uma explicação meio porca, eu sei, desculpa. Mas enfim, essa estrutura foi a que me deixou mais confortável pra escrever dessa vez.
Certo, passando para outros pontos. O final do segundo parágrafo beirou um clichê... E clichês devem ser evitados ao máximo, pois apresentam um certo perigo de demonstrar falta de criatividade. Muita gente usa isso, fica batido, sabe? Bom, o trecho era esse:
“Essas ferramentas, juntas, potencializam a conexão mundial ao permitirem a comunicação entre pessoas, em lugares distantes, de forma rápida e dinâmica; diferente do passado, em que cartas demoravam meses para serem entregues.”
Gente, isso é um discurso que você provavelmente já ouviu do seu professor de geografia em uma aula de globalização. Tá errado? Não, mas talvez exemplificar usando uma transmissão ao vivo de jogos olímpicos fosse muito mais interessante que as famosas cartinhas de vovô e vovó...
Agora, no terceiro parágrafo tem um período que me incomoda um pouco e podia ter sido relativizado.
“Ao tomar a decisão de viver o mundo virtual, desliga-se do real.”
Será mesmo? O corretor me atentou a isso na correção. Será que é uma relação direta E condicional? Será que não posso viver no mundo virtual, mas não deixar de viver o mundo real? A questão é que o desequilíbrio entre as vivências causa isso que escrevi, mas não necessariamente postar fotos no insta ou status no face me impedem de viver a vida real... Seria melhor se eu tivesse escrito “Ao tomar a decisão de viver o mundo virtual, pode se desligar do real.”.
E finalmente chegamos na conclusão, em que aparece a minha tese. Eba! No caso, a minha tese é o meu último período: “ Percebe-se, então, que a sociedade flui para um cenário distópico quanto as relações humanas do mundo material, em prol da ascensão de uma utopia tecnológica.”. Mas bem, o que me incomodou muito foi a repetição do termo “relações”. Sério? Por que raios eu escrevi isso três vezes no mesmo parágrafo? Isso sem contar a outra vez no parágrafo anterior... Tsc tsc,,, É uma palavra meio difícil de substituir? Sim. Mas é quase que um estorvo ela aparecer tantas vezes...
Acho que por hoje é só. Eu amei escrever essa redação, sério. Foi muito gostoso. Vou deixar uns links pra vocês, ok?
O atual mercado de trabalho exige, para cargos elevados, uma mão de obra qualificada. Ao almejarem isso, jovens submetem-se a uma condição de intenso desgaste intelectual, somado aos conflitos emocionais da juventude, que contribuem para aumentar o estresse por ele vivido. Paralelamente a essa situação, cresce, das periferias para o centro, as baladas ao som do funk. Unem-se essas realidades em festas, que funcionam como válvulas de escape para o jovem e uma maneira de popularização de uma cultura marginalizada.
Assim, o aumento dos pancadões, tanto universitários, quanto nas comunidades, assemelham-se ao papel das rodas de samba na obra “O Cortiço”, de Aluízio de Azevedo. Reunidos por meio da dança e do ritmo popular, as personagens do livro esquecem-se de suas obrigações com o mundo objetivo, libertando-se, temporariamente, da racionalidade; tal qual fazem os estudantes com suas atividades acadêmicas e as populações periféricas com as injustiças - como inacessibilidade a alguns direitos do cidadão - diárias. Todavia, se por um lado os bailes funk favorecem um grupo social, por outro, uma parcela da população é contrária à situação. Aproxima-se, assim, a realidade e ficção, em que Piedade opõe-se as rodas de samba do Cortiço.
Tendo em vista solucionar o incômodo de tais indivíduos, o Poder Público tomou medidas sintomáticas na história brasileira: a repressão violenta, como ocorrido durante as ditaduras. Apesar dessas condições de proibição, o número de festas aumenta, evidenciando a ineficácia das decisões do Estado sobre o assunto. Mostra-se, assim, que a opressão não é capaz de inviabilizar movimentos sociais. Fato também “apreciado” historicamente, como as revoltas, de cunho social, ressurgentes no nordeste ou as greves de movimentos estudantis durante o regime totalitário brasileiro.
Dessa forma, pode-se inferir que a tentativa de acabar com os pancadões universitários, ou não¹, é uma maneira ineficiente de sanar um conflito social, sendo, portanto, necessária uma nova abordagem sobre o assunto. Além disso, priva-se o jovem do escapismo necessário para lidar com as condições impostas pelo meio externo.
Sendo bem sincera, não sei exatamente o que dizer sobre essa redação. Eu me lembro de que eu tive certa dificuldade (as always) na hora de escrever. Aquela 1h (+15min chorando muito)? Se não me engano, levei uma manhã inteira pra escrever só os dois primeiros parágrafos hahaha. Gente que é meio lerda de escrita, né nom?
¹ Não sei porque escrevi isso... Ficou total sem sentido, rs. Provavelmente eu estava pensando em algo e minha mão não acompanhou o meu raciocínio, as always, mas ok. Daí deu no que deu, né? Exemplo do que não fazer haha.
Eu gosto do segundo parágrafo, o que tem o intertexto com “O cortiço”, mas acho que ele ficou meio confuso em algumas partes, como em “tal qual fazem os estudantes com suas atividades acadêmicas e as populações periféricas com as injustiças - como inacessibilidade a alguns direitos do cidadão - diárias.” Acredito que uma simples inversão ficaria bem mais fácil, ficaria mais claro. Deve ser disso que o corretor estava falando, sobre deixar o argumento acessível. Acho que devo ressaltar que uma redação boa não é aquela de escrita difícil e rebuscada, mas sim uma que seja clara e objetiva. Vocabulário amplo? Soma pontos (muitos pontos), mas uma linha de raciocínio fácil de ser seguida soma muito mais... Enfim, essa parte ficaria melhor se tivesse sido escrita dessa forma:
(...) tal qual fazem os estudantes com suas atividades acadêmicas e as populações periféricas com as injustiças diárias - como inacessibilidade a alguns direitos do cidadão.
Na minha conclusão eu citei que novas abordagens para os pancadões deveriam ser tomadas... Vago? Talvez. Se fosse ENEM, a proposta de intervenção entraria ali, no entanto, seria necessário que o texto abordasse a proposta de alguma forma. Lembre-se: não se coloca informações novas na conclusão. Ela apenas retoma o texto, dando um fechamento para a ideia trabalhada.
Tema: Barragens em Mariana: desastre natural ou descuido?
Data: 24 MAR 2016
Título: Desastre natural arquitetado
Seja para suprir necessidades fisiológicas, ou econômicas¹ - como para a agricultura ou para gerar energia elétrica - a água é um recurso indispensável para a constituição da civilização humana. Assim, qualquer fenômeno que aconteça a ela, como o desastre da Barragem do Fundão, em Minas Gerais, compromete a atividade do homem no ambiente industrial e cotidiano, além das implicações ecológicas.
Tal acidente ambiental, que devastou o distrito de Bento Rodrigues, ao intoxicar as águas do Rio Doce com lama, repleta de metais, poderia ter sido evitado se a empresa que a administrava, a Samarco, tivesse cumprido as especificações feitas pelos fiscais, ao invés de pagar multas e não iniciar ação alguma para concretizar o funcionamento seguro das barragens, desde 2011². Por causa do descaso que tiveram, a construção foi condicionada a ruir naturalmente.
Isso se dá por conta do tipo de estruturação que ela teve: a montante, na qual a fundamentação não é feita em rochas sólidas, mas sim em solos mais maleáveis, propiciando, assim, mais instabilidade na edificação final. Portanto, se a manutenção necessária não é realizada, a região em que a barragem se encontra está sujeita a eventos como o de Mariana.
Esse descuido acarretou a contaminação do rio mais importante de Minas Gerais, o Rio Doce, o qual abastecia diversos municípios com água potável e provia a pequenos pescadores sua fonte de renda. As medidas tomadas para sua recuperação não são suficientes para as proporções que a catástrofe chegou. Segundo Malu Ribeiro, coordenadora da rede das Águas da Fundação SOS Mata Atlântica, deve-se deixar de usar as ações emergenciais, paliativas, para aplicar um plano de superação ambiental.
Por conseguinte, é de suma importância que a legislação sobre mineradoras seja revisada e reescrita por engenheiros ambientais e funcionários da área. Além de rígidas sansões para que sejam executadas medidas para a recuperação da fauna e flora das áreas afetadas e, para evitar novos desastres com barragens, a substituição das multas pela perda da licença de funcionamento³.
Uma redação estilo ENEM, que eu tinha gostado muito de escrever. Acho que uma das maiores dificuldades desse tipo de redação é fazer uma proposta de intervenção palpável, acessível e madura. E é complicado mesmo sair da “conscientização” e “políticas públicas” e sugerir algo mais específico, “fora da caixinha” e não ingênuo. Porque, convenhamos, as pessoas deveriam mesmo se conscientizar, deveriam existir as tais políticas públicas (de intervenção e prevenção) e é aí que entramos: COMO?
Conselho de amiga para amigx: não queira SOLUCIONAR o problema. Você não precisa fazer isso, talvez nem seja possível. Principalmente porque não vamos conseguir erradicar a violência ou a fome ou o bullying ou o desperdício de alimentos, energia, água, do mundo/nosso Brasil querido, né nom? Mas isso não quer dizer que não podemos fazer nada para mudar a situação. Então você me explica o que temos que fazer, o que podemos fazer. São sugestões, entende? Isso é a proposta de intervenção.
Vamos pegar o exemplo da primeira prova do Enem 2016. “Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil”. Qual é a primeira ideia que nos vem à cabeça? Respeito. Certo, o respeito é necessário sim. Mas me diga, como vamos fazer as pessoas respeitarem umas as outras? “Ah, vamos conscientizá-las”. Ok, como? Tá chato esse negócio de “como”, né? Eu sei, mas é necessário. Então poderíamos conscientizá-las através de coisas que elas consomem... É uma ideia. Mas o quê? Hm... Televisão seria uma boa? Então poderiam existir comerciais que tratassem do assunto? Por exemplo, esquetes que mostrariam a necessidade do respeito ao próximo. Legal, quem faria isso? Poderia ser uma iniciativa do próprio Estado. Que tal?
Recapitulando a nossa proposta: o Governo deveria promover a filmagem de esquetes que retratassem a necessidade do respeito ao próximo, tematizando a intolerância religiosa. Esses vídeos devem ser passados em horário comercial, na televisão. Tcharam! Temos uma proposta de intervenção. Será que ela é boa? Fica aí a seu critério, mas pelo menos agora você já tem um norte de como fazer a famigerada proposta de intervenção do Enem. (o termo “proposta de intervenção” ficou repetitivo, eu sei... mas não encontrei solução, rs)
Agora, parte 2 da conversa! Hehe...
Talvez você tenha notado uns numerozinhos, como expoentes nas palavras. Vamos falar sobre isso?
¹ Problema com paralelismo. Deixei igual a minha redação original. O corretor me apontou esse erro. Comecei meu período com o “seja”, então eu deveria usar o “seja” novamente, mas usei o “ou”. Não façam isso, ok? Está errado. Se usar “seja”, repita o “seja”. Se usar “ou”, repita o “ou”.
² Certeza que você se perdeu enquanto lia! Sabe o por quê? Apostos. UM. MILHÃO. DE. APOSTOS. Não precisava de tudo isso, vai por mim. Eu poderia ter escrito de outra maneira. Pra quem já esqueceu o que aconteceu:
“ Tal acidente ambiental, que devastou o distrito de Bento Rodrigues, ao intoxicar as águas do Rio Doce com lama, repleta de metais, poderia ter sido evitado se a empresa que a administrava, a Samarco, tivesse cumprido as especificações feitas pelos fiscais, ao invés de pagar multas e não iniciar ação alguma para concretizar o funcionamento seguro das barragens, desde 2011. Por causa do descaso que tiveram, a construção foi condicionada a ruir naturalmente.”
Cansou, né? Ah, note que no 2º período ficamos sem saber quem que cometeu o “descaso”. Bom, uma possível reescrita seria:
Tal acidente ambiental, que devastou o distrito de Bento Rodrigues, ao intoxicar as águas do Rio Doce com lama, poderia ter sido evitado se a Samarco tivesse cumprido as especificações feitas pelos fiscais desde 2011. Ao invés disso, a mineradora pagou multas e não iniciou ação alguma para concretizar o funcionamento seguro das barragens, evidenciando, assim, o descaso da empresa para com a edificação. Como consequência, a construção foi condicionada a ruir naturalmente.
³ Frase fragmentada, ou seja, está faltando a oração principal, que completa o sentido do que estou dizendo. O parágrafo era esse:
“ Por conseguinte, é de suma importância que a legislação sobre mineradoras seja revisada e reescrita por engenheiros ambientais e funcionários da área. Além de rígidas sansões para que sejam executadas medidas para a recuperação da fauna e flora das áreas afetadas e, para evitar novos desastres com barragens, a substituição das multas pela perda da licença de funcionamento.“
O que está em negrito é a frase fragmentada. Esse “além” veio realmente do além... Eu me pergunto: “além do que”? Eu quis dizer “além da revisão da legislação”, portanto, escrever “além disso” talvez coubesse melhor no texto e a frase não ficaria fragmentada. Como arrumar isso? Reescrevendo... Então ficaria algo assim:
Por conseguinte, é de suma importância que a legislação sobre mineradoras seja revisada e reescrita por engenheiros ambientais e funcionários da área. Nela, devem ser inseridas rígidas sansões, a fim de que se executem medidas para recuperação da fauna e flora de áreas afetadas e, para evitar novos desastres com barragens, deve-se substituir as multas pela perda da licença de funcionamento.
Acho que por hoje é só! Obrigada por ler até aqui e até uma próxima!