Odiava admitir, mas tudo o que queria naquele instante era o amor. Não o maternal, paternal ou fraternal. Não aquele que vinha com as amizades. Ela queria o amor que nascia do enamorar-se. Sentia no fundo de seu ser que queria mergulhar nesse mar obscuro e incerto de fragilidades, de vulnerabilidades. Desejava se compartilhar e que se compartilhassem consigo. Contudo, amedrontava-se com a possibilidade de ir mais fundo que a possível companhia. Era assustador o cenário de se entregar tanto a alguém que não a corresponderia. Talvez fosse por isso que construía todas essas fronteiras. Proteção.
Era um dilema: não podia se apaixonar sem correr os riscos de ter um coração estraçalhado. Não era mais a menina inocente de doze anos de idade, a qual acreditava indubitavelmente que a sua primeira paixão era o seu príncipe encantado, com o qual passaria o resto de sua vida, felizes para sempre. O primeiro estava aí, nessa ingenuidade pueril, bela. Era o primeiro de muitos corações partidos. De uma sequência arrebatadora de feridas emocionais. Os tais príncipes encantados, porém, não eram reais. Tomou consciência disso para si mesma e tentava alertar a todos ao seu redor, em vão, pois talvez, lá no interior de seu ser, no âmbito mais profundo e quem sabe obscuro de sua personalidade, gostaria de acreditar, incansável e cegamente na existência do amor.
Contabilizava todas as possíveis mágoas. A lista era grande, poderia culpar-se por não querer se magoar? A recuperação era um processo lento e indescritivelmente doloroso. Crescia com isso? Era o esperado. Entretanto, a cada dia que passava com esses ideais, fortalecia todas as suas fronteiras. Perguntava-se sobre a possibilidade de desarmar-se algum dia. Não acreditava que poderia ocorrer, pois sabia que seu subconsciente não lhe permitia
Ao mesmo tempo, só gostaria de viver uma história de amor. Almejava possuir a coragem necessária para tirar-se da zona de conforto emocional e se deixar levar pelos sentires que a vida poderia proporcionar. Não era tarefa fácil, de modo algum. Tomaria coragem e despiria sua alma para outro alguém? Aguardava, esperançosamente, que esse dia chegasse. Pois talvez, com essa prática, aprenderia de vez que compartilhar-se não necessariamente lhe faria mal. O compartilhar, talvez, traria-lhe experiências inimagináveis, das quais seria eternamente grata. Que haja coragem para se prometer o amor.
Talvez fosse seu sorriso, não sabia explicar. Aquele simples, porém autêntico gesto, o qual fez-se mergulhar sem medo algum naquela aventura que era viver ao seu lado. Simples assim. Não, não foi preciso muita coisa para se convencer de que era essa a companhia que levaria para a vida. Aquele sorriso, dentre milhões que já vira, aquele sorriso… Era bastante.
Contrastavam-se. Tranquilidade no peito, borboletas no estômago. Todas as vezes que olhares se encontravam. E era como da primeira vez… O caloroso sorriso que lhe oferecia sempre que se viam, o acolhimento que percebeu não vir apenas dos lábios, mas da completude de quem ele era, é e vem a ser. Era a definição de carinho e segurança. Encontrou nele o que jamais imaginou desejar, era mais que doce companhia, era lar.
Ousaria dizer que era o sol que lhe faltava, aquecia-lhe a alma. Era como se trouxesse a primavera de volta para si e permanecesse eterno o florescer de tudo aquilo que era e é bom. E não importava o quão frio e gélido o inverno poderia se estabelecer. Em seu coração, o gelo sempre se derreteria ao encontrar-lhe o sorriso, o olhar. Era o que de mais precioso tinha, era esperança.
Tenho a impressão de que todo final e início de ano é o momento que começamos a pensar e sobre o ciclo que se encerra e o que está para começar. Refletimos sobre o que fizemos nos últimos doze meses e o que desejamos para os próximos. As tais “resoluções de ano novo”.
Não sei vocês, mas tenho uma relação um tanto complicada com essas “resoluções de ano novo”. Muitas vezes criamos altas expectativas nessas metas e acabamos nos decepcionando. Ao longo desses anos, eu mantive essa tradição de escrever objetivos anuais e de me decepcionar comigo mesma todas as vezes.
E, a partir disso, fui compreendendo melhor a razão de essas “resoluções” não me ajudarem muito. Percebi que focava muito mais no resultado do que no processo e que estabelecia coisas irreais para mim. Não me entenda mal, não estou dizendo que você não pode sonhar alto e grande, sabe? Até porque, sonhos são pra isso mesmo, pra gente sair da nossa realidade. A questão muda quando queremos transformar em realidade, o plano de ação é outro.
Mas foi nessa ânsia de querer vivenciar logo as grandes transformações que eu errava. É muito clichê o que vou escrever, mas as grandes mudanças começam com pequenas atitudes. E é sobre isso que queria falar: a grandiosidade da pequenez.
Eu me lembro de ter sentado pra escrever essas resoluções algumas vezes antes de 2021 começar. Todas as vezes eu empacava... Talvez porque 2020 foi um ano esquisito - alous, corona - ou talvez porque eu tivesse perdido minhas perspectivas de futuro... Então o ano virou, 2021 chegou trazendo, aparentemente, um pouco mais de esperança para as pessoas. Contudo, eu ainda não conseguia estabelecer minhas metas do ano.
Resolvi olhar os anos anteriores e me deparei com nada mais, nada menos, que listas e listas de objetivos, metas, desejos... E parecia tão sufocante... E às vezes é mesmo. Quando colocamos novos hábitos na lista, até que eles se incorporem na nossa rotina ou modo de ser, demora. Isso se eles chegarem a se integrar.
É aquele meme do menino subindo as escadas, colocando o pé em um dos degraus mais altos, sabe? Não? Clica aqui e dá uma olhada! E a questão é que fazemos muito disso. Nós queremos pular degraus pra chegarmos mais rápido ao destino, mas chegar mais rápido, não necessariamente implica em chegar com qualidade. Às vezes, a alta velocidade faz você cair. E sim, tudo bem cair, nós aprendemos com as quedas. Mas que poderíamos evitar alguns machucados dando um passo de cada vez, poderíamos.
Esse dar um passo de cada vez, pra mim, é aproveitar o caminho, o processo de se chegar lá. É sobre atentar-se ao presente, ao invés de querer viver o futuro - que nem chegou. E isso, pra mim, é bem difícil. Pois tantas vezes eu me apressei pra terminar algo, que quando aconteceu, fiquei perdida e nem sabia o que tinha passado. É uma prática de paciência...
Sendo o tempo uma das poucas coisas que não podemos recuperar, imagine passar a sua vida sem aproveitar os detalhes que fazem dela tão especial? Às vezes é “só” aquele cheiro de café passado quando você acorda, ou assistir ao seu filme favorito, tomar sorvete...
Talvez eu tenha me perdido no meio dos pensamentos, mas o que queria falar sobre essas tais resoluções é que elas podem ser mais leves. Você não precisa fazer nada gigante pra ser extraordinário. Comece com algo simples e, a medida que as coisas forem se ajeitando, complexifique.
Vou deixar um vídeo com mais algumas reflexões, caso se interesse.
Tema: A sociedade caminha para uma utopia ou distopia?
Data: 21 SET 2017
Título: Engrenagens sociais
Alta tecnologia, fim das enfermidades, sem infelicidade: esse é o mundo descrito por Aldous Huxley em “Admirável Mundo Novo”. É, também, para onde a realidade aparentemente caminha. O desenvolvimento das técnicas facilitaram a vida do homem de forma que se torna inimaginável viver sem ela. Tal favorecimento abrangeu tanto o âmbito doméstico quanto o biotecnológico, mas, principalmente, a consolidação da globalização, com as barreiras geográficas transpostas pelas redes sem fio.
A mecanização, no geral, otimizou a produtividade humana em atividades como lavar roupa, louça ou arar a terra. Em laboratórios, pode-se acelerar resultados com centrífugas e catalizadores. Dessa maneira, a dependência do ser humano em relação às máquinas mostra-se inevitável, principalmente na esfera social, com o advento da internet e os smartphones. Essas ferramentas, juntas, potencializam a conexão mundial ao permitirem a comunicação entre pessoas, em lugares distantes, de forma rápida e dinâmica; diferente do passado, em que cartas demoravam meses para serem entregues.
Destarte, a posse de eletrônicos faz-se essencial para a permanência à rede. No entanto, é esquecido o fato de que para uma escolha feita, há uma opção deixada de lado. Ao tomar a decisão de viver o mundo virtual, desliga-se do real. Esse anseio por acoplar-se à globalização, como forma de realização pessoal, equipara-se à pílula “Soma”, da obra, que é a felicidade por meio de substâncias químicas, portanto, não é verdadeira. Tem-se a impressão de que os maquinários, em sua totalidade, são símbolos do progresso. Todavia, não representam as relações interpessoais, que têm sido perdidas em meio às engrenagens da modernidade.
Vê-se, assim, a substituição das relações sociais pela “Soma”, que é a conexão sem fio. As relações humanas têm se tornado frias e distantes, no mundo sensível, enquanto o oposto ocorre no virtual. Percebe-se, então, que a sociedade flui para um cenário distópico quanto as relações humanas do mundo material, em prol da ascensão de uma utopia tecnológica.
UFA, acabou! Então, essa redação foi para uma proposta da FGV de 2013. Um amor de proposta, na minha opinião. Pesada? Um pouco, mas convenhamos que é legal escrever sobre isso. Aliás, é legal escrever. Ok, considerações sobre o texto:
Em primeiro lugar, a tese não está na introdução... OH NÃO! Fica na paz, que se a lógica do seu texto for indutiva, não tem problema nenhum. Ai, mas o que é um texto indutivo? Sendo bem sucinta, um texto indutivo constrói uma linha de raciocínio que vai da parte para o todo, direcionando o leitor a uma ideia central que aparece na conclusão. É como se você, o escritor, manipulasse o leitor a pensar da mesma forma que a sua. É uma explicação meio porca, eu sei, desculpa. Mas enfim, essa estrutura foi a que me deixou mais confortável pra escrever dessa vez.
Certo, passando para outros pontos. O final do segundo parágrafo beirou um clichê... E clichês devem ser evitados ao máximo, pois apresentam um certo perigo de demonstrar falta de criatividade. Muita gente usa isso, fica batido, sabe? Bom, o trecho era esse:
“Essas ferramentas, juntas, potencializam a conexão mundial ao permitirem a comunicação entre pessoas, em lugares distantes, de forma rápida e dinâmica; diferente do passado, em que cartas demoravam meses para serem entregues.”
Gente, isso é um discurso que você provavelmente já ouviu do seu professor de geografia em uma aula de globalização. Tá errado? Não, mas talvez exemplificar usando uma transmissão ao vivo de jogos olímpicos fosse muito mais interessante que as famosas cartinhas de vovô e vovó...
Agora, no terceiro parágrafo tem um período que me incomoda um pouco e podia ter sido relativizado.
“Ao tomar a decisão de viver o mundo virtual, desliga-se do real.”
Será mesmo? O corretor me atentou a isso na correção. Será que é uma relação direta E condicional? Será que não posso viver no mundo virtual, mas não deixar de viver o mundo real? A questão é que o desequilíbrio entre as vivências causa isso que escrevi, mas não necessariamente postar fotos no insta ou status no face me impedem de viver a vida real... Seria melhor se eu tivesse escrito “Ao tomar a decisão de viver o mundo virtual, pode se desligar do real.”.
E finalmente chegamos na conclusão, em que aparece a minha tese. Eba! No caso, a minha tese é o meu último período: “ Percebe-se, então, que a sociedade flui para um cenário distópico quanto as relações humanas do mundo material, em prol da ascensão de uma utopia tecnológica.”. Mas bem, o que me incomodou muito foi a repetição do termo “relações”. Sério? Por que raios eu escrevi isso três vezes no mesmo parágrafo? Isso sem contar a outra vez no parágrafo anterior... Tsc tsc,,, É uma palavra meio difícil de substituir? Sim. Mas é quase que um estorvo ela aparecer tantas vezes...
Acho que por hoje é só. Eu amei escrever essa redação, sério. Foi muito gostoso. Vou deixar uns links pra vocês, ok?
O atual mercado de trabalho exige, para cargos elevados, uma mão de obra qualificada. Ao almejarem isso, jovens submetem-se a uma condição de intenso desgaste intelectual, somado aos conflitos emocionais da juventude, que contribuem para aumentar o estresse por ele vivido. Paralelamente a essa situação, cresce, das periferias para o centro, as baladas ao som do funk. Unem-se essas realidades em festas, que funcionam como válvulas de escape para o jovem e uma maneira de popularização de uma cultura marginalizada.
Assim, o aumento dos pancadões, tanto universitários, quanto nas comunidades, assemelham-se ao papel das rodas de samba na obra “O Cortiço”, de Aluízio de Azevedo. Reunidos por meio da dança e do ritmo popular, as personagens do livro esquecem-se de suas obrigações com o mundo objetivo, libertando-se, temporariamente, da racionalidade; tal qual fazem os estudantes com suas atividades acadêmicas e as populações periféricas com as injustiças - como inacessibilidade a alguns direitos do cidadão - diárias. Todavia, se por um lado os bailes funk favorecem um grupo social, por outro, uma parcela da população é contrária à situação. Aproxima-se, assim, a realidade e ficção, em que Piedade opõe-se as rodas de samba do Cortiço.
Tendo em vista solucionar o incômodo de tais indivíduos, o Poder Público tomou medidas sintomáticas na história brasileira: a repressão violenta, como ocorrido durante as ditaduras. Apesar dessas condições de proibição, o número de festas aumenta, evidenciando a ineficácia das decisões do Estado sobre o assunto. Mostra-se, assim, que a opressão não é capaz de inviabilizar movimentos sociais. Fato também “apreciado” historicamente, como as revoltas, de cunho social, ressurgentes no nordeste ou as greves de movimentos estudantis durante o regime totalitário brasileiro.
Dessa forma, pode-se inferir que a tentativa de acabar com os pancadões universitários, ou não¹, é uma maneira ineficiente de sanar um conflito social, sendo, portanto, necessária uma nova abordagem sobre o assunto. Além disso, priva-se o jovem do escapismo necessário para lidar com as condições impostas pelo meio externo.
Sendo bem sincera, não sei exatamente o que dizer sobre essa redação. Eu me lembro de que eu tive certa dificuldade (as always) na hora de escrever. Aquela 1h (+15min chorando muito)? Se não me engano, levei uma manhã inteira pra escrever só os dois primeiros parágrafos hahaha. Gente que é meio lerda de escrita, né nom?
¹ Não sei porque escrevi isso... Ficou total sem sentido, rs. Provavelmente eu estava pensando em algo e minha mão não acompanhou o meu raciocínio, as always, mas ok. Daí deu no que deu, né? Exemplo do que não fazer haha.
Eu gosto do segundo parágrafo, o que tem o intertexto com “O cortiço”, mas acho que ele ficou meio confuso em algumas partes, como em “tal qual fazem os estudantes com suas atividades acadêmicas e as populações periféricas com as injustiças - como inacessibilidade a alguns direitos do cidadão - diárias.” Acredito que uma simples inversão ficaria bem mais fácil, ficaria mais claro. Deve ser disso que o corretor estava falando, sobre deixar o argumento acessível. Acho que devo ressaltar que uma redação boa não é aquela de escrita difícil e rebuscada, mas sim uma que seja clara e objetiva. Vocabulário amplo? Soma pontos (muitos pontos), mas uma linha de raciocínio fácil de ser seguida soma muito mais... Enfim, essa parte ficaria melhor se tivesse sido escrita dessa forma:
(...) tal qual fazem os estudantes com suas atividades acadêmicas e as populações periféricas com as injustiças diárias - como inacessibilidade a alguns direitos do cidadão.
Na minha conclusão eu citei que novas abordagens para os pancadões deveriam ser tomadas... Vago? Talvez. Se fosse ENEM, a proposta de intervenção entraria ali, no entanto, seria necessário que o texto abordasse a proposta de alguma forma. Lembre-se: não se coloca informações novas na conclusão. Ela apenas retoma o texto, dando um fechamento para a ideia trabalhada.
Tema: Barragens em Mariana: desastre natural ou descuido?
Data: 24 MAR 2016
Título: Desastre natural arquitetado
Seja para suprir necessidades fisiológicas, ou econômicas¹ - como para a agricultura ou para gerar energia elétrica - a água é um recurso indispensável para a constituição da civilização humana. Assim, qualquer fenômeno que aconteça a ela, como o desastre da Barragem do Fundão, em Minas Gerais, compromete a atividade do homem no ambiente industrial e cotidiano, além das implicações ecológicas.
Tal acidente ambiental, que devastou o distrito de Bento Rodrigues, ao intoxicar as águas do Rio Doce com lama, repleta de metais, poderia ter sido evitado se a empresa que a administrava, a Samarco, tivesse cumprido as especificações feitas pelos fiscais, ao invés de pagar multas e não iniciar ação alguma para concretizar o funcionamento seguro das barragens, desde 2011². Por causa do descaso que tiveram, a construção foi condicionada a ruir naturalmente.
Isso se dá por conta do tipo de estruturação que ela teve: a montante, na qual a fundamentação não é feita em rochas sólidas, mas sim em solos mais maleáveis, propiciando, assim, mais instabilidade na edificação final. Portanto, se a manutenção necessária não é realizada, a região em que a barragem se encontra está sujeita a eventos como o de Mariana.
Esse descuido acarretou a contaminação do rio mais importante de Minas Gerais, o Rio Doce, o qual abastecia diversos municípios com água potável e provia a pequenos pescadores sua fonte de renda. As medidas tomadas para sua recuperação não são suficientes para as proporções que a catástrofe chegou. Segundo Malu Ribeiro, coordenadora da rede das Águas da Fundação SOS Mata Atlântica, deve-se deixar de usar as ações emergenciais, paliativas, para aplicar um plano de superação ambiental.
Por conseguinte, é de suma importância que a legislação sobre mineradoras seja revisada e reescrita por engenheiros ambientais e funcionários da área. Além de rígidas sansões para que sejam executadas medidas para a recuperação da fauna e flora das áreas afetadas e, para evitar novos desastres com barragens, a substituição das multas pela perda da licença de funcionamento³.
Uma redação estilo ENEM, que eu tinha gostado muito de escrever. Acho que uma das maiores dificuldades desse tipo de redação é fazer uma proposta de intervenção palpável, acessível e madura. E é complicado mesmo sair da “conscientização” e “políticas públicas” e sugerir algo mais específico, “fora da caixinha” e não ingênuo. Porque, convenhamos, as pessoas deveriam mesmo se conscientizar, deveriam existir as tais políticas públicas (de intervenção e prevenção) e é aí que entramos: COMO?
Conselho de amiga para amigx: não queira SOLUCIONAR o problema. Você não precisa fazer isso, talvez nem seja possível. Principalmente porque não vamos conseguir erradicar a violência ou a fome ou o bullying ou o desperdício de alimentos, energia, água, do mundo/nosso Brasil querido, né nom? Mas isso não quer dizer que não podemos fazer nada para mudar a situação. Então você me explica o que temos que fazer, o que podemos fazer. São sugestões, entende? Isso é a proposta de intervenção.
Vamos pegar o exemplo da primeira prova do Enem 2016. “Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil”. Qual é a primeira ideia que nos vem à cabeça? Respeito. Certo, o respeito é necessário sim. Mas me diga, como vamos fazer as pessoas respeitarem umas as outras? “Ah, vamos conscientizá-las”. Ok, como? Tá chato esse negócio de “como”, né? Eu sei, mas é necessário. Então poderíamos conscientizá-las através de coisas que elas consomem... É uma ideia. Mas o quê? Hm... Televisão seria uma boa? Então poderiam existir comerciais que tratassem do assunto? Por exemplo, esquetes que mostrariam a necessidade do respeito ao próximo. Legal, quem faria isso? Poderia ser uma iniciativa do próprio Estado. Que tal?
Recapitulando a nossa proposta: o Governo deveria promover a filmagem de esquetes que retratassem a necessidade do respeito ao próximo, tematizando a intolerância religiosa. Esses vídeos devem ser passados em horário comercial, na televisão. Tcharam! Temos uma proposta de intervenção. Será que ela é boa? Fica aí a seu critério, mas pelo menos agora você já tem um norte de como fazer a famigerada proposta de intervenção do Enem. (o termo “proposta de intervenção” ficou repetitivo, eu sei... mas não encontrei solução, rs)
Agora, parte 2 da conversa! Hehe...
Talvez você tenha notado uns numerozinhos, como expoentes nas palavras. Vamos falar sobre isso?
¹ Problema com paralelismo. Deixei igual a minha redação original. O corretor me apontou esse erro. Comecei meu período com o “seja”, então eu deveria usar o “seja” novamente, mas usei o “ou”. Não façam isso, ok? Está errado. Se usar “seja”, repita o “seja”. Se usar “ou”, repita o “ou”.
² Certeza que você se perdeu enquanto lia! Sabe o por quê? Apostos. UM. MILHÃO. DE. APOSTOS. Não precisava de tudo isso, vai por mim. Eu poderia ter escrito de outra maneira. Pra quem já esqueceu o que aconteceu:
“ Tal acidente ambiental, que devastou o distrito de Bento Rodrigues, ao intoxicar as águas do Rio Doce com lama, repleta de metais, poderia ter sido evitado se a empresa que a administrava, a Samarco, tivesse cumprido as especificações feitas pelos fiscais, ao invés de pagar multas e não iniciar ação alguma para concretizar o funcionamento seguro das barragens, desde 2011. Por causa do descaso que tiveram, a construção foi condicionada a ruir naturalmente.”
Cansou, né? Ah, note que no 2º período ficamos sem saber quem que cometeu o “descaso”. Bom, uma possível reescrita seria:
Tal acidente ambiental, que devastou o distrito de Bento Rodrigues, ao intoxicar as águas do Rio Doce com lama, poderia ter sido evitado se a Samarco tivesse cumprido as especificações feitas pelos fiscais desde 2011. Ao invés disso, a mineradora pagou multas e não iniciou ação alguma para concretizar o funcionamento seguro das barragens, evidenciando, assim, o descaso da empresa para com a edificação. Como consequência, a construção foi condicionada a ruir naturalmente.
³ Frase fragmentada, ou seja, está faltando a oração principal, que completa o sentido do que estou dizendo. O parágrafo era esse:
“ Por conseguinte, é de suma importância que a legislação sobre mineradoras seja revisada e reescrita por engenheiros ambientais e funcionários da área. Além de rígidas sansões para que sejam executadas medidas para a recuperação da fauna e flora das áreas afetadas e, para evitar novos desastres com barragens, a substituição das multas pela perda da licença de funcionamento.“
O que está em negrito é a frase fragmentada. Esse “além” veio realmente do além... Eu me pergunto: “além do que”? Eu quis dizer “além da revisão da legislação”, portanto, escrever “além disso” talvez coubesse melhor no texto e a frase não ficaria fragmentada. Como arrumar isso? Reescrevendo... Então ficaria algo assim:
Por conseguinte, é de suma importância que a legislação sobre mineradoras seja revisada e reescrita por engenheiros ambientais e funcionários da área. Nela, devem ser inseridas rígidas sansões, a fim de que se executem medidas para recuperação da fauna e flora de áreas afetadas e, para evitar novos desastres com barragens, deve-se substituir as multas pela perda da licença de funcionamento.
Acho que por hoje é só! Obrigada por ler até aqui e até uma próxima!
Título: Peregrinação à cura: uma trilha sem redenção
O século XXI é marcado pelo avanço tecnológico, que trouxe muitos benefícios à humanidade, como o fácil acesso à informação e, na área da saúde, a ampliação da expectativa de vida do homem. Entretanto, a humanidade ainda é assombrada pelo terror das epidemias virais e bacterianas, fazendo-nos pensar no porquê de nossa tecnologia não ter descoberto uma cura para tais mazelas.
Sabe-se que a era em que vivemos é geopoliticamente instável e sofre com os resquícios de conflitos anteriores, como a II Guerra Mundial, quando nações como União Soviética e Estados Unidos desenvolveram programas de armas biológicas. Em 1972, 144 países assinaram um tratado para não utilizarem essas ferramentas com fins militares, porém, não estipula penalidades para infratores. Portanto, uma população pode ser dizimada sem punição alguma, causando uma catástrofe e, creio que, se há conhecimento suficiente para criar o problema, há para solucioná-lo.
Entretanto, no sistema em que vivemos, o Capitalista, tememos que não seja do interesse daqueles que controlam o mundo, livrá-lo das doenças, uma vez que a manutenção de seus sintomas movimenta a economia, gerando aumento de mercado consumidor e lucro. Logo, quanto mais moléstia, mais pessoas são empregadas na indústria farmacêutica, assalariados, assim, potenciais consumidores.
Além disso, cultivar vírus e bactérias é útil e prudente, pois dependendo das ações do homem, o mundo que conhecemos entrará em crise e a mão invisível de Adam Smith direcionará o mercado para uma busca por esses microrganismos, seja para fins militares, terroristas, seja para assistência médica, aqueles que estão no topo da pirâmide social ganharão de qualquer forma.
Sendo assim, a busca pela cura das enfermidades está limitada pelo interesse dos reais governantes, seja lá quem forem, de nossa população. Por conseguinte, estamos fadados a sofrer com adoecimentos, enquanto a economia não ditar a necessidade de extingui-los.
*não me lembro quais eram as palavras exatas da proposta, mas o tema é esse aí (;
Acho que essa foi a primeira redação que escrevi no cursinho… É um artigo de opinião, por isso há verbos flexionados na 1ª pessoa do plural. Artigos saem um pouco da minha zona de conforto, mas são legais por te darem mais liberdade. Como? Bem, você pode usar termos mais ácidos, desfrutar da ironia, criar algumas interlocuções, por mais que sutis, com o leitor. Uma aproximação, sabe?
Bom, percebi que o primeiro parágrafo da argumentação está predominantemente expositivo. Por mais que fossem informações necessárias para a construção da linha de raciocínio, acredito que eu deveria ter explorado mais essa reflexão. Não que eu saiba como, rs. Elaborar algo assim demanda tempo. Enfim, não é recomendado exposição > reflexão, ok? Evite isso ao máximo.
Essa redação faz muitas referências a um documentário que assisti durante o ensino médio. “A servidão moderna”, vale a pena ver. Talvez você ache que ele é muito “teoria da conspiração”, bom, talvez seja mesmo. Mas vou te dizer que são coisas desse tipo que nos ajudam a enxergar o mundo de forma menos ingênua. Um ponto de vista diferente do seu pode muito bem abrir os seus olhos. Não que você tenha que concordar, só é bom pra pensar.
Assim como o Reformatório de “Capitães da Areia”, obra de Jorge Amado, é o sistema carcerário do Brasil: ineficaz. Além da precária infraestrutura, a ficção e a realidade aproximam-se pela falha na reinserção social dos presidiários. Eles, muitas vezes, acabam por reincidir na vida criminosa.
Enquanto, no livro, Pedro Bala arquiteta maneiras de fugir do reformatório para voltar a liderar os Capitães da Areia; no mundo não fictício, a cada quatro ex-condenados, um volta à prisão, segundo pesquisa da Ipea. Tal fato expressa claramente a ineficiência do sistema punitivo, que deveria levar aqueles que se submetem a ele a não praticar os mesmos atos, portanto, a não voltar às celas.
Não só isso, o encarceramento no país não apresenta condições para abrigar toda a população carcerária que possui, o que acarreta uma superpopulação, com uma média de 1,7 detentos por vaga. Dessa forma, tais condições a que são subjugados violam os princípios constitucionais previstos pela Lei de Execução Penal (LEP): a compatibilidade da estrutura física do prédio e sua capacidade de lotação.
Além disso, por conta desse inchaço carcerário, há danos à saúde. A incidência de casos de tuberculose é vinte e oito vezes maior no sistema prisional que na população em geral. Isso ocorre não só pela aglomeração de pessoas nas penitenciárias, mas por conta da escassez de luz solar e ventilação nesses locais. Segundo Draurio Barreira, médico para a tuberculose da UNITAID, 7% dos novos casos da moléstia, no Brasil, é dado pela população carcerária.
Em suma, o sistema punitivo brasileiro mostra-se ineficiente e, evidentemente, necessita de reformas. Para a ressocialização dos condenados, é preciso da condições para que ele se integre à sociedade, como oficinas que lhe ensinem atividades básicas para sua inserção no mercado de trabalho, bem como cotas, caso a dificuldade para encontrar emprego seja grande. A respeito da estrutura presidial, deve-se visar por reformas, as quais se adequem à LEP.
Bom, você deve estar se perguntando “poxa, de onde saíram tantos dados?” Pois é, eles provavelmente estavam na coletânea. Não recomendo o uso de estatística se ela não vier com a proposta de redação... A não ser que seja algo de conhecimento geral, como a quantidade de água no corpo humano (cerca de 70%, talvez?)...
Não me atentei a retomar “Capitães da Areia” na conclusão, falha minha. Acredito que o texto ficaria bem mais fechadinho se tivesse o feito. Ainda sobre a conclusão, deveria ter especificado que tipos de reformas deveriam ser feitas nos presídios. Poderia também ter trabalhado alguns tópicos da proposta de intervenção durante o meu desenvolvimento (o corretor apontou isso e eu concordei. Afinal, não ficaria uma ideia “jogada” no fim da redação).
Deveria também, ter me atentado mais à repetições de termos, como “carcerário” e o meu querido “por conta” - curto muito essa expressão, sério - não sei se isso lhe incomodou, leitorx.
O que mais? Escrevi faz tanto tempo... Se não me engano foi uma proposta tipo Enem. Tendo que intervir na minha problematização, né? Só poderia ser, rs.
Confesso que essa não é minha redação favorita... A escrita está meio mecânica, sem contar que achei muito expositivo. Tá aí, talvez, um exemplo do que não fazer: expôr dados e fatos com uma reflexão mínima. Mas vou dar um desconto porque eu ainda estava me encontrando nesse mundo de textos dissertativos-argumentativos - não que eu tenha me encontrado, rs. Será que tinha aquele hífen?
Ah, mais uma coisa! (mas não posso prometer que será a última) Acabei de me lembrar que a orientação foi de não desprezar a coletânea - coisa que eu ainda tenho que me policiar - acho que exagerei na dose, Vamos buscar equilibrar mais um pouco, ok?
Mais uma confissão e acho que acaba (ufa). Não era esse texto que queria postar primeiro. Era um outro que eu não encontrei... Ainda. Aguardem-me, vai que eu me acho no meio da minha bagunça e posto o texto? hehehe