Então... decidi postar aqui também a minha Drabble de Amor Doce.
É um estudo sobre o que se passou na mente do Castiel durante o episódio 12 quando você fez o HSL com o Lysandre e o episódio 10 com outro paquera.
Sinopse: Castiel ainda não conseguia acreditar no que acontecera em seu apartamento. Que ela aceitara sua proposta absolutamente indecente e desesperada. Ele a desejara por anos e, quando finalmente conseguira o tanto quisera, fora da forma mais babaca possível. A mulher da sua vida, transformada em uma noite de sexo casual.
Sentado sobre um enorme amplificador, Castiel tomava água e observava seus colegas de banda se preparando para ir embora. Aquele ensaio esquecido fora uma bênção para sua mente caótica – uma chance de se acalmar por algumas horas e ocupar seu corpo depois da noite que tivera.
O corpo que, há tão pouco tempo, estivera enroscado ao de Candy.
Ele ainda não conseguia acreditar no que acontecera em seu apartamento. Que ela aceitara sua proposta absolutamente indecente e desesperada – será que ela percebera o quanto ele estivera desesperado? Quão amedrontado estivera de ouvir um “não”?
O ruivo passou uma mão pelo cabelo úmido de suor.
Claro, ele tinha bebido naquela noite – como poderia negar um pouco de álcool numa noite de comemoração? A banda estava indo ridiculamente bem. E, ainda que odiasse se ver naquele clipe, precisava concordar que ficara incrível.
Só que ela tinha que ter aparecido naquele vestidinho preto justo. E obviamente a amiga dela tinha que ter percebido que ele não parava de secá-la de longe. É claro que eles tinham ficado sozinhos. Claramente ele tinha que tê-la convidado para seu apartamento. E é óbvio que Candy tinha que ter aceitado e sentado no seu sofá com aquelas malditas pernas desnudas como se o fizesse todos os dias.
Deus do céu. Aquela mulher era sua perdição.
Era tão fácil conversar com Candy, sentar ao lado dela e simplesmente ser ele mesmo. Sempre fora assim, desde o colegial, desde que ela o defendera de Nathaniel naquele primeiro dia de aula.
E, com a cabeça leve, o coração explodindo e aquele desejo avassalador nublando seus pensamentos, ele fizera sua jogada. Castiel vira a luxúria nos olhos dela quando tirara sua jaqueta, então se sentara mais perto. Perto demais para continuar sendo racional.
A mãe dele descera sobre a dela. Em poucas ocasiões eles estiveram tão próximos e menos vezes ainda ele a tocara de maneira tão gentil e íntima. As veias dele pareciam estar pegando fogo ao sentir aquela pele macia e quente sob a sua.
― Sempre te achei linda. E, especialmente essa noite, você está ainda mais.
As palavras tinham simplesmente pulado de sua boca. Castiel sempre soubera controlar seus impulsos muito bem – exceto quando com raiva –, mas a frase passara por todos os seus filtros. Ele quase se arrependera. Se não fosse pelo rubor naquelas bochechas, ele teria se afastado.
Mas Candy tinha gostado do elogio e da aproximação. E aquilo lhe dera coragem.
― Poderíamos ir mais longe, se você quiser… Poderíamos ficar juntos até o amanhecer. – Castiel recobrara os sentidos por tempo o suficiente para acrescentar: – Até o amanhecer e nada mais… Uma noite.
Aquelas palavras doíam. Ela jamais seria apenas uma noite para ele, mas nunca poderia ser nada além. Não depois de Lysandre, não com o Crowstorm, não quando havia rumores sobre um outro alguém na vida de Candy.
Os olhos dela estavam imensos, duas gemas esmeraldas sob a luz quente e suave do ambiente. O hálito de menta dela tocava seus lábios e Castiel estava louco para tomá-la bem ali, mas precisava do sim.
― Só por uma noite? – A voz dela soara trêmula e ele encarara aquilo como uma vitória, ainda que pudesse ver a hesitação ao fundo.
― Achei que vir até a sua casa não significaria necessariamente perder o controle.
Ela dissera, mesmo enquanto sua mão escorregava a dele por seu braço, forçando os dedos de Castiel até o pescoço fino.
― Não tinha planejado isso, mas… É mais forte do que eu. – Honesto, honesto demais. – Você tem alguém te esperando hoje? Algum compromisso a essa hora da madrugada? – Ele perguntara, se certificando mais uma vez de ter o consentimento dela. Rezando para que os rumores estivessem errados.
O coração dele parecia prestes a explodir naqueles poucos segundos que a morena demorara para responder.
A mão de Castiel afastara uma mecha do cabelo longo dela para o lado e ele vira todos os pelos se arrepiarem, a boca delicada se abrindo em surpresa.
― Poderíamos nos divertir… O que você acha?
Desesperado. Patético. Suplicando pelo sim de Candy porque não saberia lidar com aquela rejeição.
Os olhos dela haviam avaliado o rosto dele de perto, certamente procurando por algo – algo que ela claramente encontrara ao responder.
― É tentador. – Os pequenos dentes afundaram no lábio inferior. A calça dele pareceu ficar ainda mais apertada. – Quero ir até o amanhecer com você.
Castiel se entregara, descendo os lábios para o local exposto no pescoço da garota, finalmente provando o gosto dela.
Seu corpo parecera entrar em choque. Era absurdo o que apenas o cheiro dela podia fazer com ele. Tudo em Candy era como um polo positivo para o ímã negativo de Castiel; o cheiro, os cabelos, a risada, os olhos, a pele, a voz… Ele não conseguia entender como ninguém nunca vira o quanto ele a rodeava como uma mariposa ao fogo, como ele sempre estivera disposto a queimar por ela.
Castiel mergulhara nela. Aquela boca contra a dele fora suave e determinada, sensual e muito melhor do que qualquer coisa que a imaginação dele pudesse ter criado nos últimos anos. Candy sabia muito bem o que estava fazendo, o corpo se movimentando contra o dele e os lábios passeando por sua pele. E o aroma dela… Nada poderia ser melhor do que aquilo. Então ele se deixara afogar em todas as suas maiores fantasias dos últimos anos – primeiro, fazendo questão de deixar o início da noite marcado na memória dela para sempre.
E aqueles gemidos reverberando nas paredes apenas para ele e por causa dele o teriam deixado de joelhos se já não estivesse. Por ela, só por ela.
― Espere. – Candy murmurara quando Castiel tentara levá-la até a cama. – Não consigo andar ainda.
Se ele já estava louco antes, ouvir que ela nem conseguia andar com a intensidade do orgasmo o deixara fora de si.
E a noite fora sobre os dois, sobre aquela paixão acumulada de anos. Castiel fizera cada segundo valer a pena e por pouco não implorara a Candy que ficasse com ele quando a abraçara às quatro da manhã.
― Ei, Cass, você não vai embora ainda? – O baixista estava à porta, onde os outros também esperavam, arrancando-o de seus pensamentos pecaminosos.
― Não, quero testar algumas coisas, podem ir. – Respondeu, pondo-se de pé.
― Até terça-feira, Castiel!
O ruivo observou os colegas irem embora antes de deixar a fachada cair, agarrando os cabelos ao chutar uma caixa vazia.
Mas as imagens das unhas dela correndo por seus músculos e a sensação daquela boca vermelha sobre seu corpo pareciam ter sido marcadas em brasa.
Aquilo tinha sido fodidamente errado.
Caralho, ele levara a ex do melhor amigo para a cama – porque, independente de onde Lysandre estivesse, ele sempre seria seu amigo mais amado.
Na escola, Castiel observara, desamparado, Lysandre se apaixonar por Candy. Vira quando os olhares dela começaram a retribuir os do amigo. Soubera quando os dois começaram a sair em segredo, mesmo sem terem lhe contado. Ficara genuinamente feliz por Lysandre ter encontrado o amor. Guardara nas profundezas das suas gavetas a música que escrevera para ela. Ele se sentira, assim como Lysandre, morrer um pouco quando Candy fora obrigada a ir embora da cidade. E, por fim, vira o coração de Lysandre se desfazer em milhões de pedaços quando os dois decidiram terminar.
E Castiel sabia que Lysandre só não ficara na cidade porque não havia mais Candy para ajudá-lo a se reerguer depois da morte da mãe. Lysandre se sentira obrigado a seguir com o legado dos pais e, sem alguém com quem compartilhar uma vida, preferira se isolar e se dedicar à fazenda.
E mesmo assim Castiel não contara ao amigo sobre a ex-namorada que estava de volta à cidade. Porque ele a queria inteira para si.
Egoísta, mau-caráter, traidor.
Ele era tudo aquilo e muito mais. Sempre fora.
Passara anos cobiçando Candy, anos desejando estar no lugar de Lysandre, anos esperando por uma oportunidade.
E agora Castiel conseguira o que sempre quisera do jeito mais imbecil possível; pedindo para ela ser uma foda casual. A mulher que ele amara desde o ensino médio, o motivo pelo qual ele nunca se envolvera com ninguém depois de Debrah, transformada em uma maldita foda casual como se fosse uma pessoa qualquer.
O estômago dele se revirava só de lembrar do olhar que ela lhe dera naquela manhã. Desprezo, tanto desprezo e mágoa pela frieza dele.
Mas ele não podia deixá-la achar que poderiam ser algo mais, que aquilo poderia evoluir para um relacionamento sério. Crowstorm sairia em turnê no verão por tempo indeterminado, Lysandre não merecia ver a mulher que ainda amava nos braços de Castiel e como ele poderia explicar o que sentia sem confessar que estava apaixonado desde aquele abraço surpresa na escola depois de descobrir que Debrah era uma vadia mentirosa?
Castiel a magoara apenas uma vez na vida e jurara nunca mais fazer aquilo de novo, mas, depois que ela saíra do banheiro, ele o fizera de novo. E de forma ainda mais violenta.
Ele fizera Candy acreditar que realmente fora apenas momentâneo, que o ato fora puramente carnal, apenas uma noite de sexo como qualquer outra. Ele mal olhara para ela com medo de transparecer todos aqueles sentimentos horrorosos que imploravam para sair. E, com razão, Candy saíra batendo a porta do apartamento com raiva e sem olhar para trás. Castiel nunca tratara uma mulher tão mal na manhã seguinte.
Era aquilo que ele queria, não? Que ela entendesse que não havia futuro para os dois.
Mas, quando haviam anunciado a turnê com January durante a tarde, Candy fora a primeira pessoa em quem ele pensara. Castiel queria ter ligado para ela, contado a novidade para ela, discutido seu futuro com ela.
Algo lhe dizia que aquela noite não ajudaria a aplacar um antigo desejo, mas que faria seus sentimentos por ela criarem raízes ainda mais profundas dentro de si.
Ele estava completa e absolutamente fodido.
E talvez houvesse acabado de perder sua última e única chance de finalmente ficar com a mulher dos seus sonhos.