W H A T T H E H E L L I A M?
-- E-eu não matei ela. A-a c-culpa não foi minha. -- repetiu com a voz tremula para si mesma enquanto caminhava de um lado para o outro em seu quarto. -- Não foi minha! -- gritou, batendo seus punhos contra a parede, um ato impulsivo aonde a dor física não havia sido o suficiente para disfarçar a emocional. E descontrolada, jogou-se no chão, deixando as lágrimas escorrerem pela sua face pálida pela terceira vez naquele dia.
Há exatas duas semanas em que se encontrava nesse estado, como se estivesse em transe. Não restavam dúvidas de que a loucura começava a se alojar em sua cabeça. Mas a culpa não era completamente sua, mas sim dos acontecimentos. Recusava-se a acreditar. Lutava contra si mesma para dizer que a culpada não havia sido ela, pois sabia que, se acaso aceitasse a verdade, não se perdoaria.
Em um ato descontrolado, e impulsivo, encontrava-se na frente do hospital aonde tudo acontecera. Aonde assinou a sua sentença de morte. Sim, Electra Espínola não existia mais, o que havia era somente carne e osso. Seu espírito havia sido enterrado juntamente ao de sua avó naquela tarde de novembro.
Quando avistou um carro entrando no estacionamento, enfiou suas mãos nos bolsos que o seu casaco preto possuía e decidiu por curiosidade ver quem era, se estivesse com sorte, seria o seu cartão de visita.
E não é que era mesmo? A mulher que saíra do carro era uma enfermeira. Estava com o seu uniforme, e aparentava apressada, já que assim que Electra chamou-a fingindo estar fazendo um documentário, ela perguntou se seria rápido. Ligeiramente, a ruiva tirou um lenço de dentro do bolso e colocou sobre a boca e o nariz da enfermeira, e ao tentar acalmar a mulher que se debatia, sussurrou em seu ouvido: -- Eu não irei te matar. Tenha calma. -- mas a mulher permanecia, e tentava dessa vez gritar, irritada com o comportamento, alterou seu tom de voz. -- Se permanecer sendo uma enfermeira má, eu precisarei. E você não quer morrer? Quer? -- e a enfermeira adormeceu em seus braços.
Vestindo devidamente como enfermeira. Ajeitou suas madeixas ruivas. Apertava a bolsa preta da bela adormecida contra o seu corpo temendo que fosse pega pelo que fizera. Quando entrou no hospital, seguiu uma enfermeira, fingindo ser nova na área, e a mulher gentilmente ajudou-a, explicando rapidamente para que serviam os cartões: para entrar aonde não eram permitidos visitantes. E antes da mulher desaparecer pelo corredor, perguntou: -- Qual andar fica a ala terminal?
...
A ala terminal estava de longe á ser um ambiente agradável. Enquanto caminhava pelo corredor, vendo aquelas pessoas parecendo vegetais, perguntou-se: se aquelas pessoas houvesse uma escolha, elas escolheriam lutar para viver ou morrer de uma vez? E pela primeira vez, perguntou-se, se acaso o acidente com o aparelho respiratório não ocorresse, se sua avó escolheria permanecer naquele estado ou morrer de uma vez, e a resposta não á venho. Era uma resposta dura demais para encarar.
Mentiu a enfermeira que havia no corredor que estavam a chamando na recepção. E foi exatamente quando a mulher desapareceu da sua visão, que encostou uma de suas mãos no aparelho que encontrou a sua frente, estava temendo, mas decidiu colocar a outra mão também. Juntando-lhes. E com medo de encarar a verdade, fechou os seus olhos, apertando-os.
Sentia um formigar em sua pele que intensificava-se. Sentia suas veias vibrarem, assim como o seu coração. Sentia suas cordas vocais vibrando também. Cada molécula do seu corpo vibrava, eletrizava. A sensação a percorria por inteira dos seus pés a sua cabeça. Ergueu sua cabeça ajeitando o seu tronco incontrolavelmente. Estava sendo possuída por aquela energia; estava sendo preenchida. A energia se unia a ela. Assim como ela se unia a energia. Se tornando um só.
Quando abriu os olhos deparou-se com as luzes do teto piscando. E a realidade a tomou. Largou as mãos do aparelho já sem sinal de energia. Transparecia em sua reação o choque dos acontecimento. Levando as mãos aos lábios. Negava com a cabeça com os olhos marejados mesmo sabendo a verdadeira resposta. Ela finalmente encarou a verdade. E ao olhar o homem, pálido, sem vida aparentemente. Recusou-se a ser a culpada daquele feitio. E ao toca-lo, o mesmo começou a balançar na cama, como um peixe fora da água, o homem estava recebendo choque.
Sem tempo para assimilar o que acontecera. Correu pelo corredor, escutando os eletrogramas anunciando á morte, ela era a culpada por aquilo. Ela havia matado aquelas pessoas. E a culpa era de sua curiosidade. A culpa era da coisa estranha que ocorrera com o aparelho. A culpa era sua, pois ela não era um ser humano comum, ela podia...Ela podia absorver energia elétrica, e gera-la, se não como eletrocutaria o homem? Ela era uma aberração? O que diabos ela era?
-- O que diabos eu sou? -- disse ao encarar o seu reflexo no retrovisor antes de apertar o acelerador fugindo daquele lugar o mais rápido que conseguia. Ela precisava sair dali. E livrar-se da bela adormecida que estava prestes a acordar.
Continua...





