Todos os lugares dessa cidade me lembram você.
Dormir no meu quarto tem sido ainda mais difícil do que já era depois que você se deitou naquela cama comigo. Eu vejo você em todos os lugares. No meu trabalho, na minha casa, na rua, no meu colchão. Todos os lugares em que estivemos me marcaram e a saudade não me deixa esquecer. Acredite, eu tentei.
Mas eu lembro, eu sempre lembro. Lembro de nós na nossa pracinha. Lembro de nós quando ando de bicicleta, quando dirijo meu carro pelas ruas onde você esteve comigo ou quando ando a pé pela cidade. Lembro de nós quando ouço as nossas músicas. Mas elas não são mais as mesmas. O meu canto já não é mais o mesmo e minha escrita não flui mais. Não consigo mais tocar nas cordas do violão sem chorar o meu coração pra fora do peito. E essa carta é meu último desabafo.
As vezes eu penso que se for embora daqui, dessa cidade, vai ser mais fácil te esquecer. As vezes eu penso que se eu deixar tudo pra trás, vai ser mais fácil tirar o som da sua risada do meu subsconciente. Mas, independente de onde eu esteja, eu te vejo nos meus sonhos. Dentro da minha cabeça, de olhos abertos ou de olhos fechados. Acordado ou dormindo, eu vejo você.
Essa falta que você me faz deixou um vazio por aqui. Um vazio que eu tento preencher com trabalho, com estudo, com distrações idiotas e com música. Mas nada preenche esse vazio por que ele tem o seu formato.
Você passou tão rápido por aqui que, assim como eu te dizia, a ficha não chegou a cair, e a primeira ficha engasgada segurou a segunda. Ainda não caiu a ficha de que você foi embora. Eu ainda uso a nossa aliança como um lembrete de tudo que foi bom e de tudo que foi incrível nesse curto espaço de tempo.
E de tudo que nós não conseguimos ser.



















