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Lucius Malfoy - Paternidade.
Nascimento.
Lucius Malfoy andava de um lado para o outro, sentindo que a qualquer momento suas pernas iriam parar de funcionar e ele despencaria sobre o carpete caro da sala. Não era um homem nervoso, muito pelo contrário. Uma arrogante calmaria eternamente preenchia seus olhos cinzas. Naquele dia, contudo, ele sentia-se a beira de um ataque de nervos.
Tudo isso porque sua esposa estava na sala ao lado, aos berros, dando à luz aos seus primeiros filhos. Após sofrer dois abortos espontâneos e ter uma criança natimorta, não era para menos que ele sentia-se tão preocupado. Os curandeiros não lhe deixaram ficar lá dentro, tendo o expulsado minutos depois que chegaram.
Aquilo era uma tortura, ouvir Narcissa sofrer tanto e saber que nada poderia fazer além de esperar. Cada berro seu era um aperto mais forte em seu coração.
Ele sabia que um parto não era fácil, ter gêmeos deveria ser ainda mais difícil. E de tal maneira, não conseguia conter sua empolgação. E seu medo.
Haviam descoberto há pouquíssimos meses que ela esperava um casal. Primeiramente, sentiu-se extremamente feliz e orgulhoso. Teria seu herdeiro, o nome Malfoy continuaria como deveria e um garoto correndo pela casa era exatamente o que Lucius queria.
Depois, um desespero tão grande que pensou que desmaiaria. Teria uma garota também. Uma menina que, céus o ajude, provavelmente puxaria a beleza e graça da mãe. Uma jovem que ele teria que educar, criar e proteger de todas as inúmeras maldades que, ele bem sabia, o mundo poderia cometer contra ela.
Lucius Malfoy definitivamente não estava pronto para ser pai de uma menina.
Abraxas estava na sala também, ao lado do melhor amigo de seu filho, Anthony Fimmel. Os dois observavam o homem em silêncio, sendo que a esposa de Anthony, Elia (que também esperava uma criança, um menino que não demoraria mais que poucas semanas para nascer) havia entrado para ajudar a amiga. Eles seriam padrinhos de sua filha, enquanto Snape seria do garoto. Infelizmente, Severo não havia conseguido sair da escola para estar presente.
Ambos continham o riso, nunca haviam visto o Malfoy tão preocupado.
A única da família que não estava presente era Bellatrix, também com uma gravidez avançada. Rodolphus, seu marido, havia dito através do pó de flu, que a mesma tentou lhe azarar diversas vezes, por não deixa-la sair de casa, devido aos riscos e ordenou que lhe avisassem assim que as crianças nascessem ou nenhuma gravidez lhe impediria de ir até lá e amaldiçoar Lucius.
A sua maneira, ela se preocupava com a irmã. Afinal, era a única família que ainda possuía.
E o mundo pareceu sumir diante dele, quando um choro infantil preencheu o local, seguido por mais gritos de Narcissa. Os minutos que se passaram foram uma verdadeira tortura, até que um segundo choro pode ser ouvido e a mulher se calou.
Por mais aterrorizante que fossem seus gritos, o silêncio era ainda pior, pensou Lucius, encarando fixamente a porta de mogno que os separava.
Não aguentou esperar os curandeiros lhe chamarem, nem Elia vir lhe trazer notícias. Em poucos segundo abria a porta violentamente e ninguém ousaria colocar-se no caminho entre ele, sua esposa e filhos.
Narcissa estava deitada na imensa cama no centro da sala, parecendo exausta, enquanto Elia colocava delicadamente dois embrulhos em seu colo.
— Parabéns, Lucius. — Ela sussurrou, antes de sair, sendo seguida pelos outros curandeiros.
Ele se aproximou com cuidado, sentando-se na cama com a maior delicadeza que o mundo poderia permitir. Não queria machucar Cissa ou assustar as crianças. Quando olhou para baixo, sentiu que todo o ar de seus pulmões sumia.
Dois pares de olhos cinzas se dividiam entre encarar os pais, curiosos com todo o mundo novo ao seu redor. A mão de um deles se erguia, tentando agarrar um dos fios loiros da mãe que escapavam pelo seu rosto.
— Eles são lindos. — Lucius sussurrou, com um braço ao redor da esposa e a abraçando. — Obrigada, Cissa. — Ele jamais seria capaz de expressar a ela o quão grato era por ter lhe dado aquelas duas pequenas criaturas, que, para os pais, eram as mais belas do mundo.
— Precisamos decidir os nomes. — Ela disse, balançando-os com delicadeza. — Quero seguir a tradição da minha família.
Lucius sabia sobre a tradição dos Black, de nomeares suas crianças a partir de estrelas e constelações. Narcissa havia sido a única a fugir à regra.
— Bem, para o garoto eu gosto de Draco. — Disse, quando ela lhe indicou qual era o menino, que estava enrolado na manta mais escura. — Draco Lucius Malfoy.
— Soa maravilhoso. — Narcissa respondeu, enquanto lhe entregava a garotinha nos braços, estava exausta demais para conseguir carregar ambos. — Para ela, Áquila Lucrétia Malfoy. Como a avó.
Os olhos de Lucius brilharam. Ele não sabia se era pela sensação de carregar sua filha pela primeira vez ou pela singela homenagem de Narcissa. Havia perdido a mãe muito cedo e nomear sua filha como ela era realmente algo belo de se fazer.
Apertou delicadamente Áquila em seus braços, enquanto ela lhe observava com olhos iguais aos seus. Naquele momento, Lucius jurou que não deixaria nada machucar seus filhos.
(...)
Pavões.
Lucius queria realmente entender onde estava com a cabeça quando concordou em sair com ambos os filhos, Anthony e o afilhado. Era óbvio que alguma coisa daria errada. Felizmente, Lyra havia decidido ficar em casa, com a tia.
Os gêmeos já tinham 3 anos, assim como Charles. Os dois garotos seguravam firme as mãos de seus pais, embora vez ou outra tentassem escapar para entrar em uma das diversas lojas do Beco Diagonal. Áquila, entretanto, permanecia em seu colo, agarrada em seu pescoço e, graças a Merlin, segura.
Eles andavam pela rua cheia de pessoas, buscando comprar todos os itens da longa lista de Elia e Narcissa. Era final de semana, por tanto o Beco estava lotado e ele agarrava com força a mão de Draco, sabendo que se perdesse-o, Cissa era capaz de assassina-lo com as próprias mãos.
— Papai, olha! — O garotinho berrou, apontando energeticamente para uma vitrine. Ah não, pensou, novamente arrependido.
Nela, estava exposto quatro enormes pavões albinos, que se exibiam para todos que passavam, abrindo sua longa calda. Eram lindos, sem dúvidas, e Draco parecia muito interessado neles.
— Vamos Draco, ainda temos que comprar mais coisas. — Disse, puxando o menino para longe da loja.
— Mas pai... — Ele choramingou, sem querer sair do lugar. Lucius virou-se para Anthony, tentando encontrar um pouco de ajuda, mas o mesmo apenas ria da situação, ao ver que Charles havia se juntado ao amigo, igualmente interessado nos animais.
— Draco, vamos. — Repetiu, tentando puxa-lo novamente.
— Papai, eu quero ver os pássaros. — Áquila disse, puxando de leve seu cabelo para chamar sua atenção. Ele não havia percebido que ela, como o irmão, encara fixamente os pavões.
— Áquila, querida, nós temos que comprar as coisas da sua mãe. — Ele resmungou, sabendo que logo as lojas iriam fechar e o tempo deles estava acabando.
— Ora Lucius, para de ser chato com as crianças. — Anthony se juntou a eles, rindo. O Malfoy olhou novamente para a filha, que tinha agora os olhos aguados e uma cara de quem começaria a chorar a qualquer momento.
— Tá bom, tá bom, nós vamos ver os pavões. — Ele se rendeu, deixando que Draco o arrastasse.
— Ela aprendeu direitinho com Narcissa. — O Fimmel sussurrou, já dentro da loja, enquanto as três crianças se entretinham em discutir qual nome daria aos animais.
No final, eles voltaram para casa com quatro pavões albinos e uma lista incompleta de compras, mas Áquila e Draco pareciam bem satisfeitos ao mostrar a mãe Chuck, Morgana, Brutus e Cissa (a última, em homenagem a Narcissa, segundo eles).
(...)
Primeiro beijo.
Quando os gêmeos tinham 5 anos, foi quando Lucius achou que iria enfartar pela primeira vez na vida. Estava na sala principal de sua casa, sentado confortavelmente em um sofá ao lado de Narcissa, enquanto Anthony e Elia estavam na sua frente.
Era uma sexta-feira e todos decidiram jantar na mansão Malfoy. Tudo estava muito bem, com as crianças brincando no tapete. Draco e Lyra se divertiam-se em correr um atrás do outro ao redor dos sofás, enquanto Áquila e Charles pareciam bastante entretidos em conversar em sussurros.
Eles mal perceberam quando o pequeno Fimmel saiu da sala, indo para o jardim. Áquila permaneceu sentada, como se esperasse algo. Elia, quando notou, foi atrás do filho e ficou surpresa ao encontra-lo bastante concentrado encarando o pavão Chuck, que passeava alegre por entre as flores muito bem cuidadas.
Lucius não prestou muita atenção neles. Estava envolvido em uma séria discussão política com Anthony, enquanto Narcissa cuidava para que nem Lyra e nem Draco se machucassem em sua brincadeira.
Entretanto, não demorou para que Elia e Charles voltassem, o último muito alegre, carregando uma pena branca em suas mãos.
— Elia, isso é dos meus pavões?! — Lucius perguntou, assim que os viu, alarmado.
— Talvez.... — Ela riu, enquanto o garotinho sentava ao lado de Áquila. — Mas eu retirei com magia, ele não sentiu nada. E foi sua filha quem pediu.
Ele encarou a garota, surpreso. Às vezes seus filhos tinham ideias absurdas! Mas foi com mais temor ainda, que ele notou Charles entregando a ela a pena, deixando-a com um sorriso totalmente alegre.
— Obrigada, Char! — Áquila disse e, para o terror de seu pai, se inclinou para frente, depositando um breve selinho nos lábios do garoto.
— ÁQUILA! — Ele gritou, já sentindo a vermelhidão subir pelo seu pescoço. Narcissa e Elia soltavam gritinhos, achando a cena a coisa mais linda do mundo, enquanto Anthony ria escandalosamente, Draco e Lyra faziam caretas de nojo para os dois.
— O que foi? — A menina perguntou, assustada.
— Por que você beijou ele?! — Lucius questionou, a pegando no colo e a afastando do garoto, que olhava para a mãe com um sorriso bobo.
— Mamãe sempre beija você quando ela ganha um presente. E ela disse que faz isso porque gosta de você. Eu fiquei feliz com a pena e eu gosto do Charles — A criança respondeu, em sua lógica infantil. Lucius a encarou ainda mais abismado, enquanto Narcissa a tomava de seus braços, animada.
Céus, sua garotinha, sua princesa, havia beijado o Fimmel! Ele olhou com raiva para o garoto, que agora se juntava a brincadeira de Draco e Lyra.
— Narcissa, eu acho que vou enfartar. — Sussurrou, ao ver Áquila se unir a eles, segurando a mão de Charles para brincar. A mesma o ignorou, animada demais em sua conversa com Elia.
Aquele, era seu pior pesadelo tomando forma.
(...)
Magia.
Conforme o tempo passava, Lucius notou que os gêmeos possuíam uma conexão que ninguém, nem mesmo seus pais, poderia entender. Se comunicavam com olhares, inventavam brincadeiras que ninguém mais poderia participar e raramente se separavam.
Entretanto, até mesmo eles arrumavam brigas por motivos estúpidos. A primeira foi quando tinham 8 anos e Draco havia quebrado a boneca favorita da irmã, que veio correndo para o pai. Narcissa, infelizmente, havia saído comprar roupas com Lyra.
— Draco, peça desculpas. — Ele ordenou, enquanto procurava a varinha para concertar o brinquedo.
— Mas foi sem querer! — O garoto reclamou, se recusando a fazer o que o pai mandava. Ele lhe olhou severamente.
— Não foi não! — Áquila reclamou, irritada. Sempre havia tido uma personalidade parecida demais com a de Narcissa.
— Áquila, eu só puxei ela, não tenho culpa se caiu. E você que não queria ir brincar comigo! — Ele respondeu, como se isso justificasse totalmente suas atitudes.
— E agora que quero menos ainda! — A garota exclamou, totalmente irritada.
— Parem vocês dois. — Lucius se colocou entre ambos, visto que a filha parecia prestes a voar para cima do irmão. Os dois pareceram se acalmar um pouco, embora Áquila ainda o fulminasse com o olhar. — Áquila, eu vou arrumar sua boneca e Draco, pela última vez, pede desculpas para sua irmã.
Foi apenas ele se virar de costas para apanhar a varinha, que um grito de Draco pode ser ouvido.
— PAI! — Ele berrou, nervoso. — Olha ela!
Lucius se virou, assustado. Uma pequena nuvem flutuava em cima de Draco, fazendo inúmeros flocos de neve caírem em sua cabeça, tomando conta de todo seu cabelo platinado. O garoto odiava neve. Com assombro, ele notou que era Áquila quem fazia aquilo.
E, antes que pudesse parar a pequena demonstração de magia, o menino olhou profundamente irritado para a irmã, que teve o cabelo totalmente bagunçado por um forte vento que veio absolutamente do nada.
— Pai! — Ela berrou também, correndo para se esconder atrás dele. Lucius, rapidamente, cessou ambos os feitiços com um aceno de varinha.
— Olha aqui vocês dois. — Começou, puxando ambos pelo os braços e fazendo com que parassem a sua frente, lado a lado. — Eu sei que não controlam isso ainda, mas não podem ficar usando a magia um contra o outro, estamos entendidos?
Os dois concordaram com a cabeça, também assustados com o que haviam feito. Era a primeira demonstração de magia dos dois.
— Ótimo. Toma sua boneca, Áquila. E deixa sua irmã em paz. — Ele disse, olhando irritado para Draco, que rapidamente consentiu.
Horas depois, quando Narcissa chegou e eles foram procurar as crianças, ambos brincavam juntos no balanço que havia nos jardins, como se briga nenhuma tivesse ocorrido.
Lucius jamais entenderia seus filhos.
(...)
Hogwarts.
As três cartas de Hogwarts chegaram juntas, para as três crianças da mansão. Eles estavam no café da manhã, quando uma bela coruja branca atravessou a janela e deixou cair os envelopes sobre a mesa. Lyra e Draco foram os primeiros a abrir e lendo em voz alta. Ambos saíram correndo pela casa, comemorando e já planejando as aventuras que teriam.
Áquila, entretanto, permaneceu em seu lugar, parecendo mais infeliz que os dois. Ela nem ao menos havia aberto seu envelope.
— Filha, tudo bem? — Narcissa perguntou, olhando preocupada para ela.
— Claro, mamãe. — Respondeu e continuou tomando seu suco, como se nada tivesse acontecido. Lucius e Cissa se encararam, alguma coisa estava errada.
Horas mais tarde, já ao anoitecer, Lucius passou em seu quarto, para lhe dar boa-noite e encontrou a menina chorando sobre a cama, abraçada em um pequeno urso de pelúcia que havia ganhado da madrinha, meses atrás.
— Áquila, o que aconteceu? — Perguntou, sentando-se ao seu lado na cama. A mesma levantou o rosto, se agarrando ao pai, que passou as mãos em seu longo cabelo loiro, tentando lhe acalmar. — Alguém te machucou? Por que você está chorando?
— Eu não quero ir para Hogwarts. — Ela disse, com o rosto enterrado seu peito, as lágrimas manchavam sua camisa, mas naquele momento, ele não se importou.
— Por quê? — Questionou, visivelmente confuso. Todas as crianças que conhecia amavam aquele lugar.
— Porque você e a mamãe vão esquecer de mim. — Áquila disse, levantando o rosto e o encarando com seus olhos cinzas brilhando de lágrimas. — E eu não quero ficar longe de vocês.
Lucius ficou sério e a ajeitou em seu colo, secando o rosto dela delicadamente com as mãos.
— Áq, meu amor, você é nossa filha, eu e sua mãe jamais nos esqueceríamos de você ou do seu irmão, não importa quanto tempo passe, eu prometo isso para você. — Ele disse, passando firmeza em suas palavras. — E você vai adorar Hogwarts, além disso pode vir para casa em todos os feriados e as férias são longas, você não vai ficar longe de nós.
— Mas eu não vou conhecer ninguém lá, e se não gostarem de mim? — Ela perguntou, agora mais calma.
— Você vai ter seu irmão, sua prima e Charles lá, não vai ficar sozinha. Além disso, é impossível não gostar de você. — Lucius respondeu, colocando atrás de sua orelha uma mecha de cabelo que insistia em cair sobre seu rosto. — Você é uma Malfoy, Áquila, todos naquele lugar vão querer ser seus amigos.
— E você e a mamãe vão me escrever sempre? — Ela ainda se sentia insegura, afinal, nunca havia ficado longe dos pais.
— Sempre. — Prometeu, enquanto a mesma lhe abraçava com toda sua força de criança.
No outro dia, Áquila estava mais calma e parecia verdadeiramente animada em começar a preparar as coisas junto com Lyra. Ela nem havia ido, mas Lucius já sentia sua falta.
(...)
Meninas.
Lucius estranhou quando, aos 13 anos, seu filho estava visivelmente desanimado, em suas férias. Ele andava pelos cantos, sempre cabisbaixo e se recusando a sair com a irmã e a prima.
— Draco, está acontecendo algo? — Perguntou, o chamando para seu escritório em uma tarde, poucas semanas antes do mesmo voltar a Hogwarts.
— Não. — Ele rapidamente negou, já se preparando para sair.
— Draco.... — Repetiu, erguendo uma sobrancelha para o mesmo, que parecia estar envergonhado. — Pode me falar o que quer que esteja acontecendo.
— É uma menina, pai. — Ele rapidamente desabafou, deixando Lucius surpreso e levemente despreparado. Merlin, havia chegado o dia de realmente ter aquela conversa com seu filho.
— Que menina? — Perguntou, tossindo para limpar a garganta e tentando evitar mostrar o desconforto.
— Uma das amigas da Áquila, Pansy.... — Respondeu, evitando encarar o pai, olhando diretamente para o tapete verde escuro.
— Hm, e você gosta dela? — Não sabia ao certo qual era a melhor maneira de abordar a situação com ele, visto o desconforto do garoto.
— Acho que sim. — Seu rosto ficou rapidamente vermelho, como se tivesse contado a Lucius o maior de todos os seus segredos.
— E qual o problema nisso, filho? — Não entendia ao certo porque tal situação parecia deixar Draco tão triste.
— Eu acho que ela não gosta de mim, pai. Não sei, pensei em pedir para Áquila perguntar a ela, mas não acho que seria a melhor solução. — Explicou, gesticulando nervosamente enquanto falava.
— Por que ela não gostaria de você? — Perguntou, surpreso. Draco era um ótimo aluno e muito parecido consigo mesmo, era impossível qualquer garota não gostasse dele.
— Não sei. — Deu de ombros, confuso. — Muitas meninas preferem o Potter — disse o nome com desgosto — e se ela não for diferente?
— Qualquer garota seria doida de preferir o Potter. — Lucius respondeu, tranquilizando o filho. — Mas você nunca vai saber se não tentar.... Sabe Draco, na sua idade, eu também gostava de uma garota que não sabia se gostava de mim...
E ele contou toda a história para o filho, passando a tarde tendo a conversa que tanto havia temido. Seu garoto estava realmente crescendo.
(...)
Namoro.
Lucius correu pelas escadas que levavam a sala de estar com maior pressa do que achava possível e praticamente se jogou em direção a lareira, procurando pela caixa em que guardavam o pó de flu. Precisava ir para Hogwarts imediatamente.
— O que você pensa que está fazendo? — Narcissa perguntou, descendo, com uma calma e elegância bem superior à dele naquele momento, as escadas. Estava enrolada em um robe, tendo acabado de acordar.
— Indo para Hogwarts. — Ele respondeu, ainda procurando a caixa e xingando baixinho.
— Por que? — Cissa questionou, sentando-se calmamente na poltrona dele, o observando risonha em toda sua afobação.
— Porque eu preciso falar com Áquila. Você viu a carta que ela me mandou?! — Questionou, nervoso, virando-se agora para a esposa. — Narcissa, aquele delinquente está magoando ela!
Lucius sabia que logo teria um ataque de nervos se não conseguisse ir para a escola. Minutos atrás havia recebido uma carta de sua filha, que dizia estar extremamente triste, porque se descobriu apaixonada pelo melhor amigo, Charles, e acreditava não ser correspondida. No papel, ela pedia ao pai para ir embora para casa, visto que não sabia como lidar com a situação que se encontrava.
Narcissa havia lido logo que ele largou o pergaminho, embora não fosse novidade para ela, já que a filha havia lhe escrito sobre os mesmos sentimentos dias antes. Infelizmente, ela havia herdado de si a arte para o drama e Lucius sempre fora facilmente manipulado por ambas.
— Charles não está fazendo nada, Lucius. Acho que ele nem ao menos sabe do que Áquila sente por ele, são só crianças. — Ela respondeu, levantando-se para tentar acalma-lo. — E você não vai a lugar algum.
— Narcissa, eu tenho que ir, nossa filha quer vir embora! — Disse, embora deixasse que as mãos dela o guiassem para o sofá.
— Ela quer, mas não virá. Áquila precisa aprender a lidar com as coisas que sente, sem você indo socorrer ela a cada minuto, ela já é grande o suficiente para isso. — Cissa fez sinal para que ele se calasse, antes que começasse a protestar. — Deixe a menina aprender a viver, Lucius.
— Mas...
— Mas nada, as coisas vão se acertar em seu devido tempo. — Ela o calou com um beijo e, embora contrariado, ele se limitou a desistir de sua procura pelo pó de flu e apenas escrever uma carta a filha.
Dias depois, o natal chegou e, com ele, seus filhos voltaram para a casa. Áquila havia se trancado por horas no quarto, com a mãe. Ele sabia bem que tipo de conversa estavam tendo e não ousava atrapalhar. Quando saíram, a garota parecia mais animada e não demorou a se juntar a Lyra para arrumar algumas decorações e preparações de antigas tradições. Era seu feriado favorito.
Quando os Fimmel se juntaram a eles, para o jantar, ele não pode evitar notar os olhares que Charles e sua filha trocavam. Merlin, ele pensou, se o senhor me escuta, por favor, dê um jeito nisso.
— Áquila, você realmente gosta desse garoto? — Perguntou, já no quarto dela, após uma noite inteira de sorrisos trocados entre ela e o jovem.
— Sim, papai. — A garota suspirou, se jogando contra os travesseiros e o encarando profundamente. Estava ficando, sem dúvidas, cada dia mais parecida com a mãe, para o temor de Lucius. — Eu não falaria nada para o senhor se não gostasse de verdade.
— Bem, ele parece gostar de você também. — Respondeu, vendo os olhos dela brilharem com isso.
— Você acha? — Áquila perguntou animada, se sentando em um pulo na cama.
— Sim, filha, eu acho. — Inesperadamente, a garota se jogou em sua direção, o abraçando. Ela sempre havia sido carinhosa com toda a família, até mesmo com ele, que nunca tinha muito jeito para isso.
Mas, no fundo, Lucius esperava que aquele sentimento que a mesma nutria passasse logo...
Assim, foi com assombro que meses depois, já nas férias, ele se deparou com um Charles muito sério lhe esperando em seu escritório. O garoto tinha uma caixinha em suas mãos e parecia nervoso.
— Padrinho... Quero dizer, senhor Malfoy, preciso falar com o senhor. — Ele disse, enquanto Lucius se sentava a sua frente. — Vim pedir a mão da Áquila em namoro.
Lucius passou aquela tarde ameaçando o garoto de diversas formas possíveis e o relembrando de todas as tradições que sua família possuía, deixando claro que nada de tocar demais, beijar demais ou abraçar demais. E que se ele magoasse sua filha, desejaria nunca ter pisado naquele escritório.
Contudo, algumas horas depois, enquanto o jovem voltava com Áquila dos jardins, já tendo lhe feito o pedido de namoro, Lucius pensou que toda aquela dor de cabeça valia a pena, apenas para ver a alegria dela ao segurar a mão dele e conversar animada com Narcissa, sorrindo agradecida em sua direção algumas vezes.
Entretanto, parte de si sabia, aquele era apenas o começo de muito estresse que ainda viria....
(...)
Filhos.
Lucius Malfoy definitivamente não estava pronto para ser pai, ele soube disso apenas alguns anos depois, com dois filhos já crescidos e começando a aprender a viver suas próprias vidas.
Ele não estava preparado para todas as brigas, confusões, pedidos e perturbações que vinha no pacote da paternidade. E, definitivamente, havia errado muitas vezes em suas punições com Draco ou represálias para Áquila.
Contudo, ele não mudaria nada daquilo.
No fundo, embora poucos soubessem, por baixo de sua cama de eterna frieza e indiferença, Lucius amava sua família mais do que qualquer coisa no mundo.
Notas da autora: eu fui criada por meus avós em uma família muito parecida com os Malfoy, talvez por isso veja as coisas de forma um pouco diferente do cannon. Dessa forma, eu queria dedicar esse pequeno conto ao meu avô, que nunca irá lê-lo, mas ainda sim, me cuidou tão bem quanto Lucius cuidou de Áquila.
Obrigada.
E obrigada a todos que leram e espero que tenham gostado, logo terá mais!
Like father like son.
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Coletânea de contos.
Pessoal, hoje sai o primeiro conto da coletânea, finalmente (e revisando ele, notei que vai sair enormeee)! Será baseado no Lucius e sua relação com os gêmeos, espero que gostem!