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le flâneur
Fondue night in Paris. This was the early 2000s and yes those are baby bottles with red wine in them.
Marcos Vidal Font, Sensible Encounters Lichtenberg anarchive, 2024, found materials in four flaneur walks, 85 x 50 x 68 cms.
Você olha pro mundo real através de uma tela, mas é o mundo real mesmo que você tá vendo?
Para, respira! Antes de você apontar a câmera do celular pra mais uma coisa, eu preciso que você entenda o que tá acontecendo nesse gesto tão banal.
Porque no meio dessa estética futurista toda, Lemos (2013) é bem direto: a Realidade Aumentada não aumenta nada, ela diminui. Quando informações começam a ser coladas em objetos, pessoas e lugares, parece que a realidade ficou mais rica, mais completa. Mas, no fundo, isso faz o mundo parecer mais simples do que ele realmente é!
Boa notícia: você não tá delirando. Má notícia: estão contando uma história pra você, e chamando isso de tecnologia.
Mas de onde veio isso tudo?
O termo “Realidade Aumentada” surgiu em 1992 com Tom Caudell, dentro da Boeing. A ideia parecia simples e genial: em vez de você entrar num universo virtual, o virtual invade o seu mundo.
Parece bonito, e é. Mas tem um detalhe que ninguém anuncia no folder.
Lemos (2013) explica que a RA faz com que a informação cole às coisas, aumentando a realidade informacional do usuário.
Pensa no flâneur, aquele personagem do século XIX que vagava pela cidade sem destino, lendo os signos urbanos de maneira aberta, ambígua, pessoal. O usuário de RA também lê a cidade, só que pela lente do dispositivo, e o que ele vê são etiquetas eletrônicas fixas, disponíveis para qualquer um que acesse o sistema. Ou seja, sempre é a mesma história. E quem não tem etiqueta… simplesmente some do mapa!
E o que fica invisível quando a tela decide o que você vê?
Essa é a pergunta que Lemos (2013) deixa no ar de um jeito desconfortável: o que acontece quando você aponta a câmera pra um lugar e nada aparece? Será que depois de algum tempo o mundo como ele é vai se tornar invisível aos olhares não mediados?
É aqui que Lopes, Vidotto, Pozzebon e Ferenhof (2019) entram na conversa pra lembrar de um detalhe importante: a RA tem potencial enorme, mas a barreira mais frequente não é tecnológica, é humana. Professores, usuários, criadores de conteúdo — a maioria não domina o desenvolvimento das aplicações, então o sistema acaba nas mãos de quem tem interesse comercial em contar a história por você.
Olha o ciclo fechando...
E tem mais, Gama Neto (2016) mostra que mesmo em contextos educacionais pensados pra ser mais livres, a realidade misturada ainda depende de escolhas de quem programa o que vai aparecer na tela.
A neutralidade tecnológica é um mito bem produzido.
No fim, a pergunta de Lemos (2013) continua ecoando como aquela fofoca impossível de ignorar: o que faz com que um objeto seja portador de uma narrativa e outro não?
Quem decide o que merece existir na sua tela? Quem escolheu o que você vê quando levanta o celular?
Alerta de Spoiler: não foi você!
E quem sou eu? esse segredo eu não conto pra ninguém. vocês sabem que me adoram… xoxo ;*
Dead and gone