Você olha pro mundo real através de uma tela, mas é o mundo real mesmo que você tá vendo?
Para, respira! Antes de você apontar a câmera do celular pra mais uma coisa, eu preciso que você entenda o que tá acontecendo nesse gesto tão banal.
Porque no meio dessa estética futurista toda, Lemos (2013) é bem direto: a Realidade Aumentada não aumenta nada, ela diminui. Quando informações começam a ser coladas em objetos, pessoas e lugares, parece que a realidade ficou mais rica, mais completa. Mas, no fundo, isso faz o mundo parecer mais simples do que ele realmente é!
Boa notícia: você não tá delirando. Má notícia: estão contando uma história pra você, e chamando isso de tecnologia.
Mas de onde veio isso tudo?
O termo “Realidade Aumentada” surgiu em 1992 com Tom Caudell, dentro da Boeing. A ideia parecia simples e genial: em vez de você entrar num universo virtual, o virtual invade o seu mundo.
Parece bonito, e é. Mas tem um detalhe que ninguém anuncia no folder.
Lemos (2013) explica que a RA faz com que a informação cole às coisas, aumentando a realidade informacional do usuário.
Pensa no flâneur, aquele personagem do século XIX que vagava pela cidade sem destino, lendo os signos urbanos de maneira aberta, ambígua, pessoal. O usuário de RA também lê a cidade, só que pela lente do dispositivo, e o que ele vê são etiquetas eletrônicas fixas, disponíveis para qualquer um que acesse o sistema. Ou seja, sempre é a mesma história. E quem não tem etiqueta… simplesmente some do mapa!
E o que fica invisível quando a tela decide o que você vê?
Essa é a pergunta que Lemos (2013) deixa no ar de um jeito desconfortável: o que acontece quando você aponta a câmera pra um lugar e nada aparece? Será que depois de algum tempo o mundo como ele é vai se tornar invisível aos olhares não mediados?
É aqui que Lopes, Vidotto, Pozzebon e Ferenhof (2019) entram na conversa pra lembrar de um detalhe importante: a RA tem potencial enorme, mas a barreira mais frequente não é tecnológica, é humana. Professores, usuários, criadores de conteúdo — a maioria não domina o desenvolvimento das aplicações, então o sistema acaba nas mãos de quem tem interesse comercial em contar a história por você.
Olha o ciclo fechando...
E tem mais, Gama Neto (2016) mostra que mesmo em contextos educacionais pensados pra ser mais livres, a realidade misturada ainda depende de escolhas de quem programa o que vai aparecer na tela.
A neutralidade tecnológica é um mito bem produzido.
No fim, a pergunta de Lemos (2013) continua ecoando como aquela fofoca impossível de ignorar: o que faz com que um objeto seja portador de uma narrativa e outro não?
Quem decide o que merece existir na sua tela? Quem escolheu o que você vê quando levanta o celular?
Alerta de Spoiler: não foi você!
E quem sou eu? esse segredo eu não conto pra ninguém. vocês sabem que me adoram… xoxo ;*














