Às vezes a solidão chega como silêncio, e nele descobrimos mais sobre quem somos. Estar sozinha pode doer em alguns dias, mas também pode ser um espaço de liberdade e autodescoberta. Clarice Lispector escreveu: “Sou como você me vê. Posso ser leve como uma brisa ou forte como uma ventania.” — e é exatamente isso: quando aprendemos a estar conosco mesmas, percebemos que a força e a leveza podem habitar no mesmo corpo.
Ser sozinha é aprender a andar com o próprio passo, a ouvir os próprios pensamentos, a não depender do barulho do mundo para sentir-se inteira. Como disse Rainer Maria Rilke: “A verdadeira pátria do homem é a solidão.”
E talvez seja nesse espaço que florescemos — não porque não precisamos dos outros, mas porque aprendemos, antes de tudo, a precisar de nós. 🌻
Você olha pro mundo real através de uma tela, mas é o mundo real mesmo que você tá vendo?
Para, respira! Antes de você apontar a câmera do celular pra mais uma coisa, eu preciso que você entenda o que tá acontecendo nesse gesto tão banal.
Porque no meio dessa estética futurista toda, Lemos (2013) é bem direto: a Realidade Aumentada não aumenta nada, ela diminui. Quando informações começam a ser coladas em objetos, pessoas e lugares, parece que a realidade ficou mais rica, mais completa. Mas, no fundo, isso faz o mundo parecer mais simples do que ele realmente é!
Boa notícia: você não tá delirando. Má notícia: estão contando uma história pra você, e chamando isso de tecnologia.
Mas de onde veio isso tudo?
O termo “Realidade Aumentada” surgiu em 1992 com Tom Caudell, dentro da Boeing. A ideia parecia simples e genial: em vez de você entrar num universo virtual, o virtual invade o seu mundo.
Parece bonito, e é. Mas tem um detalhe que ninguém anuncia no folder.
Lemos (2013) explica que a RA faz com que a informação cole às coisas, aumentando a realidade informacional do usuário.
Pensa no flâneur, aquele personagem do século XIX que vagava pela cidade sem destino, lendo os signos urbanos de maneira aberta, ambígua, pessoal. O usuário de RA também lê a cidade, só que pela lente do dispositivo, e o que ele vê são etiquetas eletrônicas fixas, disponíveis para qualquer um que acesse o sistema. Ou seja, sempre é a mesma história. E quem não tem etiqueta… simplesmente some do mapa!
E o que fica invisível quando a tela decide o que você vê?
Essa é a pergunta que Lemos (2013) deixa no ar de um jeito desconfortável: o que acontece quando você aponta a câmera pra um lugar e nada aparece? Será que depois de algum tempo o mundo como ele é vai se tornar invisível aos olhares não mediados?
É aqui que Lopes, Vidotto, Pozzebon e Ferenhof (2019) entram na conversa pra lembrar de um detalhe importante: a RA tem potencial enorme, mas a barreira mais frequente não é tecnológica, é humana. Professores, usuários, criadores de conteúdo — a maioria não domina o desenvolvimento das aplicações, então o sistema acaba nas mãos de quem tem interesse comercial em contar a história por você.
Olha o ciclo fechando...
E tem mais, Gama Neto (2016) mostra que mesmo em contextos educacionais pensados pra ser mais livres, a realidade misturada ainda depende de escolhas de quem programa o que vai aparecer na tela.
A neutralidade tecnológica é um mito bem produzido.
No fim, a pergunta de Lemos (2013) continua ecoando como aquela fofoca impossível de ignorar: o que faz com que um objeto seja portador de uma narrativa e outro não?
Quem decide o que merece existir na sua tela? Quem escolheu o que você vê quando levanta o celular?
Alerta de Spoiler: não foi você!
E quem sou eu? esse segredo eu não conto pra ninguém. vocês sabem que me adoram… xoxo ;*
LEMOS, André. Realidade aumentada: narrativa e mídias de geolocalização. In: SÁNCHEZ, Amaranta (org.). Móbile: reflexión y experimentatión en torno a los médios locativos en el arte contemporáneo en México. México, DF: Consejo Nacional para la Cultura y las Artes / Centro Multimedia – CENART, 2013. p. 85-103.
LOPES, Luana Monique Delgado; VIDOTTO, Kajiana Nuernberg Sartor; POZZEBON, Eliane; FERENHOF, Helio Aisenberg. Inovações educacionais com o uso da realidade aumentada: uma revisão sistemática. Educação em Revista, Belo Horizonte, v. 35, e197403, 2019. DOI: http://dx.doi.org/10.1590/0102-4698197403.
GAMA NETO, Edilberto Marcelino. Da Realidade misturada e
educação: uma experiência com o aplicativo Mar. Dissertação.
(Mestrado em Educação) – Universidade Tiradentes, Aracaju, 2016.
Ei… se tem alguém que eu queria olhar nos olhos hoje, é você, o eu do passado. Queria te dizer que eu entendo cada passo que você deu. Cada escolha, cada silêncio, cada erro… mas também cada sorriso, cada vitória, cada momento bonito que viveu. Porque, sim, eu lembro que nem tudo foi tristeza. Nem tudo foi peso. Você teve momentos felizes, risos sinceros, abraços que aqueceram a alma, dias em que a vida parecia leve. E isso também faz parte de mim. Essas lembranças boas são pedaços importantes da pessoa que sou hoje. Mas sei que, em muitos momentos, você se sentiu perdido, cansado, cheio de dúvidas. Fez o melhor que podia com o que sabia. Engoliu o choro em silêncio, tentou parecer forte mesmo quando estava desmoronando por dentro. E mesmo assim, seguiu. Não sabia como seria o amanhã, mas não desistiu. E por isso… eu te agradeço. Você não tem ideia da força que teve. Foi a sua resistência nas dificuldades, mas também sua leveza nas pequenas alegrias, que me moldaram. Hoje eu sou alguém mais consciente, mais forte, mais preparado, porque você existiu. Porque você caiu, levantou, chorou, sorriu… e viveu. Se eu pudesse, te daria um abraço longo, apertado, e diria: você não falhou. Você aprendeu. Você cresceu. Você teve coragem. E você merece paz. Obrigado por não desistir. Obrigado por viver tudo o que viveu, o que doeu e o que fez bem. Eu sou a soma de tudo isso. E tenho orgulho de carregar você dentro de mim.
O verdadeiro significado da felicidade é estar bem consigo mesmo, sentir-se amado, respeitado, e útil. Na maioria das vezes, a ostentação só tenta preencher um vazio interior causado pela falta dessa tão simples felicidade.
Quanto custa vencer o próprio processo? Em algum ponto da vida, todos nós — cedo ou tarde — somos escolhidos por ele. O processo é essa fase solitária, lenta, quase interminável. Nele, somos obrigados a abdicar de momentos que julgávamos essenciais. É onde aprendemos, erramos, insistimos, depositamos nossas últimas forças acreditando — por crença — que, lá na frente, tudo vai valer a pena.
O meu processo demorou para começar — e esse é o maior arrependimento da minha vida. Ignorei a pessoa mais importante que eu tenho. Perdi tempo, acreditei em promessas falsas, confiei em pessoas erradas que me empurraram para dentro do meu primeiro inferno. Foram três. Graças a alguém que surgiu como refrão em meio do silêncio, enxerguei que ainda existia tempo. Sempre há tempo. Todos nós nos lamentamos por não ter começado antes. Mas a verdade é: não existe hora certa. Se eu começasse antes, lamentaria do mesmo jeito. O lamento é inevitável. Como disse Cheshire, “Para quem não sabe para onde ir, qualquer caminho serve.” Estamos todos em busca de algo, tentando vencer o processo, achando sempre que chegamos tarde demais — que perdemos o trem para o progresso, mas começamos exatamente quando precisávamos.
Nesse processo, abrimos mão de muitas coisas. No meu caso, eu posso dizer com absoluta tranquilidade: abdiquei de tudo. Não de algo. Eu não perdi qualquer coisa. Eu perdi ela.
Ironicamente, ela foi quem me ensinou sobre o processo — e foi justamente por causa dele que eu a perdi. O maior medo dessa fase é não saber quando ela termina. Repetem que tudo acaba no “tempo de Deus”, uma forma melancólica de dizer que vai demorar pra caralho. E é por isso que tantos desistem. Viver o agora parece muito mais atraente do que “começar agora”. A vida é um sopro. Temos pressa. O processo custa caro — e sua moeda é o tempo. E o tempo não volta. Nunca voltará.
Eu só espero que, lá na frente, depois do tal “tempo de Deus”, tudo isso faça sentido. Porque, até agora, eu tenho certeza absoluta: não valeu nada. Mas escolhi um caminho sem retorno. Desistir, hoje, seria perder mais do que tempo — seria me tornar tudo aquilo que nunca quis ser. Escravo da minha própria vida.
O processo é necessário. Todos querem um lugar ao sol. Mas nem todos estão dispostos a queimar as mãos. É uma travessia árdua. Perdemos tudo… para conquistar algo que talvez, um dia, possamos chamar de nosso.
você provavelmente me amou.
não na mesma intensidade que eu te amei —
mas, afinal, quem é que mede isso?
talvez nunca saibamos o quanto foi,
e nem precisa.
você teve suas falhas, sim.
mas e as vezes que me fez feliz?
porque foram tantas.
e não vale a pena me afogar num mar de mágoa
só pra fingir que não amei.
eu ainda sinto.
e talvez eu sempre vá sentir.
daqui a dois anos, talvez doa menos.
daqui a vinte, talvez quase nada.
mas você vai continuar sendo meu primeiro amor.
e isso não se esquece.
Olha, uma vez ouvi que algumas pessoas na vida a gente esbarra e outras a gente encontra, e você foi meu encontro. Sei que você veio pra somar e sinto muito que não tenhamos dado certo, mas vou me esforçar pra levar comigo o que tivemos de bonito. Também sei que estou agindo de um jeito estranho ultimamente, é que ainda estou magoada, não com você mas comigo mesma. Existem muitos erros que eu não queria ter cometido contigo e espero um dia poder consertá-los, mas até que eu arranje um jeito de me entender e perdoar vou me manter nessa distância segura pra nós dois. Vou sair, vou me permitir ser feliz, como você mesmo me aconselhou várias vezes, e vou deixar você seguir. Acho que o que mais aprendi com minhas escolhas até aqui foi a deixar as coisas acontecerem, não dá pra eu controlar tudo e o fato disso me frustrar é algo que vou ter que amadurecer em mim. Não se preocupe comigo, eu vou sumir por um tempo, mas vou estar bem, assim como sei que você vai estar também, não vou lhe procurar, nem fazer nada que possa lhe magoar, terei respeito pelo que destruí. Espero um dia poder te contar o que estava acontecendo, mas se eu não tiver essa oportunidade, espero que ao menos você se lembre de mim com carinho. Espero que lembre do meu sorriso, das minhas piadas sem sentido, dos meus conselhos (dos bons, por favor), sei que ainda vai se chatear comigo vez ou outra, quando lembrar da forma como as coisas foram acontecendo, mas também sei que você é um cara legal, nenhuma dessas chateações vão lhe prender por muito tempo. Isso aqui talvez seja um adeus, talvez seja um até logo, sabe-se lá o dia de amanhã, né? A gente se encontrou, a gente se ensinou e a gente se despediu.
- Nossa história é a mais confusa que o amor já viu -