THE DAY TOMMY'S PARTY WAS A MESS
Aviso: toda e qualquer semelhança com o plot central de Heartbreak High, Ginny and Georgia e Euphoria é mera coincidência. Inspirado quase que totalmente no mv de E.T.A.
Aviso de conteúdo sensível: Jovem sendo jovem irresponsável e completamente descompensado. Menções a álcool, droga e destruição de patrimônio privado.
Ele tem certeza que prefere ser preso, ali e agora, do que voltar pra casa com a mãe. Ele também tem certeza que a oficial em sua frente e a assistente social tem plena consciência disso, porque jogam um cobertor sobre seus ombros e colocam um copo com água em cima da mesa, junto com uma caixa de lenços de papel e uma barra de chocolate.
Tommy Howard não é Tommy Howard naquele momento, uma montanha enorme de garoto na puberdade e que parece que não se abala por nada.
Tommy Howard, depois daquela festa, é só uma criança de seis anos que não faz a mínima ideia do que estava fazendo naquele lugar insalubre.
— Senhor Howard, pode nos contar do começo o que aconteceu?
E ele conta, mesmo não sabendo o ponto de partida exato.
Porque se lembra nitidamente de chegar em meio aos colegas no vestiário e dizer que a mãe ia ter um turno duplo no hospital, então a casa da família ia estar vazia e disponível pra eles fazerem coisas de menino, coisas de adolescente que não aguenta mais ser massacrado pela escola e aquela maldita pirâmide social.
— Só videogame, umas cervejas e conversa fiada. Vai ser legal.
Eles podiam comer pizza e falar mal do treinador, mandar uma mensagem pros caras dos times das outras escolas que eles tinham alguma simpatia, saber quem estava beijando quem, quem eles achavam que estava comendo quem, e reclamar da vida como a maioria das pessoas na idade deles. Não tinha como não ser legal, todo mundo gostava de fazer aquilo, até metade da cidade de Nova York aparecer em sua porta e invadir sua casa só pra dizer que eles sentiam o mesmo.
— As senhoras já assistiram à Mother? Aquela cena ridícula de tão absurda de gente se amontoando em uma casa como se fosse um espaço infinito, só porque elas querem e tem vontade? Foi isso que minha social virou! Um grande surto coletivo, antro de perdição, abarrotado de gente que eu não conhecia! — Dizia, desesperado, gesticulando tanto com as mãos que parecia que os membros iam descolar do corpo. — Tinha adolescente no teto, adolescente no jardim, adolescente quebrando a divisória de propriedade da minha vizinha e pulando na piscina dela também! Não tinha mais controle, só desespero.
E ele bem que tentou alertar que nada daquilo ia acabar bem.
— Desce dessa pia, ela não tá chumbada!
— Não toca nos vasos da minha mãe!
— Larga essa vodka e vai beber uma água!
— Vai se comer lá no quintal, meu quarto não é lugar!
Por muito tempo, e com cada pessoa e grupinho que ele via pela frente.
— Você não é velho demais pra se meter numa festa de adolescentes, cara? — Se lembra de ter encurralado um cara no meio de sua sala de estar, parecendo suspeito pra cacete, um rosto que ele nunca tinha visto na vida, mas ainda assim parecia estar no último ano da faculdade e não do ensino médio.
— Só vim trazer uma amiga. — O outro ainda tentou se defender, erguendo as mãos na altura dos ombros. — E mesmo assim, eu acho que você tem coisas mais importantes pra se preocupar…
Era só olhar em volta e saber que realmente, aquela sua preocupação com penetras de outras faixas etárias era ridícula. Estavam a um passo de colocar o bairro todo pra baixo, e a culpa era só dele ter confiado em meia-dúzia de merdinhas hormonais e irresponsáveis.
— Eu só queria jogar videogame, me entupir de açúcar e esquecer que tinha uma prova de matemática na segunda e que eu não tinha estudado. — Suspirava, exausto, se afundando naquela cadeira como se pudesse fundir com ela. — Sinto muito por não ter ligado pra polícia antes e ter deixado as coisas saírem do controle.
— Bom, eu acho que isso explica bastante coisa. — A oficial diz, a assistente social concorda, e as duas tem que se esforçar muito pra não chorar graça daquela situação.
Por algum motivo, as duas mulheres acreditam nele. Fosse por terem o visto chorar ruidosamente na calçada só umas horas atrás, fosse por ele realmente não estar bêbado, fosse por ele ter sido sincero sobre tudo até ali.
Mas ainda faltavam peças daquele quebra-cabeça.
— O senhor conhece a pessoa que estava vendendo drogas na sua festa?
E nem todas elas iam ser entregues pela mesma pessoa.
— Como assim alguém estava vendendo drogas na minha festa?
















