Love you to the moon and back.
Ariel: Como assim tu vai, Mari? E tua síndrome? Tu pode passar mal na rua!
Eu: Eu sei, Ari, mas... Alek está pior q eu no momento, e até onde eu sei, sou a única com disponibilidade para ir...
Igor estudava música, quase nunca tinha tempo nem pra ele. Ariel estava para ser pai, seria rude, portanto, se ele deixasse a mulher à deriva. Marty dava muitas palestras nas faculdades de seu estado e estava terminando o mestrado. Diego dava aulas também aos sábados, durante a tarde. Alice quase não parava em casa; viajava a trabalho, e bem, Rafael se casaria em pouco tempo. Eu era a única que fazia tudo pelo computador, a única que tinha bastante tempo livre.
Marty: Ela tem razão. Por mais q nos falemos com frequência, geralmente temos apenas os fds livres, e alguns aqui nem tem isso direito.
Igor: Mas você sabe que se for pra sair de casa, tem que sair prevenida, né?
Igor: Você tem que levar seus remédios, roupas de frio, de calor, tablet com filmes, doces, cobertores...
Eu: Relaxa, eu não vou morar lá não. Mas, é, já peguei tudo o que preciso.
Diego: Já? Quando você vai pra lá?
Eu: Hoje. Daqui a pouco, na verdade. - encarei o relógio, apreensiva. Eram 12h30. Meu voo saía 13h30. Eu chegaria na casa de Aleksander por volta de 15h. - Bom, boa tarde, meninos. Avisarei conforme for fazendo os percursos.
Eu: Podem deixar. Até mais tarde, meu uber chegou.
Apaguei a tela do celular e entrei no carro, que seguiu até o aeroporto mais próximo. Paguei o motorista e desci.
13h. Estava indo tudo bem até eu entrar no aeroporto.
Muitas pessoas transitavam; umas tinham malas, outras sorriam, ficavam sérias, andavam normalmente ou então corriam. Era tanto barulho!
Comecei a tremer e olhar para todos os lados com rapidez, como se eu estivesse em perigo. Minhas mãos estavam tão molhadas que eu já não sabia se a mala estava ali ou não. Como se já não bastasse tudo isso, senti alguém tocando no meu ombro.
Virei-me tão abruptamente para checar que derrubei a bolsa e tropecei na mala.
— Opa! Tá tudo bem, mocinha? - um guarda local entregou-me minha bolsa e segurou-me pelo pulso antes que eu caísse.
Eu arrumei minha postura rapidamente.
— Eu estou... com medo, mas ficará tudo bem. É...
— Síndrome do pânico. - falei, nervosa.
— Oh, por isso está tão nervosa. Vim para ver se você precisava de ajuda, e parece que precisa. Vamos, vamos fazer seu check-in.
Peguei o celular, liguei o 3G e escrevi em nosso grupo: “Estou no aeroporto.”, então, segui o guarda, fiz o check-in e fiquei no aguardo da partida do avião.
Decidi que enquanto isso eu compraria um lanche, e foi o que fiz. Nesse espaço de tempo, havia dado a hora de embarcar, então me despedi do guarda que esteve presente durante minha estadia no aeroporto e subi no avião.
Rapidamente sentei no meu lugar e peguei o celular; “acabei de embarcar, logo eu chego lá!”.
O voo foi tranquilo, mas mesmo assim eu me pegava meio desesperada as vezes. Tentei dormir e sinceramente foi a melhor coisa que eu poderia ter feito.
As 14h30 eu fui acordada por uma aeromoça, indicando que havíamos pousado.
Desci do avião, peguei minha mala, parei num canto remoto para tomar mais um calmante e prossegui, tentando ao máximo esquecer que haviam muitas pessoas ali.
Peguei o celular, pedi um uber e sem seguida abri o grupo.
Eu: Pessoal, cheguei em SC. Estou esperando o Uber agora.
Eu: Melhor do que eu esperava, mas, já precisei tomar dois calmantes. Agora estou fingindo que estou sozinha no aeroporto.
Diego: Issae, boto fé que tu consegue.
Eu: O uber chegou... Preciso ir.
Entrei no carro correspondente, dei o endereço de Alek e então o motorista me abriu um sorriso.
Meu coração palpitava muito. Minhas mãos suavam, meu ar não sabia se me acompanhava ou se fugia.
Dei um generoso gole em minha garrafinha de água e prestei atenção nas ruas.
Depois de mais ou menos 20 minutos ou algo assim, o motorista voltou a falar.
— Pronto, moça! Tá entregue.
Meu coração pareceu parar de bater e em seguida, pareceu ter recomeçado, só que muito mais rápido e forte.
Eu paguei a corrida, peguei o celular e abri o grupo: “Guys... Seja o que os dados quiserem. Estou na frente da casa de Alek.”, e finalmente desci do carro, enquanto o motorista pegava minha mala.
Fiquei em frente a casa, tremendo. Escutei o uber ir embora. Ah, deuses. A rua estava tão vazia!
Respirei fundo, tomei novamente a coragem que me havia esvaído e meu dedo foi em direção à campainha.