Ela tem mania de tratar os outros como se fossem descartáveis. Um cigarro acaba ficando entre seus lábios mais tempo do que alguém em seu coração. Ela traga os cigarros devagarinho, ela usa das pessoas de forma rápida, para não se apegar, para não se machucar, pouco se lixando para a marca que ela vai deixar nos outros. Ela traga os cigarros até virarem bituca, deixa todo o tabaco se esvair, até que pisa no cotoco, nada diferente do que faz com as pessoas. Cada um tem seu jeito de traduzir no mundo sua confusão. Pode parecer o jeito errado de viver. Tratar os outros com descaso não é uma coisa boa, todos sabem. Mas ela cansou, simplesmente perdeu as forças pra seguir sorrindo. Depois de tanta falta de amor, ela não sabe cuidar dos seus sentimentos sem criar uma barreira com o resto do mundo. E é sempre assim, depois das desilusões de amor, ou melhor dizendo da falta dele, a gente perde as forças para seguir em frente com aquele velho e lindo sorriso no rosto com aquele pensamento “tente outra vez”. E com ela não seria diferente, não é mesmo? Mas até que apareça alguém que preencha esse vazio da falta de amor, que a traga de volta com aquele belo sorriso em seu rosto, aquela autoconfiança ela continuará assim na defensiva e distante de qualquer falso amor. Ela sabe o quanto é difícil encontrar alguém que valha a pena nesse mundo de hoje onde as pessoas querem cuidar apenas o seu próprio umbigo, e é exatamente isso que ela está fazendo, cuidando do que é seu para que outra pessoa não quebre. Pisar nas pessoas foi a maneira mais fácil de conseguir o que ela queria, mas não a melhor escolha que ela poderia fazer.
Escrito por Paula, Juliana K., Jasmyne e Bianca em Julietário.














