como em damas, eu perdi a minha órbita depois de sua última jogada. como um jogo de tabuleiro, minha vida vive condicionada aos seus próximos movimentos. não dependemos disso mas sem que eu perceba, eu desisto em meio a jogada mas volto para mais uma partida.
não há revanche nessa luta singular que eu insisto.
suas digitais marcam cada peça e eu me apego a superfície que eu sei que outrora foi tocada por ti.
o tempo só não será capaz de apagar as minhas memórias.
seus movimentos oculares traçam os caminhos da sua próxima jogada como se estivessem, orgulhosamente, querendo me vencer custe o que custar; eu indago a mim mesma no desejo de ignorar o fato de que eu não tenho a mínima noção do que você fará —quem dera se soubesse.
a incerteza come minhas esperanças de um dia esse jogo vencer.
é um campo minado aonde meus pensamentos são minhas próprias explosões.
minhas conclusões precipitadas me levam ao precipício de nunca saber se devo tomar o próximo passo: a dúvida de cair ou não se torna angústia dentro de mim independentemente do que eu escolho, visto que tanto quanto cair, permanecer na ponta é doloroso e não saber a hora de ir embora é cansativo como arrastar peso morto.
carrego tantas dúvidas em mim que nunca serão respondidas mas não consigo pausar o questionar.
a partida, independente do perdão, ou melhor, independentemente do perder, é voluntariamente insignificante. travamos nossas batalhas como se tamanho xeque mate fosse real.
nesse jogo de sorte, seremos ambos perdedores; seja de si mesmos ou de um pouco de cada um de nós pois nunca foi sobre um achismo qualquer, mesmo que o meu corpo insista em me fazer acreditar que eu não somente perdi
você, nós, a partida e o jogo inteiro.
nesse jogo de sorte, seremos ambos perdedores, empatados em segundo lugar.