OVERDOSE
A paz de me amarrar na tua boca
Lascar o mergulho no teu súbito
Em todo excesso e reticência
Poesia e decadência
Nua e crua, essência
E o colarinho marcado
No teu batom
Posar de bar em bar
De bom tom
Até o álcool pegar
Armar um acidente de te amar
E beber tua bebida por engano
No abandono de um sonho a mais
Que mais?
O que tem pra mim?
O que foi que fiz?
Bem que se diz
A retina desponta
Na pompa e na panca
E na trilha
A tua vida
Parar na minha
Até raiar o dia
Em mais uma missa
Daquelas já batidas
Entre focos, flashes e fotos do paraíso perdido
Eu te encontrei
Eu sei e você sabe
Que já não me cabe
Tanta cerimônia
A dopamina já é escassa
As navalhas já estão afiadas
Prontas pra cravar
No peito de um desavisado qualquer
~
— Rafael Liguili & Duarte Gullar












