certa vez, você me perguntou se eu já tinha escrito um texto sobre você e a verdade é que, inicialmente, sim, pois, no início de todas as coisas, há sempre uma névoa de ilusão que encobre as deformidades das paixões envenenadas. mas, não demorou muito para que eu descobrisse que a dor causada por essa paixão não era do tipo que inspira os poetas a escreverem as mais belas poesias. ela era do tipo que te faz ficar em silêncio, encolhido no canto do quarto, ansioso e com o choro entalado na garganta. era do tipo que esgota as palavras. a dor que só dói. a dor que é um solo infértil do qual nenhuma flor pode nascer.