eu notei que ultimamente eu venho vivendo pela metade.
talvez por medo, talvez por insegurança, talvez por essas paranoias inventadas um pouco reais demais que me atormentam até mesmo durante as atividades mais triviais.
talvez por um pouco de tudo.
eu tenho essa mania de respirar rápido e deixar a cabeça girar por um tropeçar ou uma frase dita fora de hora. os olhos inundam, a boca treme, o estômago revira.
eu levo tempo, levo paciência.
sou cautelosa e medrosa, quase obcecada.
tem muita burocracia pra entrar na minha cabeça.
tem muita burocracia pra entrar no meu coração.
mas quem tem a coragem (e vontade) de aguentar meus tsunamis e tempestades tem a sorte de ver um mundo bagunçado, mas incrível.
paisagens de arrancar suspiros e um céu por vezes meticulosamente estrelado.
músicas desconhecidas e momentos muito mais bonitos do que o formato do meu corpo.
luzes acesas e ruas sempre movimentadas por metáforas e versos prontos para serem lidos em uma conversa às 2:41 da manhã de um sábado preguiçoso.
uma galáxia de palavras e pinturas vivas que não conseguem se fazer no papel.
um universo que nunca poderia ser visto em fotos.
um lugar espetacular que só existe dentro de mim.