SALVATION.POINT
A Salvação se esconde nos lugares mais improváveis.
George tinha aceitado que seu dever nessa nova vida era ser um herói. A decisão, claro, tomou por base a vontade irremediável de Matias de ser um kamen rider e o quanto ele devia a Risa por tudo (por tudo mesmo). Ele estava concentrado em se tornar o melhor que pudesse nisso (em ser herói) e estava lendo o calhamaço que Risa havia alegremente lhe entregado. Cerca de oitocentas páginas sobre como ela acreditava que BulletEater funcionava, em todos os mais intrincados detalhes.
Aparentemente todos se davam melhor com BulletEater do que ele, justamente ele, quem devia ser o que entendia melhor essa máquina infernal. Claro que tudo isso era culpa dele mesmo, que insistia em ser obtuso quanto a tudo em sua vida, inclusive no que dizia respeito a aceitar sua própria personalidade. George continuava silenciosamente lendo enquanto Matias estava debruçado sobre BulletEater, arrumando sabe-se-lá-o-quê na armadura. Definitivamente todos se davam melhor com Bullet do que ele. Claro que BulletEater tinha, aparentemente, salvado sua vida, mas... Bem, isso ainda não resolvia o problema de ele ter basicamente morrido e voltado a vida por conta de uma máquina alienígena, demoníaca, ou seja-lá-o-que BulletEater e Metalsupreme fossem.
“Eu sempre achei que você tinha terminado com a Risa por conta do... Passado dela.” Matias falou, quebrando o silêncio. “Eu não devia ter... Você sabe... Eu não devia ter quebrado os seus dedos e eu nem me lembro direito do que mais eu quebrei naquele dia.”
“Eu...” George marcou o livro com a caneta e olhou para Matias. “Eu sinto muito. Eu mereci a sova que você me deu. Não precisa ficar remoendo isso. Você tinha razão, eu fui um babaca hipócrita que achou por bem ser escroto com boas pessoas.”
“Eu te dei um Ippon Seoi Nage muito bom naquele dia.”
“Você e essas suas coisas de nerd.”
“Jiu-Jitsu não é coisa de nerd. Aprendi a me defender depois que um cara me trancou no meu armário no sexto ano.”
“Nerd.” George riu um pouco por saber que conseguia fazer Matias fazer cara feia.
“Tá. Mas... Por que você nunca me contou tudo?”
George olhou para Matias e respirou fundo. Ele tinha prometido a si mesmo que seria mais verdadeiro, mas isso era tão difícil!
“Ah.” Matias falou, como se descobrisse algo novo. “Entendi.”
George sentiu um calafrio e levantou-se, derrubando o livro no chão. O som da caneta rolando pelo chão parecia tão ameaçador que George não conseguiu sequer abrir a boca. Ficou parado no mesmo lugar, com as duas mãos erguidas para frente, como se num gesto de “calma” que nunca chegou a ser dito.
“Eu... Eu tenho que pensar sobre isso, George. Eu acho que...” Matias respondeu a pergunta que George nunca teve coragem de fazer. “Eu não quero forçar nada e sei que você também não forçaria. Eu ainda amo Risa, você sabe. Mas a cada dia que passa esse sentimento vai ficando mais platônico, menos romântico.”
“Eu não sei se sou a pessoa indicada para essa conversa...”
“Você é a pessoa mais indicada porque você está na mesma situação que eu.” Matias praticamente gritou, para surpresa de George que raramente via o ruivo desprender a voz mais alto do que o seu tom calmo costumeiro. “Porque eu passei pelo que estou fazendo você passar. George, eu sinto muito.”
George sorriu um pouco. Ele realmente merecia levar um soco e mereceu todos os golpes de jiu-jitsu perfeitamente executados por Matias. O que ele não merecia era ser o foco de qualquer afeição de Matias. Ele estendeu os braços novamente, fazendo um gesto de “tempo”.
“Matias, eu não disse em nenhum momento que eu tinha algum interesse romântico em você. Somos melhores amigos e é isso. Acredite, você não está me fazendo nada e eu não estou interessado em você.” George achou que mais uma mentira não faria mal - se essa mentira fosse para fazer com que Matias se mantivesse por perto.
“Ah certo! Como sempre, eu li os sinais errado!” Matias coçou a cabeça. “Desculpe, George, eu não quis deixar você constrangido.”
“Não deixou.” George respondeu sem tripudiar. Os anos de mentiroso profissional tinham tornado sua expressão de paisagem perfeita.
“OK. Então, quando você arranjar um namorado ou uma namorada... Apresente para mim. Deve ser uma pessoa incrível para aguentar suas sandices.” Matias apontou para George e deu uma piscadela.
Você nem imagina o quanto ela é incrível, George pensou e desejou ter alguma coragem para contar toda a verdade. No entanto, sua vontade, no momento, se resumia a tentar aceitar tudo o que estava acontecendo, inclusive seu novo estado de “homem morto”.
Matias tinha conseguido captar as ondas de rádio da guarda nacional e da polícia através de um sistema de rádio amador. George estava ouvindo as informações enquanto tomava uma sopa enlatada.
“Aglomeração no píer. Repito, muitas pessoas no píer. A Estátua da Liberdade está descongelada. Câmbio.”
Essa frase fez com que George despertasse do transe e elevasse o volume do rádio.
“Capitão, eu já estou vendo as pessoas, perdemos contato com os policiais que estavam a pé. Não vamos chegar perto demais, parece que é outro ataque. Câmbio.”
“Entendido. Mantenham as posições no ar, vamos mandar outra tropa de choque para o local. Câmbio, desligo.”
George largou a sopa e desceu a escada de metal aos pulos, abrindo a porta de metal que dava para o laboratório de Risa.
“O cara que congelou NY voltou, só pode ser!” George bradou.
“Caraca.” Matias largou um monte de papéis no chão, enquanto Risa ergueu os olhos do microscópio.
“Temos que ir lá.”
“George, calma. Você tem certeza disso?” Risa perguntou.
“Você ouviu o mesmo que eu. Tem pessoas em perigo!”
“Isso pode ser coisa daquele cara. A gente vai para lá, Risa.”
“Eu não posso impedir vocês, só posso pedir para tomarem cuidado.” Risa deu de ombros. “Peguem esse cara e, dessa vez, tentem voltar inteiros.”
“Roger that!” Matias prestou uma continência e correu até MetalSupreme.
George se sentiu vivo. A sensação dentro de BulletEater era de completa liberdade. Ele não era tão rápido quanto MetalSupreme, mas era espetacular. George leu algumas estatísticas no canto da tela, enquanto BulletEater media a temperatura do local. Ele teria que se acostumar com as informações rolando no canto da tela, mas no momento ele somente ignorava a maioria delas, dando atenção apenas naquelas que BulletEater marcava com uma tarja vermelha. Bullet tinha entendido que George não lidava muito bem com excesso de informações e, pelo visto, já tinha entendido que esse era o melhor jeito de se comunicarem.
“Valeu, Bullet.” George murmurou. A resposta foi um pequeno sinal de positivo em vermelho no canto da tela, algo que fez George sorrir. Ele podia dar conta disso!
Chegaram até o cais em frente à Estátua da Liberdade. George cerrou o punho para que Matias parasse antes de chegar à aglomeração de pessoas. Pararam sobre um dos prédios e passaram a analisar a situação. A informação 376 pessoas apareceu no canto da tela e George focou no meio da multidão, em que três mulheres pareciam passear entre as pessoas sem que elas fossem tocadas.
“Supreme, você está vendo aquelas três mulheres?” George falou, sentindo-se praticamente um super herói por usar um codinome.
“Sim, vi. Parece que elas estão controlando essas pessoas. E a Estátua está mesmo descongelada e a temperatura da cidade está se elevando.”
“Quantos graus?”
“Em Celsius ou em Fahrenheit?”
“Porra, Matias. O que eu souber, caramba.”
“59 Fahrenheit.”
“OK, ao menos não estamos mais congelando aqui fora.”
“Mas a amplitude térmica... Tá, nem vou comentar isso, você via me chamar de nerd.”
“O que é amplitude térmica?”
“A temperatura variou muito rápido, pessoas podem morrer desse jeito.”
“OK, isso parece ruim.”
“É péssimo. A Supreme está me dizendo que as pessoas estão sendo controladas mentalmente.”
“E a gente?”
“Os exoesqueletos protegem a gente e também a nanotecnologia. O blá-blá de ciência todo tá salvando as nossas bundas no momento.”
“OK. Menos mal. O que fazemos? Tem algum plano mirabolante nas mangas?”
“Nenhum no momento.”
<LEITURAS ORGÂNICAS LOGO ABAIXO.>
Matias apontou o olhar para o local em que Supreme mostrava as leituras, pelas marcas de calor, duas pessoas estavam escondidas na caçamba de lixo.
“Bullet. Tem duas pessoas escondidas ali embaixo. Temos que resgatá-las antes que elas também sofram com a possessão mental.”
“OK. Quer que eu vá?”
“Eu vou. Fica de olho na multidão. Me avisa das mudanças.”
“Certo. De olho.”
Matias desceu com suavidade pela parede, utilizando o sistema antigravitacional de MetalSupreme para pousar sem fazer qualquer ruído. Além de rápida, a máquina prateada conseguia levitar alguns centímetros no ar, possibilitando que ele não fizesse muito ruído ao se mover. Matias ainda tinha vontade de testar isso em cima da água; ele podia apostar que Supreme devia se mover com toda a graciosidade em cima de qualquer superfície.
Chegou até a caçamba e levantou a tampa com cuidado, para ser recebido por uma corrente de gelo que o fez cair para trás.
“Matias! Tudo bem aí em baixo?”
“Mantenha-se na posição, eu cuido das coisas aqui.” Matias fez o possível para não soar apavorado. Se o homem do gelo estava ali, ele não queria que George morresse de novo porque ele não conseguiu ser rápido o suficiente.
<DOIS JOVENS. GÊNERO: MASCULINO. O RAPAZ COM PODERES DE GELO TEM 18 ANOS E 7 MESES. O OUTRO RAPAZ TEM 14 ANOS E 2 MESES.>
“Supreme, é a mesma leitura de antes?”
<NÃO RECONHEÇO ESSAS LEITURAS GENÉTICAS. PESSOAS DESCONHECIDAS.>
Com essa certeza, Matias tornou a ficar de pé e abriu a parte de cima da caçamba de uma vez só, revelando os dois rapazes, escondidos entre os pedaços de gelo e dos sacos pretos. Quando o rapaz loiro ergueu a mão, Matias o puxou para fora, com um único movimento, fazendo o outro rapaz gritar.
“Aiden!” Pela voz, esse era o mais novo, afinal ela saiu fina e esganiçada.
“Calma, eu estou aqui para ajudar.” Matias falou e sentiu sua mão esquentar. “Você faz fogo também?” Matias resmungou, abanando a mão.
“Não fizemos nada. Só queremos fugir daqui.” Ele tinha olhos de um azul tão claro que Matias se viu obrigado a piscar algumas vezes. Os olhos dele pareciam acesos como pequenas lâmpadas de led azuladas, brilhando mesmo nesse beco escuro.
“Eu sei. Eu quero ajudar.” Matias esticou a mão para frente, dando um passo para fora de Supreme. “Sou igual a vocês. Humano. Vem aqui, deixa eu te dar uma mão.” Matias estendeu a mão para Aiden, que pareceu relutar antes de segurá-la. O capuz de Aiden caiu revelando os cabelos claros, presos no topo da cabeça num coque desgrenhado. Se Supreme não tivesse dito que era do gênero masculino, Matias poderia ter jurado que se tratava de uma moça; bastante invocada e de lábios finos, mas uma moça ainda assim.
“Taran, venha logo.” A voz tinha um relance de tenor, masculina, mas não muito grossa. Definitivamente, Matias podia ter lido completamente errado. O outro rapaz correu e se jogou nos braços do mais velho, que o abraçou defensivamente.
“Vou tirar vocês dois daqui. Sou Matias e essa é MetalSupreme.”
“Sua armadura tem nome?” O jovem loiro perguntou, com um sorriso breve em seu rosto.
“Eu explico isso depois, mas se vocês estão fugindo daquelas donas mal encaradas, preciso tirar vocês daqui agora.” Matias voltou-se para MetalSupreme, que lançou-se sobre ele, cobrindo-o como um tecido que se junta à pele.
“Uau.” Matias ouviu o rapaz loiro suspirar e sorriu para si mesmo. Devia parecer bem incrível mesmo. Estendeu um dos braços para puxar a escada que estava presa numa das saídas de emergência.
“Subam por aqui. Meu parceiro, BulletEater está lá em cima.”
Os dois obedeceram enquanto MetalSupreme subiu pela parede, sem qualquer som. Ao chegarem lá em cima, George continuava no mesmo posto.
“Eu já ia descer, pensei que... Quem são esses... Supreme?” George quase falou o nome de Matias.
“Aiden e Taran.” Matias apresentou.
“Estamos fugindo daquelas mulheres e tem mais um cara na Estátua da Liberdade. Eles... Eles ameaçaram a gente...” Aiden tentou ser claro, mas balbuciou e sentiu que estava chorando.
“Mano.” Taran o abraçou e começou a chorar também.
“Taran.” Aiden passou a mão nos cabelos ruivos do irmão mais novo. “Eu preciso que vocês garantam a segurança do meu irmão. Eu ajudo no que for preciso.”
“E o que você pode fazer, Elza?” George falou de maneira jocosa e começou a rir. Antes que Matias pudesse corrigi-lo, Aiden fez um arco de fogo esticando as duas mãos ao lado do corpo.
“Ele pode fazer mais coisas, eu garanto. Ele quase me congelou lá embaixo.” Matias bateu no ombro de George, que deu um pequeno pulo, por conta do susto.
“Qual é o plano?” Aiden olhou para onde eram os olhos de MetalSupreme e Matias sentiu-se corar. Era um olhar muito intenso para uma pessoa tão pequena.
“Temos que dispersar aquelas pessoas.” Matias falou. “Mas, há um controle mental delas e...”
“Você precisa de uma distração? Preciso que algum de vocês fique com Taran por perto, assim eu posso fazer algo mais drástico.”
“Drástico. Você mete medo, garoto.” George falou.
“Você vai ficar com medo quando vir o que ele faz quando está com raiva.” Taran riu um pouco.
“OK. BulletEater e Taran são um time, eu e você somos outro. Sobe nas minhas costas que a gente chega lá bem rápido.”
Aiden segurou-se numa das travas prateadas das costas de MetalSupreme, enquanto BulletEater apanhou Taran nos braços. Supreme era muito rápida, chegaram lá em poucos segundos e Aiden fez com que todo o ar ao redor deles se transformasse numa densa nuvem acinzentada.
“Mas o quê...?” Era a voz de Veda, Aiden reconheceu na hora. Esticou os braços como se fosse atirar com um arco, a flecha de gelo parou bem na frente do rosto de Veda. “Que droga é essa?”
“Caia fora da minha cidade.” Aiden acertou um soco bem no rosto de Veda, que caiu no chão.
“Deu ruim!” Marian gritou. “Derrubaram a chefe!”
“Eu disse. 98% de chance de um encontro inesperado.” Vic pontuou. “Tire a gente daqui, Marian, agora.”
“Tá bom, Vic!” Marian obedeceu e as três sumiram no ar.
“Teletransporte! Essas pessoas não brincam em serviço!” Matias gritou.
Aiden dispersou a cerração e as pessoas pareciam confusas e aturdidas ao redor deles. Assim que algumas delas começaram a olhar ao redor, os primeiros gritos de terror começaram e Matias sabia que MetalSupreme não era exatamente uma coisa normal para se ver em NY.
“Melhor a gente sair daqui.” Matias apanhou Aiden no colo e correu, antes que o rapaz loiro pudesse argumentar. Pararam perto de BulletEater, que ainda estava no meio do caminho. “Aiden resolveu a parada.”
“Caramba.” George exclamou. “Tudo?”
“Eles vão fugir.” Aiden se debateu nos braços de MetalSupreme, que o colocou no chão. “E podem voltar para nos atacar!”
“Teletransporte. Controle mental... Eu acho que a gente não tinha chance.” Matias pontuou.
Aiden arqueou uma sobrancelha e deu de ombros. Fez um gesto para que BulletEater deixasse Taran no chão. Assim que o menino ruivo tocou o chão, correu para abraçar o irmão mais velho.
“Taran também consegue nos transportar para os lugares, mas é limitado. Eu não posso exigir que ele faça de novo.”
“Caramba. Vocês dois têm poderes?” George levou uma das mãos até a cabeça. “Isso é insano! Quer dizer, por isso que estava tendo essa confusão?”
“Aquelas pessoas têm poderes e pelo jeito não gostam que outras pessoas com poderes atrapalhem os planos delas. Mas, isso é só uma teoria. Não é como se fossem meus amigos ou como se eu e meu irmão tivéssemos participado dessa festa que fizeram.” Aiden respondeu sem hesitar.
“Será que tem envolvimento com o cara que congelou NY?” George questionou.
“Eu não sei, mas disseram que estavam aqui para ‘limpar a bagunça’... O que quer que isso signifique.”
“Isso é bastante aberto, Aiden. Você sabe os poderes deles?”
“Na verdade, eu não tenho ideia. O lance de se transportarem eu entendo em parte porque é um dos poderes do Taran. Tirando nós, não é como se eu conhecesse mais pessoas com habilidades.”
“Justo. Eu e BulletEater vamos lá averiguar, vocês ficam aqui.”
“Por que vocês querem fazer isso? Lutar assim... Qual o motivo?” Aiden não tinha muitas papas na língua.
“Porque é o certo a ser feito e nós somos heróis.” Matias falou e George conseguia perceber o quanto ele se orgulhava dessas palavras.
“Heróis?” Taran balbuciou.
“Somos BulletEater e MetalSupreme, os protetores de Nova Iorque.” Matias respondeu, colocando as mãos na cintura.
George suspirou com aquela frase. Aquilo deveria ser o que Matias sempre tinha sonhado fazer no final das contas, parecer um herói de revistas em quadrinhos.
“Nesse jogo podem ter outros. Se vocês vão, eu também vou.” Aiden respondeu.
“Eu também!” Taran gritou, com entusiasmo.
“É muito perigoso, prefiro que você se esconda.”
“Mas e se elas machucarem você, irmãozão?”
“Tenho certeza que esses heróis, MetalSupreme e BulletEater, não vão deixar isso acontecer. Você precisa ficar escondido.”
“Eu... Tá bom. Eu vou ficar escondido.”
“Ótimo. Eu venho buscar você assim que resolvermos isso.” Aiden deu um beijo na testa de Taran e voltou a olhar para os dois armadurados. “É melhor que vocês saibam o que estão fazendo de verdade.”
“Essa é a graça da coisa: nós não temos a menor ideia.” Matias falou e George conseguiu ouvir o amigo sorrindo com essa frase.
“Eu não sei se isso é uma boa ideia.” Aiden falou, olhando para a Estátua da Liberdade.
“Sou obrigado a concordar com... Seu nome é Aiden, certo?” George interrompeu a conversa. “Não sabemos os poderes dessas quatro pessoas e eles teriam não apenas uma vantagem numérica, mas a vantagem de já se conhecerem e de saberem suas habilidades. Com toda a licença, não sei se Aiden e o outro guri tem realmente habilidades, ou se isso é apenas uma fantasia.”
“Eu também não sei se posso confiar em vocês.” Aiden olhou diretamente para BulletEater e George podia jurar que tinha visto aqueles olhos ficarem vermelhos como chamas. “Taran e eu vamos embora.”
“Não. Nem pensar. Concordo em nos escondermos de novo, concordo em deixar para lutar outro dia, mas discordo de deixar vocês dois sozinhos com uma ameaça dessas aqui na cidade.” Matias falou. “Vocês dois vem com a gente e eu prometo, promessa de escoteiro, que não vamos fazer nada de ruim com vocês. O George aqui é policial.”
“MetalSupreme! Não podemos usar nossos nomes assim!”
“Eles já sabem que meu nome é Matias, George. Mostra a cara para eles e vamos chegar a um consenso.”
George, a contra gosto, fez o que Matias mandou, mostrando seu rosto ao abrir apenas uma parte do exoesqueleto. Aiden sorriu e balançou a cabeça.
“Dois bobos. Realmente, não tem como vocês serem ruins.” Aiden riu e Taran ficou olhando o irmão. “OK. Vamos com vocês, mas lembrem-se que não viram nem 10% do que eu posso fazer.”
“E nem você sabe do que somos capazes.” George voltou a fechar o exoesqueleto e notou que Aiden não parecia sentir medo. Esse cara podia parecer uma princesa Disney, mas com certeza não estava para brincadeira.
“Eu não sei mesmo, mas depois de tudo o que eu sobrevivi, não tem muita coisa que possa me dar medo. Posso me assustar, mas não é como se eu ficasse muito tempo aterrorizado.”
“Sobreviver é uma palavra forte.” Matias pontuou.
“Você nem imagina o quanto.” Aiden falou entre os dentes, segurando a mão do irmão mais novo com firmeza.
“Sem brigas. Levamos vocês e pensamos em um plano.” George falou.
“OK. De acordo.” Novamente, antes que Aiden tivesse a oportunidade de reclamar, Matias o apanhou no colo. “Não. Eu me apoio em você, mas você não me segura desse jeito. Nem pensar.” E com isso Matias resolveu atender ao pedido. Não queria ser chamuscado de novo.
Taran logo ergueu os braços para BulletEater o pegar.
“Eu não me importo. Vai ser legal viajar super rápido. A carona é bacana.” Taran sorriu e segurou no pescoço de BulletEater. “É melhor que andar.”
Assim os quatros sumiram entre as ruas de Nova Iorque.










