Arte é dádiva, presente divino. É dom. É muito mais difícil, complicado viver uma vida com muitos mais tons de verde, azul e magenta, mas é tão, tão mais lindo. Vale tanto a pena. Desse lado existem infinitos níveis entre a alegria e a tristeza, o ápice e o poço. E é tudo poesia. Aqui a gente transborda, sente as unhas do vazio arranharem as entranhas, caímos ao chão por amor. A gente acredita na força do acaso. Eu falo do que dói, de sangramentos internos, invisíveis ao outro mundo. Eu falo do que não se vê a olho nu. Eu fecho os olhos quando a música toca, quando a plateia canta em coro. Meu coração bate no ritmo da melodia, se enche de sentimentos que nem tem nome. A vida me leva aonde quiser e eu, artista que sou, faço de tudo pra registrá-la conforme ela me permitir. Mas nunca mudo o curso que me foi traçado. Porque eu sou e entendo ser uma parte minúscula (apesar de relevante) de tudo isso que é a vida. Eu fui feita pra vê-la agir em mim. Não a controlo. Só aceito as condições e trabalho com o que me é dado, que tenho total consciência de que é tanto. E, apesar de não soar assim, sou livre. Tenho infinitas realidades, chances, possibilidades dentro de mim. Quem vive a arte é tão mais livre do que os meros mortais. Porque a gente não morre, porque a nossa arte fica; nossas palavras, pinceladas, cores no papel. Tudo fica. É tudo eterno… as marcas que a gente deixa no mundo. E é assim que transcendo.