O prisioneiro
Numa gaiola habitava Um pobre canarinho Para não chorar cantava Ao recordar o seu ninho Viver no cárcere insonte Como é bela a liberdade Eu quero rever os montes Libertai-me destas grades.
Saudades dos dias quentes Quando o sol descortinava Em bando alegremente Nos prados voejava. Vivo nesta prisão... Triste tenebridade Não violei a retidão Eu mereço a liberdade.
E na imensa ansiedade Levava o tempo a esforçar Conseguiu romper as grades Rever o querido lar. Não encontrou o lar saudoso Nem os amigos de outrora E num pranto copioso Volveu-se para a gaiola O seu gorjeio estentóreo Pouco a pouco emudeceu As vezes fitava o céu E de saudades morreu.
A ave no seu passado Fazia uma revisão Para ver se havia errado E se era justa a sua prisão Oh! quanta infelicidade O meu destino é atroz Eu perdi a liberdade Por causa da minha voz.
Carolina Maria de Jesus











